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Consumo incentiva actividade económica
Qual a vossa opinião, há efectivo investimento ou há mais especulação ?
Investimento que a longo prazo se mostra como o principal alicerce de uma economia forte,estável e duradoura.
Especulação que gera elevados lucros momentâneos e temporais, mas que cria instabilidade.
Vejam estes textos/artigos:
Ou ainda estas acusações, certamente de um delirante presumo eu ...
Consumo incentiva actividade económica
Qual a vossa opinião, há efectivo investimento ou há mais especulação ?
Investimento que a longo prazo se mostra como o principal alicerce de uma economia forte,estável e duradoura.
Especulação que gera elevados lucros momentâneos e temporais, mas que cria instabilidade.
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HÁ-DE CAIR DE MADURO…
A crise no Mercado de Crédito Imobiliário dos USA, que originou de imediato uma instabilidade do Mercado Financeiro Internacional, que em Portugal, por exemplo, provocou a maior queda de valores na bolsa desde o “crash” de 1998, vem demonstrar quanto é imprevisível e caprichoso o funcionamento de um sistema que se baseia pura e simplesmente na especulação fiduciária, ou seja, sem o correspondente lastro na actividade económica produtiva.
As empresas cotadas têm lucros, contudo o valor das suas acções depende mais do humor especulativo do sistema do que da Economia Real gerada por quem trabalha nessas empresas.
Demonstra também como os mercados mais pequenos ou mais fracos estão sujeitos aos caprichos dos especuladores internacionais.
Demonstra ainda que, nesta espécie de “jogo do monopólio”, quem mais perde é o pequeno accionista, uma vez que investe normalmente poupanças do seu trabalho, dinheiro vivo, e não apenas “papéis” especulativos como fazem os grandes investidores
As sucessivas crises a que assistimos no Mercado Financeiro Internacional, com repercussões graves na Economia Mundial, a intervalos cada vez mais curtos, remete-nos para a alegoria que o título deste artigo reflecte. A cada crise, o sistema vigente aproxima-se cada vez mais do seu colapso e como fruta madura haverá de cair e apodrecer no solo, servindo como último repasto aos vermes que dele sempre se alimentaram sem atentar que só o Trabalho Produtivo gera verdadeira riqueza.
A crise no Mercado de Crédito Imobiliário dos USA, que originou de imediato uma instabilidade do Mercado Financeiro Internacional, que em Portugal, por exemplo, provocou a maior queda de valores na bolsa desde o “crash” de 1998, vem demonstrar quanto é imprevisível e caprichoso o funcionamento de um sistema que se baseia pura e simplesmente na especulação fiduciária, ou seja, sem o correspondente lastro na actividade económica produtiva.
As empresas cotadas têm lucros, contudo o valor das suas acções depende mais do humor especulativo do sistema do que da Economia Real gerada por quem trabalha nessas empresas. Demonstra também como os mercados mais pequenos ou mais fracos estão sujeitos aos caprichos dos especuladores internacionais.
Demonstra ainda que, nesta espécie de “jogo do monopólio”, quem mais perde é o pequeno accionista, uma vez que investe normalmente poupanças do seu trabalho, dinheiro vivo, e não apenas “papéis” especulativos como fazem os grandes investidores.
Bastou uma crise do sector imobiliário dos USA, para que todo o sistema mundial entrasse em turbulência. E só não entrou em ruptura porque os Bancos Centrais, mais uma vez, rodaram a rotativa e encheram de imediato os cofres dos bancos em risco de insolvência com dinheiro que os clientes hão-de pagar sabe-se lá como, pese embora tratar-se de moeda em “papel pintado”, ou seja, sem lastro em metal raro e sem correspondência na economia produtiva.
Entretanto, os especialistas do sistema, de um modo geral, desdobram-se em explicações e justificações numa linguagem comparável à dos adivinhos que muito falam e nada acertam… Na verdade, procuram iludir a verdadeira causa do problema que enfrentamos por força da Globalização da Economia. Comportam-se como verdadeiros ilusionistas do Sistema Financeiro Mundial.
Desconfiados dessas explicações, a mais das vezes envolvidas numa linguagem hermética que só os “especialistas” entendem, tivemos mais uma vez que recorrer a quem sabe mais do que nós e que muito tem escrito sobre as consequências da escassez do Petróleo no Sistema Económico Ocidental, em particular dos USA.
Referimo-nos a James Howard Kunstler, escritor norte-americano, autor de “O Fim do Petróleo”. Refere no seu artigo “Ponto de Fuga”, que neste momento, antes da crise do imobiliário, existe uma crise do Petróleo.
Os países produtores consomem cada vez mais e exportam cada vez menos, enquanto as reservas diminuem “a olhos vistos”. Significa que os USA começam a não receber a quantidade necessária para o seu consumo crescente, com o consequente aumento natural do preço dos combustíveis. Obviamente que isto pesa na economia doméstica de milhões de norte-americanos que têm dívidas a honrar.
A Economia norte-americana, e não apenas esta, tem beneficiado, ao longo de quase um século, da abundância de combustíveis fósseis baratos, podendo dizer-se que o dito “sonho americano” resulta sobretudo desse facto. O automóvel de grande cilindrada e a casa com jardim e piscina na periferia dos grandes centros urbanos, a 100 e 150 km de distância, constituem os ingredientes mais expressivos desse estilo de vida, que remete para um consumo de energia “à grande e à francesa”. Com a deslocalização da Indústria Pesada e Ligeira para mercados de mão-de-obra barata, semi-escrava, sobretudo para a China, que se tem vindo a verificar desde meados da última década, sobrou para a indústria local aquela que não pode ser deslocalizada: a Construção Civil. Em consequência, os bairros suburbanos vão ter um forte incremento. Graças a empréstimos baratos e muito acessíveis, quer para a construção, quer para compra de habitação, o cidadão médio vai cada vez mais optar por viver longe dos centros urbanos. E os bancos e outras entidades credoras não se fazem rogadas. Emprestam dinheiro sem qualquer preocupação com garantias, criando inclusive um regime de crédito à habitação especialmente dedicado às famílias de baixa solvência, os chamados “subprimes”, coberto por um mercado de títulos específico de alta rendibilidade e fácil conversão, os chamados “hedge funds”. Porém, tão logo a conjuntura económica passou a fazer-se em baixa, sobretudo por causa do problema do Petróleo, com alta de juros e a queda dos preços no imobiliário, por falta de procura, o valor das hipotecas ficou a descoberto, logo os “papéis” que as titularizam deixaram de ser aliciantes para os especuladores, levando a que, quase em massa, procurassem se desembaraçar de um “capital virtual” que perde valor dia a dia. Tal provocou a falência de algumas entidades credoras e a escassez de dinheiro na banca mundial, sobretudo nos bancos associados ao sistema imobiliário norte-americano de alto risco.
Ninguém todavia se iluda. A crise para o sistema é sempre vantajosa, não o sendo obviamente para o cidadão comum que vive do seu Trabalho, sendo porém este que acaba por pagar de uma forma ou de outra as perdas do Sistema Financeiro Internacional. Os bancos preparam-se para aumentar as taxas de juro do crédito à habitação independentemente do BCE – Banco Central Europeu aumentar ou não, de momento, o valor da taxa de referência, o Euribor, mas o fará também com certeza.
Até quando continuaremos alegres, crendo que a Globalização Económica, baseada na especulação financeira, sobreviverá a cada crise, que afinal engendra no seu próprio interesse, que no final trará sempre alguma vantagem para o cidadão que vive apenas do seu Trabalho, única fonte de facto de riqueza social?
Artur Rosa Teixeira
Ou ainda estas acusações, certamente de um delirante presumo eu ...
Presidente francês acusa BCE de favorecer especulação
Nicolas Sarkozy criticou ontem duramente a actuação do Banco Central Europeu (BCE) e do presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, durante a crise dos mercados financeiros. O Presidente francês, numa entrevista ontem concedida ao jornal Le Monde, acusa mesmo o BCE de ter favorecido a actuação dos especuladores. Críticas que foram desvalorizadas no Porto, no último dia da reunião informal dos ministros das Finanças da União Europeia (UE).
Ao Le Monde, Sarkozy disse achar estranho que "o BCE tenha injectado dinheiro nos mercados financeiros sem baixar as taxas de juro". "Foram criadas condições para facilitar a actuação dos especuladores, ao mesmo tempo que se dificultou o trabalho dos empreendedores", acrescentou o chefe de Estado francês.
Quanto a Jean-Claude Juncker, que Nicolas Sarkozy enquanto ministro das Finanças ajudou a eleger para a liderança do Eurogrupo, o Presidente francês acusa-o de nada ter feito para enfrentar a actual crise. "Sobre o capitalismo financeiro tenho sido eu e a chanceler alemã, Angela Merkel, que temos liderado o debate", afiançou Sarkozy, numa espécie de resposta aos reparos feitos à política económica francesa durante a reunião ministerial que decorreu sexta-feira e ontem.
As críticas do Presidente gaulês à autoridade monetária europeia não foram bem recebidas no Porto. Sobretudo porque foram conhecidas num dia em que os ministros europeus das Finanças acordaram um conjunto de medidas para reforço dos mecanismos de estabilidade financeira para evitar futuras crises e em que apelaram a "uma voz unida" nas negociações para o novo modelo de governação do FMI.
O presidente do BCE, que esteve a acompanhar a reunião informal de ministros das Finanças da UE, afiançou que "todos sabem que não facilitamos, de maneira alguma, actuações menos correctas mas sim que protegemos todos aqueles que se comportam correctamente contra as turbulências". "Houve uma apreciação muito positiva, pelos ministros, de tudo o que foi feito", justificou ainda Jean- -Claude Trichet, na conferência de imprensa no final da reunião, que saiu também em defesa do líder do Eurogrupo, dizendo que "a sua actuação tem sido eficaz".
Já o comissário europeu da Economia, Joaquín Almunia, preferiu "não alimentar polémicas", salientando que se deve "incutir confiança nos consumidores e estimular a estabilidade dos mercados". Por seu turno, o ministro das Finanças português, Teixeira dos Santos, embora não directamente, lançou um repto a Nicolas Sarkozy. "Se os chefes de Estado e de Governo desejarem debater questões de estabilidade financeira isso é bom. O Ecofin está a trabalhar no sentido de fornecer todo o material necessário a essa análise", referiu.
Em defesa do presidente do Banco Central Europeu saiu também o ministro alemão das Finanças. Para Peer Steinbrück, "a política seguida é apropriada e foi muito saudada aqui [no Porto]", referindo que não faz sentido mudar-se o estatuto daquele instituto monetário.
Ideia reforçada pelo governador do Bundesbank, Axel Weber. "As críticas francesas não têm nada de novo e o seu impacto sobre a política do BCE é nula", referiu. Visão que é partilhada pelo ministro austríaco das Finanças, Wilhelm Molterer, que assegurou que, no seu entender, "o BCE reagiu bem" à crise.
Uma coisa ficou clara depois desta crise: qualquer decisão sobre taxas de juro vai estar fortemente dependente do eventual impacto da instabilidade dos mercados no crescimento da economia, embora os riscos inflacionistas continuem à espreita e as autoridades do BCE deixem em aberto a possibilidade de uma nova subida das taxas de juro caso a tempestade financeira acalme rapidamente.
Com agências
