Ser professor .....

Caro guisas, não leias na diagonal. Já disse que todas as profissões têm bons e maus profissionais, pontos positivos e negativos. Mas eu não vos vejo a falar mal de outras profissões. O que vos vejo é a falar mal desta e sobretudo a falar de dinheiro, o que revela algo mais ao qual já me refri noutro tópico e que abomino.
Em 2º lugar, não sabes o que dizes, porque um professor no ensino público não é como no sector privado. Aqui existe um graduação profissional escalonada com o a nota de curso e o tempo de serviço efectuado, pelo que isso de dizer que basta ser um bom professor par se ficar "lá sempre", é uma grande inverdade. Isso até pode acontecer no privado ou no ensino privado, mas na escola pública, não.
E, sim, há maus profissionais no ensino, conheço-os de perto e deveriam ser varridos do ensino, assim como devia ser varrido do hipermercado o gajo que ontem atendeu a um pedido meu, me disse para esperar e nunca mais apareceu. Encontrei-o lá for a fumar o seu cigarrinho.

O que vale é que a opinião negativa se cinge aqui ao fórum e pouco mais a fiar pela sondagem dos Censos que coloca os professores como a classe profissional mais respeitada no nosso país.
Talvez, por isso, e pelo feedback que recebo dos encarregados de educação e população em geral com quem lido, saiba que às vezes o melhor é nem perder tempo aqui a discutir e a argumentar quando do outro lado existe uma opinião tendenciosa. Felicidades com o teu trabalho.
 
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DE ONDE VEM A LONGEVIDADE DOS PROFESSORES... “O SEGREDO...”

Um médico saiu a caminhar e viu essa velhinha da foto sentada no banco de uma praça fumando um cigarrinho.
Aproximou-se e perguntou:
"Nota-se que está bem, qual é seu segredo?!
Ela então respondeu:
"Sou PROFESSORA, durmo às 4 da manhã elaborando provas, me levanto às 6. Nos fins-de-semana não pratico desportos, não me divirto. Trabalho corrigindo avaliações, organizando as aulas, preenchendo sumários, fazendo planificações, procurando músicas para passar para os alunos, procurando vídeos na INTERNET para não deixar as aulas MONÓTONAS, não tenho tempo para os meus filhos, só para os FILHOS DOS OUTROS, todo o fim-de-semana estou sempre com algo para elaborar ou corrigir, inclusive nos feriados, como hoje 1º DE MAIO, DIA DO TRABALHADOR. Não tomo café da manhã, não almoço e nem janto porque não dá tempo.

O doutor então exclamou:
- "Mas isso é extraordinário!" A senhora tem quantos anos?
- “37”, respondeu-lhe a velhinha...

Isto pode parecer-vos uma caricatura da realidade, mas muitas vezes a realidade consegue superar a ficção. O stress, os prazos, o excesso de burocracia, as preocupações com os resultados escolares e os crescentes problemas dos alunos numa escola que importa para dentro de portas todos os males sociais, tudo isto afecta diariamente os professores (pelo menos os responsáveis e conscientes, porque irresponsabilidade, parasitismo e incompetência encontra-se em todas as profissões). Continua a ser das poucas profissões que por 1 minuto de atraso podemos perder meio dia de salário.
Não somos melhor nem pior do que os outros. Já trabalhei em diversas profissões e todas têm nobreza quando desempenhadas com brio e responsabilidade. Mas depois dos 6 anos demolidores do governo anterior que selectivamente deitaram a imagem da classe docente na sarjeta, seria bom começar a olhar com mais respeito para quem educa, cria e prepara os vossos filhos para o futuro. Algo importante e trabalhoso, não?

cavaco_bocaberta.jpg

LOL
 
Uma classe trabalhadora que tem um horário completo de 20 e qualquer coisa horas por semana nem é mau de todo! [:D]

Eu acredito que não seja fácil principalmente para quem está em início de carreira e tenha que preparar toda a documentação/testes, mas entrando em velocidade de cruzeiro ninguém me convence que seja mais difícil/complicada que qualquer outra profissão.
[FONT=&quot]“Alunos e professores portugueses têm mais tempo de aulas”[/FONT][FONT=&quot] (Clara Viana) [/FONT]
[FONT=&quot] [/FONT]
[FONT=&quot]Com a Coreia do Norte, Portugal é o país com maior diferença de salários entre um professor em início de carreira e outro que atingiu o topo[/FONT]
[FONT=&quot] [/FONT]
[FONT=&quot]Por ano, os alunos portugueses entre os 7 e os 14 anos têm um maior número obrigatório de horas de aulas do que a média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), mas a percentagem deste tempo que se encontra destinada à aprendizagem da leitura, expressão escrita, matemática e ciências está abaixo da do conjunto dos 32 Estados que pertencem àquela organização, revela o relatório sobre o estado da Educação – Education at Glance – divulgado terça-feira pela OCDE. Na edição deste ano, que tem como base dados de 2008, a OCDE privilegiou a aposta no ensino superior, salientando que mais formação poderá ser um antídoto contra o desemprego e baixos salários.[/FONT]
[FONT=&quot]A maior diferença no número obrigatório de horas de aulas situa-se no grupo dos 7 aos 8 anos. Em Portugal tinham 855, enquanto a média dos países da OCDE era 759. Entre os 9 e os 11, este número passou por cá para 849 (802 na OCDE), nos 12 a 14 anos era de 800 ( 886 OCDE). Só aos 15 anos é que esta tendência se inverte, com o dedicado em Portugal ao ensino da língua portuguesa, matemática e ciência, quando no conjunto dos países da OCDE esta fatia se situa nos 41 por cento. Entre os 9 e os 11 anos, esta diferença é de quatro pontos, mas a percentagem de tempo consagrado a estas matérias é maior em ambos os casos – 44 por cento em Portugal, 48 na média da OCDE. Dos países da organização, Portugal é, com a Coreia do Norte, aquele em que existe uma maior diferença entre os salários dos professores em início da carreira e aqueles que atingiram o escalão máximo, que ganham duas vezes e meia mais. À excepção dos docentes que atingem o topo da carreira, o vencimento anual dos outros professores estava abaixo da média da OCDE. Em 2008, no ensino público português um professor em início de carreira ganhou 19.033 euros, quando a média na OCDE foi de 25.417. No topo o seu vencimento anual chegou aos 48.864 euros (42.163 na OCDE). Um docente com 15 anos de carreira auferiu, em 2008, um vencimento anual de 31.157 euros (36.812 na OCDE). No conjunto dos países da organização, os docentes tendem a ganhar menos do que outros profissionais com as mesmas qualificações. Em média, o número de horas de aulas que um professor deu por ano diminuiu entre 1996 e 2008, mas em Portugal registou-se o contrário. No ensino primário de 783 horas passou-se para 855 (786 na OCDE) e no ensino secundário de 574 para 752 (661 na OCDE).[/FONT]
[FONT=&quot] [/FONT]
[FONT=&quot]Fonte: Público [/FONT]
a desculpa que têm é a de desconhecerem a realidade. É natural algumas saídas e eu compreendo isso. Eu também não sei o que se passa num laboratório de engenharia, mas pelo menos não opino com base em suposições.
 
Caro guisas, não leias na diagonal. Já disse que todas as profissões têm bons e maus profissionais, pontos positivos e negativos. Mas eu não vos vejo a falar mal de outras profissões. O que vos vejo é a falar mal desta e sobretudo a falar de dinheiro, o que revela algo mais ao qual já me refri noutro tópico e que abomino.
Em 2º lugar, não sabes o que dizes, porque um professor no ensino público não é como no sector privado. Aqui existe um graduação profissional escalonada com o a nota de curso e o tempo de serviço efectuado, pelo que isso de dizer que basta ser um bom professor par se ficar "lá sempre", é uma grande inverdade. Isso até pode acontecer no privado ou no ensino privado, mas na escola pública, não.
E, sim, há maus profissionais no ensino, conheço-os de perto e deveriam ser varridos do ensino, assim como devia ser varrido do hipermercado o gajo que ontem atendeu a um pedido meu, me disse para esperar e nunca mais apareceu. Encontrei-o lá for a fumar o seu cigarrinho.

O que vale é que a opinião negativa se cinge aqui ao fórum e pouco mais a fiar pela sondagem dos Censos que coloca os professores como a classe profissional mais respeitada no nosso país.
Talvez, por isso, e pelo feedback que recebo dos encarregados de educação e população em geral com quem lido, saiba que às vezes o melhor é nem perder tempo aqui a discutir e a argumentar quando do outro lado existe uma opinião tendenciosa. Felicidades com o teu trabalho.

Como é que nos censos diz que os professores são a classe mais respeitada se nos inquéritos dos censos não havia nenhuma questão desse tipo?

855 horas de aulas de acordo com os dados que colocas-te dá cerca de 17h semanais.... portanto ainda menos que as 20 e tal horas referidas anteriormente...
 
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Este é o tópico para o pessoal dar a sua facadinha. Falar mal dos outros é louvável, especialmente vindo de pessoas que na europa patenteiam uma das mais baixas taxas de produtividade.
Passar bem.

Se a história da carochinha já foi ridícula, eu a seguir pensava que vinhas dizer que era uma caricatura e tal. Mas segues-te com 'A realidade consegue superar a ficção' enfim lol foi o único comentário que me veio à cabeça. A minha mãe é professora 3º ciclo e sim tem chatices. Inclusivamente chatices graves devido a conflitos com a gerência,ministério e contratos associação. Tem ordenado de 22h mas totaliza praticamente o dobro. Tudo verdade mas sei bem quem trabalhava lá em casa. E as coisas estão muito longe dessa realidade tão triste que referes. Aliás, hoje em dia os professores podem-se considerar uns previligiados na sociedade, mas eu também já percebi que a vitimização faz um pouco parte de ti nos mais variados assuntos em que escreves. E desculpa lá se não alinho.
 
Se calhar a tua mãe está bem porque a sua idade e as regalias de outros tempos não são as mesmas dos meus tempos.[:p]

É tanta energia positiva neste tópico que acho que vou buscar os telemóveis e os MP3 para os pôr aqui a carregar.
 
Mudar o disco. Também sou pai e sempre quis o melhor para a minha filha... e também sei que professores maus poderiam comprometer o seu futuro. Assim, o que acham disto?
A professora é brava
Eu ainda não tive o prazer de conhecer pessoalmente a nova professora da minha filha mais velha, mas já gosto dela por antecipação. Três dias depois de ter entrado para a primária, a Carolina declarou solenemente: "A minha professora é brava". Brava?!?, perguntei eu. "Sim, brava. Ela não me deixa espreguiçar, ela não me deixa bochechar [a Carolina queria dizer ‘bocejar’], ela não me deixa beber água [a Carolina queria dizer ‘ela não me deixa interromper a aula para fazer o que me apetece’]. É muito brava".
Eu, que estava com algum receio de colocar a Carolina no ensino público, respirei de alívio. "Ufa, parece que lhe saiu a professora certa", comentei com a minha excelentíssima esposa. Receava que lhe tivesse calhado alguém que falasse com ela como a ministra Isabel Alçada falou connosco no famoso vídeo de início do ano lectivo: como se o nosso cérebro estivesse morto e todo o acto de aprendizagem tivesse de ser um desmesurado prazer.
A Carolina vinha de um infantário fantástico, que tem feito maravilhas pelos nossos filhos, mas onde era mais mimada do que o menino Jesus no presépio. Ora, chega uma fase na vida em que as crianças têm de perceber o que significa a disciplina, o esforço, a organização, o silêncio, o saber estar numa sala de aula, e toda uma vasta parafernália de actividades que não são tão agradáveis como comer Calippos de morango ou gerir o guarda-roupa das Pollys – mas que ainda assim são essenciais para viver em sociedade.
A minha filha está na idade certa para aprender que tem a obrigação de gastar 20 minutos diários a fazer o trabalho de casa. Para perceber que uma irmã mais velha tem mais privilégios mas também mais deveres do que os seus irmãos. Para compreender que com muito poder vem muita responsabilidade (sábias palavras do tio do Homem-Aranha). É essencial que estes valores – que atribuem o devido mérito à liberdade e ao esforço individual – estejam alinhados entre a casa e a escola.
Isso nem sempre acontece. A nossa escola passou num piscar de olhos da palmada no rabo à palmadinha nas costas. Ninguém tem saudades da palmatória, mas quando perguntam aos pais o que eles mais desejam para a escola dos seus filhos, a resposta costuma ser esta: regras claras e maior exigência. Os professores bravos fazem muita falta. Hoje a Carolina protesta. Amanhã irá agradecer-lhe.
 
Creio que uma das coisas que mais faz confusão em relação aos professores é a questão das horas. Faz-se uma associação "horas de aulas = horas de trabalho" que é errada, há muitas horas de trabalho fora das aulas, simplesmente não é a profissão privilegiada que muitos pensam ser.
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Creio que uma das coisas que mais faz confusão em relação aos professores é a questão das horas. Faz-se uma associação "horas de aulas = horas de trabalho" que é errada, há muitas horas de trabalho fora das aulas, simplesmente não é a profissão privilegiada que muitos pensam ser.
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também não são os coitadinhos que querem parecer.

têm as horas de preparação das aulas? é verdade mas também é verdade que grande parte desse trabalho se aproveita de uns anos para os outros, se não aproveitam então têm um problema de organização.
têm muitas reuniões? sejamos sinceros a maior parte das reuniões são em dias que os alunos estão de férias e portanto não há aulas.

Para além disso ninguém me convence que coitadinhos os professores durante as "férias grandes" dos alunos se fartam de trabalhar.
 
Creio que uma das coisas que mais faz confusão em relação aos professores é a questão das horas. Faz-se uma associação "horas de aulas = horas de trabalho" que é errada, há muitas horas de trabalho fora das aulas, simplesmente não é a profissão privilegiada que muitos pensam ser.
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Correcto, mas também é uma vantagem poder trabalhar o resto do tempo em casa ou numa esplanada à beira-mar. Além que essa flexibilidade em termos familiares é uma vantagem enorme, que não pode ser contabilizada em euros.
 
São uns coitadinhos, os professores. Pobres desgraçados, que trabalham de sol a sol. Só se esquecem de referir as boas reformas que mais tarde auferem à conta de cursos pós-laborais tirados no Piaget, por exemplo, onde lhes basta fazerem um trabalho de bricolage e estão aprovados, ou então aqueles que se cagam de alto para o futuro dos alunos que têm nas suas mãos e vão para as aulas para fazer tudo menos ensinar. Pobres coitados.

Sabes qual é a solução?



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Neles todos!!!!!!!
 
Correcto, mas também é uma vantagem poder trabalhar o resto do tempo em casa ou numa esplanada à beira-mar. Além que essa flexibilidade em termos familiares é uma vantagem enorme, que não pode ser contabilizada em euros.
É teoricamente vantajoso poder fazer metade do trabalho em casa, mas aqui entre nós, quantos profs já viste a corrigir exames numa esplanada? [;)]

É um profissão com os seus prós e contras, tem uma componente flexível mas tem uma componente desgastante, aturar duas dúzias de miúdos à vez, lidar com um ministério com motivações duvidosas, as colocações podem ser uma incógnita, etc...
não são mais nem menos que os outros.
 
Têm razão. Pela boca morre o peixe. Comecei logo por destacar algumas das desvantagens da profissão. My bad. Lá diz o ditado: gato escaldado de água fria tem medo. Não quero mostrar que somos vítimas, mas também não me sinto bem nesta imagem de uma profissão cheia de privilégios que vai reinando por aqui.

Mas também não vejo assim tanto voluntarismo em criticar o grupo que é o principal responsável por muito do mal que se passa nas nossas escolas e que mais tarde se reflecte no país – os PAIS.

É que, quando falamos dos defeitos dos outros, estamos tão-somente a evitar falar dos nossos.

Sei mais das preocupações, ansiedades e necessidades de alguns dos meus alunos do que sabem os seus pais. Os miúdos queixam-se que os pais não têm tempo para eles, mas arranjam sempre um tempinho para censurar os professores.

Só isso diz muito da autoridade dos pais para virem julgar tanto os professores. Tivessem eles feito o seu trabalho de casa, já nós não teríamos tanto trabalho na escola a fazer o deles.
 
ainda bem que hoje os professores têm um papel mais activo.

no meu tempo, a relação professor-aluno era mais distante.

Sei mais das preocupações, ansiedades e necessidades de alguns dos meus alunos do que sabem os seus pais. Os miúdos queixam-se que os pais não têm tempo para eles, mas arranjam sempre um tempinho para censurar os professores.
 
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ainda bem que hoje os professores têm um papel mais activo.
Acredita, são os miúdos que que puxam por nós. Muitas vezes absorvemos tantos problemas da vida deles que quando chegamos a casa estamos a falar alto, nervosos, acelerados e sem saber porquê. Eles exigem imenso de nós e, se não formos incomptetentes ou insensíveis, é impossível virar as costas. Já não é a 1ª vez que fico todo o dia sem comer porque há um aluno com algum problema grave a ser resolvido (e por vezes, os pais contactados só lá aparecem no fim do dia, porque se estão nas tintas ou porque não podem mesmo. Acabamos por ser com quem eles mais contam)

Aqui fica um testemunho na 1ª pessoa (só porque estamos a falar de "Ser professor...)[;)]
CONFISSÃO DE UM PROFESSOR

Dramático, mas é a realidade que existe e que vai avolumar-se!

A POBREZA ENVERGONHADA!...PODE ESTAR AO NOSSA LADO!...ENQUANTO ALGUNS GASTAM O QUE PERTENCE AO POVO!...

O Diário do Professor Arnaldo - "A fome nas escolas" Publicado em 19 de Novembro de 2010 por Arnaldo Antunes


Ontem, uma mãe lavada em lágrimas veio ter comigo à porta da escola. Que não tinha um tostão em casa, ela e o marido estão desempregados e, até ao fim do mês, tem 2 litros de leite e meia dúzia de batatas para dar aos dois filhos.

Acontece que o mais velho é meu aluno. Anda no 7.º ano, tem 12 anos mas, pela estrutura física, dir-se-ia que não tem mais de 10. Como é óbvio, fiquei chocado. Ainda lhe disse que não sou o Director de Turma do miúdo e que não podia fazer nada, a não ser alertar quem de direito, mas ela também não queria nada a não ser desabafar.

De vez em quando, dão-lhe dois ou três pães na padaria lá da beira, que ela distribui conforme pode para que os miúdos não vão de estômago vazio para a escola. Quando está completamente desesperada, como nos últimos dias, ganha coragem e recorre à instituição daqui da vila - oferecem refeições quentes aos mais necessitados. De resto, não conta a ninguém a situação em que vive, nem mesmo aos vizinhos, porque tem vergonha. Se existe pobreza envergonhada, aqui está ela em toda a sua plenitude..

Sabe que pode contar com a escola. Os miúdos têm ambos Escalão A, porque o desemprego já se prolonga há mais de um ano (quem quer duas pessoas com 45 anos de idade e habilitações ao nível da 4ª classe?). Dão-lhes o pequeno-almoço na escola e dão-lhes o almoço e o lanche.

O pior é à noite e sobretudo ao fim-de-semana. Quantas vezes aquelas duas crianças foram para a cama com meio copo de leite no estômago, misturado com o sal das suas lágrimas...

Sem saber o que dizer, segurei-a pela mão e meti-lhe 10 euros no bolso. Começou por recusar, mas aceitou emocionada.
Despediu-se a chorar, dizendo que tinha vindo ter comigo apenas por causa da mensagem que eu enviara na caderneta.

Onde eu dizia, de forma dura, que «o seu educando não está minimamente concentrado nas aulas e, não raras vezes, deita a cabeça no tampo da mesma como se estivesse a dormir».

Aí, já não respondi. Senti-me culpado. Muito culpado por nunca ter reparado nesta situação dramática. Mas com 8 turmas e quase 200 alunos, como podia ter reparado?

É este o Portugal de sucesso dos nossos governantes. É este o Portugal dos nossos filhos.
 
Querem saber o que realmente se passa nas escolas? Há 10 ou 20 anos não era assim... mas agora é mesmo como vos vou contar.

Não sabem da enorme frustração que os professores sentem com a subversão das regras do jogo que foi confeccionada pelos últimos governos para que, independentemente dos conhecimentos adquiridos, qualquer aluno possa passar.
Chegarmos a reuniões de avaliação e assistirmos ao facto de alunos que gozaram com a escola e com a nossa cara, serem premiados com a transição de ano porque os mecanismos assim o obrigam, é revoltante. Termos alunos que só vêm à escola porque o RSI pode ser cortado aos preguiçosos dos pais que acabam por enviar de vez em quando os filhos ao estabelecimento de ensino, é uma realidade num sistema em que se penaliza o professor com provas de recuperação (PIT) e apoios suplementares e mil uma papeladas e reuniões em prol de quem não quer saber nem é punido.
Mesmo beneficiando de todos os apoios pedagógicos e subsídios escolares, as poucas vezes que se dignam entrar na sala de aula, são mal-educados perturbando as aulas, sendo-lhes admitido aquilo que não se admite aos outros para que não sejam constantemente postos fora da sala.

Discentes que são colocados em Currículo Específico Individual derivado à pouca aprendizagem que estão interessados em adquirir, gozando assim das adequações curriculares que os professores têm de fazer. E no fim, temos professores a dizer que na sua disciplina só estiverem numa mão cheia de aulas durante todo o ano lectivo e que agora se vêm coagidos a ter de os passar! Que justiça é esta perante os outros alunos que se esforçaram e estiveram interessados, foram assíduos e pontuais?! Que mensagem estaremos nós a passar-lhes? A mensagem de que a preguiça e a má educação compensam.

Depois existem mecanismos, como o facto de qualquer aluno, independentemente do número de níveis inferiores a três obtidos, poder usufruir da ponderação do conselho de turma para poder ser votada a sua passagem de ano. Factores como a idade, o número de repetências, etc., deverão pesar na decisão, levando, mais uma vez, a que se volte a dar atenção àqueles que têm tido um percurso escolar medíocre.

Existe um sem número de leis e decretos que cerceiam a verdade do ensino e que nos dizem a nós professores “passem os alunos senão vocês poderão vir a ter problemas”. Quando se andam a avaliar os docentes pelo aproveitamento escolar dos alunos, qual o objectivo principal disto senão a coacção dos professores!?
Estamos uma época em que se avaliam os professores optando-se por não avaliar os alunos. Vemos professores desesperados com a quantidade de documentos a preencher que os leva a dizer que “se os alunos tivessem gasto as mesmas horas que nós a preparar reuniões de avaliação, então todos passariam com mérito próprio”.

É desanimadora e frustrante a realidade que nós temos nas escolas. No fim das reuniões saímos cá para fora deprimidos e revoltados com a injustiça do nosso ensino apadrinhada pela nossa classe política. Obrigam-nos a premiar a preguiça, a irresponsabilidade, a má-educação e o laxismo.
E como os alunos se apercebem que o «crime compensa», este mal tende a alastrar a olhos vistos, sendo que aqueles que realmente vão à escola para aprender, além de serem constantemente prejudicados com os que não querem saber daquilo para nada, ainda por cima vêem a injustiça do premeio da mediocridade por parte de um ministério que passou a dar atenção apenas a quem não quer aprender. Depois não admira que os nossos alunos não saibam nada, a violência escolar aumente e a má-educação prolifere pois a autoridade dos professores não existe.

As escolas tornaram-se os reinos onde mandam aqueles que não querem saber daquilo para nada, ameaçam e batem em tudo e todos, fazendo o que querem por saberem que são atendidos com especial atenção e desculpabilizados, num sentimento generalizado de impunidade de que todos se apercebem.
Estamos, deste modo, a nivelar cada vez mais por baixo para que todos possam passar e o ministério consiga os tais números de sucesso escolar que lhe garantam nova reeleição.
Este é o verdadeiro crime que se passa nas escolas – o crime de se castigar os professores e se premiar os maus alunos; o crime de se dar mais trabalho aos professores e menos aos alunos; o crime de se exigir aos professores que saibam ainda mais e aos alunos, ainda menos; o crime de premiar a preguiça e esquecer o esforço; o crime de olhar para os números e fechar os olhos ao rigor; o crime de valorizar a escolaridade e esquecer a escolarização; o crime de promover a desordem e a bandalheira nas escolas e esquecer a educação.

Aos pais, tudo isto passa ao lado, enquanto a nós, docentes, ainda nos resta o último flagelo de, na praça pública, sermos enxovalhados, humilhados e acusados de incompetência e irresponsabilidade. Assim é fácil ser-se pai. O filho passa – foi mérito dele porque estudou; o filho reprova – foi culpa do professor que não soube ensinar.
Para os pais que se queixam que lhes custa tanto educar um, imaginem como se sente um professor a ter de ensinar 20 ou 30, incluindo aqueles que têm necessidades educativas especiais, outros mal-educados e uns quantos ávidos pelo saber.
Desculpem lá este meu desabafo, mas tive um ano esgotante com a minha direcção de turma e agora usei este espaço tentando explicar que às vezes também é difícil. A culpa não é vossa.
 
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Ser professor...

Ser professor...

Sou professora Quando escolhi esta profissão tinha como exemplos alguns familiares professores que sempre se pautaram pelo amor à profissão e a desempenharam com competência e dignidade.

Há uns anos a carreira de professor também me parecia aliciante em termos de estabilidade, vencimento e demais contrapartidas. Mas os tempos mudaram e muito. Mudaram em muitas profissões e, actualmente, a vida está difícil para todos.

Como professora contratada o que mais me custa é ficar colocada a cerca de 200 Km de distância, trocar a minha casa por um quarto numa terra que não conheço e só poder estar com a família aos fins-de-semana. Todos os anos tenho de concorrer e fico sempre numa escola diferente. Do ponto de vista financeiro, a fatia do meu vencimento destinada a despesas com a profissão é de cerca de 40% (alojamento, viagens, portagens, desgaste do carro…).

As condições que referi provocam-me, só por si, um enorme desgaste físico e psicológico. Depois, chego à escola e procuro fazer o meu trabalho sempre com o máximo de profissionalismo.

Quanto às horas que um professor trabalha, a componente lectiva é de 25 h/Sem, mas as escolas têm um horário para cada professor com o nº de horas semanais correspondentes à componente não lectiva (+ 10h/Sem) e as actividades que deverá realizar (vigiar recreios, aulas de apoio, receber os Encarregados de Educação, actualizar os dados dos alunos e do Projecto Curricular de Turma, para além das reuniões cuja presença é obrigatória.

Para além de leccionar as aulas e de cumprir todas as outras tarefas inerentes à organização da escola, o normal é levar os TPC e os testes dos alunos para corrigir em casa, assim como a preparação das aulas. Se quiser desenvolver actividades para motivar os meus alunos, pago uma parte do material de que necessito do meu bolso e levo mais trabalho para casa.

Sabendo o sacrifício pessoal que implica manter-me nesta profissão, questiono-me muitas vezes porque o faço. A resposta é: porque gosto daquilo que faço e ganho tempo de serviço que me permitirá daqui a alguns anos concorrer para perto de casa (20Km ou 30Km de distância já seria bom).

“Escolhe um trabalho de que gostes, e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida.”

Confúcio
 
Primeira e última intervenção neste tópico, já que, para variar, só servirá para que alguns ressabiados apliquem aqui a sua verborreia.

Comecemos pela representatividade destas opiniões tão negativas para a classe docente. Serão o verdadeiro reflexo do país? NÃO. Como nós bem sabemos, continuamos a ser das profissões com maior índice de confiança por parte da população. Regularmente saem estudos com essa informação, sendo que o último que li data de 17 de Junho - há menos de uma semana. Link: Portugueses confiam em bombeiros, professores e carteiros - Portugal - Correio da Manhã

Então quais as razões para tanto fel? Vou indicar as duas que me parecem mais frequentes neste fórum. Não excluo outras, porventura com maior racionalidade, mas que considero menos influentes nestes tópicos.

Primeira: a presença, cada vem em maior número, de cachopos ainda estudantes, pouco habituados em casa a respeitarem figuras de autoridade (isto dos pais educarem os filhos, para muita gente - não toda, graças a Deus - já foi chão que deu uva). A autoridade, para esta camada populacional imberbe, é representada pelos seus professores. Estes, para terem permanecido na profissão, certamente aprenderam a exercer esta autoridade, para grande irritação de alguns alunos incapazes de ser contrariados seja por quem for e que aproveitam, depois, qualquer oportunidade para despejar veneno. Este fórum e o seu continuo declínio em termos de qualidade é, na minha opinião, consequência directa desta falta de educação e de valores que grassa por este país como um fogo no Verão.

Segunda, que não tem como alvo apenas professores: o desporto nacional - a INVEJA. Aquela ideia, que nunca foi verdadeira mas que agora, então, é completamente ridícula, de que os professores são uns privilegiados, com mais férias do que a maioria, menos tempo de trabalho, que é, já de si, ligeiro porque trabalhar muito é partir pedra numa pedreira ou apertar porcas numa oficina. Tudo fruto da enorme experiência que têm, pois a vizinha do cunhado da mulher conhece uma professora que não faz nadinha há já 30 anos e recebe mais do que um juiz para nada fazer. Isto é que é verdadeiramente nacional, nos dias que correm: MALEDICÊNCIA.

Já passei por inúmeros tópicos destes, já se explicou tudo o que se tem de explicar a quem nada sabe, nem usar o Google. Não vale a pena dizer que a maioria dos professores ADORARIA cumprir o seu horário integral nas escolas (agora, pelos vistos, passam-no numa esplanada, vejam lá) porque trabalhariam muito menos do que trabalham agora. Como não vale a pena explicar que, em relação às férias, não temos nem mais um dia, antes temos a impossibilidade de as gozarmos noutro período do ano que não Agosto, o que é uma bela treta. Também já não anexo tabelas salariais para abrir os olhos dos que enchem a boca com os nossos ordenados, como fiz noutras alturas, porque podem muito bem ir procurá-las, não lhes dá é muito jeito comentá-las, já que o seu discurso desfazia-se em pó...

Quanto à dificuldade de dar aulas, eu vejo para aqui quem barafuste porque o filha da vizinha foi malcriado, ou porque foram a um restaurante e um puto não se calava mesmo com os pais ao lado, ou viram mais um vídeo de um grupo de fedelhos a pregar uma violenta sova a um qualquer desgraçado. Só não conseguem perceber, depois, como poderá ser difícil estar numa sala com vinte e tal alunos cheios de vontade de trabalhar (ou não fossem portugueses) durante mais de vinte horas numa semana. A somar a isto uns quantos milhares de folhas em papelada inútil que nos é forçada para justificar o poleiro de uma série de gente no Ministério da Educação. Mas não, complicado não é. Temos que estar preparados para isso, portanto não pode ser complicado. Complicadas são outras profissões que fazem menos comichão...

Passem bem.
 
Sou professora Quando escolhi esta profissão tinha como exemplos alguns familiares professores que sempre se pautaram pelo amor à profissão e a desempenharam com competência e dignidade.

Há uns anos a carreira de professor também me parecia aliciante em termos de estabilidade, vencimento e demais contrapartidas. Mas os tempos mudaram e muito. Mudaram em muitas profissões e, actualmente, a vida está difícil para todos.

Como professora contratada o que mais me custa é ficar colocada a cerca de 200 Km de distância, trocar a minha casa por um quarto numa terra que não conheço e só poder estar com a família aos fins-de-semana. Todos os anos tenho de concorrer e fico sempre numa escola diferente. Do ponto de vista financeiro, a fatia do meu vencimento destinada a despesas com a profissão é de cerca de 40% (alojamento, viagens, portagens, desgaste do carro…).

As condições que referi provocam-me, só por si, um enorme desgaste físico e psicológico. Depois, chego à escola e procuro fazer o meu trabalho sempre com o máximo de profissionalismo.

Quanto às horas que um professor trabalha, a componente lectiva é de 25 h/Sem, mas as escolas têm um horário para cada professor com o nº de horas semanais correspondentes à componente não lectiva (+ 10h/Sem) e as actividades que deverá realizar (vigiar recreios, aulas de apoio, receber os Encarregados de Educação, actualizar os dados dos alunos e do Projecto Curricular de Turma, para além das reuniões cuja presença é obrigatória.

Para além de leccionar as aulas e de cumprir todas as outras tarefas inerentes à organização da escola, o normal é levar os TPC e os testes dos alunos para corrigir em casa, assim como a preparação das aulas. Se quiser desenvolver actividades para motivar os meus alunos, pago uma parte do material de que necessito do meu bolso e levo mais trabalho para casa.

Sabendo o sacrifício pessoal que implica manter-me nesta profissão, questiono-me muitas vezes porque o faço. A resposta é: porque gosto daquilo que faço e ganho tempo de serviço que me permitirá daqui a alguns anos concorrer para perto de casa (20Km ou 30Km de distância já seria bom).

“Escolhe um trabalho de que gostes, e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida.”

Confúcio

deixo-te então várias questões:

são os professores os únicos que se têm que deslocar para trabalhar? se não são então porque acham os professores que devem ter direito a um emprego à "porta de casa"? se está colocada a 200 km é porque nas tuas opções quando concorreste colocaste esses locais e se os colocas e aceitas para lá ir é porque consideras ainda assim vantajoso? não é verdade?

sinceramente duas viagens de 200 km não provocam assim tanto desgaste físico. quanto a fazeres o teu trabalho com o máximo de profissionalismo isso não é mais que a tua obrigação pela qual te pagam.

a componente lectiva é de 25h para quem está no fundo da escala, sabes perfeitamente que há muitos professores com menos horas. tens 10h de actividades não lectivas no entanto ainda assim trabalhas 5 horas a menos que a generalidade da população e ainda gostava de ver qual é o professor que vigia os recreios.

a preparação das aulas é uma falsa questão. depois de preparadas uma vez nos anos seguintes só são necessárias pequenas adaptações, se assim não é então talvez devas rever a metodologia de trabalho.

as reuniões é outra falsa questão, não há reuniões todos os dias nem o projecto curricular é actualizados todos os dias, talvez nem todos os meses.

para além disso coloco outra questão. durante as férias dos alunos o que é que fazes? e não me vais responder que fazer reuniões porque ninguém acredita que os 3 ou 4 meses que os alunos têm de férias são todos preenchidos com reuniões e preparação do ano lectivo seguinte.
 
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