Nao quero aqui ser o defensor das repros ate porque nunca tive um carro com uma, mas se souberes um bocadinho das estrategias das marcas vais perceber que nao é bem assim. So alguns modelos de algumas marcas selectas é que sao construidos da melhor maneira possivel tipo o melhor carro que naquela altura conseguiram fazer.
É logico que ha diferença entre fazer uma repro para ter mais 20cv ou ter mais 80cv, mas axo perfeitamente natural que as marcas lancem motores nao so a pensar no quao fiaveis sao mas tb tendo em mente estrategias de marketing. Nao é so conseguir ter um 1.4 a debitar 200cv e esta andar vamos lanço lo no mercado. Por muito fiavel que seja tem de respeitar os outros motores que a marca tem para vender.
Em alguns modelos é bastante facil ver isso, ainda no outro dia ouvia um amigo meu dizer que queria fazer uma repro (ja deve ter feito) ora o motor dele é um hdi 2.0 com 90cv, vais me dizer que a marca nao consegue extrair mas cv com fiabilidade de um bloco com 2l?
Quem diz motor diz outras coisas que em carros "normais" que conduzimos podem ser muito melhorados ca fora porque simplesmente por custos de produçao ou estrategias de vendas os carros nao vem construidos na maxima perfeiçao nem com as melhores peças e sistemas.
Ps: digo isto sem nunca ter transformado um carro, e ate uma das poucas alteraçoes que gostava de fazer no meu carro era levantar um pouco o "focinho" do bicho.
Compreendo a tua ideia embora discorde um pouco dela.
Se olhares muito objectivamente, diz-me qual foi o carro ou marca que tinha 2 níveis de potência diferentes nos mesmos motores em que só mudasse a programação ?
Consegues encontrar
um ?
Se essa lógica estivesse certa (ou fosse aplicada), não era mais simples a PSA (exemplo aleatório) fabricar apenas um motor 1.6 de 110cv e diminuir por programação para criar a versão de 92cv ?
Se calhar até ficava mais barato, mas não o fazem.
Esses dois motores têm diferenças físicas de um para o outro, e como este podes agarrar em qualquer um:
-Os 320d que começou com 136, depois 150, depois 163, 177...sempre com alterações mecânicas
-Os TDI que começavam em 90 cv e chegaram aos 160 de série...se fores ver, são todos diferentes.
-Os 1.5 DCI de 65, 80, 105 cv...a mesma coisa.
É claro que existem outros factores a ter em linha de conta, como a poluição. Um carro reprogramado aumenta a poluição para níveis que possivelmente nem os deixaria passar nos testes anti-poluição dos fabricantes, logo se quem fizer a repro se borrifar para isso tem ali uma margem de manobra.
Mas o facto é que as reprogramações puxam sempre mais pelo material todo. Os turbos aumentam pressão entre muitas outras coisas, ou seja, o material anda sempre mais próximo do limite.
Se calhar, se tiveres um 335d com 286cv de origem e reprogramares para 350cv até nem o esforças muito no dia-a-dia, pois ao andares normalmente já não utilizas os cavalos e o binário da versão original.
Nas mãos de quem não ande sempre a apertar com o carro se calhar pouca diferença faz na fiabilidade.
Mas quanto menos potente for o carro mais vais esforçar os componentes.
Num carro 1.4 reprogramado, pedes o máximo ao motor com uma facilidade impressionante e nem precisas de andar muito depressa. Basta quereres tirar partido da melhor capacidade de recuperação.
Se fores às 2000 rpm e pisares a fundo estás a pedir à embraiagem o esforço máximo por estares na zona de binário máximo (agora aumentado).
Depois vêm os problemas das embraiagens a durar pouco, e muitas vezes as embraiagens de substituição reforçadas.
Uma coisa é certa: Num motor de origem que esteja em condições, podes fazer algarve - porto a fundo que não ficas pelo caminho. Num reprogramado nas mesmas condições as garantias não são as mesmas.
Para quem tenha manómetro da temperatura do óleo (ou ligado a pc em alguns carros) é possível ver a diferença de temperatura do óleo ao fim de uns kms a fundo com o carro normal ou reprogramado, e olha que a diferença é notória.