LIMPAR PORTUGAL
Eiras e Olivais “campeãs” das lixeiras
Voluntários do “Limpar Portugal” eliminaram cerca de centena e meia de lixeiras num só dia no concelho de Coimbra. Importa não voltar a sujar Luvas, galochas, impermeável e disposição para trabalhar debaixo de chuva. Ontem, foi o “Dia L”, Portugal aderiu e viu-se livre de lixeiras que durante anos foram acumulando toneladas e toneladas de materiais deixados ao abandono, umas vezes aos olhos de todos, outras, em locais mais escondidos.
É o caso de uma lixeira nos Fornos, mesmo à beira do IC2, no sentido sul/norte. Pedro Lopes, 24 anos, morador em Torre de Vilela, passa naquele local, praticamente, todos os dias e nunca se tinha apercebido do depósito de lixo, escondido pela vegetação, há vários anos. Ao longo da manhã, e com a lama a aumentar a cada minuto que passava, foi um dos voluntários que ajudou a recolher pneus, jerricans de plástico, garrafões, numa acção em que os presidentes das juntas de Torre de Vilela (Ricardo Rodrigues) e de Trouxemil (Artur Ferreira) e o vereador Paulo Leitão também meterem mãos à obra e, literalmente, na lama.
Aliás, os cerca de mil voluntários que recolheram lixo nas freguesias de Coimbra, para conseguirem deixar o concelho com uma nova cara tiveram de se sujar e bem. A chuva não facilitou o trabalho e nalguns casos impossibilitou mesmo a concretização, como aconteceu na Ribeira de Frades, onde o terreno enlameado não permitiu a limpeza e nem as máquinas escavadoras ou os tractores - eram centenas a circular por todo o concelho - conseguiram lá chegar.
Os voluntários começaram a trabalhar bem cedo e, a meio da manhã, quem passasse pelas estradas percebia a quantidade de sacos do lixo cheios, à espera da passagem dos camiões, que faziam o transporte para o Ecocentro, instalado junto ao parque da Ecovia, nas traseiras da estação de Coimbra-B.
Do Choupal até à Lapa, o trabalho esteve, essencialmente, entregue aos mais novos, que contaram com a preciosa ajuda de pais e professores. À entrada da mata, um grupo de alunas da Escola Secundária Infanta D. Maria distribuía luvas e sacos do lixo aos voluntários que iam aparecendo. Uma delas foi a pequena Íris, de 10 anos, e aluna da Martim de Freitas. Com ela veio a mãe Maria do Carmo e acompanhá-las na missão a professora Maria José Santos.
Ao final da manhã, não escondiam um bocadinho de cansaço, mas a sensação de dever cumprido falou mais alto. Unanimemente, aplaudiram a iniciativa, lamentando a falta de civismo de algumas pessoas, que não têm pudores em deixar lixo onde quer que seja. «Encontrámos muitos plásticos e tampões de jantes de automóveis», adiantou Maria do Carmo.
Neste caso concreto, até se pode considerar que algum material recolhido na estrada de acesso do Centro Hípico até nem resulta de acção voluntária, mas do mau estado da via, há muito conhecido, mas agravado devido ao mau tempo. Ontem, mesmo a mãe de um jovem praticante de equitação dava conta da dificuldade em chegar ao Centro Hípico, onde decorreram provas oficiais, numa estrada que «está intransitável» e a aguardar uma intervenção do Instituto da Água.
Alterar comportamentos
No Centro de Recolha, o entra e sai de camiões, carrinhas e tractores prolongou-se ao longo de várias horas. Todos carregados com o mais variado tipo de materiais, desde restos de automóveis a madeiras, electrodomésticos, colchões, vidros, placas de plástico, sofás. Depois, com a ajuda de técnicos camarários, procedeu-se à separação do que foi possível e à posterior colocação em contentores próprios.
À hora de almoço, era impossível à organização fazer uma previsão à quantidade de toneladas de lixo e entulho recolhida nas freguesias de Coimbra. Ema Matos, uma das coordenadoras, dava conta, todavia, do sucesso do projecto, que, para bem do país, deverá ser uma iniciativa única. Caso contrário, continuou, indica que os portugueses limparam e voltaram a sujar. Para que tal não aconteça, Ema Matos defende que é urgente uma «alteração de comportamentos» para que as agressões ao meio ambiente sejam coisa do passado.
O presidente de Torre de Vilela defende mesmo um apertado sistema punitivo, com aplicação de coimas para quem depositar lixo em locais não identificados para o efeito.
Depois da Câmara Municipal de Coimbra ter referenciado cerca de 70 lixeiras, à organização do “Limpar Portugal” foram chegando informações de mais focos de sujidade, chegando-se a um número a rondar as 150 lixeiras no concelho. Santo António dos Olivais e Eiras são as “campeãs” das lixeiras, com a coordenação concelhia a lamentar, por exemplo, o entulho acumulado nas imediações do Palácio de S. Marcos, na freguesia de S. Silvestre.
Diário de Coimbra
Eiras e Olivais “campeãs” das lixeiras
Voluntários do “Limpar Portugal” eliminaram cerca de centena e meia de lixeiras num só dia no concelho de Coimbra. Importa não voltar a sujar Luvas, galochas, impermeável e disposição para trabalhar debaixo de chuva. Ontem, foi o “Dia L”, Portugal aderiu e viu-se livre de lixeiras que durante anos foram acumulando toneladas e toneladas de materiais deixados ao abandono, umas vezes aos olhos de todos, outras, em locais mais escondidos.
É o caso de uma lixeira nos Fornos, mesmo à beira do IC2, no sentido sul/norte. Pedro Lopes, 24 anos, morador em Torre de Vilela, passa naquele local, praticamente, todos os dias e nunca se tinha apercebido do depósito de lixo, escondido pela vegetação, há vários anos. Ao longo da manhã, e com a lama a aumentar a cada minuto que passava, foi um dos voluntários que ajudou a recolher pneus, jerricans de plástico, garrafões, numa acção em que os presidentes das juntas de Torre de Vilela (Ricardo Rodrigues) e de Trouxemil (Artur Ferreira) e o vereador Paulo Leitão também meterem mãos à obra e, literalmente, na lama.
Aliás, os cerca de mil voluntários que recolheram lixo nas freguesias de Coimbra, para conseguirem deixar o concelho com uma nova cara tiveram de se sujar e bem. A chuva não facilitou o trabalho e nalguns casos impossibilitou mesmo a concretização, como aconteceu na Ribeira de Frades, onde o terreno enlameado não permitiu a limpeza e nem as máquinas escavadoras ou os tractores - eram centenas a circular por todo o concelho - conseguiram lá chegar.
Os voluntários começaram a trabalhar bem cedo e, a meio da manhã, quem passasse pelas estradas percebia a quantidade de sacos do lixo cheios, à espera da passagem dos camiões, que faziam o transporte para o Ecocentro, instalado junto ao parque da Ecovia, nas traseiras da estação de Coimbra-B.
Do Choupal até à Lapa, o trabalho esteve, essencialmente, entregue aos mais novos, que contaram com a preciosa ajuda de pais e professores. À entrada da mata, um grupo de alunas da Escola Secundária Infanta D. Maria distribuía luvas e sacos do lixo aos voluntários que iam aparecendo. Uma delas foi a pequena Íris, de 10 anos, e aluna da Martim de Freitas. Com ela veio a mãe Maria do Carmo e acompanhá-las na missão a professora Maria José Santos.
Ao final da manhã, não escondiam um bocadinho de cansaço, mas a sensação de dever cumprido falou mais alto. Unanimemente, aplaudiram a iniciativa, lamentando a falta de civismo de algumas pessoas, que não têm pudores em deixar lixo onde quer que seja. «Encontrámos muitos plásticos e tampões de jantes de automóveis», adiantou Maria do Carmo.
Neste caso concreto, até se pode considerar que algum material recolhido na estrada de acesso do Centro Hípico até nem resulta de acção voluntária, mas do mau estado da via, há muito conhecido, mas agravado devido ao mau tempo. Ontem, mesmo a mãe de um jovem praticante de equitação dava conta da dificuldade em chegar ao Centro Hípico, onde decorreram provas oficiais, numa estrada que «está intransitável» e a aguardar uma intervenção do Instituto da Água.
Alterar comportamentos
No Centro de Recolha, o entra e sai de camiões, carrinhas e tractores prolongou-se ao longo de várias horas. Todos carregados com o mais variado tipo de materiais, desde restos de automóveis a madeiras, electrodomésticos, colchões, vidros, placas de plástico, sofás. Depois, com a ajuda de técnicos camarários, procedeu-se à separação do que foi possível e à posterior colocação em contentores próprios.
À hora de almoço, era impossível à organização fazer uma previsão à quantidade de toneladas de lixo e entulho recolhida nas freguesias de Coimbra. Ema Matos, uma das coordenadoras, dava conta, todavia, do sucesso do projecto, que, para bem do país, deverá ser uma iniciativa única. Caso contrário, continuou, indica que os portugueses limparam e voltaram a sujar. Para que tal não aconteça, Ema Matos defende que é urgente uma «alteração de comportamentos» para que as agressões ao meio ambiente sejam coisa do passado.
O presidente de Torre de Vilela defende mesmo um apertado sistema punitivo, com aplicação de coimas para quem depositar lixo em locais não identificados para o efeito.
Depois da Câmara Municipal de Coimbra ter referenciado cerca de 70 lixeiras, à organização do “Limpar Portugal” foram chegando informações de mais focos de sujidade, chegando-se a um número a rondar as 150 lixeiras no concelho. Santo António dos Olivais e Eiras são as “campeãs” das lixeiras, com a coordenação concelhia a lamentar, por exemplo, o entulho acumulado nas imediações do Palácio de S. Marcos, na freguesia de S. Silvestre.
Diário de Coimbra