Especulação vs Investimento

Especulação vs Investimento

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Excalibur

Banido
Tendo em consideração este tópico

Consumo incentiva actividade económica

Qual a vossa opinião, há efectivo investimento ou há mais especulação ?

Investimento que a longo prazo se mostra como o principal alicerce de uma economia forte,estável e duradoura.

Especulação que gera elevados lucros momentâneos e temporais, mas que cria instabilidade.

Vejam estes textos/artigos:

HÁ-DE CAIR DE MADURO…

A crise no Mercado de Crédito Imobiliário dos USA, que originou de imediato uma instabilidade do Mercado Financeiro Internacional, que em Portugal, por exemplo, provocou a maior queda de valores na bolsa desde o “crash” de 1998, vem demonstrar quanto é imprevisível e caprichoso o funcionamento de um sistema que se baseia pura e simplesmente na especulação fiduciária, ou seja, sem o correspondente lastro na actividade económica produtiva.



As empresas cotadas têm lucros, contudo o valor das suas acções depende mais do humor especulativo do sistema do que da Economia Real gerada por quem trabalha nessas empresas.



Demonstra também como os mercados mais pequenos ou mais fracos estão sujeitos aos caprichos dos especuladores internacionais.



Demonstra ainda que, nesta espécie de “jogo do monopólio”, quem mais perde é o pequeno accionista, uma vez que investe normalmente poupanças do seu trabalho, dinheiro vivo, e não apenas “papéis” especulativos como fazem os grandes investidores
As sucessivas crises a que assistimos no Mercado Financeiro Internacional, com repercussões graves na Economia Mundial, a intervalos cada vez mais curtos, remete-nos para a alegoria que o título deste artigo reflecte. A cada crise, o sistema vigente aproxima-se cada vez mais do seu colapso e como fruta madura haverá de cair e apodrecer no solo, servindo como último repasto aos vermes que dele sempre se alimentaram sem atentar que só o Trabalho Produtivo gera verdadeira riqueza.


A crise no Mercado de Crédito Imobiliário dos USA, que originou de imediato uma instabilidade do Mercado Financeiro Internacional, que em Portugal, por exemplo, provocou a maior queda de valores na bolsa desde o “crash” de 1998, vem demonstrar quanto é imprevisível e caprichoso o funcionamento de um sistema que se baseia pura e simplesmente na especulação fiduciária, ou seja, sem o correspondente lastro na actividade económica produtiva.



As empresas cotadas têm lucros, contudo o valor das suas acções depende mais do humor especulativo do sistema do que da Economia Real gerada por quem trabalha nessas empresas. Demonstra também como os mercados mais pequenos ou mais fracos estão sujeitos aos caprichos dos especuladores internacionais.



Demonstra ainda que, nesta espécie de “jogo do monopólio”, quem mais perde é o pequeno accionista, uma vez que investe normalmente poupanças do seu trabalho, dinheiro vivo, e não apenas “papéis” especulativos como fazem os grandes investidores.


Bastou uma crise do sector imobiliário dos USA, para que todo o sistema mundial entrasse em turbulência. E só não entrou em ruptura porque os Bancos Centrais, mais uma vez, rodaram a rotativa e encheram de imediato os cofres dos bancos em risco de insolvência com dinheiro que os clientes hão-de pagar sabe-se lá como, pese embora tratar-se de moeda em “papel pintado”, ou seja, sem lastro em metal raro e sem correspondência na economia produtiva.


Entretanto, os especialistas do sistema, de um modo geral, desdobram-se em explicações e justificações numa linguagem comparável à dos adivinhos que muito falam e nada acertam… Na verdade, procuram iludir a verdadeira causa do problema que enfrentamos por força da Globalização da Economia. Comportam-se como verdadeiros ilusionistas do Sistema Financeiro Mundial.
Desconfiados dessas explicações, a mais das vezes envolvidas numa linguagem hermética que só os “especialistas” entendem, tivemos mais uma vez que recorrer a quem sabe mais do que nós e que muito tem escrito sobre as consequências da escassez do Petróleo no Sistema Económico Ocidental, em particular dos USA.



Referimo-nos a James Howard Kunstler, escritor norte-americano, autor de “O Fim do Petróleo”. Refere no seu artigo “Ponto de Fuga”, que neste momento, antes da crise do imobiliário, existe uma crise do Petróleo.



Os países produtores consomem cada vez mais e exportam cada vez menos, enquanto as reservas diminuem “a olhos vistos”. Significa que os USA começam a não receber a quantidade necessária para o seu consumo crescente, com o consequente aumento natural do preço dos combustíveis. Obviamente que isto pesa na economia doméstica de milhões de norte-americanos que têm dívidas a honrar.
A Economia norte-americana, e não apenas esta, tem beneficiado, ao longo de quase um século, da abundância de combustíveis fósseis baratos, podendo dizer-se que o dito “sonho americano” resulta sobretudo desse facto. O automóvel de grande cilindrada e a casa com jardim e piscina na periferia dos grandes centros urbanos, a 100 e 150 km de distância, constituem os ingredientes mais expressivos desse estilo de vida, que remete para um consumo de energia “à grande e à francesa”. Com a deslocalização da Indústria Pesada e Ligeira para mercados de mão-de-obra barata, semi-escrava, sobretudo para a China, que se tem vindo a verificar desde meados da última década, sobrou para a indústria local aquela que não pode ser deslocalizada: a Construção Civil. Em consequência, os bairros suburbanos vão ter um forte incremento. Graças a empréstimos baratos e muito acessíveis, quer para a construção, quer para compra de habitação, o cidadão médio vai cada vez mais optar por viver longe dos centros urbanos. E os bancos e outras entidades credoras não se fazem rogadas. Emprestam dinheiro sem qualquer preocupação com garantias, criando inclusive um regime de crédito à habitação especialmente dedicado às famílias de baixa solvência, os chamados “subprimes”, coberto por um mercado de títulos específico de alta rendibilidade e fácil conversão, os chamados “hedge funds”. Porém, tão logo a conjuntura económica passou a fazer-se em baixa, sobretudo por causa do problema do Petróleo, com alta de juros e a queda dos preços no imobiliário, por falta de procura, o valor das hipotecas ficou a descoberto, logo os “papéis” que as titularizam deixaram de ser aliciantes para os especuladores, levando a que, quase em massa, procurassem se desembaraçar de um “capital virtual” que perde valor dia a dia. Tal provocou a falência de algumas entidades credoras e a escassez de dinheiro na banca mundial, sobretudo nos bancos associados ao sistema imobiliário norte-americano de alto risco.
Ninguém todavia se iluda. A crise para o sistema é sempre vantajosa, não o sendo obviamente para o cidadão comum que vive do seu Trabalho, sendo porém este que acaba por pagar de uma forma ou de outra as perdas do Sistema Financeiro Internacional. Os bancos preparam-se para aumentar as taxas de juro do crédito à habitação independentemente do BCE – Banco Central Europeu aumentar ou não, de momento, o valor da taxa de referência, o Euribor, mas o fará também com certeza.
Até quando continuaremos alegres, crendo que a Globalização Económica, baseada na especulação financeira, sobreviverá a cada crise, que afinal engendra no seu próprio interesse, que no final trará sempre alguma vantagem para o cidadão que vive apenas do seu Trabalho, única fonte de facto de riqueza social?

Artur Rosa Teixeira

Ou ainda estas acusações, certamente de um delirante presumo eu ...
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Presidente francês acusa BCE de favorecer especulação

Nicolas Sarkozy criticou ontem duramente a actuação do Banco Central Europeu (BCE) e do presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, durante a crise dos mercados financeiros. O Presidente francês, numa entrevista ontem concedida ao jornal Le Monde, acusa mesmo o BCE de ter favorecido a actuação dos especuladores. Críticas que foram desvalorizadas no Porto, no último dia da reunião informal dos ministros das Finanças da União Europeia (UE).

Ao Le Monde, Sarkozy disse achar estranho que "o BCE tenha injectado dinheiro nos mercados financeiros sem baixar as taxas de juro". "Foram criadas condições para facilitar a actuação dos especuladores, ao mesmo tempo que se dificultou o trabalho dos empreendedores", acrescentou o chefe de Estado francês.

Quanto a Jean-Claude Juncker, que Nicolas Sarkozy enquanto ministro das Finanças ajudou a eleger para a liderança do Eurogrupo, o Presidente francês acusa-o de nada ter feito para enfrentar a actual crise. "Sobre o capitalismo financeiro tenho sido eu e a chanceler alemã, Angela Merkel, que temos liderado o debate", afiançou Sarkozy, numa espécie de resposta aos reparos feitos à política económica francesa durante a reunião ministerial que decorreu sexta-feira e ontem.

As críticas do Presidente gaulês à autoridade monetária europeia não foram bem recebidas no Porto. Sobretudo porque foram conhecidas num dia em que os ministros europeus das Finanças acordaram um conjunto de medidas para reforço dos mecanismos de estabilidade financeira para evitar futuras crises e em que apelaram a "uma voz unida" nas negociações para o novo modelo de governação do FMI.

O presidente do BCE, que esteve a acompanhar a reunião informal de ministros das Finanças da UE, afiançou que "todos sabem que não facilitamos, de maneira alguma, actuações menos correctas mas sim que protegemos todos aqueles que se comportam correctamente contra as turbulências". "Houve uma apreciação muito positiva, pelos ministros, de tudo o que foi feito", justificou ainda Jean- -Claude Trichet, na conferência de imprensa no final da reunião, que saiu também em defesa do líder do Eurogrupo, dizendo que "a sua actuação tem sido eficaz".

Já o comissário europeu da Economia, Joaquín Almunia, preferiu "não alimentar polémicas", salientando que se deve "incutir confiança nos consumidores e estimular a estabilidade dos mercados". Por seu turno, o ministro das Finanças português, Teixeira dos Santos, embora não directamente, lançou um repto a Nicolas Sarkozy. "Se os chefes de Estado e de Governo desejarem debater questões de estabilidade financeira isso é bom. O Ecofin está a trabalhar no sentido de fornecer todo o material necessário a essa análise", referiu.

Em defesa do presidente do Banco Central Europeu saiu também o ministro alemão das Finanças. Para Peer Steinbrück, "a política seguida é apropriada e foi muito saudada aqui [no Porto]", referindo que não faz sentido mudar-se o estatuto daquele instituto monetário.

Ideia reforçada pelo governador do Bundesbank, Axel Weber. "As críticas francesas não têm nada de novo e o seu impacto sobre a política do BCE é nula", referiu. Visão que é partilhada pelo ministro austríaco das Finanças, Wilhelm Molterer, que assegurou que, no seu entender, "o BCE reagiu bem" à crise.

Uma coisa ficou clara depois desta crise: qualquer decisão sobre taxas de juro vai estar fortemente dependente do eventual impacto da instabilidade dos mercados no crescimento da economia, embora os riscos inflacionistas continuem à espreita e as autoridades do BCE deixem em aberto a possibilidade de uma nova subida das taxas de juro caso a tempestade financeira acalme rapidamente.

Com agências
 
Já Franklin Delano Roosevelt o disse ...

"As práticas dos cambistas sem escrúpulos estão sob acusação no tribunal da opinião pública, repudiadas pelos corações e pelas mentes dos homens"
(Discurso de Abertura de Franklin D. Roosevelt, 1933)





GUERRA FINANCEIRA


A humanidade vive, na era posterior à Guerra Fria, uma crise económica a uma escala sem precedentes que leva ao empobrecimento acelerado de grandes sectores da população do mundo. A queda virtual das moedas nacionais em todas as regiões do mundo contribuiu para desestabilizar as economias nacionais enquanto precipita países inteiros para uma pobreza desastrosa.

A crise não se limita ao Sudeste Asiático nem à ex União Soviética. O colapso no nível de vida começa a ocorrer, de forma abrupta e simultânea num grande número de países. Esta crise mundial de finais do século XX é mais devastadora que a Grande Depressão dos anos 30. Tem profundas implicações geopolíticas: A deslocação económica foi acompanhada também pela irrupção de conflitos regionais, pela ruptura de sociedades nacionais, e nalguns casos , pela destruição de países inteiros. É, de longe, a mais séria crise da história moderna.

A existência de uma "crise financeira global" é negada de forma ágil pelos média ocidentais, os seus impactos sociais são desvalorizados ou deformados; as instituições internacionais, incluindo as Nações Unidas, negam a crescente maré de pobreza do mundo: " O progresso na redução da pobreza durante os (finais do) Século Vinte é notável e sem precedentes...". O " consenso" é que a economia ocidental está "saudável" e as "correcções de mercado" em Wall Street devem ser largamente atribuídas à "gripe asiática" e à difícil "transição" da Rússia "para uma economia de mercado livre".

EVOLUÇÃO DA CRISE FINANCEIRA GLOBAL

A queda dos mercados das moedas asiáticas (iniciada em meados de 1997) foi acompanhada em outubro de 1997 pela dramática fusão das maiores bolsas do mundo. No incerto despertar da recuperação temporária de Wall Street em princípios de 1998, estimulada sobretudo pela explosão dos mercados de valores e financeiros do Japão, voltou a cair, meses mais tarde para atingir um novo momento crucial em agosto com a espectacular caída em picado do rublo russo. O Dow Jones caiu 554 pontos a 31 de Agosto (a sua maior queda na história da bolsa de Nova York) conduzindo, em Setembro à dramática fusão dos mercados de valores de todo o mundo.

Em poucas semanas (desde o pico de 9337 do Dow Jones a meados de Julho) evaporaram-se 2300 mil milhões de dólares de "ganhos sobre o papel" do mercado de valores dos Estados Unidos. A queda livre do rublo tinha levado os maiores bancos comerciais de Moscovo à falência, conduzindo a uma potencial absorção do sistema financeiro russo por um punhado de bancos e correctores de bolsa ocidentais. Por outro lado, a crise criou o perigo de uma insolvência aos credores ocidentais de Moscovo, incluindo os bancos Deutsche e Dresdner.

Desde o principio das reformas macro-económicas da Rússia, depois da primeira injecção da "terapia de choque" do FMI em 1992, confiscaram-se (através dos programas de privatização e falências forçadas) e transferiram-se para as mãos de capitalistas ocidentais uns 500 mil milhões de dólares de activos russos — incluindo fábricas do complexo militar-industrial, infraestruturas e recursos naturais. No brutal período subsequente à Guerra Fria, está a desmantelar-se todo um sistema económico e social.
(ver o tópico
Oligarcas Russos - O enriquecimento criminoso)

GUERRA FINANCEIRA

A corrida desenfreada, a nível mundial, pela apropriação de riquezas através da "manipulação financeira" é a força por detrás desta crise. É também a fonte de agitação social e de devastação social. Segundo o conhecido especulador de divisas e milionário George Soros (que teve US$ 1,6 mil milhões de ganhos especulativos com a dramática queda da libra inglesa em 1992) "a extensão do mecanismo de mercado a todos os terrenos tem o potencial de destruir a sociedade".

Esta manipulação das forças de mercado pelos actores poderosos constitui uma forma de guerra financeira e económica. Não é necessário recolonizar territórios perdidos ou enviar exércitos invasores. Nos finais do século vinte, a "conquista de nações" directa, significando o controle sobre os activos produtivos, a mão de obra, os recursos naturais, pode ser realizada de forma impessoal a partir da sala de direcção de uma corporação: as ordens são enviadas através de um computador ou pelo telemovel. Os dados pertinentes são transmitidos instantaneamente aos principais mercados financeiros — resultando frequentemente em disrupções imediatas no funcionamento das economias nacionais.

"A guerra financeira" também adopta instrumentos especulativos complexos, incluindo toda a gama do comércio de derivados, transações de futuros de comércio externo, fundos indexados, etc. Utilizaram-se instrumentos especulativos com o fim último de capturar a riqueza financeira e de adquirir o controle sobre os activos produtivos. Nas palavras do primeiro ministro da Malásia, Mahathir Mamad: "Esta desvalorização deliberada da moeda de um país pelos especuladores com divisas, unicamente para obter ganhos, é a negação dos direitos das nações independentes".

A apropriação da riqueza global pela manipulação das forças do mercado é regularmente apoiada pelas letais intervenções macro-económicas do FMI que actua quase simultaneamente no transtorno desapiedado das economias nacionais em todo o mundo. "A guerra financeira" não conhece fronteiras territoriais; não limita as suas acções a encurralar antigos inimigos da era da Guerra Fria. Na Coreia, na Indonésia e na Tailândia, os cofres dos bancos centrais foram saqueados por especuladores institucionais enquanto as autoridades monetárias tentavam em vão reforçar as suas debilitadas moedas. Em 1997, mais de 199 mil milhões de dólares das reservas de divisas da Ásia foram confiscadas e transferidas, no espaço de poucos meses, para mãos privadas do sector financeiro. Com o andamento das desvalorizações monetárias, as receitas reais e o emprego precipitaram-se virtualmente em poucas horas, conduzindo à pobreza maciça países que tinham conseguido alcançar um progresso económico e social significativo no período do pós guerra.

A trapaça financeira no mercado das divisas estrangeiras desestabilizou as economias nacionais, criando assim as condições prévias para a pilhagem posterior dos activos produtivos dos países asiáticos pelos chamados "investidores abutres estrangeiros". Na Tailândia, 56 bancos e instituições financeiras domésticas, foram fechadas por ordem do FMI e o desemprego aumentou virtualmente de um dia para o outro. De forma semelhante, na Coreia, a "operação de resgate" do FMI lançou uma cadeia letal de falências que conduziram ao encerramento directo dos "bancos comerciais aflitos".

Como resultado da "mediação" do FMI (realizada em Dezembro de 1997, depois de consultas ao mais alto nível com os maiores bancos comerciais e mercantis do mundo) "fecharam-se uma média de mais de 200 companhias por dia (...) 4000 trabalhadores foram lançados para a rua na qualidade de desempregados". Como resultado do congelamento de créditos e do "fecho instantâneo de bancos", em 1998 esperavam-se umas 1500 falências, incluindo 90 por cento das empresas de construção da Coreia (com dívidas combinadas de 20 mil milhões de dólares às instituições financeiras domésticas).

O Parlamento da Coreia do Sul transformou-se num "órgão de referendum". A validação de leis é forçada através da "chantagem financeira": se a legislação não é rapidamente aprovada, de acordo com os prazos do FMI, os pagamentos do compromisso seriam suspensos, com o perigo de uma nova especulação monetária. Por outro lado, o "programa de saída" patrocinado pelo FMI (ou seja, falências forçadas), contribuiu deliberadamente para fragmentar os "chaebols" que são convidados agora a estabelecer "alianças estratégicas com empresas estrangeiras" (o que pode significar o seu eventual controle pelo capital ocidental).

Com a desvalorização, o custo da mão-de-obra coreana também ruiu: "É agora mais barato comprar uma destas empresas (de alta tecnologia) do que comprar uma fábrica — e você recebe grátis toda a distribuição, o reconhecimento da marca e a mão-de-obra especializada"...

A MORTE DOS BANCOS CENTRAIS

Em muitos sentidos, a crise mundial assinala o definhamento dos bancos centrais, o que significa a diminuição da economia nacional, assim como a incapacidade do estado nacional de controlar a criação de moeda por mandato da sociedade. Por outras palavras, as reservas de moeda em mãos privadas de "especuladores institucionais" excedem amplamente as limitadas capacidades dos bancos centrais do mundo. Estes bancos, actuando individual ou colectivamente, já não podem combater a maré de actividade colectiva. A política monetária está nas mãos dos credores privados, que tem a capacidade de congelar orçamentos do Estado, paralisar os processos de pagamentos, frustrar o pagamento regular de salários a milhões de trabalhadores (como na ex União Soviética), e precipitar o colapso de programas sociais e de produção.

Enquanto a crise se aprofunda, os ataques especulativos contra os bancos centrais estendem-se à China, à América Latina e ao Médio Oriente, com consequências económicas e sociais devastadoras. Esta contínua pilhagem das reservas dos bancos centrais, no entanto, não se limita, de forma nenhuma, aos países em vias de desenvolvimento. Também afectou vários países ocidentais incluindo o Canadá e a Austrália, onde as autoridades monetárias não foram capazes de parar o declínio das suas moedas nacionais. No Canadá, como resultado dos ataques especulativos, fizeram-se empréstimos no valor de milhares de milhões de dólares recorrendo a financistas privados para sustentar as reservas do banco central. No Japão — onde o yen caiu para níveis muito baixos — vê-se "o panorama coreano" (segundo o economista Michael Hudson), como um "ensaio geral" para a apropriação do sector financeiro japonês, por uma série de bancos de investimento ocidentais.

Entre outros, os grandes jogadores são Goldman Sachs, Morgan Stanley, Deutsche Morgan Gruenfell, que estão a comprar os empréstimos insolventes dos bancos japoneses a menos de 10 por cento do seu valor nominal. Nos últimos meses, tanto o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Robert Rubin, como a secretária de Estado Madeleine K Albright, exerceram pressão política sobre Tóquio insistindo "em nada menos que uma adjudicação imediata dos maus bancos do Japão — de preferencia a "investidores rapaces" estadunidenses e outros estrangeiros, a preços de emergência. Para atingir os seus objectivos, estão inclusive a pressionar o Japão para que rescreva a sua constituição, reestruture o seu sistema político e o seu governo e reconstrua o seu sistema financeiro. Quando os investidores estrangeiros tiverem o controle dos bancos japoneses, estes bancos começarão a apoderar-se da industria nipónica..."

CREDORES E ESPECULADORES

Os principais bancos e agentes da bolsa de todo o mundo são ao mesmo tempo credores e especuladores institucionais. No actual contexto, contribuem (através dos seus assaltos especulativos) para desestabilizar as moedas nacionais, aumentando assim o volume de dívidas denominadas em dólares.

Reaparecem então como credores para cobrar essas dívidas. Por fim, são convocados como "conselheiros de política" ou como consultores de "programas de bancarrota" patrocinados pelo FMI e pelo Banco Mundial, dos quais eles são os beneficiários finais. Na Indonésia, por exemplo, no meio dos distúrbios de rua e após a renuncia de Suharto, a privatização de sectores chave da economia indonésia ordenada pelo FMI foi confiada a oito dos maiores bancos comerciais do mundo, incluindo a Lehman Brothers, Crédit Suisse-First Boston, Goldman Sachs e UBS/SBC Warburg Dillon Read.

Os maiores gerentes de moeda do mundo, incendeiam os países e depois são chamados como bombeiros (sob o "plano de resgate" do FMI) para extinguir o fogo. Por fim são eles que decidem quais as empresas a serem fechadas e quais a serem leiloadas a investidores estrangeiros a preços de liquidação.


Continua ...
 
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Concluindo ...

QUEM FINANCIA OS RESGATES DO FMI?

Sob repetidos ataques especulativos, os bancos centrais asiáticos haviam pactuado uma série de contratos multimilionários (no futuro mercado de divisas) numa vã tentativa de proteger a sua moeda. Com o esgotamento total das suas reservas de moeda dura, as autoridades monetárias viram-se obrigadas a pedir empréstimos de grandes somas de dinheiro através do acordo de resgate do FMI. Seguindo um esquema concebido durante a crise mexicana de 1994-5, o dinheiro para um resgate, no entanto, não se destina a "resgatar o país", na prática o dinheiro nunca entrou na Coreia, nem na Tailândia, nem na Indonésia, destinou-se a reembolsar os "especuladores institucionais", para se ter a certeza de que poderiam cobrar o seu multimilionário botim. Por sua vez, os tigres asiáticos foram domesticados pelos seus amos financeiros. Transformados em cordeiros, foram "encurralados" para que pagassem os juros dessas imensas dívidas em dólares até meados do terceiro milénio.

Mas, "de onde veio o dinheiro" para financiar essas operações multimilionárias? Só uma pequena parte vem dos recursos do FMI. Começando com o resgate mexicano de 1995, apelou-se aos países do G7, inclusive ao Tesouro dos Estados Unidos para que fizessem grandes contribuições de somas globais para estas operações de resgate patrocinadas pelo FMI, o que levou a aumentos consideráveis nos níveis da dívida pública. Mas, numa jogada irónica, a emissão da dívida publica dos Estados Unidos para financiar os resgates é avalizada e garantida pelo mesmo grupo de bancos comerciais de Wall Street envolvidos nos assaltos especulativos.

Por outras palavras, aqueles que garantem a emissão da dívida pública (para financiar o resgate) são os mesmos que no final das contas se apoderam do botim (por exemplo como credores da Coreia ou da Tailândia) ou seja são os beneficiários finais do dinheiro do resgate (o que essencialmente constitui uma "rede de segurança" para o especulador institucional). As amplas quantidades de dinheiro concedidas com os pacotes de resgate têm a finalidade de permitir aos países asiáticos o cumprimento das suas obrigações de dívida com as mesmas instituições financeiras que, para começar, contribuíram para precipitar a quebra das suas moedas nacionais. Como resultado deste circulo vicioso, um punhado de bancos comerciais e correctores de bolsa enriqueceram para além de qualquer limite; e também aumentaram o seu domínio sobre os governos e sobre os políticos de todo o mundo.

UMA FORTE MEDICINA ECONÓMICA

Desde a crise mexicana de 1994-5, o FMI tem tido um papel crucial na criação do "ambiente financeiro", no qual os bancos e os gerentes de divisas globais, conduzem os seus ataques especulativos. Os bancos globais anseiam por conseguir acesso a informações privilegiadas. Os ataques especulativos com êxito requerem a implementação simultânea, por sua conta de "uma medicina económica forte" sob os acordos de resgate do FMI. Os "seis grandes" dos bancos comerciais de Wall Street (incluindo o Chase, Bank America, Citicorp e J.P. Morgan) e os "cinco grandes" dos bancos mercantis (Goldman Sachs, Lehman Brothers, Morgan Stanley e Salomon Smith Barney), foram consultados sobre as cláusulas a serem incluídas nos acordos de resgate. No caso da dívida a curto prazo coreana, as maiores instituições de Wall Street foram convocadas no dia de Natal (24 de Dezembro de 1997), para conversações de alto nível no Banco da Reserva Federal de Nova Iorque. Os bancos globais têm um interesse directo no declínio das moedas nacionais.

Em Abril de 1997, apenas dois meses depois do princípio da crise monetária asiática, o Instituto de Finanças Internacionais (IFI), um think tank com base em Washington que representa os interesses de uns 290 bancos e correctores de bolsa globais, havia "instado às autoridades nos mercados em vias de desenvolvimento a que se opusessem às pressões de aumento das taxas de cambio onde fosse necessário...". Esta petição (comunicada numa carta formal ao FMI, assinala em termos que não deixam lugar a dúvidas, que o FMI deveria propiciar um ambiente no qual fosse permitido que as moedas nacionais declinassem). O FMI ordenou à Indonésia que libertasse a sua moeda apenas três meses antes da dramática queda da rúpia.

Segundo o multimilionário e candidato presidencial estadunidense Steve Forbes: "o FMI precipitou a crise? Esta agencia propicia a abertura e a transparência das economias nacionais, mas rivaliza com a CIA a escurecer as suas próprias operações. Teve, por exemplo, conversações secretas com a Tailândia, advogando a favor da desvalorização que provocou instantaneamente a catastrófica cadeia de acontecimentos?"(...) As prescrições do FMI, exacerbaram a doença? As moedas destes países caíram a níveis absurdamente baixos".

DESREGULAÇÃO DOS MOVIMENTOS DE CAPITAIS

As regras internacionais que regulam os movimentos de dinheiro e de capitais (através das fronteiras internacionais) contribuem para determinar "os campos de batalha financeiros nos quais os bancos e os especuladores travam os seus ataques mortíferos. Na sua campanha mundial para se apropriar de riquezas económicas e financeiras, os bancos globais e as corporações internacionais, pressionaram activamente para a desregulamentação total dos fluxos de capitais internacionais, incluindo o movimento de dinheiro "quente" e "sujo".

Cedendo a estas exigências (depois de apressadas consultas com os ministros de finanças do G7), o comité interino do FMI adoptou um veredicto final para liberalizar os movimentos de capitais, em Abril de 1998. O comunicado oficial revelou que o FMI procederá a uma Emenda dos seus Artigos a fim de "converter a liberalização dos movimentos de capital, um dos propósitos do Fundo e estender, na medida em que seja necessário, a jurisdição do Fundo com este fim". O director geral do FMI, Sr. Michael Camdessus, no entanto, concedeu, num tom desapaixonado que "uma quantidade de países em vias de desenvolvimento podem sofrer ataques especulativos depois de abrir a sua conta de capitais" enquanto reiterava (ad nauseam) que isto pode ser evitado mediante a adopção de "políticas macro-económicas saudáveis e sistemas financeiros fortes, nos países membros". (por exemplo a "cura económica para o desastre", padrão do FMI).

A decisão do FMI de liberalizar os movimentos de capitais, foi adoptada à porta fechada (convenientemente escondida dos olhos do público e com pouca cobertura jornalística) apenas duas semanas antes de grupos de cidadãos de todo o mundo se reunissem, em finais de Abril de 1998, em manifestações de massas em Paris em oposição ao controverso Acordo Multilateral sobre Inversões (AMI) sob os auspícios da OCDE. Este acordo teria concedido direitos caucionados aos bancos e às corporações multinacionais, anulando as leis nacionais sobre inversões estrangeiras e anulando os direitos fundamentais dos cidadãos.

O AMI

Constitui um acto de capitulação da parte dos governos democráticos frente aos bancos e às corporações multinacionais. O momento escolhido era certamente o apropriado: enquanto a aprovação do AMI tinha chegado, provisoriamente, a um ponto morto, a desregulamentação das inversões estrangeiras proposta através de um caminho mais expedito, fora oficialmente lançada: a Emenda dos Artigos derrogaria, para todo e qualquer propósito prático, os poderes dos governos nacionais para regular a inversão estrangeira. Anularia também os esforços dos cidadãos de todo o mundo contra o AMI: lograr-se-ia a desregulamentação da inversão estrangeira ("de uma tacada") sem necessidade de um complicado acordo multilateral sob os auspícios da OCDE ou da OMC, e sem o aborrecimento legal de um tratado global de investimentos baseado na lei internacional.

CRIANDO UM GUARDIÃO FINANCEIRO GLOBAL

Enquanto se desenvolve a agressiva corrida pela riqueza global, e a crise financeira atinge alturas perigosas, os bancos e os especuladores internacionais estão ansiosos por ter um papel mais directo na formação de estruturas financeiras que lhes sejam vantajosas, assim como estão ansiosos por "controlar" no âmbito de país. Os conservadores do mercado livre nos Estados Unidos (associados ao partido republicano), culparam o FMI pela sua imprudente conduta. Apesar do status intergovernamental do FMI, estão a exigir um maior controle dos Estados Unidos sobre o FMI. Também indicam que, no futuro, o FMI deveria ter um papel mais contemplativo (semelhante ao das agencias de qualificação de risco, como Moody's ou Standard and Poor) enquanto consignavam o financiamento dos resgates multimilionários ao sector privado.

Depois de, em 1998, terem discutido este assunto à porta fechada, os maiores bancos e companhias de inversão do mundo apresentaram uma iniciativa mais inteligente (acomodada no seu idioma mais suave) através do seu vogal em Washington (o Instituto de Finanças Internacionais). A proposta dos bancos consistia na criação de um "Guardião Financeiro" — o chamado " Conselho Consultivo do Sector Privado" — com o fim de supervisionar regularmente as actividades do FMI. "O Instituto (de Finanças Internacionais), com o selo quase universal das maiores firmas de finanças privadas, está preparado para trabalhar com a comunidade oficial para adiantar o processo".

Respondendo à iniciativa dos bancos globais, o FMI solicitou passos concretos "para fortalecer a participação do sector privado no manejo da crise" — o que pode ser interpretado como "um arranjo para compartilhar a crise", entre o FMI e os bancos globais. A comunidade bancária internacional também estabeleceu o seu próprio "Comité Directivo Sobre as Finanças dos Mercados Emergentes", integrado por alguns dos homens de finanças mais poderosos do mundo, incluindo William Rodes, vice-presidente do Citibank e Sir David Walker, presidente da Morgan Stanley.

A agenda oculta por trás destas diferentes iniciativas é transformar gradualmente o FMI — do seu status actual como organismo intergovernamental — numa burocracia com a máxima legalidade que venha a servir mais efectivamente os interesses dos bancos globais. E o mais importante é que, os bancos e os especuladores querem ter acesso aos pormenores das negociações do FMI com os governos membros, o que os capacitaria a posicionarem cuidadosamente os seus assaltos aos mercados financeiros, tanto antes como depois de um acordo de resgate do FMI. Os bancos globais (apontando para a necessidade de "transparência") apelaram a que "o FMI disponha pormenores preciosos (sobre as suas negociações com os governos nacionais) sem revelar informações confidenciais..."

Mas, o que na realidade querem, é informação interna privilegiada. A actual crise financeira, não só leva ao ocaso das instituições estatais nacionais em todo o mundo, mas também consiste num desmantelamento (e possível privatização) das instituições do pós-guerra estabelecidas pelos pais fundadores da Conferencia de Bretton Woods em 1994. Em flagrante contraste com o actual papel destrutivo do FMI, os seus arquitectos desejariam que essas instituições salvaguardassem a estabilidade das economias nacionais. Nas palavras de Henry Morgenthau, secretário do Tesouro dos Estados Unidos, na sua declaração de encerramento da conferencia (22 de Julho de 1944): "Viemos aqui para desenvolver métodos que eliminem os males económicos — a desvalorização monetária competitiva e os obstáculos que afectam o comércio — que precederam a actual guerra. Tivemos êxito neste esforço".

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Michel Chossudovsky______________
Professor da Universidade de Montreal, Canadá. Autor de A globalização da pobreza, director do Centro de Investigação sobre a Globalização .
 
......, complicado muito complicado.

Tens razão ... é deveras complexo, acho que demasiado complexo para que se vejam verdades e se tenham certezas absolutas ...

É que fala-se muito em Economia de Mercado ... mas ainda não explicaram porque razão existem tantos alertas sobre os perigos inerentes.

Serão só frutos dos Novos Velhos do Restelo ?

(É que está tudo relacionado numa escala nacional ou mundial)


Não me parece, e não sou só eu que o digo ...

A ideologia do mercado foi pirateada pelos homens da alta finança ligados ao que Jagdish Bhagwati baptizou do «complexo Wall Street-Tesouro» norte-americano e aproveitada pelos especuladores de todos os quadrantes.

O MITO DO CAPITAL
(Ou como a ideologia da mobilidade de capitais lança gasolina no fogo)
segundo Jagdish Bhagwati
​
Na sequência da crise financeira asiática, a visão dominante nos círculos políticos - diríamos mesmo o mito predominante - é que, apesar da evidência chocante da geração inerente de crises por parte dos movimentos livres de capitais, continua a ser inevitável e desejável um mundo de convertiblidade total de capitais. Em vez de se manterem algumas restrições cuidadosas, dizem-nos que o único caminho é continuar assim.
Em Setembro de 1997, o FMI, na sua reunião anual realizada em Hong Kong, deu mais um passo nesta direcção, quando o seu Comité Interino difundiu uma declaração apoiando a convertibilidade total dos capitais para todos os membros do Fundo.
Contudo, as orbigações inscritas nos Artigos do Acordo de 1944 apenas estipulavam «evitarem-se restrições nos pagamentos das transações correntes», e não falava de convertibilidade de capitais, nem a apontava como meta sequer.
Acena-se com uma ideia sedutora: se a liberdade de comércio é uma coisa boa, porque é que não se deixam aos capitais fazer o mesmo?
Ora, os benefícios enormes da mobilidade de capital não são persuasivos. Ganhos substanciais são afirmados, mas não demonstrados, e nada que não se possa obter através do investimento directo estrangeiro.
O mito do contrário foi criado pelo que nós poderemos baptizar do «complexo Wall Street-Tesouro», seguindo as pisadas do Presidente Eisenhower, que nos advertiu contra o «complexo militar-industrial». Até que a crise asiática sensibilizou a opinião pública de que a realidade dos movimentos de capitais poderiam gerar crises, muita gente tinha como certa a ideia de que a mobilidade de capitais era exactamente o mesmo do que o comércio livre de bens e serviços, tinha o mesmo efeito de ganho mútuo. Assim, as restrições à mobilidade de capitais, tal como o proteccionismo comercial, eram olhadas como perniciosas, tanto em países ricos como pobres. Nunca se tinha colocado a questão de que os ganhos poderiam ser problemáticos face ao custo das crises que a mobildade de capitais poderia gerar.
Apesar de hoje já ser óbvio o efeito negativo, muitos continuam a considerar que pode ser aliviado, se não mesmo eliminado, e que as vantagens podem ser usufruidas em pleno. Os conservadores, pelo seu lado, fá-lo-ão deixando os mercados dilacerar-se, e pondo de lado ou dissolvendo o FMI. A esquerda fá-lo-à, pelo contrário, através do FMI,dispensando fundos condicionados por uma série de condições. Para se compreender que nenhuma destas posições é acertada, é preciso perceber o mito original. Sem dúvida que os economistas falam de uma correspondência entre comércio livre e mobilidade de capital. Interferindo nelas produzem-se ineficiências. Mas só um economista ignorante ingorará que os fluxos de capital são caracterizados por manias e pânicos.
De cada vez que uma crise relacionada com fluxos de capitais atinge um dado país, que ele é espremido. A crise da dívida dos anos 80 custou à América do Sul uma década de crescimento. Os mexicanos, que estavam muito expostos às entradas de capitais de curto prazo, foram devastados em 1994. As economias asiáticas, que estavam demasiado sobrecarregadas com dívidas de curto prazo, cairam em espiral.
É quando uma crise destas surge, que se sente melhor a outra face da mobilidade de capitais. Para assegurar que os capitais regressem, o país deve fazer tudo para os reatrair. E isto significa, em regra, aumentar as taxas de juro, como o FMI requereu à Indonésia, por exemplo. Por toda a Ásia, isto dizimou empresas com um serviço enorme de dívida. Também significou vender activos ao desbarato a estrangeiros com melhor acesso a fundos.
Além de tudo isto, estes países perderam totalmente a sua independência política para gerirem as suas políticas económicas.
Portanto, qualquer país que queira abraçar a liberdade total de capitais, tem de estar preparado para aguentar estes custos e considerar a probabilidade de apanhar com uma crise em cima. Isto conduz-nos a dissecar o mito. E a apercebemo-nos que a ideia e ideologia do comércio livre e dos seus benefícios foi como que pirateada pelos proponentes da mobilidade de capitais. E estes reflectem «lobbies», a que eu chamo de «complexo Wall Street-Tesouro».

Resumo do artigo publicado por Jagdish Bhagwati na revista «Foreign Affairs», Maio/Junho de 1998, volume 77, número 3. Não está disponível na Web. O artigo pode ser encomendado on line em www.foreignaffairs.org. ​
 
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Fontes ...

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Como se pedem fontes ...

sobre o sr.
Jagdish Bhagwati

É um sénior da galeria de economistas e deu esta primeira entrevista exclusiva a um orgão de informação português. Tem 64 anos, licenciou-se em Cambridge e depois estudou no Massachusetts Institute of Technology, nos Estados Unidos. Esteve nos anos 60 na Índia, mas regressou ao MIT em 1968. Em 1980 ingressou na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, onde permanece.

Foi entre 1991 e 1993 conselheiro do director-geral do GATT. É considerado um líder entre a geração de teóricos do comércio internacional, e um dos expoentes da nova teoria da Economia Política. É director do National Bureau of Economic Research, nos EUA.
Fundou em 1971 o «Journal of International Economics» e em 1989 a revista «Economics and Politics». A sua mais recente obra acaba de ser publicada pela MIT Press - A Stream of Windows: Unsettling Reflections on Trade, Immigration and Democracy (Compra do Livro).
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A partir do momento em que há alguém muito bem informado e com influência num dado mercado, haverá sempre especulação.

Contudo, há quem considere um ajustamento de preços face à elevada procura ! [:cool:]
 
A partir do momento em que há alguém muito bem informado e com influência num dado mercado, haverá sempre especulação.

Contudo, há quem considere um ajustamento de preços face à elevada procura ! [:cool:]

Falas de "Inside trading" presumo.

E se falas, deduzo que o "inside trading" ainda é penalizado ou não ?

Presumo que especular seja em que sentido for nesse aspecto é crime.

Posto isto, não vejo muitos especuladores a responderem nos tribunais.

[;)]


Sobre o inside trading
Inside Trading ou Informação privilegiada

O termo anglosaxônico Inside Trading é vulgarmente utilizado para qualificar a pratica utilizada pelos investidores que negociam qualquer ativo baseado em Informação Privilegiada. Na maioria das jurisdições, esta pratica é ilegal e, portanto, punida por lei.
No entanto, alguns economistas, como o vencedor do prémio Nobel de economia, Milton Friedman, defendem que as leis contra o inside trading devem ser abolidas, tendo em conta que o negócio feito por um insider é um ato consensual entre dois adultos. Um proeminente vendedor e um proeminente comprador concordam negociar um ativo, de que o vendedor é legitimo proprietário, sem um acordo ou contracto preestabelecido entre as partes em que seja impedido negociar o ativo se não tiverem conhecimentos idênticos. Para além disso, é aceito que um trader apenas vende as ações quando acredita que estas vão cair e, por outro lado, só compra quando acha que vão subir.
É tudo apenas uma questão de preço fixado livremente no mercado de acordo com as expectativas individuais de cada um. Milton Friedman defende mesmo que deve haver mais inside trading, de forma que o público em geral tenha mais oportunidade de conhecer as deficiências e eficiências das empresas, mantendo-se longe delas ou incentivando a compra, respectivamente.
Na Lei - Cód.V.M.
Título VIII Crimes e Ilícitos de Mera Ordenação Social
Capítulo I Crimes
Secção I Crimes Contra o Mercado
Artigo 378.º Abuso de informação
1. Quem disponha de informação privilegiada devido à sua qualidade de titular de um órgão de administração ou de fiscalização de um emitente ou de titular de uma participação no respectivo capital e a transmita a alguém fora do âmbito normal das suas funções ou, com base nessa informação, negoceie ou aconselhe alguém a negociar em valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros ou ordene a sua subscrição, aquisição, venda ou troca, directa ou indirectamente, para si ou para outrem, é punido com pena de prisão até três anos ou com pena de multa.
2. Na mesma pena incorre quem disponha de informação privilegiada em razão do trabalho ou serviço que preste, com carácter permanente ou ocasional, a essa ou outra entidade ou em virtude de profissão ou função pública que exerça, e a transmita a alguém fora do âmbito normal das suas funções ou, com base nessa informação, negoceie ou aconselhe alguém a negociar em valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros ou ordene a sua subscrição, aquisição, venda ou troca, directa ou indirectamente, para si ou para outrem.
3. Qualquer pessoa não abrangida pelos números anteriores que, tendo conhecimento de uma informação privilegiada cuja fonte seja alguma das pessoas referidas nos n.os 1 e 2, a transmita a outrem, ou, com base nessa informação, negoceie ou aconselhe alguém a negociar em valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros ou ordene a sua subscrição, aquisição, venda ou troca, directa ou indirectamente, para si ou para outrem, é punida com pena de prisão até 2 anos ou pena de multa até 240 dias.
4. Entende-se por informação privilegiada toda a informação não tornada pública que, sendo precisa e dizendo respeito a qualquer emitente ou a valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros, seria idónea, se lhe fosse dada publicidade, para influenciar de maneira sensível o seu preço no mercado.
5. O disposto neste artigo não se aplica quando as operações sejam efectuadas pelo Banco Central Europeu, por um Estado, pelo seu banco central ou por qualquer outro organismo designado pelo Estado, por razões de política monetária, cambial ou de gestão da divida pública.
6. A tentativa de qualquer um dos ilícitos descritos é punível.
 
especulação significa investir com base numa previsão de futuro.

não ha investimento sem expeculação, pios quando se investe faz-se rpevendo um ROI, esta previsão é obrigatoriamente especulativa, excptuando os monopolios e pouco mais.

Alem disso toda a gente se queixa da falta de capitais de risco, queos bancos não investem em empresas com ideias inivadoras bla nbla , ate o jorge sampaio se saiu com essa nuam qualquer reunião ...
Pois bem meus amigo não ha capitais de risco sem forte especulação, todos os investiemntos de futuro são especulativos, mais não ha investiemnto sem especulação.
 
Especulação ...

Especulação ...

Acho curioso que se lancem discussões para compreender onde se errou e onde a história nos mostra falhas.

Contudo, existe uma enorme tendência para fechar as portas ao entendimento e reservas que muitos possuem.

:(

E não é por falta de alertas ...



It shows how the historic opportunity given the U.S. to help transform Russia into a free, peaceful, pro-Western country was squandered in the form of a bruising economic rape carried out by corrupt Russian politicians and businessmen, assisted by Bush and (especially) Clinton administrations engaged in political payoffs to Wall Street bankers and others, and by ineptitude and greed on the part of the U.S. Treasury and the Harvard Institute for International Development, assisted by fellow travelers and manipulators at Nordex, the IMF, the World Bank, and the Federal Reserve.


________________________________


'The 1930s were the last era in which the international political and financial elite sought advantage through control of the global economy.

What economists call "hot money" raced from one nation to the next throughout that era, leaving a trail of competitive currency devaluations in its wake.

Six decades ago, as nation after nation was humbled by and strangled with the manipulations of the financial world’s insiders, history saw fit to serve up Adolph Hitler'.
(Source: economist and Russian expert, Anne Williamson, in testimony to the Committee on Banking and Financial Services, US House Of Representatives, 1999).


Currently peaking out from the huge relative affluence and security of typical 'developed' nations, we see that now too there are in fact many serious warnings now being made about the risk of another global recession from which no countries will be immune.

There are those who say that in another era, the wild speculations of the big finance houses such as Goldman Sachs had a lot to answer for in relation to the Wall Street Crash of 1929.

The same people point to the global recession of the 1930s that followed, suggesting that in many ways this led to the Second World War.
The Rape of Russia by Anne Williamson
 
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especulação significa investir com base numa previsão de futuro.

não ha investimento sem expeculação, pios quando se investe faz-se rpevendo um ROI, esta previsão é obrigatoriamente especulativa, excptuando os monopolios e pouco mais.

Alem disso toda a gente se queixa da falta de capitais de risco, queos bancos não investem em empresas com ideias inivadoras bla nbla , ate o jorge sampaio se saiu com essa nuam qualquer reunião ...
Pois bem meus amigo não ha capitais de risco sem forte especulação, todos os investiemntos de futuro são especulativos, mais não ha investiemnto sem especulação.


mas o pessoal nestas coisas adora "tomar o todo pelas partes" [:D] [:D] [:D] [:D]
 
A especulação move o mercado!


Quanto à resposta:

O investimento anda de mão dada à especulação e quem tem informações priveligiadas, pode corroer facilmente o mercado e adquirir um "in flow" bastante relevante!
 
questionaste-te excalibur (???)[;)]
fico á espera entao que partilhes connosco essa introspecção (!!!)[:D] [:D] [:D]


330i

Essa técnica, de as pessoas se fazerem passar por despercebidas, é tudo menos uma verdadeira forma de dialogar ou trocar argumentos.

Ainda não te vi a ti e outros elementos, que defendem o mesmo ponto de vista mostrar flexibilidade em aceitar as questões e reservas que vos são colocadas, ou chutam para canto ou somente deixam de responder.

Por exemplo, como neste caso ... [:p]

Citação:
Originalmente Colocado por 330i
Excalibur, este topico tem sem duvida muito do "real panorama empresarial portugues" infelizmente .....[s)] nao estas longe da verdade, o teu "pecado" é que tendes a generaliza-lo, e a analiza-lo por um todo e no presente, porque especulaçao/oportunismo/curto prazo existem, sempre existiram e vão continuar a existir, quer aqui, quer noutros Paises até mais desenvolvidos, e cabe-nos a nós nova-geraçao mais formada e tecnicamente mais preparada, mudar/pensar diferente, falar menos e fazer mais, criticar menos e apreciar mais, pensar positivamente e de forma assertiva, e por exemplo tu, que gostas de falar e postar sobre economia politica, estado da naçao, e em algumas vezes até de forma conhecedora, "derrubas" tudo, porque pensas e analisas da mesma forma que aqules que muitas vezes criticas.
ps, nao me leves a mal, é a minha opinião[;)]
Permite-me meu caro, a minha proximidade de pensamento com a vossa linha de pensar, é efectiva não o nego, alías parece que serás a 1ª pessoa a tomar a mesma como efectiva.

Mas como ser racional que sou, tenho algo que se chama o direito à opinião, e à defesa de um lado mais humano nos negócios, e o que tenho visto aqui ser feito vezes sem conta , é a defesa intransigente só porque sim, sem olhar que a humanização de um processo de uma mudança, embora possa ser mais demorado e quem sabe mais dispendioso, poderá criar mais satisfação e interacção entre o seus intervenientes, e havendo interacção, haverá certamente mais satisfação, está provado cientificamente, e foi já amplamente estudado, que em todos os processos de transição onde as populações ou trabalhadores tomaram parte activa da solução que o mesmo se realizou de forma mais pacifica e salutar para todos.

O tomar da defesa intransigente, por vezes a roçar deselegância ou polimento, é o que de facto faz muitos pensar porque se deve dar carta branca um qualquer tecnocrata arrogante que só olha para números e processos sem nunca ver a face humana da questão.


A economia e o mercado de trabalho tem de mudar, mas não pode tornar-se na selva pura e simples que alguns pretendem.

Já aqui o disse uma vez, na ocasião ao J.R. entendo a liberalização (porque acaba por aqui estar intrinsecamente relacionada) como necessária, não lhe posso é dar a carta branca que pretendem, tenho as minhas reservas, e essas ainda não as conseguíram dissipar.

Muito teria de ser "ajustado" para que não se continuem a verificar assimetrias tão gritantes, e enquanto essas subsistirem, todos os sistemas falham ou falharam, seja Socialismos, seja Liberalismos ou Neoliberalismos (sim porque há exemplos negativos em todos).

[;)]

http://forum.autohoje.com/showpost.php?p=1724452&postcount=38
Quando começares a querer perceber que não me oponho, mas que apenas quero que expliquem e decifrem os radicalismos e a incapacidade de explicar porque razão os lobbies, preferem obscurantismo e o segredo em decisões ou mudanças que vão afectar a vida de milhões de pessoas.

É que a maioria das pessoas merecem que o façamos em consciência e perfeitamente esclarecidos e eluciados, não necessitamos de uma boa campanha de marketing onde não possamos questionar e que ajamos como meros "carneiros" ou "yes man" que não pensam pela sua cabeça.

E tal como o disse já, a questão é demasiado complexa para que vós, consigam sem margem para duvidas, afirmar que tudo será um "mar de rosas", e isso é o que eu vejo defender de forma intransigente.

[:cool:]
 
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A especulação move o mercado!
Antes pelo contrario a especulação é como areia na engrenagem e é facilitadora e criadora da corrupção.

Como tão bem exemplificas na resposta

Quanto à resposta:

O investimento anda de mão dada à especulação e quem tem informações priveligiadas, pode corroer facilmente o mercado e adquirir um "in flow" bastante relevante!

O investimento pode é não ser especulativo.
 
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