Ora essa é que é uma grande verdade, e uma vez que este tópico tem bastante a ver com a minha situação actual, vou aqui deixar o meu caso.
Comecei a trabalhar aos 15 anos, em 1989, durante as férias de Verão, numa carpintaria perto de minha casa. Ganhava a 200$00 por hora, e as minhas tarefas passavam por ajudar na montagem e desmontagem de móveis em casa de clientes e na exposição, ajudar no carregamento das carrinhas da empresa, ajudar no corte das tábuas para fazer os móveis, envernizar, varrer o chão, etc.
De 1990 a 1992, nas férias, tive um emprego de
$onho. Fui para a Alemanha trabalhar na empresa onde os meus pais tinham trabalhado nos anos 70 e 80, nos seus tempos de emigrantes, a ganhar... 10 DEM por hora!!! Vejam a evolução no ordenado, tentando descobrir quanto valia 1 DEM no início dos anos 90! [

] [

] Era uma fábrica de cadeiras de rodas para deficientes e eu trabalhava na secção de montagem, apertando parafusos e pouco mais [

] . Com esse dinheiro financiei a minha primeira aparelhagem de som (uma Sharp comprada em 1990 que ainda tenho!!), a minha carta de condução, um órgão electrónico que vendi 2 anos depois pelo preço que o tinha comprado, e os primeiros móveis que comprei quando casei pela primeira vez.
Entre 1993 e 1995 trabalhei nas férias e fins de semana numa fábrica de mármores e fogões de sala ao lado de minha casa. Comecei por ganhar 500$00 à hora (muito bom!) mas quando o patrão começou a ver que eu fazia muitas horas, reduziu o pagamento para 350$00/hora, o que mesmo assim não era nada mau! [

] Este foi o trabalho mais sujo e fisicamente exigente que tive até hoje, mas de longe o que mais gostei!
Em 1996 trabalhei durante um mês como operário indiferenciado, ainda era estudante, na fábrica de gessos onde o meu pai ainda hoje trabalha.
Em 1997, com o fim do curso, chega o primeiro trabalho "a sério": professor estagiário numa escola secundária de Famalicão, naquele que para mim foi o ano mais difícil da minha vida, a (quase) todos os níveis.
Em 1998 fiquei colocado como professor em Leiria, naquele que foi até hoje o único ano em que trabalhei perto de casa

(), embora com horário incompleto.
Em 1999 chega de forma já totalmente inesperada a convocatória para ser incorporado no Exército. Tinha acabado de comprar casa e de contrair uma dívida de monta, e durante 4 meses ia receber 7500$00/mês!!! [8b] O meu mundo desabou. Lá me recompus, com a ajuda da família, e como não consegui colocação como professor, acabei por ficar no Exército, que me tem acolhido desde então e me deu alguma estabilidade, embora também apenas temporária.
Hoje mesmo iniciei o meu último ano de contratado do Exército e volto a viver uma fase de instabilidade, pois sei que já não terei acesso aos quadros das Forças Armadas ou de Segurança. Sei que ainda tenho 1 ano de emprego garantido à partida, mas também sei que depois disso acabou e vou ter que reiniciar tudo de novo. Até porque estes anos todos tenho estado afastado de casa e quero finalmente estabilizar e ficar na minha terra, pois estou farto de andar há 14 anos a fazer malas e a ir apenas passar as férias e os fins de semana a casa! [s)]
Aproveitei o tempo que estive em Lisboa para tirar alguns cursos e uma pós-graduação na minha área (línguas e tradução) e para ganhar algum currículo (já traduzi algumas obras literárias, peças de teatro, etc.) mas infelizmente já vi que ganhar a vida como tradutor em Portugal é quase impossível e neste momento tenho a consciência que irei fazer outra coisa qualquer que não aquilo para que estudei e tanto dinheiro investi! Mas na verdade não me importo com isso. Existem coisas mais importantes, como um salário e uma estabilidade que me permita viver com o mínimo de condições com a minha mulher, que me permita financiar uma casa, etc. E que seja algo em que eu possa colocar as minhas capacidades à disposição da empresa, e que me realize profissionalmente.
Por isso, de certa forma, estou receptivo a "tudo o que venha por bem" e começo já a ver e a procurar em vários sítios aquilo a que posso concorrer e candidatar-me, na esperança que eu consiga algo que me permita viver minimamente feliz e realizado.