Mudar de profissão(começar do zero)...alguem já o fez? vantagens e desvantagens?

Desculpa lá, estatuto social um professor? Hummmmmmmmm.:sh)

Sabes quantos dos teus alunos gostavam de ser professores? Talvez ZERO.

É que eu também sou professor e estou farto daquilo até aos cabelos, não pela prática docente que eu gosto mas pela instabilidade, sou contratado.

Para responder ao tópico, já mudei várias vezes......
Já distribui publicidade, já fui pintor de construção civil (1 semana lol) já trabalhei numas bombas de gasolina a lavar carros, já trabalhei em cafés, já trabalhei em tipografias.... isto tudo nas várias férias escolares. Depois fui militar, RV e RC e actualmente sou professor. :(.....
Gostava de mudar novamente, mas é complicado porque até não se recebe mal. Contudo como vão acabar com o subsidio de desemprego para os professores (sim, é verdade e eu posso dizer como) ficar 1 mês (normalmente em setembro) sem trabalhar faz mossa no orçamento familiar. Para mudar bastava receber 80 a 90% do que recebo hoje....... Mudava logo.
Ok! a profissão já não tem a importãncia de outros tempos, em que o prof. era a 3ª autoridade da terra! (1º regedor, 2º padre), mas ainda tem algum reconhecimento social. De qualquer forma, como não estou vinculado académicamente ao ensino, penso mudar, até pq vou no 2º ano de aulas. Acho que quem entra agora, não vale a pena ( não existem as regalias, e cada vez mais é uma prof de risco, por isso não me importo de ir ganhar pouco mais de metade como administ, mas ao menos faço uma coisa útil, e em que sou especializado, no ensino sou obrigado a ser sapateiro em algumas áreas k não domino! que história é essa do fim do sub de desemp?? para k desconto eu para a seg Social?? (sim! não tenho dto a ADSE)
 
Ok! a profissão já não tem a importãncia de outros tempos, em que o prof. era a 3ª autoridade da terra! (1º regedor, 2º padre), mas ainda tem algum reconhecimento social. De qualquer forma, como não estou vinculado académicamente ao ensino, penso mudar, até pq vou no 2º ano de aulas. Acho que quem entra agora, não vale a pena ( não existem as regalias, e cada vez mais é uma prof de risco, por isso não me importo de ir ganhar pouco mais de metade como administ, mas ao menos faço uma coisa útil, e em que sou especializado, no ensino sou obrigado a ser sapateiro em algumas áreas k não domino! que história é essa do fim do sub de desemp?? para k desconto eu para a seg Social?? (sim! não tenho dto a ADSE)


1º----- Tens direito a ADSE, é só descontares 1,5% para tal.... pede na secretaria da escola.

2º ---- Para termos direito a sub de desemprego, temos de ter 450 dias seguidos de trabalho, logo, basta estar em dois anos 365*2=730 dias, 1 dia no fundo de desemprego para esses 450 não serem seguidos.......
Depois tens direito ao social de desemprego...............se o teu agregado familiar não ultrapassar um x do ordenado mínimo........ não tenho a certeza de quanto.
 
1º----- Tens direito a ADSE, é só descontares 1,5% para tal.... pede na secretaria da escola.

2º ---- Para termos direito a sub de desemprego, temos de ter 450 dias seguidos de trabalho, logo, basta estar em dois anos 365*2=730 dias, 1 dia no fundo de desemprego para esses 450 não serem seguidos.......
Depois tens direito ao social de desemprego...............se o teu agregado familiar não ultrapassar um x do ordenado mínimo........ não tenho a certeza de quanto.
pois algo está estranho! um colega k foi colocado o ano passado pela 1ª vez como eu teve, eu não, este ano voltei a fazer a pergunta, noutra escola, e foi-me dito k não itnha dto, já k tinha de ser beneficiário antes de não sei k data[8b]
 
Trabalho hã 6 anos na Prosegur, não tenho sequer o 9º ano e só estou á espera de que o crédito habitação seja aceite pelo banco (tudo indica que sim) para deixar a Prosegur e mudar de ares, estou farto do ambiente e estou farto de fazer noites :( , o mínimo que se recebe é 750 euros, que poderá ir até os 1200 euros na vigilância, fazendo horas extras (já ganhei isso), no caso de transporte de valores(1100 euros), as coisas são diferentes, e sobem até aos 1700 euros, cargos mais bem pagos, estou efectivo, e com cliente fixo, mas fazer noites, é muito duro e dá cabo de um gajo, já faço sempre noites, hã 1 ano [8b] ...

e vais fazer o quê?
 
Hoje em dia viver em Portugal, é das coisas mais difíceis para um Português.
Falo eu que já passei dos 30 e nunca me senti tão insegura em relação ao trabalho como hoje.

A profissão que escolhemos por vocação ou porque estudámos para ela, nem sei se importa, uma vez que vivemos ou continuamos a viver em tempos de Jobs for the Boys.

Ser polivalente ou não, penso que é um pau de dois bicos, pois tem sempre duas leituras:
- Ou fazes muitas coisas e não fazes nada bem, porque te dispersas.
- Ou isso pode querer dizer que és uma pessoa que agarras no que é preciso fazer, e fazes o teu trabalho bem.

Então e saber como a entidade patronal, quando olha para o teu CV, o interpreta?

para além disso há mais uma coisa: Dado que as cunhas infelizmente continuam a não ser só para os sapatos, também pode acontecer como já me aconteceu a mim, saber que há vagas em certo sítio e responderem-te que as vagas já estão preenchidas e claro és muito bom, mas não necessitam de pessoal.
Ou então discriminam-te de uma forma camuflada, simplesmente pedindo pessoas até determinada idade (coisa que na Carta dos Direitos do Homem, pode ser considerado discriminação).

Por isso ser polivalente ou não, nem sei se é bom ou mau.

O que sei é que cada vez mais sinto que cheguei àquela idade em que sou nova demais para a reforma, e começo a ser velha demais para me empregarem.

Triste... não?

Abraços
Ondinha72
 
Última edição:
Ou então discriminam-te de uma forma camuflada, simplesmente pedindo pessoas até determinada idade (coisa que na Carta dos Direitos do Homem, pode ser considerado discriminação).

Por isso ser polivalente ou não, nem sei se é bom ou mau.

O que sei é que cada vez mais sinto que cheguei àquela idade em que sou nova demais para a reforma, e começo a ser velha demais para me empregarem.

Triste... não?

Abraços
Ondinha72

Mas estás desempregada? qual a tua profissão?

Eu noto que em portugal existe mto trabalho mas o que existe pouco é empregos.... e depois pedem tudo com experiencia para fazer a coisa mais parva do mundo exigem experiencia o que para quem começa é lixado.[:blush:]
 
Hoje em dia viver em Portugal, é das coisas mais difíceis para um Português.
Falo eu que já passei dos 30 e nunca me senti tão insegura em relação ao trabalho como hoje.

A profissão que escolhemos por vocação ou porque estudámos para ela, nem sei se importa, uma vez que vivemos ou continuamos a viver em tempos de Jobs for the Boys.

Ser polivalente ou não, penso que é um pau de dois bicos, pois tem sempre duas leituras:
- Ou fazes muitas coisas e não fazes nada bem, porque te dispersas.
- Ou isso pode querer dizer que és uma pessoa que agarras no que é preciso fazer, e fazes o teu trabalho bem.

Eu acho que as pessoas tem um mente o que querem ser...e não conseguem se ajustar á realidade ou melhor ajustarem-se para aquilo que no fundo eventualmente podem servir.:)

vou dar um exemplo:

Um amigo que encontrei há uns tempos estava-se a queixar que estava a trabalhar como call-center e que era uma treta pois pagavam 200euros e tal(part-time presumo) e tal e queria evoluir etc e tal...

Eu falei com ele e tentei arranjar na altura uma vaga para ele ir para as obras mas até era para fazer coisas porreiras e aprender e seguir uma carreira...ia ganhar de inicio uns 40euros /dia....

disse-lhe isto na melhor das intenções... e nao quis!!! ainda ficou ofendido[8b]

entao azar ficou a ganhar os 200euros pk tb já vi que não merece nem vale mais que isso.[:cool:] [:D]
 
Eu à 4 meses mudei de emprego...

Tinha um emprego estável (efectivo à 8 anos), num escritório nos arredores de Lisboa, trabalhava com malta muito porreira, passava os dias na net...

Mas, não saía da cepa torta...


Certo dia, dei por mim a pensar no que deveria fazer para mudar a vida que levava. Cheguei à conclusão que o trabalho era a tal coisa que deveria ser mudada. Até porque já andava aborrecido e sem alento para o que estava a fazer.


Resolvi então perseguir um sonho antigo, em grande parte inflamado por malta mais nova que hoje são meus colegas de profissão. Desta forma, inscrevi-me na escola de condução e tirei a carta D, para poder ser motorista de serviços públicos.

Sou-o desde 02 de Julho deste ano e foi mesmo a melhor coisinha que poderia ter feito.

Apesar de ser algo que me estoira por vezes por completo, roubar muito tempo, é algo que me dá prazer fazer.

Para além disso, as horas extras são pagas, assim como as horas nocturnas. No antigo, não passavam de sonhos ou miragens. Ganho mais e ainda trabalho mais perto de casa. Um depósito de gasóleo chega a dar para um mês!!!! Ou seja, ganho mais e ainda consigo poupar. E se me apetecer, o carro nem sai da porta de casa... E trabalho ali para os lados de Sintra, entre o mar, a serra e o campo... Maravilha!!!

Para além disto, a nível pessoal, ando mais relaxado, bem humorado e ainda perdi uns quilinhos...

Desvantagens: deixei de ter os fins de semana, visto ter as folgas rotativas... Mas isto nem sempre é uma desvantagem a 100%...
 
Última edição:
Eu à 4 meses mudei de emprego...

Tinha um emprego estável (efectivo à 8 anos), num escritório nos arredores de Lisboa, trabalhava com malta muito porreira, passava os dias na net...

Mas, não saía da cepa torta...


Certo dia, dei por mim a pensar no que deveria fazer para mudar a vida que levava. Cheguei à conclusão que o trabalho era a tal coisa que deveria ser mudada. Até porque já andava aborrecido e sem alento para o que estava a fazer.


Resolvi então perseguir um sonho antigo, em grande parte inflamado por malta mais nova que hoje são meus colegas de profissão. Desta forma, inscrevi-me na escola de condução e tirei a carta D, para poder ser motorista de serviços públicos.

Sou-o desde 02 de Julho deste ano e foi mesmo a melhor coisinha que poderia ter feito.

Apesar de ser algo que me estoira por vezes por completo, roubar muito tempo, é algo que me dá prazer fazer.

Para além disso, as horas extras são pagas, assim como as horas nocturnas. No antigo, não passavam de sonhos ou miragens. Ganho mais e ainda trabalho mais perto de casa. Um depósito de gasóleo chega a dar para um mês!!!! Ou seja, ganho mais e ainda consigo poupar. E se me apetecer, o carro nem sai da porta de casa... E trabalho ali para os lados de Sintra, entre o mar, a serra e o campo... Maravilha!!!

Para além disto, a nível pessoal, ando mais relaxado, bem humorado e ainda perdi uns quilinhos...

Desvantagens: deixei de ter os fins de semana, visto ter as folgas rotativas... Mas isto nem sempre é uma desvantagem a 100%...

Muita coragem , mudança radical[:cool:]
mas gostei de ler... boa sorte nesse novo desafio[;)]
 
Bem amanhã vou iniciar um novo trabalho numa nova empresa[kiss] será um novo desafio...espero que corra bem, vou acordar cedo mas nem sono tenho[:blush:] é da emoção[:cool:]
 
Bem amanhã vou iniciar um novo trabalho numa nova empresa[kiss] será um novo desafio...espero que corra bem, vou acordar cedo mas nem sono tenho[:blush:] é da emoção[:cool:]
Isso é normal [:D] apr:), as expectativas são sempre altas e queremos dar o nosso melhor bem como uma boa imagem.

Boa sorte para amanhã.

Quanto ao tema, mudar de profissão pode ser algo muito bom e muito mau, até agora foi sempre para melhor no meu caso, mas conheço algumas situações em que não foi assim, geralmente as pessoas até aos 25/26 anos correm sempre o risco de dar de caras com maus trabalhos, de serem enganados, etc, mas isso tb nos dá um pouco de "calo" para a próxima vez.

Infelizmente esta época difícil de mudança da vida de estudante, para uma de trabalho é muitas vezes uma em que se é mais explorado em vez de ser uma de construção de futuro e é-o cada vez mais e até cada vez mais tarde, havendo pessoas com 30 e muitos ainda sem segurança laboral e financeira [s)].
 
(...) havendo pessoas com 30 e muitos ainda sem segurança laboral e financeira [s)].

Ora essa é que é uma grande verdade, e uma vez que este tópico tem bastante a ver com a minha situação actual, vou aqui deixar o meu caso.

Comecei a trabalhar aos 15 anos, em 1989, durante as férias de Verão, numa carpintaria perto de minha casa. Ganhava a 200$00 por hora, e as minhas tarefas passavam por ajudar na montagem e desmontagem de móveis em casa de clientes e na exposição, ajudar no carregamento das carrinhas da empresa, ajudar no corte das tábuas para fazer os móveis, envernizar, varrer o chão, etc.
De 1990 a 1992, nas férias, tive um emprego de $onho. Fui para a Alemanha trabalhar na empresa onde os meus pais tinham trabalhado nos anos 70 e 80, nos seus tempos de emigrantes, a ganhar... 10 DEM por hora!!! Vejam a evolução no ordenado, tentando descobrir quanto valia 1 DEM no início dos anos 90! [:D] [;)] Era uma fábrica de cadeiras de rodas para deficientes e eu trabalhava na secção de montagem, apertando parafusos e pouco mais [:D] . Com esse dinheiro financiei a minha primeira aparelhagem de som (uma Sharp comprada em 1990 que ainda tenho!!), a minha carta de condução, um órgão electrónico que vendi 2 anos depois pelo preço que o tinha comprado, e os primeiros móveis que comprei quando casei pela primeira vez.
Entre 1993 e 1995 trabalhei nas férias e fins de semana numa fábrica de mármores e fogões de sala ao lado de minha casa. Comecei por ganhar 500$00 à hora (muito bom!) mas quando o patrão começou a ver que eu fazia muitas horas, reduziu o pagamento para 350$00/hora, o que mesmo assim não era nada mau! [:D] Este foi o trabalho mais sujo e fisicamente exigente que tive até hoje, mas de longe o que mais gostei!
Em 1996 trabalhei durante um mês como operário indiferenciado, ainda era estudante, na fábrica de gessos onde o meu pai ainda hoje trabalha.
Em 1997, com o fim do curso, chega o primeiro trabalho "a sério": professor estagiário numa escola secundária de Famalicão, naquele que para mim foi o ano mais difícil da minha vida, a (quase) todos os níveis.
Em 1998 fiquei colocado como professor em Leiria, naquele que foi até hoje o único ano em que trabalhei perto de casa (:(), embora com horário incompleto.
Em 1999 chega de forma já totalmente inesperada a convocatória para ser incorporado no Exército. Tinha acabado de comprar casa e de contrair uma dívida de monta, e durante 4 meses ia receber 7500$00/mês!!! [8b] O meu mundo desabou. Lá me recompus, com a ajuda da família, e como não consegui colocação como professor, acabei por ficar no Exército, que me tem acolhido desde então e me deu alguma estabilidade, embora também apenas temporária.
Hoje mesmo iniciei o meu último ano de contratado do Exército e volto a viver uma fase de instabilidade, pois sei que já não terei acesso aos quadros das Forças Armadas ou de Segurança. Sei que ainda tenho 1 ano de emprego garantido à partida, mas também sei que depois disso acabou e vou ter que reiniciar tudo de novo. Até porque estes anos todos tenho estado afastado de casa e quero finalmente estabilizar e ficar na minha terra, pois estou farto de andar há 14 anos a fazer malas e a ir apenas passar as férias e os fins de semana a casa! [s)]
Aproveitei o tempo que estive em Lisboa para tirar alguns cursos e uma pós-graduação na minha área (línguas e tradução) e para ganhar algum currículo (já traduzi algumas obras literárias, peças de teatro, etc.) mas infelizmente já vi que ganhar a vida como tradutor em Portugal é quase impossível e neste momento tenho a consciência que irei fazer outra coisa qualquer que não aquilo para que estudei e tanto dinheiro investi! Mas na verdade não me importo com isso. Existem coisas mais importantes, como um salário e uma estabilidade que me permita viver com o mínimo de condições com a minha mulher, que me permita financiar uma casa, etc. E que seja algo em que eu possa colocar as minhas capacidades à disposição da empresa, e que me realize profissionalmente.
Por isso, de certa forma, estou receptivo a "tudo o que venha por bem" e começo já a ver e a procurar em vários sítios aquilo a que posso concorrer e candidatar-me, na esperança que eu consiga algo que me permita viver minimamente feliz e realizado.
 
Isso é normal [:D] apr:), as expectativas são sempre altas e queremos dar o nosso melhor bem como uma boa imagem.

Boa sorte para amanhã.

Obrigado.[;)]

Ontem não tinha sono...era 1 da manha ainda tava preparado para ir para uma festa e as 7.30 tinha que acordar[:blush:] ... fiquei a ver tv até perto das 2...e bebi um belo copo de tinto e lá me deu sono[:p] [:D]
O trabalho foi só de manha,,,e será assim nesta fase pois é mais um "estágio" remunerado que um trabalho isto nos primeiros meses(2 ou 3 ou mais) enfim é algo que nunca fiz e bastante complexo de inicio... mas correu bem, é perto de casa a empresa tens boas instalações e novas...café a agua gratuitosapr:) e de tarde venho para a minha empresa de sempre, onde tou agora[:cool:]
 
Obrigado.[;)]

Ontem não tinha sono...era 1 da manha ainda tava preparado para ir para uma festa e as 7.30 tinha que acordar[:blush:] ... fiquei a ver tv até perto das 2...e bebi um belo copo de tinto e lá me deu sono[:p] [:D]
O trabalho foi só de manha,,,e será assim nesta fase pois é mais um "estágio" remunerado que um trabalho isto nos primeiros meses(2 ou 3 ou mais) enfim é algo que nunca fiz e bastante complexo de inicio... mas correu bem, é perto de casa a empresa tens boas instalações e novas...café a agua gratuitosapr:) e de tarde venho para a minha empresa de sempre, onde tou agora[:cool:]
Optimismo e brio no trabalho é o que se quer, quanto mais não seja para nos podermos sentir orgulhosos do nosso contributo.

Continuação desse espírito apr:) apr:) [kiss].
 
Ora essa é que é uma grande verdade, e uma vez que este tópico tem bastante a ver com a minha situação actual, vou aqui deixar o meu caso.

Comecei a trabalhar aos 15 anos, em 1989, durante as férias de Verão, numa carpintaria perto de minha casa. Ganhava a 200$00 por hora, e as minhas tarefas passavam por ajudar na montagem e desmontagem de móveis em casa de clientes e na exposição, ajudar no carregamento das carrinhas da empresa, ajudar no corte das tábuas para fazer os móveis, envernizar, varrer o chão, etc.
De 1990 a 1992, nas férias, tive um emprego de $onho. Fui para a Alemanha trabalhar na empresa onde os meus pais tinham trabalhado nos anos 70 e 80, nos seus tempos de emigrantes, a ganhar... 10 DEM por hora!!! Vejam a evolução no ordenado, tentando descobrir quanto valia 1 DEM no início dos anos 90! [:D] [;)] Era uma fábrica de cadeiras de rodas para deficientes e eu trabalhava na secção de montagem, apertando parafusos e pouco mais [:D] . Com esse dinheiro financiei a minha primeira aparelhagem de som (uma Sharp comprada em 1990 que ainda tenho!!), a minha carta de condução, um órgão electrónico que vendi 2 anos depois pelo preço que o tinha comprado, e os primeiros móveis que comprei quando casei pela primeira vez.
Entre 1993 e 1995 trabalhei nas férias e fins de semana numa fábrica de mármores e fogões de sala ao lado de minha casa. Comecei por ganhar 500$00 à hora (muito bom!) mas quando o patrão começou a ver que eu fazia muitas horas, reduziu o pagamento para 350$00/hora, o que mesmo assim não era nada mau! [:D] Este foi o trabalho mais sujo e fisicamente exigente que tive até hoje, mas de longe o que mais gostei!
Em 1996 trabalhei durante um mês como operário indiferenciado, ainda era estudante, na fábrica de gessos onde o meu pai ainda hoje trabalha.
Em 1997, com o fim do curso, chega o primeiro trabalho "a sério": professor estagiário numa escola secundária de Famalicão, naquele que para mim foi o ano mais difícil da minha vida, a (quase) todos os níveis.
Em 1998 fiquei colocado como professor em Leiria, naquele que foi até hoje o único ano em que trabalhei perto de casa (:(), embora com horário incompleto.
Em 1999 chega de forma já totalmente inesperada a convocatória para ser incorporado no Exército. Tinha acabado de comprar casa e de contrair uma dívida de monta, e durante 4 meses ia receber 7500$00/mês!!! [8b] O meu mundo desabou. Lá me recompus, com a ajuda da família, e como não consegui colocação como professor, acabei por ficar no Exército, que me tem acolhido desde então e me deu alguma estabilidade, embora também apenas temporária.
Hoje mesmo iniciei o meu último ano de contratado do Exército e volto a viver uma fase de instabilidade, pois sei que já não terei acesso aos quadros das Forças Armadas ou de Segurança. Sei que ainda tenho 1 ano de emprego garantido à partida, mas também sei que depois disso acabou e vou ter que reiniciar tudo de novo. Até porque estes anos todos tenho estado afastado de casa e quero finalmente estabilizar e ficar na minha terra, pois estou farto de andar há 14 anos a fazer malas e a ir apenas passar as férias e os fins de semana a casa! [s)]
Aproveitei o tempo que estive em Lisboa para tirar alguns cursos e uma pós-graduação na minha área (línguas e tradução) e para ganhar algum currículo (já traduzi algumas obras literárias, peças de teatro, etc.) mas infelizmente já vi que ganhar a vida como tradutor em Portugal é quase impossível e neste momento tenho a consciência que irei fazer outra coisa qualquer que não aquilo para que estudei e tanto dinheiro investi! Mas na verdade não me importo com isso. Existem coisas mais importantes, como um salário e uma estabilidade que me permita viver com o mínimo de condições com a minha mulher, que me permita financiar uma casa, etc. E que seja algo em que eu possa colocar as minhas capacidades à disposição da empresa, e que me realize profissionalmente.
Por isso, de certa forma, estou receptivo a "tudo o que venha por bem" e começo já a ver e a procurar em vários sítios aquilo a que posso concorrer e candidatar-me, na esperança que eu consiga algo que me permita viver minimamente feliz e realizado.
Tb passei por isso, mas saí da FAP ao fim de cinco anos, quando comecei a ver o caminho que a reestruturação estava a levar e o que me esperava se lá tivesse ficado.

Gostei muito da vida que tive, mas havia outras prioridades.

A tua licenciatura é em quê exactamente?
 
Lino Marques, desejo-te boa sorte. Durante este ano vais ter que te mexer, para quando te mandarem embora não ficares "descalço"[;)]
(off topic.: Leiria, bela cidade! Nasci aí!)

Não cumpri serviço militar, e nunca tive vontade. Ver pessoas como tu, que trabalham há tanto tempo lá, e que de repente têm que começar tudo de novo, deixa-me um pouco revoltado com o Estado...

Eu trabalhei numa oficina de automóveis uns meses, para um tio meu, já trabalhei no Modelo, no Jumbo, na Telepizza .Desde 2002 trabalho noutra área, até hoje. Fiz um curso nível III(equiv.12ºano) até 2002 , na área, uma Licenciatura na área também (acabei agora), e fui sempre trabalhador estudante. Os ordenados não subiram quase nada, desde 2002. Ou seja, ganho quase o mesmo que alguém em 2002 com a mesma categria profissional. (5 anos...)

Não está fácil, e pensar em começar noutra profissão, e começar do zero a ganhar menos do que ganho, é uma decisão difícil e arriscada....

Como tal, e apesar de em Dezembro passar a efectivo (fim do 3º contrato), decidi emigrar. Vou trabalhar na mesma Companhia, mas noutro país. Vou ter um cargo com mais responsabilidade e, consequentemente, vou ganhar mais. Não vou pelo dinheiro, mas pela perspectiva de evolução profissional.

Aqui trabalho 40 horas por semana, lá vou trabalhar MUITO mais, porque a empresa está a começar. Mas é para isso mesmo que vou, para TRABALHAR. Vou dar o litro, para ver se me valorizam mais do que aqui.

Espero ficar lá 2 anos, e depois fazer o mesmo. Não sei se volto, ou se vou para outro país ao fim desses 2 anos, mas tenho que aproveitar enquanto não tenho outras responsabilidades (casamento, filhos, etc).

Acho que, para quem se acha "estagnado", e não tem grandes responsabilidades (casamento, filhos etc), é uma boa opcção emigrar. Ganha-se "know how", enriquecemos como pessoas, aprendemos a lidar com mudanças grandes, com desafios, com outras pessoas e culturas diferentes, e quando voltarmos, "valemos"(€) mais.
 
Última edição:
Um dia destes vou criar o "Diário de bordo de um Emigrante", para relatar a minha experiência e descrever tudo o que mudou no "antes", no "durante" e no "depois"[:D] [:D]
Mesmo antes de viajar, as mudanças difíceis já começaram................:sh)
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