Eu acho que o Grupo não só não decide como não têm coragem de suspender uma marca mesmo que temporariamente.
Eu poria a Lancia em stand-by, parece-me uma atitude inteligente, poupavam um pouco e podiam ir apostando em duas áreas, a Fiat com várias propostas competitivas até ao segmento C inclusivé, e colocar a AR com versões dos mesmos chassis mas mais "bonitas" e ir até ao D+ nichos de mercado. Ou então usar a Lancia apenas para o mercado asiático, os chineses parecem gostar bastante de luxo, porque não apostar na marca lá, e manter o badge Fiat para modelos mais baratos.
Apesar de não concordar com o que foi feito, ou seja, a clonagem sem espinhas do 200C Cabrio / 300C / Voyager, colocar a marca em stand-by seria ainda pior.
Quanto muito, e como fizeram com a Alfa, mantê-la presente apenas com a gama que tinham, nomeadamente, Y, Musa e Delta até terem uma estratégia mais definida relativamente a futuros modelos.
Os clones da Lancia estão a vender a conta-gotas. Estarem na gama ou não é irrelevante.
Não sei se o 300C, Voyager, 200C estão cá ao abrigo do acordo que a Fiat fez com o governo americano, com a obrigatoriedade de exportar modelos Chrysler/Dodge produzidos do outro lado, como aconteceu com o Journey
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Nesta confusão toda, também acho que acabar com a existência da Dodge e Chrysler na Euroland até foi uma decisão muito acertada.
Não faria sentido manter mais 2 marcas num mercado em recessão que vendiam muito pouco.
A Dodge não encontraria lugar aqui na Europa. A sua gama é extremamente focada no mercado americano, e apenas o Journey ou um SUV puro e duro (que vão ficar exclusivamente a cargo da Jeep) faria algum sentido. Os outros seriam exportados a conta-gotas para umas dezenas ou poucas centenas de entusiastas no continente todo.
O caso da Chrysler é um pouco diferente, dado a decisão de fundi-la com a Lancia. Nesse caso, deixa de fazer sentido a existência de uma delas.
Torço o nariz a esta decisão de fusão, apesar dos pontos comuns entre as duas, mesmo a um nivel histórico (ambas marcadas pela inovação, apostas arriscadas, e com a engenharia, em partes significativas da sua história, a liderar o caminho)
Acho que vai ser bastante dificil para a Fiat conseguir uma identidade comum a estes 2 simbolos, dado virem de contextos diferentes (EUA vs Europa).
Seja essa identidade ao nivel do look, seja ao nivel de desenvolvimento de produto, dado haverem diferenças ainda substanciais nas preferências dos públicos europeus e americano.
Não digo que não seja possivel, mas não sei se trará os benefícios esperados, tanto para a consolidação da Chrysler nos EUA, como para um ressurgir da Lancia na Europa.
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Não sou fã de clonagem auto. Mata a diversidade, dilui a imagem de marca.
O caso do Journey/Freemont não foi propriamente algo planeado. Acho que não estava nos planos da Fiat apanhar com um crossover de grandes dimensões.
Talvez a próxima geração, caso a Fiat considere um sucessor para o Freemont (existe um potencial comercial interessante, sem dúvida), possa seguir estratégia mais diferenciadora como acontece com o Touareg/Cayenne, por exemplo.
Estes dois partilham uma série de paineis de carroçaria (portas, tejadilho, além de outros elementos como párabrisas, etc), mas ao permitirem-se frente e traseira distintas, conseguiram fugir do rótulo clone (claro, que ao nivel das entranhas, até se diferenciam um pouco mais, como motores exclusivos para Porsche e acertos de suspensão únicos, além de interiores distintos)
E a vantagem, é que nem sequer serão vendidos simultaneamente nos mesmos mercados, como acontece com o par alemão.
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Outra questão...
Demos um pouco de crédito ao Marchionne...
O homem pegou num grupo moribundo, e tornou-o lucrativo em 2 anos e uns trocos. Tinha feito o mesmo com a Fiat à uns anos atrás, antes da crise se instalar.
Renovou a gama toda, com uma série de restylings que focaram sobretudo no interior e qualidade de execução, ainda conseguiu terminar o desenvolvimento de modelos chave, como o 300C e Grand Cherokee (incluindo também o concluir do desenvolvimento do V6 Pentastar, motor chave para o sucesso comercial de diversos modelos), já apresentou um modelo 100% novo com base nas entranhas do Giulietta, o Dart, e ainda deu-nos um renascido Viper.
Conseguiu pôr a Fiat no mercado americano, e apesar de um ínicio tremido, a marca parece estar a consolidar-se por lá.
Recebeu empréstimos avultados do governo americano para o fazer, é certo, mas que entretanto já foram pagos.
Apesar de não concordar com todas as decisões do homem (sobretudo ao nivel de produto), e todos os adiamentos que as marcas europeias do grupo estão a sofrer nos seus planos, o homem já deu mais que provas que tem o que é preciso para dar a volta aos problemas que vão surgindo.
Acho que conseguirá, outra vez, dar a volta às "sortes" do grupo no continente europeu, como o conseguiu fazer quando entrou para a Fiat.