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13-06-2006 13:22:00. Fonte LUSA. Notícia SIR-8077437
Temas: economia portugal indústria automóvel empresas
Automóvel: Fábrica na Azambuja da General Motors está parada - sindicatos
Lisboa, 13 Jun (Lusa) - A fábrica na Azambuja da General Motors está parada, devido à greve dos trabalhadores contra a ameaça de encerramento da unidade em Portugal, disse hoje à agência Lusa o dirigente da comissão sindical da GM Portugal, Luís Figueiredo.
"A paralisação nos sectores de produção e administrativo é total", afirmou o dirigente sindical.
A unidade da Azambuja iniciou hoje à 09:30 horas uma greve, de duas horas, por cada turno, inserida num plano decidido pelos trabalhadores da General Motors a nível europeu, visando demonstrar à direcção da GM Europa que não aceitam uma eventual decisão de encerramento da unidade fabril portuguesa ou de outras unidades na Europa, sobre as quais paira a ameaça de encerramento.
Em declarações à agência Lusa, o Director de Comunicação da GM Portugal, Nelson Silveira, disse que "a posição da General Motors não se alterou. Não há qualquer comentário a fazer, enquanto decorrer o processo de discussão entre a Direcção da GM e os representantes dos trabalhadores", além de contactos com o Governo português.
Na reunião entre a direcção da General Motors e representantes dos trabalhadores, realizada segunda-feira, em Frankfurt, foi apresentada uma proposta de redução dos custos logísticos na fábrica da Azambuja, ameaçada de encerramento.
Segundo Luís Figueiredo, "a direcção pediu tempo para analisar a proposta, tendo marcado para quarta-feira uma nova reunião em Frankfurt".
Embora o processo negocial continue, as diferentes fábricas europeias da GM na Europa vão paralisar duas horas em dias distintos, numa acção conjunta de solidariedade, em protesto pelo possível encerramento da fábrica da Azambuja, em Portugal.
Na quinta-feira haverá também uma paralisação de duas horas em Saragoça, estando previstas igualmente paragens por idêntico período de tempo nas restantes fábricas na Europa.
Os trabalhadores da unidade fabril da Azambuja vão fazer na sexta-feira uma greve de 24 horas, embora a acção tenha ainda de ser aprovada em plenário, disse à agência Lusa Luís Figueiredo.
O representante dos trabalhadores da GM na Europa, Klaus Franz, tinha já admitido o lançamento de acções de solidariedade a favor dos portugueses em todas as fábricas europeias, durante a reunião do Fórum de trabalhadores do grupo, que se realizou em Lisboa no início de Junho.
A CT Europa teme que o encerramento da Azambuja "seja apenas o começo" da reestruturação do grupo na Europa.
A GM Europa admitiu recentemente o encerramento da fábrica da Azambuja, fundada em 1963, até ao fim do ano em curso e o jornal económico alemão Handelsblatt noticiou na segunda-feira que o grupo decidiu encerrar a unidade a 31 de Outubro, citando fontes empresariais.
No final de Maio, a GM Europa anunciou que a produção do modelo Combo na fábrica da Azambuja custa mais 500 euros por unidade que em outras unidades do grupo no continente, um valor contestado pelos trabalhadores.
No entanto, a administração comprometeu-se a estudar, até meados de Junho, outras possíveis soluções.
Segundo o Handelsblatt, que teve acesso a um documento interno da CT da GM Europa, os trabalhadores propuseram a produção do Chevrolet na fábrica portuguesa, em compensação pela saída do Combo, mas a administração "está renitente".
A General Motors investiu na Azambuja 130 milhões de euros entre 1999 e 2001 para modernizar a fábrica para a produção do Combo e entre 2002 e 2003 investiu 2,7 milhões de euros na melhoria dos processos de produção, que permitiram aumentar a capacidade de produção da fábrica.
O jornal económico alemão noticia também que o governo português poderá exigir o reembolso de 30 milhões de euros de incentivos e subsídios concedidos à GM, caso esta avance para o encerramento.
A fábrica da General Motors na Azambuja emprega 1.500 trabalhadores e produziu em 2005 um recorde de 73.800 Combo Van (comercial ligeiro) e Combo Tour (ligeiro de passageiros).
JS.
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