Sou da opinião que se deve explicar o mundo tal como ele é. O que vai fazer, como vai fazer, etc. Compreendo a limitação e a ideia de não criar determinados "traumas", mas a vida não é cor-de-rosa. O meu pai faleceu em 2019, o meu filho pouco se lembra dele, mas pede sempre para ir ao cemitério visitar o "avô do céu". E pergunta, porque não está cá, o que aconteceu, sabe que esteve doente, por causa de fumar muito e que morreu, mas não deixo sempre de relembrar o quanto ele gostava dele, que ainda conseguiu estar com ele uns dias, que gostava de lhe dar colo, atenção, brincar com ele. Não deixa de ser um tipo de conversa difícil de teres com qualquer criança, quanto mais com o teu filho, mas não pinto o que não é. Aconteceu, sabe que aconteceu, lida disso à sua forma, ou tentamos que lide com isso da melhor forma. Noto-lhe alguma tristeza no olhar, mas ao mesmo tempo alegria e sentido de felicidade quando se fala no avô.
Acho que, obviamente com cuidado e se nos sentirmos inseguros a explicar determinado contexto a uma criança ou não percebamos ainda muito bem como ele vai reagir a determinadas informações e como vai processar as mesmas é preferível não o fazer, devemos enquadrar a realidade dentro do contexto de entendimento deles para crescerem a todos os níveis. Se lhe dermos a "zona de conforto" certa, não me parece descabido.
Mas, como em tudo, das primeiras coisas que já levava da minha formação como professor é que "não há fórmulas". Todos somos diferentes e as crianças não são excepção.