Diamondplus
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Grande artigo, Vintage de 2007 provados em 2009:
(o último parágrafo é pertinente, não sei se não se aplica também aos vinhos normais, que é existir uma idade intermédia em que não vale a pena os abrir, estão ali na "terra de ninguém")
Vinho - Prova de Porto Vintage 2007
(o último parágrafo é pertinente, não sei se não se aplica também aos vinhos normais, que é existir uma idade intermédia em que não vale a pena os abrir, estão ali na "terra de ninguém")
Vinho - Prova de Porto Vintage 2007
Com que antecedência deve ser aberta uma garrafa de Vintage, a mais alta categoria de vinho do Porto, feito com uvas de uma só colheita de qualidade excepcional e que envelhece na garrafa após passar dois ou três anos em madeira?
Não há teorias exactas que respondam a esta pergunta, sobretudo tratando-se de vintages novos; e, para demonstrar que há até algumas ideias erradas sobre o assunto, Dirk Niepoort, um dos elementos do grupo Douro Boys, resolveu realizar, no passado dia 3, na cave de barricas da sua nova adega, na Quinta de Nápoles, uma prova original, colocando em apreciação 15 vintages de 2007 com diferentes tempos de decantação e de abertura. Os resultados foram surpreendentes. É sabido que o vinho precisa de oxigénio e o vinho do Porto ainda mais. Também se sabe que os vintages, novos ou velhos, devem ser retirados da garrafeira e colocados de pé um ou dois dias antes, para que o depósito do vinho sedimente no fundo da garrafa. As dúvidas colocam-se quanto aos tempos de decantação. Parece ser mais ou menos consensual que os vintages velhos, por estarem já mais oxidados e evoluídos, devem ser decantados pouco tempo antes de serem servidos. No caso dos vintages novos, é normal decantá-los duas ou três horas antes.
Este era o conhecimento comum à partida. Os provadores sabiam a identidade do vinho, mas desconheciam a altura de abertura e o tempo de decantação das três amostras de cada vinho. Só quem organizou a prova sabia que a amostra A equivalia a dois dias de decantação, a B a um dia de decantação e a C a um vinho que tinha sido aberto duas horas antes e sem decantação. A ordem de prova era definida por cada provador. No final, percebeu-se que, afinal, talvez andemos a beber os vintages novos com pouco tempo de decantação. Alguns vinhos, para surpresa geral, mostraram-se melhores com um e dois dias de decantação.
Na opinião de Dirk Niepoort, os resultados confirmaram que há "diferenças abismais" nos vinhos consoantes os tempos de decantação. E validaram a ideia de que os vintages novos "precisam de ar para se exprimir, para mostrarem mais cor, mais estrutura, mais corpo". Não para ficarem macios, mais redondos e mais fáceis de beber, como seria de supor
Dirk nunca tinha feito esta experiência e chegou a questionar-se se fazia sentido fazer uma prova destas. Mas quando provou às cegas as três amostras do primeiro vinho, o Warre`s Vintage 2007, percebeu que tinha acertado "na mouche". "Gostei mais da amostra A, a que correspondia a dois dias de decantação", conta. Para a FUGAS- e quem diz a verdade merece perdão -, a amostra A do mesmo vinho era de uma garrafa aberta duas horas antes, pois o vinho, escrevêramos na nota de prova sem sabermos nada sobre ele, "tinha uma fruta muito intensa, era vigoroso, com um final longo e taninos que lhe auguravam muitos anos de vida". Ou seja, era um grande vinho e estávamos, pois, de acordo com Dirk. Só não imaginávamos que o vinho tinha ficado assim, tão bom, depois de passar dois dias a apanhar ar.
Não imaginávamos nós e não imaginava a maioria dos provadores, que, em geral, errou nos tempos de decantação. O curioso é que, em regra e sem o saber, a maioria gostou mais dos vinhos com um e dois dias de decantação. Os vintages da Fonseca, Croft, Noval, Graham`s , Taylor`s e Dow`s, por exemplo, mostraram-se claramente melhores com mais tempo de decantação.
Os resultados variam de vinho para vinho, pelo que não é possível determinar o tempo de decantação ideal, embora tenham dado indicações que é aconselhável abrir o vinho e decantá-lo com pelo menos um dia de antecedência. A ideia principal da prova era mostrar que, na maioria dos casos, os provadores de vintages novos não o fazem nas devidas condições. "Não é possível fazer uma prova em duas horas e tomar uma decisão definitiva sobre um vintage. É necessário prová-lo várias vezes, com tempos de decantação diferentes. Só assim se pode compreender devidamente o vinho", advoga.
Esta prova não abriu, no entanto, uma nova perspectiva sobre a idade com que deve ser bebido um Porto Vintage. Em relação a esta velha discussão, Dirk Niepoort continua a defender, como a maioria, que os vintages - "sem dúvida, um dos melhores vinhos do mundo", diz - se devem beber ou muito novos ou com mais de 15/20 anos. Com uma idade intermédia, "ficam uma m...", sentencia.



