Uma criatura que me deixa ainda algo ambíguo.
Merece claramente o título de estrela de salão, como toda a imprensa o evidenciou.
É um carro referencial na cena americana, e o caminho agora é elevá-lo aos standards que encontramos em criaturas semelhantes europeias, focando claramente no interior e vivência a bordo, um habitual ponto fraco no Corvette.
Focando no estilo, o c7 caracteriza-se como uma viragem bastante mais carregada e vincada do que é habitual na longa hsitória do Corvette.
Sou fã do desenho do antecessor. Muito mais "light" nos elementos, superfícies e volumes.
As proporções e volumes é que "falavam", sem cair nos excessos visuais, muitas vezes gratuitos, que caracterizam os últimos anos da indústria.
O c7, inspirado pelo Stingray e sobretudo o arrojado retro-futurista concept homónimo de 2009 que vimos nos Transformers, acentua e de que maneira traços, volumetrias, elementos e transições entre superfícies.
Quase roça o caricatural.
Temos um capot extremamente esculpido, assim como uma "costela" lateral, que não serve apenas de "light-catcher", como serve de suporte à saída de ar que se encontra cima desta.
É uma área bastante dinâmica, com a orientação das linhas e limite das superfícies a gerarem uma temática à volta de linhas como que em ZigZag.
A traseira é de uma agressividade acutilante.
Os nichos onde se encontram as ópticas traseiras, conjugadas com saídas de ar, são esculpidos na traseira, não estando à superfície desse plano.
Na maior parte dos automóveis que vemos, as traseiras são bastante planas e bidimensionais, quando comparadas com as mais escultóricas frentes.
Até as ópticas são tridimensionais e não apenas uma "cobertura" plana para uma série de elementos gráficos como acontece na maior parte dos automóveis que vemos na rua.
Este Corvette consegue animar a traseira, recorrendo aos mesmos truques que normalmente se usa na frente.
A acompanhar temos 4 bazookas centrais, e no topo, um evidente spoiler.
Vai levar tempo até habituar a este "rabo". Não temos soluções "cliché".
Curiosamente, fica a ser bastante mais agressiva que a frente, que parece algo tímida.
Culpo as ópticas de desenvolvimento vertical. Também mataram a face do Viper com o mesmo tipo de solução. E tal como no Viper, ao termos uma entrada de ar inferior bastante simples nos seus contornos, a contrastar com as soluções encontradas para definir a restante carroçaria, ficamos com uma frente algo fraca e sem força, apesar do dramatismo dos montes e vales do capot.
Mais uma criatura para ver ao vivo, pois o que pode não resultar na foto, pode ser que funcione melhor ao vivo.
Andei alguns dias a olhar para as imagens, e havia algo que não encaixava.
É certo que o desenho agressivo distrai bastante.
Apesar do salto estilistico ser grande relativamente ao C6, quando observado de perfil, os contornos e proporções são 100% Corvette.
Tal como o C6 temos um carro relativamente compacto com distância entre-eixos longa. E continuamos a ter longo capot com habitáculo recuado.
Algumas imagens de comparação e acabei por perceber o que perturbava os meus olhinhos:
O C7 tem um pilar C completamente distinto do C6 (tecnicamente o C6 só tem mesmo pilar B, mas faz de conta...)
O C7 segue uma solução mais convencional. com a linha de tejadilho a fluir para a traseira e a "fundir-se" com os contornos do pilar C. Ganhou, inclusivamente, uma janelinha extra.
O C6, seguia a tradição Corvette, ao apresentar um pilar B vertical, e o que está para trás deste era apenas um óculo traseiro a "envolver" a secção transversal definida pelos 2 pilares B mais o tecto. Uma solução algo antiga, tendo já sido usada pela Porsche no 944, e em criaturas mais convencionais como os Renault 11 ou 25 ou ainda o Fuego.
Não deixa de ser uma solução ainda interessante, e o Corvette tem feito muito bom uso dela.
Capot longo e habitáculo recuado, acabam por criar bastante peso visual na traseira, e o C6, ao recorrer áquele óculo traseiro, aligeirava bastante o peso do volume traseiro, conseguindo melhor equilibrio com a longa e esguia frente.
O C7 mantém as proporções típicas Corvette, mas ao fazer uso de um volume traseiro mais convencional, com o óculo traseiro a ser mais uma "cortina" entre os pilares C, ganhamos peso extra no volume traseiro.
Em muitos ângulos é perceptivel este peso extra.
Juntando um desenho bastante dinâmico, tendencialmente rectilineo de arestas acutilantes e a ênfase na escultura, em alguns aspectos, até bastante exagerado, esta nova solução não contribui muito para a apreciação global. Com algo assim tão "bold", a solução do c6 para o volume traseiro, poderia ajudar a aligeirar visualmente o desenho do c7.
O concept Stingray de 2009 era ainda mais exagerado do ponto de vista escultórico, e apresentava já os traços gerais do C7. Mas o volume do habitáculo mantinha-se fiel ao que era habitual. Um pequeno pilar B vertical e um óculo traseiro "3d" a completar o volume em falta.
Tal como o Viper, esta nova geração de Corvette não me convence na totalidade do ponto de vista visual. O C6 resulta em criatura mais coesa e equilibrada, servindo-se das proporções para criar o drama necessário. Não era perfeito, mas era mais assertivo.
Este C7 é um pouco como a transição Murcielago-Aventador. Mantém as proporções icónicas, mas preenche a carroçaria com aparato desnecessário. E tal como o Aventador, o C7 não deixa de ser criatura visualmente apelativa, apesar de ambos "gritarem" em demasia.
Comparando com o Viper, ambos sofrem de uma frente algo anémica (pelo menos é o que transparece nas fotos que tenho visto. Gostaria de vê-los ao vivo, óbvio, só para tirar as dúvidas[

]), mas é mais fácil criar empatia com o Viper. Convence mais depressa na restante carroçaria, dado os músculos que o definem. O Corvette funciona melhor quando analisamos algumas das partes em isolamento. Mas o todo deixa algo a desejar.