Testes realizados durante dez meses pela
Quercus aos sacos produzidos em plástico oxo-degradável, distribuídos gratuitamente nos hipermercados Jumbo e Continente, e em várias cadeias de lojas do Grupo Sonae (Worten, Vobis, Sport Zone, MaxMat),
concluíram que estes não se degradam e, pelo contrário, ameaçam o Ambiente.
Estes resultados foram também confirmados por um estudo da Universidade de Loughborough (East Midlands) feito para o governo britânico, onde se conclui que os plásticos oxo-degradáveis podem trazer problemas para a reciclagem, sendo o destino mais adequado a incineração.
Os sacos têm incorporado um aditivo químico supostamente para acelerar o processo de degradação, mas aquela universidade britânica considera que esse aditivo não traz nenhuma vantagem em termos de reciclagem.
"Publicidade enganosa"
Nos sacos oferecidos pelos hipermercados portugueses está escrito "100% degradáveis" mas Rui Berkemeir, especialista em resíduos da Quercus, afirma ao Expresso que esta informação "é publicidade enganosa".
Os destinos mais prováveis destes sacos de plástico, depois de usados, são o acondicionamento de lixo nos aterros sanitários e os meios aquáticos (rios e mar), mas nos testes a Quercus observou "que não houve sinais de degradação ou decomposição dos sacos, e estes nem sequer se apresentavam quebradiços", explica Berkemeir.
A organização ambientalista alerta ainda para outros problemas dos sacos oxo-degradáveis: "a Associação Europeia de Recicladores de Plástico não garante a sua reciclagem e considera a tecnologia usada insustentável, a degradação em aterro não está confirmada, existe o risco de colocarem em perigo toda a cadeia alimentar e têm uma reutilização limitada".
Cadeia alimentar ameaçada
Com efeito, ao serem libertados no Ambiente, podem fragmentar-se em inúmeras partículas mais pequenas, "entrando na cadeia alimentar global e constituindo um perigo para as espécies de pequeno e grande porte", que engolem essas partículas com facilidade mas não as digerem.
E deixam de ser reutilizados quando se tornam quebradiços, não podendo ser colocados no Ecoponto amarelo mas apenas no lixo indiferenciado.
O Programa das Nações Unidas para o Ambiente e a Conservação dos Oceanos assinala que 80% da poluição marinha nas 12 maiores regiões do Mundo é causada pela libertação de resíduos plásticos, em especial sacos e garrafas. E acrescenta que 95% das espécies de aves aquáticas que vivem ou sobrevoam o Hemisfério Norte apresentam vestígios de plástico nos seus estômagos.
"Ilhas" de plástico no Atlântico e no Pacífico
Em Fevereiro, cientistas da Sea Education Association (SEA) descobriram no Norte do oceano Atlântico, ao largo da Florida, uma vasta área onde resíduos de plástico se concentram "e permanecem durante longos períodos de tempo", revelou à BBC a cientista Lavender Law, pertencente àquela associação. Nas zonas mais afectadas a SEA chegou a encontrar 200 mil pedaços de plástico por quilómetro quadrado!
Esta "ilha de plástico" é semelhante à que foi descoberta em 1997 no norte do oceano Pacífico, numa área de 700.000 km2 (sete vezes a área de Portugal) onde convergem quatro grandes correntes marítimas.