[Sociedade] Ricofobia Portuguesa!

A meu ver não há nos portugueses problema nenhum de maledicência especificamente apontada aos ricos. O que há é um fenómeno muito mais abrangente, típico das sociedades colectivistas que consiste em estar sempre a fazer juízos de valor sobre os outros. E isso atinge ricos, pobres, gordos, magros, etc, etc. Numa sociedade colectivista cada indivíduo sente-se legitimidado a dar uma opinião sobre a vida do indivíduo do lado, mesmo quea vida deste em nada o afecte. É assim que nós somos, ainda, em Portugal. Vê-se a toda a hora e em todo o lugar. Aqui no fórum, por exemplo. Um tipo pede ajuda para qualquer coisa, e por cada resposta útil aparecem 5 a arrotar sentenças, ou pior ainda, juízos de valor sobre a sua própria pessoa.
Acho que neste aspecto a coisa está razoavelmente bem distribuída. Os ricos não têm mais razão de queixa que os pobres.



Acho que pode fechar o tópico. Está aqui tudo resumido.

Juízos de valor. É nisso que os portugueses se destacam. Não conseguem deixar de ter opinião. Parecem o prof Marcelo, desde culinária a futebol..
 
Na verdade a condição para seres apontado e falarem mal de ti nem chega a ser rico, basta teres qualquer coisita que te destaque.

Recordo-me de há uns anitos, numa manhã de fds estar num semáforo parado, no Boxster descapotável e ao meu lado um carro com vários gajos, um diz qualquer coisa apreciativa e responde o que estava ao volante, num tom em que sabia que eu ouvia: O meu sei que está pago .....

Ui...isso soa a algo que muitos deste forum diriam[:D]
 
Esses artigos são muito oportunos, na medida em que o nº de pobres aumenta exponencialmente no nosso país e começam a levantar-se alguns 'escudos' na protecção de algumas pessoas(contra as quais não tenho nada contra, há pessoas boas e más com dinheiro, como há pessoas boas e más sem dinheiro).

Da mesma forma que há pobres que diabolizam ricos há ricos que diabolizam pobres e normalmente quanto mais pobreza existe nalgum local mais a riqueza de alguns cresce.

Infelizmente neste país o mérito e o sacrifício são poucas vezes recompensados, temos jovens licenciados com médias pouco melhores que 10 que foram um dos felizes contemplados com a nomeação para um cargo público governamental a auferir 3 ou 4 mil euros/mês e outros que sem conhecimentos, padrinhos ou cartões partidários, continuam estagnados, por mais competentes que o sejam e o demonstrem.

Possivelmente em Angola aproveitem este texto e os pobres continuem afastados das portas dos palacetes, mais preocupados em arranjar comida - que isso ocupará e muito o foco de vida de algumas pessoas.
 
Há de facto muitos desequilibrios na sociedade portuguesa.

Mas um pouco mais de tolerância seria bem vinda.

Até porque somos dos paises que conheço com menos diversidade. Anda-se na rua e é tudo igual, desde roupas, carros, opções. Uma espécie de carneirismo. Aquele que sai do carreiro é logo apontado. Até nos carros se nota aqui no fórum.

Na maioria dos países da Europa que conheci "no one cares". Há de tudo e ninguém liga... modas, opções...

A falta de diversidade sempre foi um entrave ao desenvolvimento. Já Darwin o dizia... pode levar à extinção...
 
Na verdade a condição para seres apontado e falarem mal de ti nem chega a ser rico, basta teres qualquer coisita que te destaque.

Recordo-me de há uns anitos, numa manhã de fds estar num semáforo parado, no Boxster descapotável e ao meu lado um carro com vários gajos, um diz qualquer coisa apreciativa e responde o que estava ao volante, num tom em que sabia que eu ouvia: O meu sei que está pago .....

A solução é não parares no vermelho.

Se és rico para ter um Boxster, também tens dinheiro para as multas [;)]
 
E isso é mau? Ter opinião é mau? apr:)

É mau ter opiniões sobre coisas que não se percebe absolutamente nada. Como posso eu ter opinião acerca da vida do meu vizinho?? O outro não dizia que o Boxster não estava pago? Como é que ele sabia, de onde o conhecia? Se calhar mais valia estar caladinho...

Isso é juizo de valor. É como chamar p*ta a uma rapariga por estar pouco vestida.
 
A ricofobia existe e eu penso que foi acentuada pela crise.

Volta e meia aparece uma noticia a dizer que a classe média desapareceu, que os BMW aumentam cota de mercado dos automóveis novos, que os mais ricos controlam maior percentagem da riqueza. Aliado a isso todos conhecemos casos de empresários que pagam salário mínimo mas compram carros novos com muita frequência.

É normal que tem funcionário se sinta espoliado quando um patrão diz que não pode aumentar salários, mas chega à fábrica com um maquinão novo.

É normal que um cidadão se sinta espoliado com aumentos de impostos sucessivos que o fazem regredir de qualidade de vida e depois veja quem está a cima com tratamento diferencial. O pequeno que não mete os papeis dos impostos direito é perseguido. Há outros que se esquecem de declarar milhões e pedem desculpa.

Resumindo e concluindo, a ricofobia aumenta com a percepção da existência de desigualdades sociais. Se queremos reduzir a ricofobia deveremos criar uma sociedade menos desigual, mais justa.
Obviamente que noticias como esta ainda ajudam a intoxicar mais o pessoal: Presidentes executivos do PSI20 ganharam 33,5 vezes mais do que os trabalhadores - PÚBLICO

Na minha opinião o zMax resumiu aqui o problema, sempre ouve a tal ricofobia é certo, mas se há uns anos até nem havia grande razão para tal, hoje em dias as coisas mudaram de figura, e até os resistentes à ricofobia estão a mudar de trincheira, pela simples razão que o zMax aqui explicou.

Como é que alguém pode concordar em não ser aumentado e chegar à fábrica onde ganha 485€ e ver o patrão com um Ferrari? Quem ajudou o patrão a ter o Ferrari não foram os empregados? Com que cara é que se vai trabalhar depois de se ver negado um aumento de 50€ e quando lá se chega o patrão tem um carro novo? Assim a ricofobia é inevitável.

Eu não tenho problema que os ricos o sejam, bom para eles, eu também gostava de o ser! Tenho problemas é quando para serem ricos se aproveitam da miséria que se vive neste país, sabem que há montes de gente esfaimada e que lançarem um pedacinho de carne as pessoas fazem o que querem. E é isto que se vê hoje em dia com os empregos.

Oferece-se uma miséria e quando o trabalhador reclama, ele que vá embora que amanhã está alguém no lugar dele. Isto para mim não é justo, é brincar com a vida das pessoas.

Ontem tropecei nisto IEFP - NETEMPREGO Pedem um engenheiro de produção animal com experiência e oferecem 700€ e tem de estar no Centro de Emprego há mais de 6 meses pelos beneficios. Mas estamos a brincar? 700€ ganha um tipo que não sabe ler nem escrever a trabalhar num shopping a vender relógios da Swatch!(para os mais incautos "sem saber ler nem escrever" é uma expressão aqui usada para dizer "um qualquer")

Eu admito que tenho um pouco de ricofobico, mas também ninguém me pode negar que tenho razões para isso. Além disso sei admitir quando um patrão é bom, e temos um aqui na nossa zona que é um grande homem, partilha a sua riqueza com toda a região, dá prémios todos os anos aos funcionários tendo em conta o lucro da empresa, dá dinheiro a associações, criou uma associação, e não é mais pobre por isso! Pelo contrário, tem o apoio do povo o que o torna um homem mais rico.
 
Claro que não, olha por exemplo a oportunidade de um recém nascido aprender Português em Portugal é 99.999999% maior do que um recém nascido no Tajiquistão...

E um recém nascido do Tajiquistão tem menores probabilidades de viver até mais tarde, ou de obter um curso superior ou de trabalhar num país da união europeia ou de ter acesso a um computador com Internet, etc.

Mas penso que o texto se centrava mais nas diferenças dentro do país.
 
Como é que alguém pode concordar em não ser aumentado e chegar à fábrica onde ganha 485€ e ver o patrão com um Ferrari? Quem ajudou o patrão a ter o Ferrari não foram os empregados? Com que cara é que se vai trabalhar depois de se ver negado um aumento de 50€ e quando lá se chega o patrão tem um carro novo? Assim a ricofobia é inevitável..



Concordo contigo.

Há uma particularidade da sociedade portuguesa que raramente vi nos países europeus que conheci:

Na França, por exemplo, o nível de ordenados que uma empresa paga dá-lhe estatuto. Ou seja, se pagar ao nível do mínimo vai levantar alguma desconfiança no meio onde se insere. Vai ser menos bem vista que as demais ou vai dar a imagem de pouca saúde.. E no mundo das empresas as aparencias contam muito.

Em portugal a saude da empresa mede-se pelo carro do empresário. Ninguem faz negocio com um tipo que ande de clio. Se andar de Ferrari, nem que esteja a falir e tenha ordenados em atraso há meio ano... terá sempre bom crédito perante os seus credores e parceiros...

Infelizmente é assim e eu falo por experiência no ramo e por casos que me passaram por perto...

Vive-se de aparências.
 
Concordo contigo.

Há uma particularidade da sociedade portuguesa que raramente vi nos países europeus que conheci:

Na França, por exemplo, o nível de ordenados que uma empresa paga dá-lhe estatuto. Ou seja, se pagar ao nível do mínimo vai levantar alguma desconfiança no meio onde se insere. Vai ser menos bem vista que as demais ou vai dar a imagem de pouca saúde.. E no mundo das empresas as aparencias contam muito.

Em portugal a saude da empresa mede-se pelo carro do empresário. Ninguem faz negocio com um tipo que ande de clio. Se andar de Ferrari, nem que esteja a falir e tenha ordenados em atraso há meio ano... terá sempre bom crédito perante os seus credores e parceiros...

Infelizmente é assim e eu falo por experiência no ramo e por casos que me passaram por perto...

Vive-se de aparências.

Olha nem de propósito! Estive a falar com um emigrante em França que me disse exatamente o mesmo. Que não compreende como é que é possível qualquer empresário em Portugal que mexa uns milharzitos de euros tenha um bruto dum carro à porta quando os patrões dele por exemplo que têm uma empresa com um volume de vendas na ordem dos 50milhões por ano, e um anda de Renault Espace e o outro de Renault Laguna. No entanto os funcionários têm calçado e óculos de proteção, fardas da empresa ao invés da típica bata cá em Portugal, prémios de assiduidade, pontualidade e produção, para além de um bom ordenado.

É claro que um exemplo não é a generalidade, mas pelo que ele diz a maioria dos patrões lá tem gosto em pagar bem e ter funcionários satisfeitos.

Além disso também é certo e sabido que a França tem dos sindicatos mais terríveis do mundo! :P
 
Eu acho que antes de se iniciar qq discussao sobre este tema é fundamental ter definida a noçao dos conceitos em causa.

O que é ser rico?

É q para muito "pé rapado" saber que alguem tem 2/3 bons carros, tem 2/3 casas, é director numa multinacional ou empresario da sua propria empresa, faz ferias todos os anos em sitios giros e tem a criancada em bons colegios isso é o suficiente para os classificar como ricos.

Por exemplo, para mim, isso é uma optima vida mas nao implica ser rico.

Ser é tudo isto numa escala muito maior.

E os verdadeiramente ricos, tentam nem se fazer notar... Tentam fazer de tudo para que nao se note o quao realmente ricos sao.

Ja os primeiros que referi e ainda os wannabes de la chegarem, "qualquer traque" que dão, espalham no a toda a gente...

Corruptos? Canalhas? Vigaristas?

Quem me dera que fossem só os ricos... Era sinal que haviam poucos.

Eu acho que aquilo q esta em causa nao é tanto a definicao de palavra Rico mas de certo modo o relacionamento da "Ricofobia" com a frustracao e inveja. Basta teres um ou 2 bons carros na garagem para gerares muita Ricofobia. E de modo algum seres rico... Ou seja nao acho que seja associado a verdadeiro poder capital, mas aparencia de uma vida superior ao individuo que desejava aparentar essa vida.
Aquilo que vejo mais na Ricofobia ate sao coisas muito tipicas como inveja de carros e pontualmente boas roupas.EM certos sitios mais pequenos basta saberem q vais jantar fora regularmente para começares a ser alvo de Ricofobia. Mais depressa vejo isso ate que bons cargos dentro de empresas (esse nivel de inveja já é mais internamente numa empresa entre individuos)

No que toca a palavra Rico meu conceito é simples. É alguem que tem qualidade de vida acima da média em termos financeiros (embora isso varia de pessoa para pessoa) mas que inclua boa casa, bom nivel de alimentacao,acesso a bens de luxo variados, bom nivel de sistema saude, ferias, etc... e se quiser (nao quer dizer que o faça) só com o dinheiro que tem aplicado e com respectivos juros nao precise trabalhar. O ultimo ponto é para mim o fundamental. Ou seja colocando dinheiro em aplicacoes de baixo risco gere suficiente para uma vida acima da média e se quisesse só com isso mantem uma vida de qualidade que genericamente consideramos alta. Maioria associa riqueza com ordenado mas é um erro. Pode-se ganhar muito bem e gastar outro tanto... ISso garante qualidade de vida alta, mas se nao junta sequer esta muito longe de ser rico. Um Rico já passou essa fase faz muito tempo (tem ja dinheiro que cria dinheiro quer com empresas autosuficientes ou investidos). Isso ára mim é a logica definicao de rico. No entanto o discutido aqui é bem mais basico que isso... É mais um conceito de inveja a quem tem mais que a pessoa em questao (ate pode ser outro pé descalço o alvo de Ricofobia)
 
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Já agora que palavra acham que define aquele individuo que nao sendo rico, procura de todos os modos criar a percepçao de ter mais dinheiro do que o que tem (atraves de emprestimos para carro, roupa, jantaradas, etc)... É tambem um grande especto da sociedade portuguesa. O pé descalço alvo de Ricofobia ...E que gosta da sensacao de ser alvo de Ricofobia (pq tambem ja foi Ricofobico ). Para quem conhece um pouco do ramo de luxo sabe que existem e muitos assim.
 
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