Convém ler o artigo original da Forbes. A começar pelo título:
Fiat Chrysler shrugs off negatives, helped by Maserati, Alfa Romeo spin-off theories
Theories!!! Mera especulação.
Nem existem declarações oficiais da FCA sobre o assunto.
Talvez no CES ou em Detroit o Marchionne diga qualquer, ou para alimentar os rumores, especulando valores, ou para calá-los de vez.
Basicamente a FCA está com um enorme problema de dívida.
O Marchionne prometeu livrar-se disso até à sua retirada. E sim, ainda pode implicar a venda de alguns bens.
Como vimos recentemente, houve negociações com a Samsung referentes À compra parcial ou total da Magnetti-Marelli.
Após o desastre do Galaxy Note, a Samsung deu passo atrás.
O artigo da Forbes refere-se basicamente à oportunidade de investimento na compra de acções da FCA, que, devido a factores como a vitória do Trump (que pode reverter as metas do CAFE), baixa exposição ao mercado chinês, e o livrar-se da produção de veículos de baixa margem (Dart e 200), pode ser a aposta mais rentável em 2017.
O grande risco é o montante da dívida do construtor e custos adicionais devido a novas operações massivas de recall que vai ter de efectuar, entre outros, como custo de pensões.
O que os analistas dizem é que despachando a Magnetti-Marelli e a Maserati, e talvez adicionando a Alfa Romeo ao pacote, conseguiriam livrar-se rapidamente dos mais de 7 mil milhões de euros de dívida que possuem.
Mas do meu ponto de vista é uma parvoíce.
Só nesta primeira fase, que contempla 8 modelos, a Alfa Romeo levou com 5 mil milhões de euros de investimento, e agora iam vender a marca apenas por uma fracção desse valor?
E para conseguir esses 5 mil milhões, livraram-se da Ferrari, não nos esqueçamos.
Além disso, se fosse potencial comprador da Alfa, acho que daria mais tempo para perceber se o Giulia e, sobretudo, o Stelvio permitem gerar os rendimentos previstos.
Colocar uma marca no segmento premium sai muito caro, e a não ser que a Alfa fosse absorvida por um grande grupo, não estou a ver ninguém com caparro financeiro para sustentar este tipo de aventura.
E podem esquecer a VW entrar nesta aventura, já que entre indemnizações e investimento em veículos elétricos, estão também a apertar o cinto. Já vimos reduzirem o seu programa desportivo, e muitos modelos ou variantes de modelos já têm destino traçado...
Além do mais, o grupo FCA ainda tem um potencial enorme de economias de escala, onde o aproveitamento da Giorgio dará origem a novos modelos não só na Alfa, como na Dodge, Maserati e até Jeep. Sobretudo a Dodge e Jeep significará volumes significativos.
Iriam despachar esse pedaço valioso de hardware para outro grupo?
Na indústria auto tudo está pronto a ser vendido, caso as contas batam certo.
Mas não acho que seja o momento para despachar a Alfa.
Pelo menos deixar ver como é que o plano resulta, de modo a fazer subir o valor da marca até ao final da década.