E isso afecta mais quem, exactamente? Os 4,5 milhões de pobres que nem dinheiro para entrada de uma casa terão, ou para toda a classe média que compra habitação?
O salário médio líquido anual é de 13.200€ (
https://datalabor.pt/data/rendimento-medio-e-mediano), o que significa que um agregado/casal leve cerca de 2,2k por mês em média para casa.
Cada cidadão gasta em média 80 euros por mês de supermercado (dados do primeiro quadrimestre de 2022:
https://www.dinheirovivo.pt/economi...cados-aceleram-em-marco-e-abril-14869037.html)
Ora numa família de 4 pessoas, falamos de passar de 320 euros para cerca de 384 euros, com inflação a 20%. São mais 64 euros em média. Mesmo que gaste mais 200 euros no total, entre diversas despesas, como a energia, serão menos de 10% dos rendimentos. Isto é um jantar fora.
Ora se alguém com pelo menos 2k de rendimentos líquidos, vive no fio da navalha e não consegue acomodar estas "pequenas" variações, algo já vai muito mal, e as taxas de juros só trarão isso à tona.
Agora se focarmos nos que ganham pouco, os tais 4,5 milhões, e que têm de fazer compras na mesma no supermercado, e que levam com aumentos reais muito superiores, e sem qualquer margem de acomodação, bem isso já é outro assunto. Mas não serão esses que também terão o problema das euribor a morder os calcanhares.