...PS quer controlar o BCP

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Não há inocentes

O Diário Económico sai hoje, sábado, com uma Edição Especial.

André Macedo

A importância do momento exige-o. Vítor Constâncio, governador do Banco de Portugal, deu um violento murro na mesa e virou o BCP ao contrário. Reparem bem: Vítor Constâncio deu um murro na mesa. Os banqueiros centrais são figuras pardas, tranquilas, discretas. Não dão murros, enviam recados às três tabelas, produzem sinais de fumo. São guardiões do sistema, não são revolucionários. Desta vez, no entanto, o sereno e pacato governador deu um pontapé no habitual conformismo. Perante a extrema proporção do incêndio, Constâncio convocou os principais accionistas do BCP para lhes repetir o que já dissera na véspera a Filipe Pinhal: que a actual administração do maior banco privado nacional está enterrada até ao pescoço perante a gravidade das suspeitas. E que Pinhal só tem uma saída: deixar o barco, não se candidatar a mais mandatos e esperar pelas conclusões das quatro investigações em curso. Isso mesmo, já são quatro as investigações: Banco de Portugal, CMVM, SEC (Security Exchange Comission) e DIAP. Como se vê, o caso já derramou para a esfera criminal e para os Estados Unidos. Por aqueles lados, é bom lembrá-lo, estes problemas são levados com seriedade. E mão dura.

Vamos por partes.

Chegou ao fim um capítulo importante no martírio de Filipe Pinhal e de Jardim Gonçalves. Uma parte deste capítulo poderia ter sido evitada se não fosse a intransigência cega desta dupla em manter-se agarrada ao poder. As razões para esta inflexibilidade estão à vista: parece que tinham alguma coisa a esconder – por isso não saíam. Veremos se é mesmo assim. Para já, só há suspeitas, embora fortíssimas, daí ser estranho que o Banco de Portugal, sem o assumir, tenha decidido derrubar a mesa neste preciso momento. Como se sabe, ainda não estão formalmente concluídas as investigações. Esta súbita pressa de Constâncio pode ser confundida com má consciência. As suspeitas que existem hoje já circulavam há semanas, com nomes, números e factos. É evidente que Pinhal não tinha condições éticas para ser o próximo líder do BCP. Todos o sabiam. Se foi isto que Constâncio quis travar agora, deveria tê-lo feito logo no momento da candidatura, evitando este penoso arrastar e este frenesim tardio.

Acontece que o comportamento do Banco de Portugal e da CMVM – os supervisores do mercado –, tem funcionado ao retardador. Primeiro, revelaram-se incapazes de apanhar e investigar as operações suspeitas quando elas ocorreram. Depois, assobiaram para o lado. A seguir, tiveram que esperar pelas indicações de Joe Berardo para seguir uma pista que já era gritante para todos. Ou seja, perante esta falta de energia e esta dolorosa complacência, a confiança que o país pode ter nos reguladores fica seriamente danificada. Falhar uma vez acontece. Falhar consecutivamente é incompreensível e tem um preço. Ou melhor: deveria ter um preço.

Um último ponto, talvez o mais importante: o que está a acontecer no BCP não é apenas a substituição inflamada da administração de um banco. É muito mais do que isso. Se Carlos Santos Ferreira se tornar, de facto, o próximo presidente do BCP (o que é possível, mas não certo) assistiremos à mudança do centro de gravidade do poder nacional. Dito de outra maneira: teremos outro BCP, um BCP com outra tonalidade, outras ligações, novos compromissos, talvez um BCP dos accionistas e não apenas dos administradores. Ou seja, será uma ruptura definitiva com o banco fundado por Jardim Gonçalves há 20 anos. É uma mudança impressionante. Uma revolução absoluta. Só assim se compreende a mobilização institucional dos últimos dias: da Presidência da República ao Governo, passando pela Procuradoria-Geral da República, todos deram um passo em frente. O assunto é grave. E não ficará por aqui. Ou não deveria ficar por aqui.

In DE
 
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Fernando Sobral

Darth Vader andou pelo BCP

fsobral@mediafin.pt

Durante anos o BCP foi o quartel dos mais afamados guerreiros Jedi do sector financeiro português. Mas na sede do exemplo do novo Portugal, empreendedor, renovador, modernista, foi-se tecendo uma nova aliança: a do seu arquitecto maior (Jorge Jardim Gonçalves, quase o senador Palpatine do BCP), com os guerreiros Sith.

Durante anos o BCP foi o quartel dos mais afamados guerreiros Jedi do sector financeiro português. Mas na sede do exemplo do novo Portugal, empreendedor, renovador, modernista, foi-se tecendo uma nova aliança: a do seu arquitecto maior (Jorge Jardim Gonçalves, quase o senador Palpatine do BCP), com os guerreiros Sith.
O objectivo, simpático, no irresistível apelo do sucesso sem limites, era tornar a república (onde os accionistas eram mais importantes do que os executivos) num império onde os eleitores se subordinavam às ordens de alguém mais apto. Tudo correu bem até à sucessão. Quando o pretenso Darth Vader (Paulo Teixeira Pinto) se rebelou contra os Sith, foi imolado. Mas isso fez com que os Jedi restantes (à frente dos quais Joe Berardo) se revoltassem. A Berardo a democracia deve o regresso da capacidade de inquirir e não se calar. A "pax jardiniana" tornou-se então um dilema para a sociedade portuguesa. Especialmente quando as denúncias sobre irregularidades ultrapassaram a barragem do núcleo de decisores do BCP.
Mas é aí que os mistérios se tornam um enigma maior. Durante anos o núcleo decisor do BCP reforços as teias do poder eterno, perante a displicência do Banco de Portugal (como se percebe agora - a despropósito: porque é que o célebre inquérito, feito há dois anos, foi arquivado?) e a distracção da CMVM. Mas, neste momento, há questões mais inquietantes. Sempre existiu (e não é desde o 25 de Abril, é desde o tempo da monarquia, e dos célebres monopólios do tabaco) um acordo de cavalheiros e de interesses entre o Estado português e alguns dos empresários nacionais. Isso criou uma situação de dependência cruel para a sociedade civil portuguesa. Sem uma classe empresarial livre da tutela político-partidária do Estado, este país continuará a cantar um fado miserabilista.
A crise do BCP poderia ser o grito do Ipiranga da comunidade empresarial nacional face ao Estado. Mas teme-se que tal não venha a acontecer. O apetite partidário, feito à custa da "ajuda" do Estado ao maior grupo financeiro privado nacional, mostra como os partidos do "centro" político e de interesses olham para a sociedade civil portuguesa: como moços de recados. Nem se fale da tentativa de colocar Armando Vara no BCP, ou na desastrada resposta de Luís Filipe Menezes de pedir a CGD para o PSD. Quando os empresários portugueses se auto-silenciam face a este desaforo (e isto não tem nada a ver com as boas relações que podem e devem ter com o Estado, como ente público mas não partidário), sente-se que Portugal pode perder o seu gosto pela liberdade de cada um decidir.
No seu livro mais estimulante, "Victory" (em que, nem por acaso, parte da intriga se passa numa Timor recheada de portugueses), Joseph Conrad escreveu: "The world of finance is a mysterious world in which, incredible as the fact may appear, evaporation precedes liquidation. First the capital evaporates, and than the company goes into liquidation". Não é esse o perigo do BCP: ele não será liquidado financeiramente. O problema é se ele não está a ser liquidado moralmente por presumíveis culpados e pretensos salvadores. E sobre isto, lembremo-nos, o que pensam os milhares de anónimos depositantes do BCP, a parte mais esquecida de todo este enigma?



in Jnegócios
 
Na minha opinião, a eleição do novo conselho administrativo do BCP passou a ser uma enorme jogada de interesses politicos e economicos.

Mas voltando atras, assistimos a uma triste figura do BdP e do seu presidente Vitor Constancio, que, não resistiu á pressão e contra todas as suas intenções, teve de actuar in extremis para evitar a eleição do actual conselho de administração.
Com isto só posso pensar que as acusações contra os membros desta administração são deveras graves e passiveis de condenações penais.
Assim, Constancio evitou o escandalo de num futuro muito breve a administração do BCP ser levada á barra do tribunal penal, causando assim graves problemas ao banco e ao proprio sistema bancario e financeiro.

Então aqui entra o PM Socrates, que atraves das suas EDP e CGD força a eleição de alguem de sua confiança politica. Os outros grandes accionistas, que são empresas ou personalidades dependentes de negocios com o Estado ficam assim refens das decisões deste.

Socrates fica assim com poder e influencia em mais de 50% de todo o sistema bancario e financeiro do pais.

Tambem já foi falado que, pode haver a hipotese de o BCP ser utilizado como moeda de troca em futuras negociações com Espanha, atravez de uma OPA amigavel de um banco espanhol (La Caixa?), com aprovação garantida da EDP, CGD e outros accionistas refens do Estado, possibilitando assim que Espanha ceda nas negociações em certos pontos de interesse para o Governo como o MIBEL, a compra de bancos espanhois pela CGD e a protecção de empresas como a EDP, REN ou PT contra ofensivas espanholas.
 
O PS quer controlar o BCP?

Já parece a continuação daquela anedota em que diziam que o BPI quereria comprar o BCP. Uma parecida foi quando o Bernardo disse que queria comprar o Benfica…….Novelas.

Acho que não estão bem a ver bem a dimensão do BCP.

Só para fazer uma comparação à pressa. Uma mosca é a dimensão do BPI, a vossa mão é o BCP.


Os partidos políticos, câmaras municipais, etc, etc... é que são controlados pela banca.

A muito que somos todos controlados pela banca.
Tem piada essa analogia da mosca.


Mas falta dizer q a mosca é dona de 10% da mão e q a nível de votos q interessam a mosca manda ainda mais.


De qq modo não percebo pq é q se fala tão mal do Filipe Pinhal.A verdade é q ele só é presidente há pco tempo e embora sempre fosse da confiança do JG averdade é q foi preterido em relação ao Teixeira Pinto em termos q não deixaram dúvidas. Agora pergunto quem foi o presidente do BCP nos últimos anos... e obtém-se a resposta dos obreiros das irregularidades.


Teria mais coisas para explicar mas digo emcorrecção ao q alguns comentadores não sabem é q a inibição dos actuais e anteriores administradores do BCP é temporária e preventiva. Ou seja é uma espécie de prisão preventiva, uma medida preventiva de modo a evitar males piores.
 
O meu comentário a este tópico é:
Não é possível comentar o assunto do tópico, por se tratar do episódio político-económico mais surreal desde o 25 de Abril - a nacionalização de um banco privado - sejam os palermas nomeados pelo PS ou pelo PSD.

Esta classe dirigente (políticos e quadros empresariais) é de um calibre tal que já nem se consegue vislumbrar racionalidade nas decisões que tomam.

Parece-me que chegou a hora da geração rasca tomar conta do pântano e mandar os pré-25 de Abril para os lares que financiaram através da Seg.Social.
E ainda lhes garantimos reformas douradas, para não fazerem mais estragos.

Mãos à obra, por favor.
 
O meu comentário a este tópico é:
Não é possível comentar o assunto do tópico, por se tratar do episódio político-económico mais surreal desde o 25 de Abril - a nacionalização de um banco privado - sejam os palermas nomeados pelo PS ou pelo PSD.

Esta classe dirigente (políticos e quadros empresariais) é de um calibre tal que já nem se consegue vislumbrar racionalidade nas decisões que tomam.

Mãos à obra, por favor.

apr:) apr:) apr:) apr:) apr:) apr:)
 
O meu comentário a este tópico é:
Não é possível comentar o assunto do tópico, por se tratar do episódio político-económico mais surreal desde o 25 de Abril - a nacionalização de um banco privado - sejam os palermas nomeados pelo PS ou pelo PSD.

Esta classe dirigente (políticos e quadros empresariais) é de um calibre tal que já nem se consegue vislumbrar racionalidade nas decisões que tomam.

Parece-me que chegou a hora da geração rasca tomar conta do pântano e mandar os pré-25 de Abril para os lares que financiaram através da Seg.Social.
E ainda lhes garantimos reformas douradas, para não fazerem mais estragos.

Mãos à obra, por favor.



apr:) apr:) apr:)


cumprimentos
 
Mas a culpa também é do BCP que andou a fazer muita falcatrua... O exemplo da empresa privada portuguesa afinal é pior que a câmara municipal mais endividada do país...
 
O problema é que já se conheciam essas falcatruas há uns anos e o que se fez? Nada. Um grande e redondo nada.

E o que se vai fazer para remediar a situação?

Colocar o sector Financeiro em pânico.

Mais. Colocar o homem que até agora era o Presidente do maior banco concorrente à frente do BCP, é uma idéia de génio, digna deste País e dos Governantes que nos tramam a vida.
 
Mas a culpa também é do BCP que andou a fazer muita falcatrua... O exemplo da empresa privada portuguesa afinal é pior que a câmara municipal mais endividada do país...


a culpa é de muita gente.

é da administração, que procurou criar accionistas fracos e endividados para com o banco, para eles não terem poder.

foi o contrasenso de querer ter no banco apenas os amigos e cotar o banco em bolsa

foi o conselho de supervisão ser composto por inúteis que não tÊm onde cair mortos

foi a CMVM e o BP terem andado a fingir que não sabiam durante pelo menos 2 anos. (e tolerarem que o banco nada lhes dissesse)


acho que prefiro que haja uma maioria clara accionista.
de preferência com opa


cumprimentos
 
O problema é que já se conheciam essas falcatruas há uns anos e o que se fez? Nada. Um grande e redondo nada.

E o que se vai fazer para remediar a situação?

Colocar o sector Financeiro em pânico.

Mais. Colocar o homem que até agora era o Presidente do maior banco concorrente à frente do BCP, é uma idéia de génio, digna deste País e dos Governantes que nos tramam a vida.


o governador do BP e o pres. da CMVM também deviam ser reformados compulsivamente.




tenho a secreta esperança que o regulador americano tenha mão pesada.
Sem contemplações


cumprimentos
 
Eu acho engraçado é que muitos ainda dizem que os empresários privados é que são os salvadores do país e que os FPs é que são uns preguiçosos...

Está aqui um exemplo que quer isto esteja na mão de privados ou de uma entidade pública vai dar tudo no mesmo...

Eu espero é que este escândalo não tenha porporções indesejáveis...
 
Eu acho engraçado é que muitos ainda dizem que os empresários privados é que são os salvadores do país e que os FPs é que são uns preguiçosos...

Está aqui um exemplo que quer isto esteja na mão de privados ou de uma entidade pública vai dar tudo no mesmo...
Parece-me que tens uma imensa dificuldade em te concentrares nos assuntos em discussão antes de escreveres uma resposta...
 
A crónica do SR. Pedro Santos Guerreiro , que como é normal, acho excelente: http://www.jornaldenegocios.pt/default.asp?Session=&CpContentId=308213


E já agora, diria que as anteriores administrações forma muito boas no BCP, acontece que a partir de uma determinada altura, aproveitaram-se dos cargos e do conhecimento que tinham do banco para tirar proveitos próprios, e isso espero bem que seja punido.
Mas volto a frisar que acho profissionais de qualidade (algo que a maior parte dos governos não são e que ainda por cima também se aproveitam dos cargos que exercem, e infelizmente parece que vai acontecer ao BCP, num futuro próximo:sh))
 
A crónica do SR. Pedro Santos Guerreiro , que como é normal, acho excelente: http://www.jornaldenegocios.pt/default.asp?Session=&CpContentId=308213


E já agora, diria que as anteriores administrações forma muito boas no BCP, acontece que a partir de uma determinada altura, aproveitaram-se dos cargos e do conhecimento que tinham do banco para tirar proveitos próprios, e isso espero bem que seja punido.
Mas volto a frisar que acho profissionais de qualidade (algo que a maior parte dos governos não são e que ainda por cima também se aproveitam dos cargos que exercem, e infelizmente parece que vai acontecer ao BCP, num futuro próximo:sh))

Volto a dizer... Espero que isto não tome dimensões catastróficas...

Porque aqui na Tuga isto fica a desenrolar... Só daqui a 10 anos é que o MP começa a agir e só depois de mais 5 há um julgamento... E até lá estão todos nas caraíbas...
 
o governador do BP e o pres. da CMVM também deviam ser reformados compulsivamente.




tenho a secreta esperança que o regulador americano tenha mão pesada.
Sem contemplações


cumprimentos

Não esquecer o actual Ministro das Finanças, que afinal era o Presidente da CMVM na altura dos acontecimentos e nunca mexeu um dedo para investigar a situação.
Este caso veio tambem demonstrar a incompetencia e a inoperancia de Vitor Constancio, que como suprevisor das instituições bancarias e financeiras nunca se deu ao trabalho de desempenhar a sua função, excepto nas situações em que estava ao serviço do partido a apurar previsões de defice á centesima. [8b]
Este senhor perdeu toda a credibilidade e devia ser exonerado do cargo o mais rapidamente possivel, pois o Bdp neste momento sofre da mesma falta de credibilidade que o BCP.

Quanto á nova adminsitração do BCP, uma palavra para Armando Vara, que devia ser galadoardo como o melhor gestor da Europa, pois em apenas 3 anos passar de um simples caixa bancario para vice-presidente do maior banco privado nacional, é obra.
Este homem é digno de receber o Nobel do melhor lambe-botas da actualidade.
 
Não esquecer o actual Ministro das Finanças, que afinal era o Presidente da CMVM na altura dos acontecimentos e nunca mexeu um dedo para investigar a situação.
Este caso veio tambem demonstrar a incompetencia e a inoperancia de Vitor Constancio, que como suprevisor das instituições bancarias e financeiras nunca se deu ao trabalho de desempenhar a sua função, excepto nas situações em que estava ao serviço do partido a apurar previsões de defice á centesima. [8b]
Este senhor perdeu toda a credibilidade e devia ser exonerado do cargo o mais rapidamente possivel, pois o Bdp neste momento sofre da mesma falta de credibilidade que o BCP.

Quanto á nova adminsitração do BCP, uma palavra para Armando Vara, que devia ser galadoardo como o melhor gestor da Europa, pois em apenas 3 anos passar de um simples caixa bancario para vice-presidente do maior banco privado nacional, é obra.
Este homem é digno de receber o Nobel do melhor lambe-botas da actualidade.

É obra de conhecimentos privilegiados nas cúpulas do poder, na estratosfera política e económica e nada mais...

A titulo de curiosidade Vítor Constâncio participou na reunião dos Bilderberg em 1988 e foi renomeado governador do Banco de Portugal em 2000.


A geração Constâncio – Em 21 de Fevereiro de 1988, Vítor Constâncio reforça a sua posição no PS, vencendo uma lista dita de históricos, liderada por Maldonado Gonelha e com apoio de maçons ilustres e discretos. De certa maneira, o velho PS, ainda marcado pelo espírito dos pais-fundadores, passa a assumir um projecto inter-geracional, que tem o sonho de se constituir como pólo aglutinador de toda a esquerda democrática portuguesa. A geração do dr. Constâncio e do engenheiro Guterres não tem quase nada a ver com a oligarquia maçónico-jacobina que costuma comemorar o 5 de Outubro e o 31 de Janeiro nos cemitérios habituais, segundo a velha liturgia da épica republicana. Os novos gestores do PS não são também dominados pelos tradicionais advogados do reviralho que iam aos congressos republicanos de Aveiro e eram os nomes crónicos nas listas de oposição ao regime salazarista. Têm também pouco do romantismo antifascista dos poetas da resistência e quase nada da pureza ideológica dos antigos marxistas-leninistas convertidos ao socialismo democrático, pela via do anti-estalinismo. É uma geração filha do catolicismo universitário dos anos sessenta, que continua a ir à missa e não tem o complexo laicista dos antigos seminaristas que depois aderiram ao Grande Oriente. Na sua grande maioria não foram presos pela PIDE, não conheceram os desterros de África nem comeram o pão amargo dos exílios. Nasceram para a política no crepúsculo do antigo regime, podiam ter sido democratas-cristão de esquerda, mas despertaram intelectualmente para o socialismo quando era moda ser anti-capitalista, dialogar com o marxismo e assumir as luzes do progresso. Entretanto, quando acabaram os cursos, vestiram o disfarce dos tecnocratas e até conseguiram emprego no Estado, na banca e nas assessorias dos grandes grupos económicos de então. Alguns desempenharam lugares nos gabinetes dos secretários de Estado tecnocratas de Marcello Caetano, outros dialogaram com os deputados que, então, eram ditos liberais, principalmente através da SEDES. Muitos foram militantes dos grupos organizados pelo espírito da engenheira Pintasilgo.

"http://maltez.info/cosmopolis/anode1988/total.htm"
 
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