Excalibur
Banido
Padre de luxo crivado de dívidas
Depois de problemas com sacerdotes que tiveram de ser afastados devido ao envolvimento com mulheres e até uma situação de dependência de droga, a diocese de Braga vê-se agora a braços com um caso inédito: um padre foi afastado por se ter afundado em dívidas.
A arquidiocese de Braga decidiu afastar de três paróquias do concelho de Amares um jovem sacerdote que se terá envolvido num emaranhado de dívidas provocadas sobretudo pela paixão por automóveis de luxo e convívios sociais. O padre Nuno Melo, de 29 anos, encontra-se agora num espaço de recolhimento dos Jesuítas, em Santo Tirso.
Nas localidades de Caires, Portela e Torre #8211; onde o sacerdote se encontrava de serviço #8211;, os populares manifestam até muita simpatia pelo ex-pároco e reconhecimento pelo trabalho a nível religioso, mas lamentam que não tenha conseguido controlar determinados vícios, apontando também o problema das constantes #8220;borgas nocturnas#8221;.
Ao que foi possível apurar, o padre Nuno Melo #8211; familiar do líder parlamentar do CDS-PP com o mesmo nome #8211; teria um rendimento mensal a rondar os 1300 euros, mas a verba começou a ser cada vez mais escassa. Natural do concelho de Vila Nova de Famalicão e originário de #8220;família com bons recursos financeiros#8221;, o jovem sacerdote manteve um estilo de vida que se revelou incomportável perante compromissos económicos que o sacerdote foi avolumando, com destaque para as prestações de dois automóveis: um BMW destruído num acidente e um Audi. Acresciam ainda as #8220;frequentes jantaradas e diversões nocturnas#8221;.
#8220;Portava-se mal e gostava muito da noite. Claro que os mais velhos e as beatas da igreja não gostavam, mas, tirando isso, era bom padre, muito social e grande amigo dos jovens#8221;, comentou um paroquiano de Caires, salientando que #8220;o problema maior, e que levou a diocese a tirá-lo daqui, é que havia muita gente que andava a ameaçá-lo por causa das dívidas#8221;.
O proprietário de um café local confirma que chegou a receber no estabelecimento #8220;um cliente que procurava o padre e que se manteve à espera dele durante um longo período, dizendo que pretendia cobrar uma dívida e afirmando mesmo que lhe queria #8216;acertar o passo#8217;#8221;.
Entretanto, algumas dívidas já começaram a ser pagas, por intermédio do arcipreste de Amares e também pelos conselhos económicos das paróquias.
O arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, reconhece a existência de dívidas, mas salienta que o sacerdote #8220;tem consciência de que não procedeu da melhor forma e vai recuperar#8221;, adiantando que o padre Nuno estará de volta às suas funções paroquiais #8220;a breve prazo#8221;, ainda que não deva regressar a Amares.
#8220;Deixou-se levar por um problema de desorganização económica, mas, seguramente, há-de voltar para o serviço religioso com uma experiência e uma capacidade reforçadas para poder superar os seus problemas#8221;, comentou D. Jorge Ortiga.
A garantia do arcebispo deixa satisfeita grande parte dos moradores das paróquias de Caires, Portela e Torre, onde várias pessoas confessam que gostariam de #8220;ver o padre regressar à paróquia#8221; #8211; como é o caso de Lucinda Silva. #8220;Era uma pessoa excelente, as crianças e os jovens adoravam-no; e a missa dele era diferente#8221;, justificou.
Alguns paroquianos mostraram-se mesmo compreensivos com os problemas em que se envolveu o sacerdote. Um paroquiano da Torre salientou que #8220;era jovem, sozinho e com pouca experiência da vida, o que ajudou a que não conseguisse travar alguns desequilíbrios e muitas tentações#8221;. Por isso, mostrou-se também convencido e #8220;esperançado de que o retiro em Santo Tirso lhe faça bem#8221;.
Na Portela, o padre Nuno devia até dinheiro a algumas pessoas, mas nem isso esmorece o sentimento de simpatia, como frisou Ermelinda Rodrigues: #8220;Como sacerdote, o padre era excelente, mas estragou-se em termos pessoais. Agora, a freguesia nunca terá um padre tão bom.#8221;
UM CASO QUE DEU UM FILME
Em 1997, o Correio da Manhã revelou o caso de um padre de Braga, natural de Vila Verde e pároco em Terras de Bouro, que caiu nas malhas da droga.
O assunto fez correr muita tinta e até serviu de mote para o filme #8216;Tentação#8217;, um dos mais vistos em Portugal e que teve Joaquim de Almeida no papel principal.
Refira-se que o dito sacerdote, agora com 42 anos, fez, em 1998, um tratamento em Inglaterra e, em 1999, regressou à actividade pastoral.
PELA PRIMEIRA VEZ, O DINHEIRO
Trata-se de um facto inédito na Igreja portuguesa. Embora não seja #8216;o pão nosso de cada dia#8217;, têm-se registado, sobretudo nos últimos anos, vários casos de padres que abandonaram o sacerdócio por causa da paixão por uma mulher. Ainda estes dias foi notícia um jovem padre de Montalegre que terá fugido com uma paroquiana para o Luxemburgo.
Também já aconteceu dar-se o caso de um padre, muito dinâmico, por sinal, cair nas malhas da droga (de que felizmente se recuperou). Agora, um padre ser convidado a deixar as paróquias devido a um assinalável descontrolo financeiro, isso ainda não tinha acontecido. Pela primeira vez torna-se público o caso de um sacerdote que gosta do luxo e vive acima das suas possibilidades.
"A CULPA É DAS BEATAS"
O afastamento do padre Nuno Melo domina as conversas nas freguesias onde o sacerdote exercia a função de pároco. Os populares apontam diversos vícios, com os boatos a multiplicarem-se ao ponto de apontarem ligações a mulheres e dependências diversas. #8220;Raparigas e drogas, não acredito... agora que poderia beber mais um pouco, é muito possível#8221;, atestou o jovem Miguel Barros, de Caires.
Diversos populares atribuem as #8220;acusações exageradas#8221; sobre a vida do sacerdote #8220;às beatas, essas #8216;velhas tias de Igreja#8217; que não gostavam do padre#8221;.
Um outro paroquiano garantiu até que #8220;o problema estava nos coros da igreja#8221;, explicando que #8220;o coro da juventude era apoiado pelo padre e os mais velhos começaram a fazer barulho#8221;. E frisou que #8220;as velhas fizeram-lhe #8216;a folha#8217;#8221;, considerando que #8220;alguém da freguesia enviou uma carta para o arcebispo e ele acabou por vir buscá-lo#8221;.
PRIOR FUGIU COM PAROQUIANA
Em Montalegre só se fala na carta em que o padre Joaquim Moura, que dava missas nas freguesias de Salto, Pondras, Reigoso e Vila da Ponte, explica por que abandonou as paróquias.
À boca pequena, vai-se dizendo que o pároco terá fugido com uma mulher para o Luxemburgo, mas a verdade é que só a leitura da já célebre carta deixada ao sacristão de Salto poderá explicar o sucedido. A população está ansiosa, mas o bispo de Vila Real, D. Joaquim Gonçalves, terá dado ordens para que o documento só venha a ser lido pelo pároco que vier substituir o padre Moura.
Apesar de ainda não ser conhecido o seu conteúdo, Domingos Gonçalves, sacristão de Salto, garante que, na missiva especialmente dirigida aos paroquianos, Joaquim Moura fala de #8220;motivos pessoais#8221;.
A fuga do padre Moura aconteceu há mais de 15 dias, sem até à data ter sido dada qualquer explicação. Entre o povo começou a correr o boato de que o prior teria fugido com uma paroquiana para o Luxemburgo.
O bispo de Vila Real diz estar surpreendido com o facto e nega que Joaquim Moura estivesse a atravessar uma crise de vocação. Ainda assim, corre também o rumor de que o padre Moura já teria anteriormente sido transferido da freguesia de Maçada por causa de uma #8220;paixão#8221;.
Os fiéis das três paróquias estão na expectativa de que seja lida a carta, mas parecem compreender as suspeitas. #8220;Não sei se fugiu ou não. Se não tinha vocação e arranjou uma mulher fez muito bem. Não há nenhum homem que não tenha uma mulher#8221;, disse ao CM José Martinho, proprietário do Café dos Pequenos, na freguesia de Salto, mesmo ao lado da igreja. #8220;Ou escolhia a Igreja ou tinha de ir embora. A opção não foi fácil. Mas eu conheço três sacerdotes no concelho que toda a vida tiveram mulher. Este era um padre exemplar e uma boa pessoa. Vinha aqui petiscar e beber uns copos#8221;, garante.
Com 28 anos, conta quem o conhece que, em apenas sete meses conseguiu levar muitos jovens à igreja.
Mário Fernandes, Braga
IN CM Hoje
[8)][8]



Depois de problemas com sacerdotes que tiveram de ser afastados devido ao envolvimento com mulheres e até uma situação de dependência de droga, a diocese de Braga vê-se agora a braços com um caso inédito: um padre foi afastado por se ter afundado em dívidas.
A arquidiocese de Braga decidiu afastar de três paróquias do concelho de Amares um jovem sacerdote que se terá envolvido num emaranhado de dívidas provocadas sobretudo pela paixão por automóveis de luxo e convívios sociais. O padre Nuno Melo, de 29 anos, encontra-se agora num espaço de recolhimento dos Jesuítas, em Santo Tirso.
Nas localidades de Caires, Portela e Torre #8211; onde o sacerdote se encontrava de serviço #8211;, os populares manifestam até muita simpatia pelo ex-pároco e reconhecimento pelo trabalho a nível religioso, mas lamentam que não tenha conseguido controlar determinados vícios, apontando também o problema das constantes #8220;borgas nocturnas#8221;.
Ao que foi possível apurar, o padre Nuno Melo #8211; familiar do líder parlamentar do CDS-PP com o mesmo nome #8211; teria um rendimento mensal a rondar os 1300 euros, mas a verba começou a ser cada vez mais escassa. Natural do concelho de Vila Nova de Famalicão e originário de #8220;família com bons recursos financeiros#8221;, o jovem sacerdote manteve um estilo de vida que se revelou incomportável perante compromissos económicos que o sacerdote foi avolumando, com destaque para as prestações de dois automóveis: um BMW destruído num acidente e um Audi. Acresciam ainda as #8220;frequentes jantaradas e diversões nocturnas#8221;.
#8220;Portava-se mal e gostava muito da noite. Claro que os mais velhos e as beatas da igreja não gostavam, mas, tirando isso, era bom padre, muito social e grande amigo dos jovens#8221;, comentou um paroquiano de Caires, salientando que #8220;o problema maior, e que levou a diocese a tirá-lo daqui, é que havia muita gente que andava a ameaçá-lo por causa das dívidas#8221;.
O proprietário de um café local confirma que chegou a receber no estabelecimento #8220;um cliente que procurava o padre e que se manteve à espera dele durante um longo período, dizendo que pretendia cobrar uma dívida e afirmando mesmo que lhe queria #8216;acertar o passo#8217;#8221;.
Entretanto, algumas dívidas já começaram a ser pagas, por intermédio do arcipreste de Amares e também pelos conselhos económicos das paróquias.
O arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, reconhece a existência de dívidas, mas salienta que o sacerdote #8220;tem consciência de que não procedeu da melhor forma e vai recuperar#8221;, adiantando que o padre Nuno estará de volta às suas funções paroquiais #8220;a breve prazo#8221;, ainda que não deva regressar a Amares.
#8220;Deixou-se levar por um problema de desorganização económica, mas, seguramente, há-de voltar para o serviço religioso com uma experiência e uma capacidade reforçadas para poder superar os seus problemas#8221;, comentou D. Jorge Ortiga.
A garantia do arcebispo deixa satisfeita grande parte dos moradores das paróquias de Caires, Portela e Torre, onde várias pessoas confessam que gostariam de #8220;ver o padre regressar à paróquia#8221; #8211; como é o caso de Lucinda Silva. #8220;Era uma pessoa excelente, as crianças e os jovens adoravam-no; e a missa dele era diferente#8221;, justificou.
Alguns paroquianos mostraram-se mesmo compreensivos com os problemas em que se envolveu o sacerdote. Um paroquiano da Torre salientou que #8220;era jovem, sozinho e com pouca experiência da vida, o que ajudou a que não conseguisse travar alguns desequilíbrios e muitas tentações#8221;. Por isso, mostrou-se também convencido e #8220;esperançado de que o retiro em Santo Tirso lhe faça bem#8221;.
Na Portela, o padre Nuno devia até dinheiro a algumas pessoas, mas nem isso esmorece o sentimento de simpatia, como frisou Ermelinda Rodrigues: #8220;Como sacerdote, o padre era excelente, mas estragou-se em termos pessoais. Agora, a freguesia nunca terá um padre tão bom.#8221;
UM CASO QUE DEU UM FILME
Em 1997, o Correio da Manhã revelou o caso de um padre de Braga, natural de Vila Verde e pároco em Terras de Bouro, que caiu nas malhas da droga.
O assunto fez correr muita tinta e até serviu de mote para o filme #8216;Tentação#8217;, um dos mais vistos em Portugal e que teve Joaquim de Almeida no papel principal.
Refira-se que o dito sacerdote, agora com 42 anos, fez, em 1998, um tratamento em Inglaterra e, em 1999, regressou à actividade pastoral.
PELA PRIMEIRA VEZ, O DINHEIRO
Trata-se de um facto inédito na Igreja portuguesa. Embora não seja #8216;o pão nosso de cada dia#8217;, têm-se registado, sobretudo nos últimos anos, vários casos de padres que abandonaram o sacerdócio por causa da paixão por uma mulher. Ainda estes dias foi notícia um jovem padre de Montalegre que terá fugido com uma paroquiana para o Luxemburgo.
Também já aconteceu dar-se o caso de um padre, muito dinâmico, por sinal, cair nas malhas da droga (de que felizmente se recuperou). Agora, um padre ser convidado a deixar as paróquias devido a um assinalável descontrolo financeiro, isso ainda não tinha acontecido. Pela primeira vez torna-se público o caso de um sacerdote que gosta do luxo e vive acima das suas possibilidades.
"A CULPA É DAS BEATAS"
O afastamento do padre Nuno Melo domina as conversas nas freguesias onde o sacerdote exercia a função de pároco. Os populares apontam diversos vícios, com os boatos a multiplicarem-se ao ponto de apontarem ligações a mulheres e dependências diversas. #8220;Raparigas e drogas, não acredito... agora que poderia beber mais um pouco, é muito possível#8221;, atestou o jovem Miguel Barros, de Caires.
Diversos populares atribuem as #8220;acusações exageradas#8221; sobre a vida do sacerdote #8220;às beatas, essas #8216;velhas tias de Igreja#8217; que não gostavam do padre#8221;.
Um outro paroquiano garantiu até que #8220;o problema estava nos coros da igreja#8221;, explicando que #8220;o coro da juventude era apoiado pelo padre e os mais velhos começaram a fazer barulho#8221;. E frisou que #8220;as velhas fizeram-lhe #8216;a folha#8217;#8221;, considerando que #8220;alguém da freguesia enviou uma carta para o arcebispo e ele acabou por vir buscá-lo#8221;.
PRIOR FUGIU COM PAROQUIANA
Em Montalegre só se fala na carta em que o padre Joaquim Moura, que dava missas nas freguesias de Salto, Pondras, Reigoso e Vila da Ponte, explica por que abandonou as paróquias.
À boca pequena, vai-se dizendo que o pároco terá fugido com uma mulher para o Luxemburgo, mas a verdade é que só a leitura da já célebre carta deixada ao sacristão de Salto poderá explicar o sucedido. A população está ansiosa, mas o bispo de Vila Real, D. Joaquim Gonçalves, terá dado ordens para que o documento só venha a ser lido pelo pároco que vier substituir o padre Moura.
Apesar de ainda não ser conhecido o seu conteúdo, Domingos Gonçalves, sacristão de Salto, garante que, na missiva especialmente dirigida aos paroquianos, Joaquim Moura fala de #8220;motivos pessoais#8221;.
A fuga do padre Moura aconteceu há mais de 15 dias, sem até à data ter sido dada qualquer explicação. Entre o povo começou a correr o boato de que o prior teria fugido com uma paroquiana para o Luxemburgo.
O bispo de Vila Real diz estar surpreendido com o facto e nega que Joaquim Moura estivesse a atravessar uma crise de vocação. Ainda assim, corre também o rumor de que o padre Moura já teria anteriormente sido transferido da freguesia de Maçada por causa de uma #8220;paixão#8221;.
Os fiéis das três paróquias estão na expectativa de que seja lida a carta, mas parecem compreender as suspeitas. #8220;Não sei se fugiu ou não. Se não tinha vocação e arranjou uma mulher fez muito bem. Não há nenhum homem que não tenha uma mulher#8221;, disse ao CM José Martinho, proprietário do Café dos Pequenos, na freguesia de Salto, mesmo ao lado da igreja. #8220;Ou escolhia a Igreja ou tinha de ir embora. A opção não foi fácil. Mas eu conheço três sacerdotes no concelho que toda a vida tiveram mulher. Este era um padre exemplar e uma boa pessoa. Vinha aqui petiscar e beber uns copos#8221;, garante.
Com 28 anos, conta quem o conhece que, em apenas sete meses conseguiu levar muitos jovens à igreja.
Mário Fernandes, Braga
IN CM Hoje
[8)][8]