Ser Professor é uma profissão de risco?

citação:Originalmente colocada por hotrodder

O maior risco em ser professor hoje em dia ainda são os pais, que além de não darem educação/formação cívica aos alunos ainda põem os professores em causa quando há (ou às vezes enm isso) conflitos com os alunos, muitas vezes rebaixando os alunos em frente aos professores.
Posso-vos dar os exemplos que conheço.

Uma colega minha que pediu à mãe de uma aluna para ler um pouco com ela em casa, uma vez que a aluna tinha dificuldades de leitura, a mãe foi ao colégio disparatar, dizer que se tinha a filha num colégio não era para ter trabalho com ela em casa.

Esta fresquinha, pelo dia da criança resolvi fazer umas t-shirts com os meus miúdos, pelo que pedi para comprarem a dita t-shirt e trazerem canetas para roupa. A mãe foi lá disparatar, toda arrogante que não ia comprar os marcadres porque eram caros e que cada um sabia da sua bolsa. Nesse mesmo dia à tarde foi com a filha a um Hipermercado e ofereceu-lhe um conjunto de tintas e materiais de pintura.
Até concordo que não tenha dinheiro, não a censuro por isso, mas censuro-a por `não manter a humildade e ser arrogante, além disso eu já tinha comprado marcadores de propósito para os meninos que não levassem.
Uma mãe que foi ao colégio dizer para mudar a filha de lugar porque achava que ela andava distraída. Até é compreensível, se ela não tivesse dito à filha a mesma coisa, sendo que a filha quando a mudei disse-me logo " Foia m inha mãe que disse, não foi?" basicamente perdi a minha autoridade dentro da sala para a mãe da menina.

Agora a filha continua distraída, e pior distrai-me o melhor aluno da turma que já se queixou várias vezes, mas eu sou professor num colégio e rejo-me por uma hierarquia.

Histórias como estas posso contar muitas, isto com apenas 7 meses de trabalho.
Os pais tentam compensar os filhos pelo pouco tempo que passam com eles, e tentam também colmatar algumas marcas que a escola lhes deixou, daí atacarem constantemente os professores. Para piorar hoje em dia tenta-se desculpar os comportamentos e faltas de educação dos meninos referindo-se à hiperactividade. Se o menino chama um nome à professora é hiperactivo e toma lá um telemóvel e uma PSP.

Já agora para que acha que se trabalha pouco não se esqueçam dos cadernos, testes aulas e material que é necessário preparar, tudo isso é feito fora das horas de serviço.

De resto é uma profissão gratificante, não há nada melhor do que ver os meninos que entram pequeninos a saírem da escola a ler ou a fazer contas, vê-los a crescer e tornarem-se homenzinhos, ver os receios e viver as alegrias deles.

Como em todas as profissões é uma rosa com espinhos, sendo o maior a falta de apoio que os professores têm, seja do estado, seja dos pais, seja de quem fôr ( e isso foi bem vísivel nos comentários aqui enunciados).É uma profissão que devia ser valorizada, e para quem acha que é fácil, experimentem passar 5 horas com 25 miúdos e tentar pô-los a trabalhar, corrigir-lhes os erros enquanto escrevem e atender a todos.

P.s- Não fui para professor como última opção como aqui foi dito, acabei o secundário com média de 16, e sou professor primário, o que dentro da carreira ainda devemos ser os mais bem aceites.
Dou aulas num colégio privado o que torna diferente a maneira de agirmos, pois temos que obedecer a uma hierarquia própria sob risco de despedimento. Já agora, possuo uma casa própria, mas como não tive colocação além da minha casa ainda tenho que pagar 250€ por um quarto.
A vida é mesmo assim.

abraço

Lamento esta situação eu que sou tão critico do sistema educativo também não tolero má educação. Embora já me tenha custado um emprego ainda não há muitos anos.[8]. Atenção não sou professor. Apenas quero demonstrar que situações dessas é em todo o lado. Não é só com os professores. As pessoas acham-se no direito de reclamarem sem um motivo e serem malcriados sem razão. Não tolero isto a ninguém em nenhuma situação. Em relação ao facto de teres ido para professor por opção ou gostas muito da profissão ou és masoquista. Porque infelizmente é a minoria da nova geração de professores. Mas espero também que faças algo para mudar isso. Como tu disseste trabalhas no privado que quanto a educação ao que me parece acaba por ser pior que o privado. Os pais pagam e acham-se no direito de reclamar de tudo e de todos. Orgulha-te daquilo que fazes e se fazes bem não deixes que a estupidez invada o teu espaço.

Um abraço.
 
quem acha que é de risco que mude de profissão!
aturar putos não é para qualquer "trinca espinhas" a nivel fisico e psicologico!
 
O hotrodder disse tudo, a minha mae é professora e conta historias dessas aos montes, pois esta ja em fase final de carreira...

andmiguel porque dizes isso, se nao for trinca espinhas e nivel psicologico e mental ja nao tem problemas?Dizes isso por conheceres casos ou dizes por dizer?Eu estou a falar disto a nivel de ensino primario e nao a nivel secundario ou superior...se bem que tambem existam casos...;)
 
citação:Originalmente colocada por jcpr

citação:Originalmente colocada por Nephilim

citação:Originalmente colocada por jcpr
Oh meu Deus... quando se manda bitaites sem ter a mínima noção da realidade, depois dá nisto...

Assaltados, com os carros vandalizados, agredidos com cadeiras na sala de aula, Agredidos (socos e pontapés) pelos pais dos alunos, etc... Conheço pessoalmente!

E nem sempre são nas supostas escolas de risco!

E estes casos são mais comuns do que o que se pensa.

IMHO uma boa parte da culpa da falta de motivação vem dos pais. Actualmente, um aluno não vê para que serve passar 12 anos numa escola...
Traz para casa 8 negas e recebe uma PS2. No 2º periodo sobe uma, oferecem-lhe uma bicicleta. No final do ano, vai passar férias com os colegas para benidorm, e quando perguntam aos pais se querem que o filho passe (até ao 9º ano), explicando que o filho tem 7 negativas, que se vai ver aflito para o ano se passar, a resposta é quase invariavelmente "Passe-o!".

E quanto aos famosos 3 meses de férias + fds prolongados + greves + o diabo a quatro, se tivessem a minima noção do que estão a falar, estavam calados.

Se é uma rica vida, candidatem-se. Mudam de opinião nas 1ªs 3 semanas de aulas... garantido!

Jcpr bitaques???:(:(:( desde 1997 até 2004 vivi com uma professora e claro inserido no meio... a minha mae dá aulas tb...

Eu sei que há escolas em sitios mto maus mas o normal é bom...e se ha alguma violencia sempre houve.

Eu por exemplo andei na escola nos anos 80 e antes de chegar á escola já vinha o cheiro da "erva" que o pessoal fumava na escola nem vedação tinha. era uma selva uma vez até guerras de pedras de calçada houve morreu um rapaz...e na altura nem noticia foi.

Isto em Almada e agora essa mesma escola está segurissima não tem nada a ver com o tempo em que eu lá andei qdo era puto. É logico que ser professor não é uma profissoao de risco no entanto tudo tem um risco qdo se está vivo;)

Mas de maneira nenhuma estou a denegrir o trabalho dos professores só acho que não se podem fazer de vitimas pk nas outras profissoes tb se sofre e trabalham mais horas;)

Nephilim,

Pera ai então, que há aqui alguma coisa que não bate bem.

A tua ex-companheira ou a tua mãe tinham 3 meses de férias + fds prolongados (pontes) + greves? Tinham uma rica vida?

É que eu vivo com uma professora há dois anos e quando está na escola nunca tem as tão apregoadas férias gigantescas. E se for contabilizar os fins-de-semana que a Maria passa a preparar as aulas, exercícios, fichas, etc (note-se que é de Educação Física, mas não apoia a técnica do "tomem lá uma bola e não em chateiem"), trabalha mais tempo que um normal horário de 40 horas.

Eu também era crítico, até decidir este ano que ia experimentar dar aulas. Como as coisas mudam de figura... É reuniões para tudo e mais alguma coisa, muitas delas, se fossem numa empresa, nunca aconteceriam, mas tem que se respeitar os protocolos estabelecidos pelo ministério da educação.

Preparar aulas? Contam-se pelos dedos de uma mão o nº de fins de semana livres sem fazer nada para a escola. Tenho reuniões aos sábados, pelo menos uma vez por mês. Nos períodos de férias dos alunos temos reuniões de grupo, etc...

Nunca faltei a uma aula, não faço greves, dou contactos pessoais para que os meus alunos tirem dúvidas à vontade. Não é comum, mas já aconteceu tirar dúvidas a alunos via telefone a um domingo.

E já agora, eu já sou avaliado, e estou num local onde são os alunos que nos avaliam, não os pais, que não fazem puto de ideia do que nós fazemos ou deixamos de fazer. Para a maioria deles, somos calões, que trabalhamos 8 horas por semana e faltamos metade do ano.

Por isso revolto-me um bocado, quando dão a entender que os professores passam a vida a coçar a micose.

É assim: a minha mãe dá formação

mas a aulas mesmo numa escola dava a minha ex...era professora de EVT

e era assim o horario dela:

entrava dia 2 de setembro...ia a escola apresentava-se e vinha para casa até a escola abrir.
depois dava aulas até dia 15 de dezembro e tinha umas reuniões de notas... depois de dia 18+- tava livre até 2-3 de janeiro[8D] depois no carnaval tinha mais um belo fds prolongado.
Na pascoa tinha mais 2 semanas e no verão era umas ferias de finais de junho-Inicio de julho até setembro[8D][8D][8D]

Preparar aulas ...talvez algumas mas sempre durante a semana e nunca ao fds.

Greves mesmo que não fossem de professores era dos auxiliares que depois a escola fechava na mesma:D:D

a serio tudo somado era entre 3 a 4meses de ferias[:p][8D]
e os colegas era a mesma historia uns deles até iam passar ferias no inverno de autocaravana...logico que no verao tinham ferias na mesma[:p]
 
citação:Originalmente colocada por Jota17

Sinceramente, ainda não percebi o mal de ser professor! É uma profissão como as outras...

Eu também não. Por isso é que acho que tem os seus riscos. Minimos diga-se e que devem prestar contas do que fazem. Além disso não devem ter mais regalias que as outras classes operárias. Afinal são iguais aos outros prestam um serviço bem e em boas condições provavelmente o futuro deveria sorrir. Se assim não for pena, é procurar alternativas.

[8]Mas o que eu ouço dos sindicatos dos professores é que estes são especiais. E assim sempre vão aumentando a carteira de quem está no quadro. E diminuindo aos outros que são a maioria. Enquanto não meterem na cabeça que estão a priviligear quem não precisa, vão sofrer cada vez mais injustiças.

:(Se eu tivesse dinheiro para comer bifanas todos os dias. E com esse dinheiro uns comessem bifes e os outros comessem soupa já tinha acabado com isso. Mas parece-me que em casa alheia não tenho nada a ver com isso. [|)]
 
citação:Originalmente colocada por Lippe

O hotrodder disse tudo, a minha mae é professora e conta historias dessas aos montes, pois esta ja em fase final de carreira...

andmiguel porque dizes isso, se nao for trinca espinhas e nivel psicologico e mental ja nao tem problemas?Dizes isso por conheceres casos ou dizes por dizer?Eu estou a falar disto a nivel de ensino primario e nao a nivel secundario ou superior...se bem que tambem existam casos...;)

imagina uma turma cheia de reguilas com um professor pequeno magrinho voz baixa e fina, achas que vai conseguir dar uma aula em sossego? já tive professores assim e passavamos a aula à conversa [:p]
 
citação:Originalmente colocada por Renas

citação:Originalmente colocada por Jota17

Sinceramente, ainda não percebi o mal de ser professor! É uma profissão como as outras...

Eu também não. Por isso é que acho que tem os seus riscos. Minimos diga-se e que devem prestar contas do que fazem. Além disso não devem ter mais regalias que as outras classes operárias. Afinal são iguais aos outros prestam um serviço bem e em boas condições provavelmente o futuro deveria sorrir. Se assim não for pena, é procurar alternativas.

[8]Mas o que eu ouço dos sindicatos dos professores é que estes são especiais. E assim sempre vão aumentando a carteira de quem está no quadro. E diminuindo aos outros que são a maioria. Enquanto não meterem na cabeça que estão a priviligear quem não precisa, vão sofrer cada vez mais injustiças.

:(Se eu tivesse dinheiro para comer bifanas todos os dias. E com esse dinheiro uns comessem bifes e os outros comessem soupa já tinha acabado com isso. Mas parece-me que em casa alheia não tenho nada a ver com isso. [|)]

E eu sou professor! Há professores bons e maus, como existem bons e maus profissionais noutros ramos...! Quem é bom, não teme a avaliação! O que eu gostava era de ver escolas com melhores meios e melhores condições!! Isso sim...
 
citação:Originalmente colocada por Nephilim

É assim: a minha mãe dá formação

mas a aulas mesmo numa escola dava a minha ex...era professora de EVT

e era assim o horario dela:

entrava dia 2 de setembro...ia a escola apresentava-se e vinha para casa até a escola abrir.
depois dava aulas até dia 15 de dezembro e tinha umas reuniões de notas... depois de dia 18+- tava livre até 2-3 de janeiro[8D] depois no carnaval tinha mais um belo fds prolongado.
Na pascoa tinha mais 2 semanas e no verão era umas ferias de finais de junho-Inicio de julho até setembro[8D][8D][8D]

Preparar aulas ...talvez algumas mas sempre durante a semana e nunca ao fds.

Greves mesmo que não fossem de professores era dos auxiliares que depois a escola fechava na mesma:D:D

a serio tudo somado era entre 3 a 4meses de ferias[:p][8D]
e os colegas era a mesma historia uns deles até iam passar ferias no inverno de autocaravana...logico que no verao tinham ferias na mesma[:p]

A minha mulher é professora e não tinha essas férias tão grandes...
A tua companheira deve ter é umas cunhas...

A minha mulher, mesmo não tendo aulas era obrigada a ir à escola (entre 1 julho e 31 de Julho) e trata de burocracia, há sempre qualquer coisa para fazer.

Agora, não generalizes. E também achas que se deve inventar trabalho?
 
Carta Aberta à Sr.ª Ministra da Educação


Esta carta, que será divulgada também na comunicação social, tem como objectivo contribuir para a reflexão acerca da Qualidade da Educação do nosso país.

Neste sentido, e ao invés de contestar ponto por ponto a sua proposta de alteração ao Estatuto da Carreira Docente, os docentes deste país ficam-se pelas suas consequências, o tal efeito prático que a Sr.ª Ministra prefere dissimular num jogo falacioso e perigoso, atirando-nos, pais e professores, uns contra os outros.

Embora tenha surgido como o maior engodo - o de chamar os pais à escola - da história da Educação deste país, na verdade, a avaliação dos Docentes pelos Pais e Encarregados de Educação, representa apenas uma ponta da ponta de um iceberg, uma linha de texto num documento de 54 páginas. Interessa apenas a quem se limita a promover manobras de diversão facilmente identificáveis, parecendo ignorar que nenhum professor sério irá temer se for avaliado de forma séria. É vergonhoso, até para nós que somos portugueses, verificar o calculismo e a facilidade com que a Sr.ª Ministra aborda a questão complexa, como é a de avaliar os desempenhos dos professores, sem o mínimo de profundidade, preferindo, sem olhar a meios, o populismo fácil e barroco.

Recorrendo a meras hipóteses, se o novo estatuto fosse, numa eventualidade pouco inteligente, aprovado, o docente teria um número fechado de vagas para Muito Bons e Excelentes. Assim, perguntamos nós: e se, num acaso, os professores de uma escola excederem o número premeditado de Excelentes? Escolher-se-iam os melhores dos melhores e passar-se-iam os outros para Muito Bom e os que tinham a dita nota para o Bom? Ou, numa outra eventualidade, rasurar-se-iam as notas, de forma a não se levantarem polémicas no seio de uma escola que se quer unida e sempre controlada?

Talvez se vislumbre uma resposta se se conhecerem melhor os dezasseis pontos em que o hipotético docente será avaliado, previsto no artigo 46º do hipotético novo estatuto:

. o professor será avaliado pelos resultados escolares dos alunos. Explicar-nos-á a Sr.ª Ministra como pode um professor de uma má escola, e em muitas "má" será sempre um doce eufemismo, ter o mesmo nível de qualidade na sua avaliação de um colega seu numa boa escola? Será então que os professores têm as mesmas medidas e oportunidades de uma boa avaliação? Ou, por outro lado, bastará que se avalie positivamente os alunos, independentemente da realidade?

. o professor será avaliado pelas taxas de abandono escolar? Certamente que no Ministério ainda andam à procura de uma resposta coerente a esta pergunta. Imaginemos que existe uma comunidade de etnia cigana numa escola ou que em determinada localidade, e não são assim tão poucas, os pais querem retirar os filhos da escola para que trabalhem com eles. Como pode o professor ser penalizado por uma situação como esta onde a responsabilidade não lhe cabe? Não se deveriam criar medidas coerentes para um mundo real? Neste caso como seria, então? Seriam penalizados todos os docentes daquela escola ou apenas daquela turma? Não será esta uma medida oportunista, em que se acusam os professores da incompetência, de um governo que não cria segundas verdadeiras opções para os jovens que abandonam o ensino ou que simplesmente querem mais? Não será esta medida economicista, visto que, deste modo, os professores ficam limitados na sua avaliação, o que prejudica seriamente a sua progressão e,
naturalmente, os impede de subir de escalão e vir a auferir um melhor salário?

. apreciação do trabalho colaborativo do docente? O que significa exactamente trabalho colaborativo? E para colaborar com o quê? Ou com quem? Terá a Sr.ª Ministra intenção de instigar ao mau ambiente na sala de professores ou a de tornar menos transparentes algumas avaliações? Haverá aqui uma vontade de tornar ambíguo o que se quer simples e preciso? Talvez, na sua visão, "dividir para reinar" faça um sentido que não cabe nesta profissão!

. apreciação realizada pelos pais e encarregados de educação. Consegue a Sr.ª Ministra avaliar com a exacta certeza uma pessoa que nunca viu e cuja imagem foi construída apenas por uma criança ou pelos comentários de outras? Serão todos os pais capazes de avaliar os professores através de quase nada? É essa a avaliação que pede aos professores, quando se trata de avaliar os seus alunos? Avaliar com pouco? Mas sempre num nível positivo, de forma a não transtornar os pais? A Sr.ª Ministra quer que nós acreditemos que uma avaliação realizada desta forma irá ser objectiva e transparente? Muito embora cada um dos pontos tenha um peso, que ainda não se conhece, tal questão parece-nos irremediavelmente condenada ao fracasso, pelo menos se observada de um ponto de vista sério e rigoroso.

. avaliação através da observação de aulas? Quais são os critérios adoptados pela Sr.ª Ministra? Imaginemos que decorre a avaliação de dois docentes distintos em dois locais diversos. Cada um dos quais está a ser medido por um hipotético professor titular. Imaginemos que são duas escolas em meios diferentes. Encontra-se a Sr.ª Ministra capaz de nos assegurar que ambas as avaliações serão correctas ou que, sendo invertidos os lugares, os docentes manteriam a mesma qualificação ou quase? Nestas contas entram factores demasiado subjectivos. Numa mesma escola, o mesmo professor pode obter dois níveis diferentes, se for avaliado, por exemplo, por titulares de distintas sensibilidades. Suponhamos, por outro lado, que a aula corre mal, porque o professor está engripado ou porque os alunos vieram de uma visita de estudo. Será sério avaliar todo um ano escolar com três visitas à sala? Será sério fazer depender a progressão na carreira desta forma?

Os docentes passariam a ser avaliados em dezasseis pontos ou itens de classificação como lhe chama a Sr.ª Ministra. Destes, quinze são perfeitamente subjectivos, e um deles, o que respeita à assiduidade, o único preciso porque se trata de um número, a Sr.ª Ministra trata-o com a ligeireza que parece ser o seu maior dom.

A Sr.ª Ministra não se nega a coarctar aos docentes qualquer esperança, ainda que infeliz, de poderem assegurar o seu desempenho se caírem doentes numa cama. O professor passa, assim, a ser obrigado a cumprir 97% do seu serviço lectivo, se quiser progredir na carreira. À priori, esta medida parece ser finalmente a resposta aos pedidos dos pais e encarregados de educação dos nossos alunos. Será assim tão óbvia e tão simples esta leitura? Três por cento de faltas como máximo, representa cinco dias de faltas por ano? Explique-nos, por favor, a Sr.ª Ministra como justifica o facto de não poder estar doente. Fazemos notar que não falamos apenas de nós próprios, aqui também cabe a assistência à família. Repare a Sr.ª Ministra que os professores lidam com crianças, cerca de vinte e cinco por cada uma das cinco turma (em média, claro está), e que estas mesmas crianças adoecem e se constipam e nos constipam. E nós sabemos que às vezes mais vale ficar um dia em casa e recuperar a saúde
, do que prestar um mau serviço público. Os docentes têm um grande respeito pela sua profissão. Nenhum professor sério falta para ficar a dormir. Teremos que "contagiar" toda uma escola necessariamente, em nome da graduação profissional, uma vez que só serão devidamente justificadas as doenças em regime ambulatório.

Por outro lado, repare Sr.ª Ministra, pois talvez ainda não o tenha feito, que a grande maioria dos docentes está deslocada da sua casa, longe dos seus familiares. Esta enorme massa humana que se desloca pelo país, em milhares de quilómetros mensais, aos princípios e fins-de-semana, em veículo próprio, e que entrega dinheiro ao estado nos impostos de combustíveis, está muito sujeita a ter contratempos na estrada ou com a mecânica do seu automóvel, e que, a partir de agora, estes mesmos cidadãos manterão esta distância durante três e depois quatro anos!

No que diz respeito às mães ou futuras mães, não compreendemos como pode a Sr.ª Ministra querer avançar com um estatuto que as espartilhará - a maternidade é um direito protegido pela Constituição da República Portuguesa. É-nos dito que, no decorrer desse ano, a docente não será avaliada, pelo que a mãe terá nesse ano a mesma classificação que lhe for atribuída no seguinte, ou seja, bastar-lhe-á faltar seis dias para que não progrida na carreira dois anos. Saberá a Sr.ª Ministra o complexo que é cuidar de uma criança durante os primeiros meses e anos de vida? Numa primeira fase, a do período do parto, o novo estatuto salvaguarda as mães para depois as deixar desamparadas numa segunda fase, como se a maternidade se esgotasse no acto de "dar à luz".

Contempla alguns destes dados na sua proposta, Sr.ª Ministra, ou prefere tratá-los com a distância da sua demagogia? Como quer a Sr.ª Ministra estabilidade docente, aquela que tanto aclama, convencendo apenas quem ignora a realidade do que é ser educador, se qualquer uma das acções que toma vai no sentido de criar instabilidade e insatisfação? Como quer a Sr.ª Ministra docentes produtivos e colaborativos se instiga ao fascismo redutor, como se lidasse com gente disposta a rebaixar-se aos seus pés sem que lhe fosse levantado um par de olhos? Como quer a Sr.ª Ministra um alto nível de rendimento escolar e uma enorme qualidade para a Educação quando atira medidas laças para cima de uma mesa, onde se discute o futuro?

Este é um assunto sério, Sr.ª Ministra, nenhum professor está aqui para brincar! À Sr.ª Ministra interessa ter os pais do seu lado, independentemente dos meios, o que lhe interessa são os fins economicistas, cada vez mais sublinhados por cada medida que assina.

Pretende convencer os professores deste país que um tecto ao fim de doze anos de carreira é um objectivo para quem tem que ser avaliado e classificado todos os anos? As demagogias criadas para iludir a opinião pública são os instrumentos de trabalho utilizados pelo estado, mas do tempo da outra senhora, quando a Sr.ª Ministra ainda tinha a esperança de viver numa democracia - se é que teve.

Parece-nos que todas estas medidas foram lançadas ao ar para justificar o trabalho de alguns caciques que há muito não leccionam e que pululam de gabinete em gabinete na esperança, certamente vã, de lhe apresentar algum trabalho, uma vez que, somente quando já não tiver professores no seu ministério, vossa Senhoria ficará plenamente satisfeita.


Junho de 2006

Um grupo de Professores desrespeitados
 
A questão pro~incipal colocada aqui era se a profissão era de risco ou não, tema aõ qual se fugiu para se abordar as avaliações por parte dos pais.
Para quem acha que os professores estão com receio de ser avaliados, pode desde já ficar a saber que~há inspectores próprios que vão às salas de aula, que assistem às aulas, que verificam os dossiers de turma (sim, porque para ser professor há que fazer estudo da turma, avaliações, programas anuais e trimestrais/semanais/diários), mas estes devem ser tão incompetentes que o estado quer pôr os pais a fazê-lo.
Ao contrário do que a as associações de pais dizem, não é por os pais serem doutores ou engenheiros que podem avaliar os profs, pois podem ter o canudo mas não têm competências para avaliar, da mesma maneira que eu não posso avaliar se um médico me esta a operar bem ou mal. Aliás eu não considero que tenha competências para me avaliar um pai/mãe que tira os filhos da escola uma semana para ir de férias, ou que os tira das aulas para os levar a um concerto de música (hoje foi o dos d´zert), que não liga puto para se eles fazem os trabalhos ou não, ou que o filho/a chega quase todos os dias atrasado.
Os pais podem-me avaliar concerteza, mas antes deviam eles ser avaliados, e muitos nem sequer deviam ser pais.

abraço

p.s- desculpem os erros, estou num pc com um teclado diferente
 
hoje em dia é. nao só por causa dos concursos, dos 120 mil professores pra um número muito pequeno de vagas, do factor trabalho a 500kms de casa, das relaçoes q acabam por causa do afastamento, dos amigos que se perdem, dos amigos que acabamos por nao fazer, dos gastos que temos com tudo o que envolve deslocaçoes, comida, casa, etc, dos alunos que cada vez estao mais selvagens, etc, etc, etc.

ainda na 6ª 1 aluno virou-se à pancada na minha escola e teve que ir lá a,polícia. parece que foi suspenso 2 dias, um aluno com umas 30 faltas disciplinares este ano, 14 anos no 5º e mais nao sei o que. ontem 1 miuda de 12 anos bateu numa do conselho executivo.

eu, a nível das deslocaçoes, fiquei o 1º ano longe. de resto tenho ficado sempre a dormir em casa, com 1 folga à 2ª ou à 6ª, nao gasto muito em comida este ano... bem bom! mas pró ano vou mudar e já nao vai ser assim.

de momento nao aconselho ninguém a ir pra prof, pois nao há vagas e esta situaçao vai manter-se por mais uns anos, infelizmente.
 
Professor..Profissão de Risco??

Professor..Profissão de Risco??

Dadas as Lamentaveis cenas que desde á algum tempo se têm vereficado nas saulas de aulas um pouco por toda o país será a Profissão de Professor uma profissão de Risco?
 
Acho que se está a confundir profissão de risco com trabalhar numa região com risco.. Senão todas as pessoas que trabalham em determinadas zonas têm profissões de risco. Mas qualquer dia ainda se lembram de pedir subsidio de risco.....
 
Acho que se está a confundir profissão de risco com trabalhar numa região com risco.. Senão todas as pessoas que trabalham em determinadas zonas têm profissões de risco. Mas qualquer dia ainda se lembram de pedir subsidio de risco.....
Podem pedir a vontade, em Portugal os guardas prisionais, por exemplo, não tem subsidio de risco.

Num país onde há esta realidade relativamente aos serviços prisionais, duvido que qql outra profissão de risco seja reconhecida como tal.
 
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