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Tempos obrigatóriosno 1.º Ciclo
Pedro Araújo
Um despacho do secretário de Estado da Educação, enviado esta semana para publicação no Diário da República, determina um número mínimo obrigatório de horas semanais para cada uma das disciplinas do 1.º Ciclo do Ensino Básico. À Língua Portuguesa é consagrado um mínimo de oito horas, sendo uma de leitura. A Matemática terá de ocupar os alunos durante sete horas e o Estudo do Meio cinco horas, metade das quais obrigatoriamente com métodos experimentais. As cinco horas restantes, que perfazem as 25 horas de componente lectiva, serão dedicadas às Expressões.
No próximo mês, os professores de Estudo do Meio irão receber nas respectivas escolas uma publicação orientadora relativamente ao que o Ministério da Educação (ME) pretende alterar no ensino da disciplina. O ME quer que os alunos dediquem pelo menos metade da carga horária semanal a comprovar por si próprios as matérias leccionadas no plano teórico. Vários dos exemplos que constarão da parte experimental da referida publicação relacionam-se com a água. Os discentes ganharão uma noção mais aproximada de quão importante é o seu papel no planeta e que utilidade pode ter esse elemento para o Homem.
De acordo com fonte oficial do ME, o objectivo é disciplinar a carga horária de três disciplinas fundamentais para uma boa progressão do aluno nos ciclos seguintes. Pela primeira vez, determina-se com exactidão o número de horas, obstando assim a que cada escola ou docente decida a seu bel' prazer que fatia de tempo semanal dedica a esta ou àquela disciplina, opção muitas vezes determinada pelo tipo de formação do docente. A mesma fonte acrescenta ainda que está em causa o tempo-tarefa dos alunos em áreas tão importantes como a leitura ou as operações aritméticas.
As fragilidades demonstradas pelos alunos portugueses na aquisição de conhecimentos básicos nas áreas de Língua Portuguesa, Matemática e Estudo do Meio implicam a valorização destas áreas curriculares consideradas fundamentais. A significativa percentagem de negativas no exame nacional de Matemática no 9.º ano (64% este ano e 70% em 2005) fizeram soar campainhas de alarme no ME. Em Língua Portuguesa, os resultados registaram uma queda abrupta 54% de positivas, contra 77% do ano transacto.
Ao atribuir cinco horas ao Estudo do Meio, o Ministério não pretende desvalorizar a disciplina. A prová-lo, o ME lança este ano o programa de formação contínua em Ensino Experimental das Ciências, que vai abranger prioritariamente os docentes dos 3.º e 4.º anos, no ano lectivo de 2006/2007. No entanto, essa formação será estendida aos professores dos 1.º e 2.º anos, em 2007/2008.
Os resultados das investigações mais recentes reforçam a ideia de que é fundamental mais e melhor educação em Ciências desde os primeiros anos de escolaridade, acentuando a importância do papel desempenhado pela escola para a concretização dessa meta.
Para possibilitar a generalização do ensino das Ciências de base experimental no 1.º ciclo, será necessário proporcionar formação aos professores em exercício. Por forma a mobilizar os docentes para desenvolverem uma intervenção inovadora do ensino das Ciências nas suas escolas, o ME vai investir numa formação que envolva a produção, implantação e avaliação de actividades práticas, laboratoriais e experimentais.
A publicação orientadora do Estudo do Meio, que as escolas do 1.º Ciclo irão receber no próximo mês, deverá incidir sobre os seguintes conceitos teórico-práticos - explorando materiais; dissolução em líquidos; explorando objectos; flutuação em líquidos; explorando sementes e plantas; diversidade, germinação e crescimento; explorando a luz; sombras e imagens; explorando materiais e objectos; fenómenos eléctricos; explorando transformações e mudanças de estado.
http://jn.sapo.pt/2006/09/15/primeiro_plano/tempos_obrigatoriosno_1o_ciclo.html
Professores aplaudem medida do Ministério
Os professores de Língua Portuguesa e de Matemática aplaudem quase sem reservas a iniciativa do Ministério que visa estabelecer um mínimo obrigatório para cada uma das disciplinas do 1.º Ciclo do Ensino Básico.
"Parece vantajoso um mínimo de horas por cada área do conhecimento no 1.º Ciclo", afirma Paulo Feitor Pinto, presidente da Associação de Professores de Português (APP).
Quanto ao mínimo de uma hora dedicada à leitura, no conjunto das oito horas semanais, Feytor Pinto diz que "é bom, mas pouco". Uma vez que cerca de 90% do tempo das aulas já é dedicado a leitura, seria mais defensável, segundo a APP, estabelecer um mínimo de tempo dedicado à escrita do Português, área em que as lacunas dos alunos são por demais evidentes.
Nuno Crato, presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM), considera que a medida só pecará por tardia. "A SPM defende precisamente esse mínimo obrigatório de horas dedicadas à disciplina de Matemática. Ver a componente lectiva do 1.º Ciclo como um todo integrado era uma ideia errada".
A SPM não tem dúvidas quanto ao papel fundamental do 1.º Ciclo nos resultados escolares dos ciclos seguintes. "Insucesso na Matemática deve-se em parte a um 1.º Ciclo que é visto como um todo integrado, sem mínimos de horas para cada disciplina".
Tanto a APP como a SPM convergem num ponto - muitos dos problemas existentes na leccionação do 1.º Ciclo devem-se à formação inicial proporcionada pelas Escolas Superiores de Educação (ESE).
As ESE preparam os alunos para serem professores tanto do 1.º como do 2.º ciclos. Dá-se o caso de um professor sair mais especializado em Educação Física ou Português, uma vez que a preparação para o 2.º Ciclo obedece mais a essa lógica. No entanto, esse professor pode ir parar ao 1.º Ciclo e ser obrigado a dar também Matemática. A tendência natural desse professor será a de fuga para a frente, apostando nas áreas do conhecimento em que se sente mais seguro.
A SPM defende mesmo a existência de um exame de acesso à carreira de professor. "Um docente do 1.º Ciclo deve ter uma boa formação sobre conteúdos matemáticos", afirma Nuno Crato.
Privado já dá o exemplo
Em vez de oito horas para a Língua Portuguesa e sete horas para a Matemática, o Jardim-Escola João de Deus, em Matosinhos, proporciona aos seus alunos 10 horas para cada uma daquelas duas disciplinas. "No público estão agora a tentar copiar o que de melhor se faz no privado", afirma António Pinheiro, director do João de Deus matosinhense, uma instituição particular integrada numa vasta rede de escolas com presença a nível nacional. António Pinheiro garante que a melhor publicidade da escola são os seus alunos. "Há poucos dias veio cá uma mãe de uma ex-aluna queixar-se. A sua filha, agora no preparatório, não consegue subir as notas. Tem só cincos", ironiza. Os alunos estão ocupados das nove às 17 horas com a componente lectiva, concentrando-se o Português e a Matemática na parte da manhã e, por vezes, o Estudo do Meio. As Expressões, o Desporto e o Inglês ocupam o grosso da tarde. Pelas 17.30 horas, inicia-se o prolongamento de horário com múltiplas actividades, nomeadamente o Inglês ensinado de forma lúdica (cantar, representar, entre outras modalidades).
http://jn.sapo.pt/2006/09/15/primeiro_plano/professores_aplaudem_medida_minister.html
(o pai orgulhoso que fez este post aproveita para dizer que a sua filhota anda no Jardi Escola referido - onde está o smiley a babar-se?)
Pedro Araújo
Um despacho do secretário de Estado da Educação, enviado esta semana para publicação no Diário da República, determina um número mínimo obrigatório de horas semanais para cada uma das disciplinas do 1.º Ciclo do Ensino Básico. À Língua Portuguesa é consagrado um mínimo de oito horas, sendo uma de leitura. A Matemática terá de ocupar os alunos durante sete horas e o Estudo do Meio cinco horas, metade das quais obrigatoriamente com métodos experimentais. As cinco horas restantes, que perfazem as 25 horas de componente lectiva, serão dedicadas às Expressões.
No próximo mês, os professores de Estudo do Meio irão receber nas respectivas escolas uma publicação orientadora relativamente ao que o Ministério da Educação (ME) pretende alterar no ensino da disciplina. O ME quer que os alunos dediquem pelo menos metade da carga horária semanal a comprovar por si próprios as matérias leccionadas no plano teórico. Vários dos exemplos que constarão da parte experimental da referida publicação relacionam-se com a água. Os discentes ganharão uma noção mais aproximada de quão importante é o seu papel no planeta e que utilidade pode ter esse elemento para o Homem.
De acordo com fonte oficial do ME, o objectivo é disciplinar a carga horária de três disciplinas fundamentais para uma boa progressão do aluno nos ciclos seguintes. Pela primeira vez, determina-se com exactidão o número de horas, obstando assim a que cada escola ou docente decida a seu bel' prazer que fatia de tempo semanal dedica a esta ou àquela disciplina, opção muitas vezes determinada pelo tipo de formação do docente. A mesma fonte acrescenta ainda que está em causa o tempo-tarefa dos alunos em áreas tão importantes como a leitura ou as operações aritméticas.
As fragilidades demonstradas pelos alunos portugueses na aquisição de conhecimentos básicos nas áreas de Língua Portuguesa, Matemática e Estudo do Meio implicam a valorização destas áreas curriculares consideradas fundamentais. A significativa percentagem de negativas no exame nacional de Matemática no 9.º ano (64% este ano e 70% em 2005) fizeram soar campainhas de alarme no ME. Em Língua Portuguesa, os resultados registaram uma queda abrupta 54% de positivas, contra 77% do ano transacto.
Ao atribuir cinco horas ao Estudo do Meio, o Ministério não pretende desvalorizar a disciplina. A prová-lo, o ME lança este ano o programa de formação contínua em Ensino Experimental das Ciências, que vai abranger prioritariamente os docentes dos 3.º e 4.º anos, no ano lectivo de 2006/2007. No entanto, essa formação será estendida aos professores dos 1.º e 2.º anos, em 2007/2008.
Os resultados das investigações mais recentes reforçam a ideia de que é fundamental mais e melhor educação em Ciências desde os primeiros anos de escolaridade, acentuando a importância do papel desempenhado pela escola para a concretização dessa meta.
Para possibilitar a generalização do ensino das Ciências de base experimental no 1.º ciclo, será necessário proporcionar formação aos professores em exercício. Por forma a mobilizar os docentes para desenvolverem uma intervenção inovadora do ensino das Ciências nas suas escolas, o ME vai investir numa formação que envolva a produção, implantação e avaliação de actividades práticas, laboratoriais e experimentais.
A publicação orientadora do Estudo do Meio, que as escolas do 1.º Ciclo irão receber no próximo mês, deverá incidir sobre os seguintes conceitos teórico-práticos - explorando materiais; dissolução em líquidos; explorando objectos; flutuação em líquidos; explorando sementes e plantas; diversidade, germinação e crescimento; explorando a luz; sombras e imagens; explorando materiais e objectos; fenómenos eléctricos; explorando transformações e mudanças de estado.
http://jn.sapo.pt/2006/09/15/primeiro_plano/tempos_obrigatoriosno_1o_ciclo.html
Professores aplaudem medida do Ministério
Os professores de Língua Portuguesa e de Matemática aplaudem quase sem reservas a iniciativa do Ministério que visa estabelecer um mínimo obrigatório para cada uma das disciplinas do 1.º Ciclo do Ensino Básico.
"Parece vantajoso um mínimo de horas por cada área do conhecimento no 1.º Ciclo", afirma Paulo Feitor Pinto, presidente da Associação de Professores de Português (APP).
Quanto ao mínimo de uma hora dedicada à leitura, no conjunto das oito horas semanais, Feytor Pinto diz que "é bom, mas pouco". Uma vez que cerca de 90% do tempo das aulas já é dedicado a leitura, seria mais defensável, segundo a APP, estabelecer um mínimo de tempo dedicado à escrita do Português, área em que as lacunas dos alunos são por demais evidentes.
Nuno Crato, presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM), considera que a medida só pecará por tardia. "A SPM defende precisamente esse mínimo obrigatório de horas dedicadas à disciplina de Matemática. Ver a componente lectiva do 1.º Ciclo como um todo integrado era uma ideia errada".
A SPM não tem dúvidas quanto ao papel fundamental do 1.º Ciclo nos resultados escolares dos ciclos seguintes. "Insucesso na Matemática deve-se em parte a um 1.º Ciclo que é visto como um todo integrado, sem mínimos de horas para cada disciplina".
Tanto a APP como a SPM convergem num ponto - muitos dos problemas existentes na leccionação do 1.º Ciclo devem-se à formação inicial proporcionada pelas Escolas Superiores de Educação (ESE).
As ESE preparam os alunos para serem professores tanto do 1.º como do 2.º ciclos. Dá-se o caso de um professor sair mais especializado em Educação Física ou Português, uma vez que a preparação para o 2.º Ciclo obedece mais a essa lógica. No entanto, esse professor pode ir parar ao 1.º Ciclo e ser obrigado a dar também Matemática. A tendência natural desse professor será a de fuga para a frente, apostando nas áreas do conhecimento em que se sente mais seguro.
A SPM defende mesmo a existência de um exame de acesso à carreira de professor. "Um docente do 1.º Ciclo deve ter uma boa formação sobre conteúdos matemáticos", afirma Nuno Crato.
Privado já dá o exemplo
Em vez de oito horas para a Língua Portuguesa e sete horas para a Matemática, o Jardim-Escola João de Deus, em Matosinhos, proporciona aos seus alunos 10 horas para cada uma daquelas duas disciplinas. "No público estão agora a tentar copiar o que de melhor se faz no privado", afirma António Pinheiro, director do João de Deus matosinhense, uma instituição particular integrada numa vasta rede de escolas com presença a nível nacional. António Pinheiro garante que a melhor publicidade da escola são os seus alunos. "Há poucos dias veio cá uma mãe de uma ex-aluna queixar-se. A sua filha, agora no preparatório, não consegue subir as notas. Tem só cincos", ironiza. Os alunos estão ocupados das nove às 17 horas com a componente lectiva, concentrando-se o Português e a Matemática na parte da manhã e, por vezes, o Estudo do Meio. As Expressões, o Desporto e o Inglês ocupam o grosso da tarde. Pelas 17.30 horas, inicia-se o prolongamento de horário com múltiplas actividades, nomeadamente o Inglês ensinado de forma lúdica (cantar, representar, entre outras modalidades).
http://jn.sapo.pt/2006/09/15/primeiro_plano/professores_aplaudem_medida_minister.html
(o pai orgulhoso que fez este post aproveita para dizer que a sua filhota anda no Jardi Escola referido - onde está o smiley a babar-se?)