Estou convencida que a extrema direita vai crescer na Europa e nos EUA apoiada na ausência de políticas de esquerda. parte desse crescimento deve-se à confusão na esquerda entre livre circulação Estatal de mão de obra e solidariedade entre trabalhadores. Aqui tento explicar porquê.
O tema é um dos mais sérios no mundo actual e nos próximos anos vai ser dominante na política dos EUA, da Europa e por isso do mundo – as minhas opiniões sobre isto são altamente controversas, embora elas sejam inspiradas na Associação Internacional dos Trabalhadores fundada em…1864 e tenham muito pouco de inovador nas práticas propostas, embora em contextos actuais muito distintos daqueles do século XIX. Por isso vos peço atenção para lerem a reportagem seguinte. João César das Neves, um dos professores mais à direita de Portugal, acha que o país precisa de migrantes; eu acho que a crise actual não se resolve com migrações; e que o direito humano ao trabalho dos que aqui estão na Europa não pode ser posto em causa pelo da «livre circulação» organizada pelo Estado de inserir mão de obra barata na Europa e EUA, chamando a isso «direitos humanos», enquanto as empresas dos nossos países impossibilitam a existência de direitos humanos porque devastam os recursos de vida desses povos que fogem em busca de emprego; o Ricardo Paes Mamede, keynesiano de esquerda, e eu, consideramos que não é necessário imigração para equilibrar as contas da Segurança Social – já a Fundação Francisco Manuel dos Santos, da Unilever, patrocina estudos a favor das migrações; e César das Neves fala em insustentabilidade da Segurança Social.
Por isso peço-vos que leiam esta reportagem do jornalista Gustavo Sampaio onde com imensa seriedade e tempo as nossas posições são explicitadas e confrontadas como é raro neste debate onde se tendem a reduzir – panfletariamente – as posições a duas: xenofobia contra os migrantes e livre circulação a favor.
O que sublinho é: se à livre circulação não opusermos a solidariedade internacional (efectiva, não feita de cartas de boas intenções) e o pleno emprego, a extrema direita vai crescer apoiada na pequena burguesia dependente e acossada pela competição mas também em parte sustentada pelos trabalhadores. Solidariedade internacional não é deixar entrar nas fábricas e empresas força de trabalho a metade do salário, isso é conduzir os trabalhadores para o colo da extrema direita porque põe em causa um dos valores primordiais da existência humana, a segurança no trabalho. Solidariedade é organizar greves conjuntas entre países, sustentadas sobretudo por quem ganha mais. A crise migratória só vai ter solução quando os povos que migram deixarem de ser exilados económicos nos seus próprios países e moeda de troca para descer o preço da força de trabalho nos países centrais. E isso só vai acontecer quando os sindicatos à concorrência da globalização impuserem organização comum de elevação dos salários em diferentes países.