Chanel, uma cadela Dachshund, morreu no final de Agosto, poucos meses depois de ter sido anunciada a sua entrada no Guinness como "o cão mais velho do mundo". Os seus 21 anos caninos traduziam-se já em 147 segundo padrões humanos. Pouco depois, foi anunciada a existência de Max, um Terrier cujos donos dizem ter 26 anos mas que ainda espera confirmação do júri do Livro dos Recordes.
Casos como estes deixaram de ser episódios bizarros. A sabedoria popular estabelece que um cão dificilmente ultrapassa os 15 anos, mas é cada vez mais comum "o melhor amigo do homem" alcançar idades consideradas inatingíveis.
Nos últimos 80 anos, o tempo médio de vida de um cão terá passado de sete para 12 anos. "A percepção de que os cães vivem agora mais tempo é correcta", afirma Rita Campos de Carvalho, veterinária há 22 anos. "Isso tem a ver com a nutrição, que tem melhorado muito, e com um melhor nível económico. Apesar de, em Portugal, ainda se tratar mal os animais, estes são agora mais vistos como parte da família." Esta nova realidade é também um desafio para os donos que têm de cuidar durante mais tempo de um animal de estimação, com necessidades diferentes e mais exigentes. Rita Campos de Carvalho explica que há duas décadas os donos eram bastante mais irresponsáveis. "Há 20 anos levava-se o cão ao veterinário depois de estar doente há um mês e meio", lembra. "Nota-se uma diferença brutal no aumento das consultas de rotina."
Enfrentar a velhice O passar do tempo trouxe também mais informação sobre a velhice os animais. Por exemplo, o método usado tantas vezes para calcular a verdadeira idade do seu cão - através da multiplicação do número de anos que viveu por sete - é limitado. Hoje em dia sabe-se que, por possuírem metabolismos diferentes, as raças de cães mais pequenos tendem a viver mais tempo. O mesmo sucede com raças cruzadas.
Pode dizer-se que, em geral, um cão entra na velhice a partir dos sete anos. Tal como os humanos, os cães perdem força muscular, energia e é mais provável que adoeçam. Os principais problemas de um cão idoso estão relacionados com insuficiências renais, cardíacas, hepáticas, diabetes ou cancro. "Nas raças grandes, os principais problemas são cardíacos, ou relacionados com ossos e articulações", diz Rita de Carvalho. "A partir dos dez anos, o cancro passa a ser a maior causa de mortalidade canina."
Para além das doenças, ocorre também uma degradação progressiva dos sentidos, o que torna o cão mais dependente do dono. Deve, por isso, ter atenção para não fazer mudanças repentinas de mobília que possam eliminar pontos de referência do animal. É também importante manter rotinas e continuar com as mesmas brincadeiras e actividades, adaptando a intensidade à idade do cão. O tempo de vida dos animais depende dos seus donos, nomeadamente da atenção dada à dieta e exercício. Rita de Carvalho considera que há dois aspectos decisivos para o cão atravessar melhor a velhice: "Ter um veterinário em quem confiar e providenciar ao cão uma boa nutrição desde muito novo."
Essencialmente, importa olhar para uma vida mais estendida do seu cão com vontade de lhe proporcionar dignidade. Afinal de contas, depois de uma vida de fidelidade, ele merece uns últimos anos de retribuição.