Tópico dos "Emigras".

A edição de Domingo do Jornal de Notícias contém parte de uma entrevista a mim Jorge Correia (Ricardo Taipa) e ao Air (Nuno). Mais tarde posso publicar as perguntas e resposta na integra pois cheguei a mencionar o fórum da AHO - mas essa parte não foi publicada. [;)]

Emigração portuguesa está mais qualificada



Jovens quadros técnicos e científicos optam cada vez mais por fazer carreira no estrangeiro, devido às melhores oportunidades e salários.
Substituíram a mala de cartão por uma mala com rodinhas; já não passam a fronteira a pé, mas sim de avião; em vez de escreverem longas cartas a falar da nova vida e das saudades da família ou de fazerem curtos telefonemas de tempos a tempos, comunicam através das redes sociais, dos programas de conversação instantânea ou por telemóvel. Eis os novos emigrantes portugueses.


Num artigo publicado no anuário "Janus 2008", Helena Rato, investigadora do Instituto Nacional de Administração, descreve desta forma o novo cenário da emigração nacional: "verifica-se uma tendência ao aumento da população emigrante com menos de 29 anos de idade, enquanto que o ritmo de emigração da população mais velha tende a manter-se constante; a taxa de crescimento da emigração permanente é superior à da emigração temporária; na emigração permanente, verifica-se uma quase paridade entre os dois sexos, enquanto que a emigração temporária permanece essencialmente masculina; a emigração de trabalhadores qualificados tende a crescer mais do que a dos trabalhadores não qualificados".


Os portugueses que actualmente emigram já não o fazem com "uma mão à frente e outra atrás", refere a socióloga Margarida Marques, nem em "debandada", como dizia Orlando Ribeiro. "Esse Portugal já não existe", sublinha a mesma investigadora. Actualmente, são sobretudo jovens quadros técnicos e científicos que procuram oportunidades de enriquecimento profissional, o que também reflecte "a evolução do país", diz.


Tânia Cunha, de 27 anos, natural de Batocas (concelho do Sabugal), é licenciada em Matemática Aplicada e Computação pela Universidade de Aveiro e vive, desde Junho de 2007, em Madrid. Após o estágio profissional, em Aveiro, recebeu uma proposta de trabalho de uma empresa espanhola. Apesar de também ter tido propostas para ficar em Portugal, decidiu aceitar e diz não estar arrependida. As outras propostas eram "pouco ambiciosas face à proposta da consultora espanhola", explica.
Também Nuno Oliveira, de 25 anos, natural de Vila Branca, concelho de Albergaria-a-Velha, mudou-se para Genebra à procura de "uma boa oportunidade de carreira". Vive na Suíça desde Novembro de 2008, altura em que iniciou um estágio tecnológico no CERN - Laboratório Europeu de Física das Particulas, um "local único", como o próprio descreve.


Uma questão de sobrevivência

Margarida Marques sublinha que o mais correcto não é falar-se em novos emigrantes, mas sim de novas categorias de migrantes. Além dos que saem do país por uma questão de sobrevivência, há também os que "saem porque a multinacional em que trabalham lhes dá a possibilidade de irem para outro país ou os que saem à boleia de programas europeus, de bolsas de estudo ou de investigação".


Não foi esse o caso de Ricardo Taipa, de 37 anos, natural de Lisboa. Viveu um ano na Polónia em 2001, ao abrigo do programa europeu Eramus. Ali conheceu a mulher, uma polaca, com quem regressou a Portugal. Aqui viveram entre 2002 e 2004, mas "todos os factores conjugados pareciam empurrar-nos para fora", desabafa. As "poucas perspectivas de ter um emprego bem remunerado, do desemprego" e do facto de a mulher não poder ter visto de residência (na altura, a Polónia não pertencia à União Europeia), levaram o casal a regressar à Polónia.


Actualmente, Ricardo Taipa é consultor informático na Fujitsu Technological Solutions em Lodz, a segunda maior cidade polaca. Afirma que nunca teve ensejo de deixar Portugal, "um país fantástico e realmente bonito", mas onde a única solução de vida que tinha era a de "endividar-se até ao tutano".


Este consultor informático diz que a Polónia "está longe de ser o ideal de país para viver" e, por isso, não afasta a hipótese de emigrar com a mulher, Paula, e os dois filhos entretanto nascidos, Manuel de quatro anos, e o Marcel, com um ano e meio. Portugal está, definitivamente, de parte, pois aqui "só se vive na plenitude com bastante dinheiro no bolso", lamenta.
Margarida Marques chama a atenção para o facto de haver um conjunto de países com economias emergentes, como os do continente africano ou asiático, onde há muito ainda por fazer e falta mão-de-obra qualificada. Dá o exemplo de Angola, onde estão perto de 75 mil emigrantes portugueses, e "que precisa de tudo, desde médicos a professores, pessoal da construção civil a engenheiros".


Empreendedorismo dos emigrantes

José Marques, professor-adjunto da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Leiria, prefere falar em mobilidade mais do que em migração, visto ser cada vez mais comum as saídas de duração limitada para realizar trabalhos específicos, por um lado, e porque muitos emigrantes qualificados acabam por se mudar de um país para outro com grande rapidez.



À semelhança de Ricardo Taipa, também Tânia Cunha não coloca de parte voltar a emigrar. "Não descarto a possibilidade de emigrar para outro país. Viver e trabalhar noutro país continuaria a ser um contributo importante para o meu crescimento profissional e pessoal", diz.


Este investigador está a desenvolver um estudo sobre "Empreendedorismo transnacional dos emigrantes portugueses", uma área pouco estudada no país. Na apresentação do trabalho, explica que "estudos de vários países têm demonstrado que o auto-emprego e o empreendedorismo migrante têm funcionado em diversos contextos como uma nova via de acesso ao mercado de trabalho dos países de acolhimento".


Embora o estudo esteja no início e se cinja à comunidade portuguesa radicada na Suíça, José Marques referiu que "os empresários nacionais têm aproveitado os emigrantes empreendedores para vender os seus produtos fora do país".


A este propósito, Nuno Oliveira diz que o "preocupa bastante a situação das empresas portuguesas", que não considera "competitivas". "Temos uma carga fiscal elevada e recursos humanos pouco qualificados, o que leva a baixa produtividade e produtos com pouco valor acrescentado". Diz que "seria necessário apostar na formação real de qualidade (a nível técnico e superior), investir em I&D e reduzir os encargos a nível de impostos das empresas".


Fuga de cérebros?

Há quem classifique este movimento emigratório de quadros qualificados como uma "fuga de cérebros", com tudo o que de negativo tal implica para o desenvolvimento de Portugal, mas Margarida Marques recusa esta lógica de pensamento. "A realidade migratória é altamente dinâmica, está sempre em movimento. Isto é extremamente positivo e é bom que os portugueses sem apreciados e reconhecidos no exterior", refere a investigadora do Gabinete de Investigação em Sociologia Aplicada da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH/UNL).
Nuno Oliveira partilha da opinião: "Só quem nunca saiu de Portugal pensa que não temos valor. Estamos em pé de igualdade com os nossos colegas europeus, apenas precisamos de um sistema a funcionar e que retire o melhor dos nossos recursos", conclui este investigador do CERNE.
Apesar de o fenómeno emigratório ser bastante flutuante, não há, em Portugal, dados quantitativos que permitam fazer estudos mais profundos sobre estes novos emigrantes. Desde 2003 que o Instituto Nacional de Estatísticas deixou de coligir estes dados e o Observatório da Emigração, criado em 2008, encontra-se ainda a recolher indicadores estatísticos.
FÁTIMA MARIANO
publicado a 2010-06-06 às 01:05


Para mais detalhes consulte:
Emigração portuguesa está mais qualificada - JN
GRUPO CONTROLINVESTE
Copyright © - Todos os direitos reservados
 
[:D]

Quando vi o teu nome comecei a rir-me! FAHO em grande no JN deste Domingo!

Se quiserem também posso passar as respostas completas às perguntas..

P.S. "CERNE"... Ai ai...
 
Tinha um pressentimento que te iam contactar, afinal estava certo! [;)]

Por acaso o teu exemplo passou-me ao lado, porque me pediram se tinha contacto de outras pessoas. A Tânia que aparece na reportagem é uma amiga minha, também dei o contacto do Rasec, mas não utilizaram pelos vistos.

Bom era receber uma percentagem dos lucros da tiragem deste Domingo.. [:D]
 
Famosos... [:)]

Fica aqui a entrevista na integra, ficou muito por dizer! [;)]




1 - Gostaria de saber a sua idade, naturalidade e percurso académico e
o que faz actualmente.


Tenho 37 anos, nasci em Lisboa mas podia ter nascido em Luanda. Em
1974 regressamos a Portugal e vivemos em São João do Estoril de onde
saímos em 1979 rumo ao Norte para Vila Nova de Famalicão. Em 2004
emigrei para a Polónia, cidade de Łódź. Comecei por estudar Direito na
Universidade Moderna mas só lá estive um ano, era demasiado
entediante. Em 1996 entrei na Universidade Fernando Pessoa para o
curso de Engenharia Publicitária – que vou concluir este ano depois de
um interregno de quase dez anos. Estou no meu terceiro emprego na
Polónia, neste momento trabalho como share desk consultant para a
Fujitsu Technological Solutions em Łódź.

2 - Desde quando vive na Polónia e por que decidiu ir?


Na realidade conheço a Polónia desde 2001, ano em que decidi
inscrever-me no programa Erasmus. De 2002 a 2004 vivi com a minha
companheira polaca em Portugal mas todos os factores conjugados
pareciam empurrar-nos dali para fora. Poucas perspectivas de ter um
emprego bem remunerado, desemprego e a própria política de emigração
que impediu a minha mulher de ter visto de residência – mesmo estando
legalmente casada com um cidadão português (nessa altura a Polónia
ainda não era parte da UE). Na Loja do Cidadão de Braga chegaram a
sugerir que ela deveria ir para a Polónia até o visto ser emitido
(sine die) ou em contrapartida não sair de casa para evitar o
repatriamento.

3 - Foi sempre seu desejo viver/trabalhar fora de Portugal ou
tratou-se de uma necessidade?


Nunca tive especial ensejo de trabalhar fora do meu país. Portugal é
um país fantástico e realmente bonito, no continente e nas ilhas, com
uma gastronomia de fazer água na boca (não só aos nacionais) e com um
clima agradável a maior parte do ano mas só com desafogo financeiro se
goza na plenitude. Como na Polónia a minha mulher tinha casa própria e
mobilada e em Portugal só nos restava endividar-nos até ao tutano,
para comprar um pequeno apartamento, a decisão estava praticamente
tomada, além disso dei por mim a criticar demasiado o país e os
políticos (foi na altura em que Durão Barroso foi para a Comissão) e
quem não está bem põe-se, segui o exemplo de Barroso...

4 - Conhecia alguém na Polónia que tenha ajudado na sua integração?


A minha companheira de vida, a Paula. Conhecemo-nos em 2001 e a partir
daí só queríamos estar juntos e ter um projecto de vida em comum.
Evidentemente que nestas condições a integração é meio caminho andado.

5- Foi difícil a adaptação a um novo país, a uma nova forma de estar
na vida e no trabalho?



Para mim não. Aliás, diz-me a experiência, os portugueses têm de facto
uma capacidade de adaptação inusitada. O melhor a fazer é tomar a
atitude de viver como os locais portanto na Polónia faço o possível
por viver como se fosse um cidadão polaco e em Portugal volto
rapidamente aos meus hábitos portugueses, o que se torna difícil pois
na Polónia jantamos entre as 17 e as 18 e não damos dois beijinhos na
cara para cumprimentar, entre outros gestos tipicamente latinos.
Profissionalmente tive experiências curiosas; uma numa empresa polaca,
durante cinco anos, que me levou a viajar por esse mundo fora mas sem
perspectivas de crescimento e que financeiramente não compensava e
posteriormente um falhanço total com um compatriota que se revelou
nada mais do que um vigarista, nunca assinou contrato de trabalho, não
pagou o salário aos empregados e a mercadoria aos fornecedores
portugueses - disse que não tinha dinheiro. Não deixa de ser caricato
que o único problema que tive com o patronato na Polónia foi
precisamente com um português. Desde Janeiro que trabalho no Centro
Global da empresa japonesa Fujitsu Technological Solutions e já tenho
contrato por tempo indeterminado.

6 - Que visão tinha da vida dos emigrantes antes de partir para a
Polónia e que visão tem agora?


Os emigrantes que tinha na minha família estavam em países típicos da Diáspora portuguesa; França, Brasil e África do Sul, de resto conheci
muitos ex-emigrantes e emigrantes em França, Suiça, Luxemburgo e
Alemanha. Pareciam satisfeitos com a vida no estrangeiro e os que
estavam em Portugal sentiam-se algo como um peixe fora de água depois
de tantos anos fora do país.
A emigração actual e a minha visão do emigrante português mudou mais
que não seja pelo simples facto de me ter tornado um deles. É notória
a quantidade de portugueses com formação superior a viverem no
estrangeiro, acabam por encontrar o seu lugar ao sol e é um facto
conhecido a nossa habilidade para aprender, falar e compreender outros
idiomas, muitos de nós falam mais de quatro idiomas europeus o que, no
caso dos polacos, os deixa sempre surpreendidos, mais ainda quando
falamos polaco, um idioma extremamente complexo e difícil de aprender.

6 - Vai continuar a viver na Polónia? Gostaria de trabalhar/viver
noutro país? Qual?


Para já sim ainda para mais depois dos filhos terem nascido, o Manuel
com quatro anos e o Marcel com um ano e meio. As creches e os
infantários, em Łódź, custam mensalmente entre 100€ a 250€ (privados)
e pelo que vejo são bons e incluem actividades lúdicas e extras como
língua estrangeira (inglês), música, dança, ginástica e outras
actividades. O Manuel está perfeitamente integrado na creche entre os
seus amigos e amigas polacas, isso conta no momento de ponderar um
outro país para viver e trabalhar.

A Polónia está longe de ser ideal como país para viver e quem sabe um
dia vamos para outro onde se fale língua inglesa como o Reino Unido,
Austrália, Nova Zelândia? Portugal parece estar fora dessa equação,
como já disse anteriormente o nosso país só se vive na plenitude com
bastante dinheiro no bolso.

7 - Com que frequência vem a Portugal e o que pensa da situação
sócio-económica do país? E a da Polónia?



Menos do que gostaria! Os salários na Polónia ainda são relativamente
baixos em comparação com os salários da „velha UE“ mas paulatinamente
vão-se aproximando, mesmo assim não tenho desafogo financeiro para ir
a Portugal todos os anos, já não vou ao meu país há quase dois anos,
em parte por causa do nascimento do Marcel e da situação complicada em
que me deixou o tal português desonesto, mas este ano penso que vamos
passar umas semanas a Lisboa, onde está a maior parte da minha
família.

Acompanho as notícias do nosso país através de jornais portugueses
online - praticamente não vejo televisão - ouvindo os meus familiares
e também os comentários de compatriotas na blogosfera, no fórum da
Autohoje e no Facebook. A classe-média está a ser completamente
sacrificada pelo governo, é notório um fosso cada vez maior entre quem
tem posses e quem vive no limite e a esticar a corda ao fim do mês ou,
em contrapartida a recorrerem ao crédito para manterem um determinado
nível de vida, vulgo, as aparências. Fico com a sensação que Portugal
está como escreveu o nosso grande poeta Fernando Pessoa em Mensagem:

„Tudo é disperso, nada é inteiro. Ó Portugal, hoje és nevoeiro“.

A Polónia tem uma grande vantagem em relação a Portugal, não é um país
periférico, fica no coração da Europa e está numa posição geográfica
priviligiada para o comércio com os países da Europa Ocidental e de
Leste. 40 milhões de almas fazem da Polónia um mercado com grande
potencial e prova disso são os investimentos e sucesso de alguns
grupos portugueses como o Grupo Jerónimo Martins e os supermercados
Biedronka, o Millenium Bank, Mota Engil, Colep CCL, os parques
eólicos da EDP, Simoldes plásticos, vinhos Atlantyka etc. No entanto o
excesso de burocracia, resquícios do comunismo, e os niveis de
corrupção elevados na Polónia são ainda um entrave e factor de
abrandamento para a economia, já foi muito pior mas há ainda muito
caminho a desbravar.
 
Tinha um monte de revistas por perto e por acaso não li, nem reparei no fórum que vinha um artigo sobre vocês.

Podiam ter falado no FAHO que serve para matar saudades e bla bla bla [:)]
 
Tinha um monte de revistas por perto e por acaso não li, nem reparei no fórum que vinha um artigo sobre vocês.

Podiam ter falado no FAHO que serve para matar saudades e bla bla bla [:)]


Ouvi dizer que a administração não se chegou à frente para a publicidade[:D]

Parabéns[;)]
PS: De Jorge Correia para Ricardo Taipa vai alguma diferença[:D]
 
Ouvi dizer que a administração não se chegou à frente para a publicidade[:D]

Parabéns[;)]
PS: De Jorge Correia para Ricardo Taipa vai alguma diferença[:D]

Obrigado a todos!

Jorge Correia é um pseudónimo, na altura que fiz a inscrição no fórum AHO resolvi entrar com o nome de um ex-colega da universidade, um tipo que morava ali para os lados da Areosa no Porto. [:D]
 
Aqui ficam as minhas respostas, já vi que o Ricardo tem mais jeito para as palavras [:D]


Quando vi o blog do Ricardo também achei estranho o nick, mas assumi que era alguma história manhosa! [:D]



1 - Gostaria de saber a sua idade, naturalidade e percurso académico.
Tenho 25 anos, sou da Vila da Branca (distrito de Aveiro) e licenciei-me como Engenheiro Mecânico em 2007 pela Universidade de Aveiro. Trabalhei durante 1 ano em Portugal tendo vindo depois para a Suíça.


2 - Desde quando vive na Suíça e por que decidiu ir?
Estou na Suíça desde Novembro de 2008 ao abrigo de um programa de estágios tecnológicos entre o CERN - Laboratório Europeu de Física das Partículas e a ADI - Agência de Inovação. Decidi vir para cá porque era uma boa oportunidade de carreira para um jovem licenciado como eu e porque o CERN é um local único, com tecnologia de ponta e que me ia possibilitar uma experiência internacional e multicultural.


3 - Foi sempre seu desejo viver/trabalhar fora de Portugal ou tratou-se de uma necesidade?
Saí do país não por necessidade mas porque sempre quis ter uma experiência internacional. Sempre achei que viver e trabalhar com outras culturas e mentalidades seria importante não só em termos profissionais, mas também pessoais. Se não o tivesse feito seria algo que me ia ficar a faltar.


4 - Conhecia alguém na Suíça que tenha ajudado na sua integração?
Houve um casal amigo dos meus pais que me ajudaram bastante na integração. Mantemos o contacto de uma forma constante e têm sido um óptimo suporte.


4 - Foi difícil a adaptação a um novo país, a uma nova forma de estar na vida e no trabalho?
O início não foi fácil, deixar para trás família, namorada, amigos e conforto do nosso país custa mais do que pensamos. Mas penso que me adaptei muito bem ao novo país, estou num local que existe muita qualidade de vida e o trabalho mesmo sendo exigente deixa-nos tempo livre para outras actividades. Neste ponto senti muita diferença de Portugal em que se trabalha muitas horas, muitas vezes não tendo um aumento de produtividade como seria de esperar.


5 - Que visão tinha da vida dos emigrantes antes de partir para a Suíça e que visão tem agora?
Antes de partir pensava que os emigrantes vivam em condições menos boas, trabalhavam muitas horas e poupavam o máximo que podiam. Quando aqui cheguei vi que não era assim, pelo menos de uma forma geral. É normal que havendo muitos emigrantes mais velhos tenham hábitos diferentes dos emigrantes mais novos. Os emigrantes que mais lido de meia idade já viajam, aproveitam a cultura, têm vida social, etc.


6 - Vai continuar a viver na Suíça? Gostaria de trabalhar/viver noutro país? Qual?
O futuro neste momento ainda não é claro. O meu estágio acaba dentro de uns meses e preciso definir o próximo passo. Diria que existe uma grande probabilidade de voltar a Portugal, sempre foi o meu desejo, mas estou atento a oportunidades que existam noutros países, mas com a preferência de um país europeu evoluído.



7 - Com que frequência vem a Portugal e o que pensa da situação sócio-económica do país?
Vou frequentemente a Portugal, pelo menos uma vez por mês. É sabido que a situação sócio-económica de Portugal é preocupante. Temos uma dívida pública muito grande, que será paga com o aumento dos impostos e não pela redução da despesa como deveria ser o caminho, com todas as implicações que isso tem no mercado. Pessoalmente preocupa-me bastante a situação das empresas portuguesas, de uma forma simples, as nossas empresas não são competitivas. Temos uma carga fiscal elevada e recursos humanos pouco qualificados, o que leva a baixa produtividade e produtos com pouco valor acrescentado. Seria necessário apostar na formação de real qualidade (a nível técnico e superior), investir em I&D e reduzir os encargos a nível de impostos das empresas. Contudo estou optimista, só quem nunca saiu de Portugal pensa que não temos valor. Estamos em pé de igualdade com os nossos colegas europeus, apenas precisamos de um sistema a funcionar e que retire o melhor dos nossos recursos.
 
Parabens ao Nuno e ao Ricardo!! Gostei muito apr:)apr:)apr:)

Deram duas visões de diferentes realidades Polónia e Suiça!! As entrevistas ainda são mais interessantes, pois são dois jovens com uma boa diferença de idades, ou seja dá-nos a perspectiva "étaria" das entrevistas apr:)apr:)apr:)
 
Parabens a ambos. Como emigrante que sou e frequentador deste grupo de emigras AHO, fico orgulhoso a ver conhecidos virtuais a darem o seu parecer.

Infelizmente o pessimismo acerca de Portugal é o que sobressai em ambas as entrevistas e partilhado por muitos mais emigrantes, incluindo eu.
 
Gostei de ler!!!!apr:)

Penso que aqui se realça que as pessoas saem do pais natural por necessidades, tanto monetarias, como profissionais, e que evoluem bastante nos países de acolhimento... nao deixam de ter informaçao sobre o país que os viu partir, tendo mesmo opinioes sobre o que se deve e pode fazer para reverter a situaçao...

E a verdade é essa, nos Portugueses, pelo menos pelo que dizem por aqui, somos uma força trabalhadora de grande qualidade e profissionalismo, aqui demonstrado nestas entervistas, que podiam ser dezenas, ou milhares, mas seguramente e igualmente cativantes e demonstrativas de que temos valor para estar e trabalhar em qualquer parte do mundo!

Um abraço a todos.
 
eia! tamos com users famosos!! [:cool:]

daqui a nada ja nem querem saber do forum!! è so fama!! [:)]

(confesso que ainda nao li... mas assim que tiver tempo vou ler essas entrevistas! [;)])

Abraço
 
Obrigado pelas mensagens, bem diferentes dos comentários no próprio jornal.. [:D]

Mas somos apenas alguns casos no meio de milhares! Seja como for, foi bom fazer parte.
 
Obrigado pelas mensagens, bem diferentes dos comentários no próprio jornal.. [:D]

Mas somos apenas alguns casos no meio de milhares! Seja como for, foi bom fazer parte.

Já se esperavam os comentários tipicos de alguns labregos no JN. Achei particularmente cómico um tipo que considerava os emigrantes uns cobardes, porque deveriam ficar em Portugal a ajudar no combate aos políticos incompetentes...

Da reportagem em si fiquei surpreendido pela negativa com o facto de não se compilarem dados estatísticos sobre a emigração desde 2003. Como é possível?
 
Já se esperavam os comentários tipicos de alguns labregos no JN. Achei particularmente cómico um tipo que considerava os emigrantes uns cobardes, porque deveriam ficar em Portugal a ajudar no combate aos políticos incompetentes...

Da reportagem em si fiquei surpreendido pela negativa com o facto de não se compilarem dados estatísticos sobre a emigração desde 2003. Como é possível?

Também me ri com esse comentário... [:D]

Quando for a PT vou ver o jornal, pode ser que tenha mais reportagens sobre o tema!
 
Vem foto no jornal com o papelinho AHO? [:D]

Estive a ver por alto e pareceu-me muito interessante, mais logo com mais tempo quero ler isso nas calmas :)


P.S.: artigo com um gajo de Famalicão e um "Enginheirú" Mecânico só podia sair coisa boa [:p] eheh

Já se esperavam os comentários tipicos de alguns labregos no JN. Achei particularmente cómico um tipo que considerava os emigrantes uns cobardes, porque deveriam ficar em Portugal a ajudar no combate aos políticos incompetentes...

Da reportagem em si fiquei surpreendido pela negativa com o facto de não se compilarem dados estatísticos sobre a emigração desde 2003. Como é possível?

Os comentários no JN são uma coisa inacreditável [8b] Como é possível não haver o minímo de moderação? Às vezes tem lá cada pérola de bradar aos céus :sh)
 
Vim só cá deixar os parabéns a estes users (e já agora a todos os emigrantes) que tiveram a coragem e determinação em deixar para trás o seu País natal, a sua família, os seus costumes, e amigos para trás em busca de uma melhor vida e novas oportunidades. apr:)

E já agora...FAHO no seu melhor!
 
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