[Economia] Quem Semeia Vento...

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Portugal importa alhos da China, maçãs de Espanha, França e Itália, laranjas de África, carne do Brasil, Açúcar de Cuba. Importa 75% dos cereais que consome. O país tem óptimas condições para a produção agrícola e tem espécies únicas no mundo mas, só nos últimos 10 anos, meio milhão de hectares de terrenos agrícolas foram desactivados.

Portugal tem agora 2 milhões de hectares de terras entregues ao mato.
Mas consome cada vez mais alimentos, por isso importa cada vez mais. Em 2010 importou quase sete mil milhões de euros em produtos alimentares.

O preço dos alimentos no mercado internacional tem subido a níveis inéditos e preocupantes. As Nações Unidas e o Banco Mundial repetem alertas para a eminência de uma crise alimentar e sublinham a urgência de aumentar a produção.

A Grande Reportagem SIC procura os caminhos que trouxeram o país a este grau de dependência e os caminhos que poderão garantir uma maior auto-suficiência.

De onde vêm os alimentos que consumimos? Que alimentos produzimos? Qual é o poder do consumidor?

Respostas na Grande Reportagem SIC deste domingo, no ‘Jornal da Noite’.
“Quem Semeia Vento” é um trabalho de Miriam Alves, Rodrigo Lobo e Andrés Gutierrez, com grafismo de Eduardo Militão.
http://sicblogue.blogspot.com/2011/05/quem-semeia-vento-domingo-na-sic.html

Alguém viu esta reportagem? Sabiam ou suspeitava do actual estado do país nesta matéria?
 
Última edição:
Alguém viu esta reportagem? Sabiam ou suspeitava do actual estado do país nesta matéria?


Vi.

A reportagem alerta para o caminho suicida que pais esta a seguir. Nos ultimos 10 anos 500.000 hectares foram abandonados, a dependencia alimentar cresce de forma perigosa, se a produção mundial de alimentos cair drasticamente por algum dos eventos provaveis e esperados Portugal vai sofrer severamente.

Os proximos governos deveram dar prioridade maxima a produção nacional, caminhar rapidamente para a autosuficiencia alimentar assenta essencialmente numa agricultura local, caso contrario vamos colher tempestade.
 
Editado pela última vez por um moderador:
Ainda quero acreditar que se Portugal chegar a uma situação de verdadeira emergência, voltará a produzir como antigamente - nem que seja a velha agricultura de quintal para garantir a própria subsistência. [;)]
 
Isso é tudo muito bonito, mas de quem é a "culpa"? Que eu saiba a agricultura é uma actividade aberta à iniciativa privada. Portanto se a agricultura fosse assim tão interessante enquanto negocio com certeza que os privados apostavam mais nela. Ou estão à espera que o Estado dê subsídios à produção? É que se forem necessários subsídios então estaremos a perpetuar a subsidio-dependência o que só introduz ineficiência ao mercado.
 
Isso é tudo muito bonito, mas de quem é a "culpa"? Que eu saiba a agricultura é uma actividade aberta à iniciativa privada. Portanto se a agricultura fosse assim tão interessante enquanto negocio com certeza que os privados apostavam mais nela.
E não o é (atractivo) por causa de um conjunto de regras e exigências dos governos, muitas delas, à revelia até, das exigências da UE. Por exemplo em termos de maquinaria ou do tratamento da terra. Completamente irreal e revelador do desconhecimento dos teóricos de gabinete em Lisboa.

Parte da produção frutícola dos meus pais (uvas, pêras, maçãs) é já vendida a Espanha, onde as regras não são as mesmas de cá e com a vantagem de pagarem na hora.



Ou estão à espera que o Estado dê subsídios à produção? É que se forem necessários subsídios então estaremos a perpetuar a subsidio-dependência o que só introduz ineficiência ao mercado.

Não é isso que se pretende, o que se quer é que, pelo menos, não atrapalhe com leis e regras irreais. Mas se optarem por aplicarem os fundos europeus e incentivos nacionais como fazem em França, Espanha e outros, em vez de devolverem fundos a Bruxelas, também não era mau de todo.
Resposta a verde.
 
É que se forem necessários subsídios então estaremos a perpetuar a subsidio-dependência o que só introduz ineficiência ao mercado.
Se a minha memória não me falha, não há muito tempo atrás existiam subsídios para a cessação de actividades agrícolas, com o objectivo de cumprir as quotas europeias...
 
Que leis surreais são essas que dificultam o investimento na agricultura?
A reportagem fala de algumas. Mas recordo-me, além disso da impossibilidade de adubar as terras com o bagaço da azeitona, o dificultar do trabalho das cooperativas, as exigências para conceder apoios comunitários que só existem aqui e que obrigam a investimentos avultados, a obrigatoriedade de mecanização em culturas de socalcos (e não estou a falar de vinha) que demonstra o desconhecimentos das particularidades regionais, condições de requalificação ambiental surreais, a completa ausência de distinção entre regiões pois algumas são desfavorecidas, a ausência de apoios em situações de secas ou de granizo como é comum noutros parceiros europeus, a obrigatoriedade de se utilizar sementes patenteadas em determinadas culturas, preços dos combustíveis que são quase três vezes mais caros do que em Espanha, as quotas de produção aceites por Portugal, o processo de licenciamento de explorações, o atraso no pagamento dos apoios comunitários, o fim da electricidade verde e muitas outras.
 
Portugal importa alhos da China

Esta fez-me lembrar um pormenor engraçado que o dono da mercearia aqui ao pé de minha casa me contou, os alhos vindos da China saiam-lhe mais baratos que alhos produzidos a meia dúzia de quilómetros daqui.
Cada vez que oiço falar de alhos, lembro-me disso, e cada vez que me lembro acabo a ficar feito parvo a pensar como raio é possível algo assim.
 
Lembro-me que por alturas da adesão de Portugal à CEE aparecia muito na televisão um economista de nome Pedro Arroja (porque terá desaparecido?) que estava sempre a dizer que a adesão à CEE, nos termos em que estava a ser negociada, ia conduzir ao fim da agricultura portuguesa.

E os outros participantes nos debates a dizerem que não seria assim e a darem a entender que ele, que se dizia liberal, estava era a defender as ideias do PC.

Afinal, pelos vistos, tinha razão...
 
Esta fez-me lembrar um pormenor engraçado que o dono da mercearia aqui ao pé de minha casa me contou, os alhos vindos da China saiam-lhe mais baratos que alhos produzidos a meia dúzia de quilómetros daqui.
Cada vez que oiço falar de alhos, lembro-me disso, e cada vez que me lembro acabo a ficar feito parvo a pensar como raio é possível algo assim.


Quase de certeza que os alhos produzidos na China cumprem todas as normas europeias, no que respeita a mão de obra, higiene, adubos e fertilizantes e normas ambientais...:sh)


No seguimento do tópico, bem ou mal a agricultura em toda a União Europeia é subsidiada de alguma maneira.
 
Aviso já. Vou ser grosseiro, mas educado.
Já dei algumas opiniões sobre o tema noutros tópicos, porque já trabalhei na agricultura numa quinta dos meus pais (bons tempos de juventude), mas as pessoas sentadas nos gabinetes de Lisboa não percebem nada do assunto e muito menos muito o "bicho do betão" que a única coisa que sabem da agricultura é o que vêem na televisão e a fruta e legumes no prato. Aqui perto em Espanha lutava-se em Bruxelas para aumentar a produção. Têm a maior zona de estufas da europa, a maior frota pesqueira do mundo e aumentaram várias vezes a sua produção. A indústria de conservas e de pescado, de fruta embalada e enlatada cresceu exponencialmente e as exportações dispararam.

Do lado de cá tivémos políticos a pagar para se abaterem frotas, para se fecharem explorações e se abandonar o cultivo. Em Bruxelas iam espalhar sorrisos e coçar a micose. As verbas atribuídas pela UE foram sempre devolvidas em grande parte por falta de uso quando os agricultores passavam miséria. A trampa dos nossos políticos e das suas políticas transformaram Portugal (um país com a maior zona económica marítima exclusiva da UE e com terras férteis e excelente clima) num país dependente daqilo que vem lá de fora, quase sempre de qualidade bem inferior. Sei de imensos casos inacreditáveis da actuação negligente e criminosa do estado, assim como de muitos agricultores que preferiram ir para Espanha.

Nos países áridos árabes está-se a investir fortunas contra a desertificação e a criação de campos de cultivo. Por cá é isto que se vê. Um país é um todo. Ninguém poderá dizer que não gosta de um olho ou não lhe faz falta e simplesmente retirá-lo. Pode parecer anedótico, mas é simplesmente isso que tem acontecido por cá. Um paísinho pequeno este!
 
Aviso já. Vou ser grosseiro, mas educado.
Já dei algumas opiniões sobre o tema noutros tópicos, porque já trabalhei na agricultura numa quinta dos meus pais (bons tempos de juventude), mas as pessoas sentadas nos gabinetes de Lisboa não percebem nada do assunto e muito menos muito o "bicho do betão" que a única coisa que sabem da agricultura é o que vêem na televisão e a fruta e legumes no prato. Aqui perto em Espanha lutava-se em Bruxelas para aumentar a produção. Têm a maior zona de estufas da europa, a maior frota pesqueira do mundo e aumentaram várias vezes a sua produção. A indústria de conservas e de pescado, de fruta embalada e enlatada cresceu exponencialmente e as exportações dispararam.

Do lado de cá tivémos políticos a pagar para se abaterem frotas, para se fecharem explorações e se abandonar o cultivo. Em Bruxelas iam espalhar sorrisos e coçar a micose. As verbas atribuídas pela UE foram sempre devolvidas em grande parte por falta de uso quando os agricultores passavam miséria. A trampa dos nossos políticos e das suas políticas transformaram Portugal (um país com a maior zona económica marítima exclusiva da UE e com terras férteis e excelente clima) num país dependente daqilo que vem lá de fora, quase sempre de qualidade bem inferior. Sei de imensos casos inacreditáveis da actuação negligente e criminosa do estado, assim como de muitos agricultores que preferiram ir para Espanha.

Nos países áridos árabes está-se a investir fortunas contra a desertificação e a criação de campos de cultivo. Por cá é isto que se vê. Um país é um todo. Ninguém poderá dizer que não gosta de um olho ou não lhe faz falta e simplesmente retirá-lo. Pode parecer anedótico, mas é simplesmente isso que tem acontecido por cá. Um paísinho pequeno este!

Certíssimo!
 
A reportagem fala de algumas. Mas recordo-me, além disso da impossibilidade de adubar as terras com o bagaço da azeitona, o dificultar do trabalho das cooperativas, as exigências para conceder apoios comunitários que só existem aqui e que obrigam a investimentos avultados, a obrigatoriedade de mecanização em culturas de socalcos (e não estou a falar de vinha) que demonstra o desconhecimentos das particularidades regionais, condições de requalificação ambiental surreais, a completa ausência de distinção entre regiões pois algumas são desfavorecidas, a ausência de apoios em situações de secas ou de granizo como é comum noutros parceiros europeus, a obrigatoriedade de se utilizar sementes patenteadas em determinadas culturas, preços dos combustíveis que são quase três vezes mais caros do que em Espanha, as quotas de produção aceites por Portugal, o processo de licenciamento de explorações, o atraso no pagamento dos apoios comunitários, o fim da electricidade verde e muitas outras.

Aviso já. Vou ser grosseiro, mas educado.
Já dei algumas opiniões sobre o tema noutros tópicos, porque já trabalhei na agricultura numa quinta dos meus pais (bons tempos de juventude), mas as pessoas sentadas nos gabinetes de Lisboa não percebem nada do assunto e muito menos muito o "bicho do betão" que a única coisa que sabem da agricultura é o que vêem na televisão e a fruta e legumes no prato. Aqui perto em Espanha lutava-se em Bruxelas para aumentar a produção. Têm a maior zona de estufas da europa, a maior frota pesqueira do mundo e aumentaram várias vezes a sua produção. A indústria de conservas e de pescado, de fruta embalada e enlatada cresceu exponencialmente e as exportações dispararam.

Do lado de cá tivémos políticos a pagar para se abaterem frotas, para se fecharem explorações e se abandonar o cultivo. Em Bruxelas iam espalhar sorrisos e coçar a micose. As verbas atribuídas pela UE foram sempre devolvidas em grande parte por falta de uso quando os agricultores passavam miséria. A trampa dos nossos políticos e das suas políticas transformaram Portugal (um país com a maior zona económica marítima exclusiva da UE e com terras férteis e excelente clima) num país dependente daqilo que vem lá de fora, quase sempre de qualidade bem inferior. Sei de imensos casos inacreditáveis da actuação negligente e criminosa do estado, assim como de muitos agricultores que preferiram ir para Espanha.

Nos países áridos árabes está-se a investir fortunas contra a desertificação e a criação de campos de cultivo. Por cá é isto que se vê. Um país é um todo. Ninguém poderá dizer que não gosta de um olho ou não lhe faz falta e simplesmente retirá-lo. Pode parecer anedótico, mas é simplesmente isso que tem acontecido por cá. Um paísinho pequeno este!

Ora nem mais, são esses pequenos pormenores (ou melhor, "pormaiores") que fazem a diferença, mas que passa muito ao lado da maioria e do qual não se fala.
 
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