Tópico dos aviões

O que importa ao aviao e a velocidade que ele tem em relacao a massa de ar na qual evolui.
Se falarmos so da compoenente longitudinal : Velocidade solo aviao = Velocidade ar aviao + velocidade Ar (assumindo vento de cauda sinal positivo, vento de face negativo)
Assumindo (nem sempre e verdade, mas e uma boa aproximacao) que o aviao aterra sempre a mesma velocidade AR:
Se aterrares com vento de cauda, vais aterrar com mais velocidade solo, mesmo para a descolagem. O inverso com vento de frente.
Para uma aterragem, visto a distancia percorrida ser aproximadamente funcao do quadrado da velocidade, considere-se o seguinte exemplo.

Considerando um liner com velocidade na aterragem (Ar!) de cerca de 130 nos, e um vento de componente longitudinal de 20 nos:
Se aterrar com vento de frente, a velocidade solo ao tocar o chao e de 110 nos
Se aterrar com esse vento de cauda, a velocidade solo e de 150 nos.
A relacao entre os dois e aproximadamente 1.4. 1.4^2 -> 2
Ou seja, com o vento de cauda, a distancia a percorrer na aterragem e duas vezes maior do que com o vento de frente.

Depois, com vento de cauda, a aproximacao e mais rapida (velocidade maior / menos tempo a fazer a aproximacao). E mais dificil fazer correcoes.

Ao aterrar mais rapido, as rodas / travoes vao ter mais escorco / mais desgaste nos suportes de trem etc (provavelmente tambem com a mesma relacao quadratica).

Mesma coisa se aplica nas descolagens.

O aviao voa em relacao ao ar, logo apenas a velocidade ar conta.

Sempre pensei na minha ignorância completa neste tema, que com vento contra a bater no avião seria mais difícil de controlar.:sh)
 
Sempre pensei na minha ignorância completa neste tema, que com vento contra a bater no avião seria mais difícil de controlar.:sh)

No ar, sem referencias ao solo (visuais / radio / GPS), nao ha maneira de saber se o aviao tem o vento a bater contra / de lado / de traseira.

Tudo tem a ver com velocidades relativas. O aviao so sente a massa de ar (excepto quando em contacto com o chao), tal como se tivesses a jogar com um carrinho telecomandado dentro de um aviao (assumindo o aviao nivelado e em movidento nao acelarado), nao sentirias diferenca en controlo se andasses para a frente ou para tras.

Sem referencias ao solo (visuais / radio / gps / etc) nao ha maneira de saber a direccao / forca do vento aquando dentro de um aviao.

Turbulencias e mudancas de vento subitas podem sentir-se porque podem criar movimentos bruscos (acelaracoes em qualquer direccao).
 
Mais uma vez obrigado a todos pela explicação. Vocês são um espetáculo! apr:)

Escolhas da semana:

04d36079f193a3eae00c7c0fba2951e99d1384d3

Versão militar do DC-10 ou MD-11?
 
Tanto o DC-10 como o MD-11 são realmente belos aviões. É pena é ser cada vez mais raro vê-los a voar.
Subscrevo e ainda acrescento o L-1011! São aeronaves fantásticas e que infelizmente vão desaparecendo dos céus aos poucos...os 737-200 também eram qualquer coisa. Pena tenho eu de não ter vivido essa época da aviação...pena mesmo!

No caso do DC-10 ainda bem.. é um dos modelos que não tenho muita vontade de experimentar, dado o seu registo de acidentes.
Ilyushin de facto a história do DC-10 ficou marcada por diversos acidentes, mas o DC-10 foi/é um óptimo avião e com provas dadas. Existiu um erro de design com a porta de carga "futurista" e após esse acidente a NTSB recomendou que o chão fosse reforçado com respiros, para que em caso de descompressão explosiva, o piso não cedesse à pressão. Foi também ordenada a colocação de uma pequena janela para que fosse possível verificar se a porta estava fechada e trancada. Isto devido a um acidente com um American que danificou muitas linhas hidráulicas e o avião aterrou por sorte...mas o Turkish em França não teve tanta sorte (aconteceu exactamente o mesmo que com o American), mais pesado, com estragos maiores, acabou por ficar sem qualquer superfície de controlo. O avião não tinha os respiros no piso, mas tinha a janela na porta de carga e a culpa foi em parte do operador de carga (de notar que uma fila de bancos foi arrancada e caiu a 10 quilómetros do local final da aeronave, os passageiros foram agarrados e ainda estavam sentados quando foram encontrados). As recomendações da NTSB não foram consideradas como importantes e só a FAA poderia obrigar a que as mesmas fossem feitas, mas para isso teria de ser emitida uma directiva de reparação, todos os DC-10 teriam de ficar em terra e seriam revistos...um pesadelo para a Mcdonnell Douglas (teria sido o correcto).
O caso do United em que o motor 2 rebentou (literalmente) deveu-se a fadiga nas pás e também danificou os circuitos hidráulicos, aterraram o avião, mas este explodiu.
Outro acidente que de momento me vem à memória é o do American que perdeu o motor número 1! A manutenção foi feita de forma errada e o pylon danificado cedeu ao descolar, o motor Nº1 saltou do avião, com uma parte da asa danificada, slats danificados, circuitos hidráulicos danificados...o capitão sem instrumentos, sem stick shaker (que faz a coluna de controlo vibrar quando o avião entra em stall, todos esses sistemas eram alimentados pelo motor Nº1), o avião acabou por atingir uma altitude de 300 pés, voltar para a esquerda e atingir o solo.
É um dos lados "negros" dos DC-10, mas a maior parte foi convertida para carga, voando assim por muitos anos e ainda existem alguns em operação nos States, o ultimo voo comercial de passageiros foi há uns meses.

PS- O L-1011 tinha 4 circuitos hidráulicos...algo que teria dado jeito no DC-10
 
De facto é verdade, o DC-10 foi problemático nesse aspecto, mas não deixa de ser um belo avião. Agora assim de cabeça acho que a única companhia aérea europeia que ainda voa com MD-11 é a KLM (DC-10 penso que já não haja nenhum a fazer serviço de passageiros). Depois há a versão de carga em que há companhias como a Martinair Cargo que ainda voam com eles. Os da KLM vão sair de serviço no fim deste ano.

Nesse acidente da United (se for o que aterrou em Sioux City) se não me engano foi causado por um defeito microscópico nas pás da turbina do 2º motor. Tanto esse como o acidente da American Airlines infelizmente não havia grande coisa a fazer.

O 737-200 também foi um belo avião mas tal como o DC-10 sofreu alguns problemas, nomeadamente na fuselagem que causaram explosões descompressivas, como foi o exemplo do voo da Aloha Airlines que sugou uma hospedeira em que nunca foi encontrado o corpo (nem o corpo nem os destroços). L-1011 para além de um belo avião foi uma manobra arriscada por parte da Lockheed que depois dos problemas do L-188 Electra que causaram acidentes fatais se tinha retirado da avião civil dedicando-se exclusivamente aos aviões militares. Conseguiram voltar a este mercado com bastante sucesso, com um avião mais seguro que a concorrência.

Já agora juntava o 707 e o 727 aos aviões mencionados, tendo o primeiro revolucionado a aviação como modelo a seguir para os futuros aviões que se seguiram. Não foi o primeiro avião a jacto a ser produzido (esse título cabe ao de Havilland Comet). Como o Comet deu alguns problemas graves de fadiga na fuselagem abriu portas para o 707 vir a revolucionar a aviação e ser o modelo a adoptar. Já o 727 menciono-o pela configuração trijet que veio a ser o modelo a ser adoptado para aviões de médio/longo curso por causa das medidas exigidas pela FAA. Foi também o primeiro e único trijet fabricado pela Boeing.

De salientar que todos os modelos aqui referidos foram operados pela TAP até mais ou menos década e meia atrás (à excepção do Comet). Também tenho pena de não ser desse tempo e não ter andando nesses modelos.
 
Sem dúvida, o 707 definiu o avião da forma como o vemos hoje. Foi inovador em quase tudo, destaco por exemplo as asas. Se não estou em erro foi o primeiro ou um dos primeiros aviões comerciais a recorrer ao uso de slats para encurtar as distancias de descolagem/aterragem.A própria fuselagem foi tão bem concebida, que foi adaptada para os 727 e para os 737 classic. As versões mais recentes dos 737 ainda possuem traços do 707, nomeadamente na zona do cockpit. Por falar em cockpit, este definiu um layout usado pela boeing nos narrowbody até aos 737-500 (ou 600, não tenho a certeza). Os 707 foram e são tão bons, que alguns estão a ser mantidos como aviões de reabastecimento aéreo.
Confesso que não sei muito sobre os 727, mas tenho ideia que foi desenvolvido devido às limitações dos bimotores em determinadas distâncias, penso que ainda nem existia ETOPS, sei que é conhecido pela sua manobrabilidade fantástica e verdade seja dita, o avião é lindo.
 
O último DC-10 a voar comercialmente foi o do Bangladesh, ainda este ano.

Belo interior que tinha.

E_Biman-Bangladesh-DC-10-vordere-Kabine-ohne-Gep%C3%A4ckf%C3%A4cher_1-Maierhofer.jpg


Confesso que nunca gostei muito dos trimotores, fica ali algo esquisito.

Noutro registo, episódio muito triste pelo Paquistão. Não entendo como há pessoas assim.
 
Sem dúvida, o 707 definiu o avião da forma como o vemos hoje. Foi inovador em quase tudo, destaco por exemplo as asas. Se não estou em erro foi o primeiro ou um dos primeiros aviões comerciais a recorrer ao uso de slats para encurtar as distancias de descolagem/aterragem.A própria fuselagem foi tão bem concebida, que foi adaptada para os 727 e para os 737 classic. As versões mais recentes dos 737 ainda possuem traços do 707, nomeadamente na zona do cockpit. Por falar em cockpit, este definiu um layout usado pela boeing nos narrowbody até aos 737-500 (ou 600, não tenho a certeza). Os 707 foram e são tão bons, que alguns estão a ser mantidos como aviões de reabastecimento aéreo.
Confesso que não sei muito sobre os 727, mas tenho ideia que foi desenvolvido devido às limitações dos bimotores em determinadas distâncias, penso que ainda nem existia ETOPS, sei que é conhecido pela sua manobrabilidade fantástica e verdade seja dita, o avião é lindo.

Exacto, eu não diria mais! As imagens que postaste reflectem o glamour e a pose majestosa destes aviões, belas fotos já agora. [br:)]

Já agora acrescento outro avião, o Tupolev Tu-154. É quase uma cópia do 727 mas que tinha outros atributos como a rapidez e a agilidade. Era também um avião bastante resistente às adversidades, operou com bastante sucesso no Árctico e podia aterrar em quase todas as superfícies. Apesar disso é um avião quase desconhecido na Europa Ocidental (em relação aos seus concorrentes como o 727).

O que aconteceu ontem no Paquistão é mais um mau exemplo do extremismo que reina por aqueles lados. Os terroristas foram tão cobardes que quando viram que não havia hipóteses fizeram explodir os cintos que traziam tornando-se bombistas suicidas e reclamando ainda mais vítimas. [8b]
 
Não era a EuroAtlantic que tinha um desses tri-motor? Lembro-me de voar num desses pra Terceira fretado pela tap, a pior viagem de avião comercial que fiz, calhou-me logo os lugares traseiros...
 
Voltar
Superior