Parece que a AM está interessada em quebrar os grilhões que a prendem ao belo DB7.
Já ha vinte anos os britânicos limitam-se a colocar nas ruas variações do mesmo tema que, verdade, já está saturado e a culpa nem é toda da AM, mas sim de outros fabricantes que já ha alguns anos tomaram-na como fonte de inspiração, tais como a Renault com o Laguna Coupé, ou ainda a silhueta dos Audi A5 e A7, bem como os concept Prologue que também guardam alguma influencia da AM especificamente nas novas soluções para a grelha dianteira que a Audi a experimentar. Porém quem mais contribuiu para vulgarizar as linhas da Aston foi decididamente a Ford, que forjou uma nova identidade visual para sua gama calcada nas linhas da AM com aplicações muito mal executadas, como o novo Ka brazuca, desnecessárias, no caso do Fiesta e do Focus, ou muito carregadas como o Mondeo/Fusion. Na minha opinião apenas os três últimos Mustang resultaram bem - o actual, aliás poderia se passar por uma releitura dos antigos e brutos DBS/Virage.
Mas não acho que o caminho para uma nova estética esteja neste Vulcan. Concordo com uma observação do es.autoblog: O carro cheira Jason Castriota por todos os cantos. Será que foi desenhado por ele? Afinal podemos identificar no modelo elementos que remetem ao Bertone Mantide, ao SSc Tuatara, e ao Saab Phoenix Concept. E especial o facto de dividir a carroçaria em dois elementos distintos, a metade de que funde tecto vidros e pilares como um elemento de cristal destacado do restante da carroçaria. Para mim este é um expoente manhoso para contornar a falta de criatividade para explorar a integração entre tejadilho, pilares e vidros com o restante da carroçaria. E que já chateia pela repetição. Trata-se de um carro bonito, entretanto poderiam mudar uma ou outra coisa e meter qualquer logótipo na chapa. O único ponto que realmente gostei foi a interessante estratégia de converter a grelha típica da Aston em um defletor dianteiro destacado do restante da carroçaria. Aliás acredito que tentaram repetir o conceito presente no BMW i8 ou nos Citroen Revolte/Survolt, mas o resultado obtido não teve o mesmo brilho destes. Também gostei das ópticas dianteiras. São bem distintas.
Para os futuros Aston poderiam evocar a brutalidade dos antigos DBS dos anos 70 e Virage dos anos 80/90.