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Este deixou-me parvo...
Ora, trânsito parado. Não estou a dizer lento, estou a dizer parado, mesmo. Uns metros à frente havia um semáforo que estava vermelho. À minha frente, um rover verde. À direita, carros estacionados "em espinha".
Vem um homem, descontraído, entra no seu carro (não me lembro da marca, mas era vermelho), mete o carro a trabalhar, engrena a marcha atrás e aí vai ele... CONTRA O GAJO QUE ESTAVA PARADO À MINHA FRENTE.
Não estamos a falar de ângulos mortos. Não estamos a falar de algo que aconteceu muito rápido e que apanhou o homem de surpresa. Eu vi o homem a entrar para o carro e quando vi as luzes da marcha atrás ainda pensei "Não!"... fiquei parvo. Especialmente porque a estupidez desta porcaria... nem o tipo do rover fez nada para levar com aquilo, para provocar o acidente, nem pôde fazer nada para o impedir...
...há pessoal que não sei o que tem na cabeça.
Lisboa, Avenida José Malhoa, 16h sensivelmente, entro para o meu carro estacionado frente ao BANIF enquanto conversava ao telemóvel com a minha esposa.
De repente, ouço uma breve travagem e um estrondo ensurdecedor, brutal, medonho, angustiante. Desligo a chamada, ligo para o 112, saio do carro e deparo-me com um táxi completamente desfeito de frente, o condutor e passageiro da frente, ainda atordoados baixavam os air-bags já vazios e a senhora que viajava no banco traseiro gritava continuamente pelo seu marido que viajava no banco da frente. No meio disto, apesar da confusão da cidade, parece que se só se ouviam os gritos de pânico da senhora e os gemeres do seu marido.
Conseguiram sair todos, o condutor visivelmente dorido, quase não se mexia, o passageiro da frente com a cara ensanguentada tambem tinha muita dificuldade em mover-se e pedimos-lhe que se deitasse no chão e ficasse imóvel até á chegada da ambulância.
A senhora e o condutor do outro veiculo estavam aparentemente bem.
Entretanto chegou o INEM e a PSP e abandonei o local.
Isto é uma história como qualquer outra que acontece diariamente por todo o pais, mas se fiquei transtornado com aquele estrondo angustiante e o cenário com que me deparei, não imagino e espero nunca vir a experimentar o que sentem os passageiros/condutor. É uma situação arrepiante, angustiante, medonha, acho que não a desejo ao meu pior inimigo.
Por favor, tenham calma e atenção na estrada. Que ninguem nunca passe pelo que eu assisti hoje.
PS: Deixo ainda os meus parabéns ao agente da PSP que chegou num motociclo pouco depois e, apercebendo-se que existiam duas testemunhas oculares, lhes pediu pedagógica e educadamente que aguardassem um pouco até á chegada da brigada de acidentes para se identificarem pois era um dever civico para com os intervenientes.
PS2: Pela forma do banco da frente direito e queixas do passageiro, estou em crer que as suas lesões terão sido essencialmente provocadas pelo embate da sua esposa de encontro ao banco. Usem o cinto de segurança traseiro porra!
1986
Entre Mafra e Ericeira
Um 127 900/C de cor creme entra numa curva a alta velocidade, na faixa do outro lado esta um engarrafamento e eu estou dentro do 128 do meu pai.
De repente o Fiat alarga a trajectória, fazendo uma chiadeira de pneus, passa a milímetros do nosso carro e guina de repente para a direita batendo com a frente violentamente num muro de granito.
O pneu sobressalente voa pelo meio dos carros, o 127 faz um pião no ar e estatela-se contra a lateral de um Renault 9 azul, dentro do Renault estava uma família. O condutor tem as costas a sangrar e estão todos assustados, as crianças choram, as portas não abrem e a direcção ficou partida.
O condutor do 127 está deitado nos bancos da frente e sangra dos ouvidos. Era um soldado raso do quartel de Mafra. O 127 está desfeito e é só óleo e vidros no chão.
Dias depois o meu pai foi ao quartel perguntar por o soldado. Estava hospitalizado com traumatismo craniano mas livre de perigo. O carro havia sido roubado a uma tia dele.
1999
Por coincidência um 127 igual ao de Mafra. Na EN a chegar a Famalicão vindo de Guimarães.
O 127 ia a minha frente a velocidade moderada quando de repente dá uma guinada para a esquerda para virar para o CITEVE. A velocidade era demasiada pois esse cruzamento apresenta um desnível e o carro foi literalmente projectado, voando de encontro a um muro e um painel publicitário.
Só me lembro de sair do meu carro a correr e ficar paralisado quando vi o condutor todo rebentado no banco da frente e o passageiro enrolado entre os bancos da frente e os de trás... [s)]
O estado do 127 era impressionante, o volante e a coluna de direcção a apontarem para cima, o tablier desprendido, a porta do condutor presa e vincada como uma sanfona e gasolina a verter do depósito...
Não sei se morreram ou não... mas passado pouco tempo foram de ambulância numa daquelas macas com cobertores especiais e foi-lhes colocado aquela protecção para o pescoço.
Não assisti, propriamente, mas fui o primeiro a chegar ao pé do desgraçado. Ora, para quem conheçao Pq das Nações, aquela linha de bares/discotecas, que logo o início tem (ou tinha) um onde se costumam juntar umas quantas motas. Eu estava no Irish, a umas centenas de metros mais à frente, e era normal ouvirem-se motas a sair de lá com arranques fantabulásticos.
Ora, este foi mais um. Saíu de lá e pôs-se a acelerar. O que me pareceu, do que vi quando lá cheguei, foi que estava à espera de conseguir passar entre dois carros depois de estes se cruzarem (iam em sentidos opostos), mas... os tipos conheciam-se e pararam, lado a lado, a ocupar toda a largura da faixa.
O da mota tentou travar, perdeu o controlo e desequilibrou-se... a mota foi ao chão, a raspar até bater nos carros, ele foi de cabeça contra um dos carros estacionados. Tudo o que ouvimos foi a mota a raspar pelo chão e o embate, estávamos sentados e saímos (éramos 3) a correr para o local. Nesta altura já um dos meus amigos estava a ligar para o 112.
Quando lá cheguei, o tipo estava no meio do chão, consciente, com o vido do capacete partido e a cara salpicada de sangue, a olhar para mim de olhos muito abertos... estava dizer que estava bem, e a tentar-se levantar e tirar o capacete. Felizmente houve uma rapariga com formação em primeiros socorros que não o deixou.
Ora, por mim, estaria tudo bem - fica o aviso: nunca deixem ninguem fazer isso. Ao que parece, por vezes a cabeça está rachada e o que le mantém a integridade é o próprio capacete.