A Mentira da Crise (e das medidas "anti-crise")
A Mentira da Crise (e das medidas "anti-crise")
O ataque político dirigido aos trabalhadores em geral e, em particular, aos funcionários públicos, realiza-se no melhor estilo dos apóstatas do marxismo-leninismo. A estratégia é simples: a função pública é uma casta que usufrui de privilégios exorbitantes, o mais imoral dos quais é a repercussão política (lato sensu) das suas greves, afectando não apenas a entidade patronal como também e principalmente a «população em geral».
A propósito do "estatuto privilegiado" dos funcionários públicos, o poder instituído e auto-perpetuador (establishment, no sentido literal da palavra) tenta conseguir o seu propósito de anatematizar e culpabilizar, com finalidades políticas bem precisas, os sector e classe socioprofissionais visados;
1. a apresentação de um elenco de direitos laborais básicos como privilégios, ao invés de os considerar como uma aquisição civilizacional extensível a todo o universo laboral, visa dois objectivos políticos bem claros:
1.1. virar os diferentes sectores socioprofissionais uns contra os outros - dividir para reinar;
1.2. nivelar por baixo os direitos laborais, deslegitimando, por antecipação, acções reivindicativas futuras;
1.3. preparar o sector privado para, a prazo, aceitar como inevitáveis novas reduções dos seus já magros direitos, o que será justificável por via dos incontornáveis ajustamentos impostos pela concorrência do mercado global e pela evocação do que, então, será apresentado como exemplo - a abnegação patriótica do sector público;
2. este matraquear político que procura fazer-nos acreditar na inelutável necessidade de reduzir os direitos laborais dos funcionários públicos como forma de providenciar à «disciplina das finanças públicas» corresponde, na verdade, a uma estratégia política neoliberal nem inédita, nem recente (em alguns países europeus, remonta, pelo menos aos anos oitenta), a qual recebeu um impulso decisivo com o desmoronamento da URSS e com a volatilização do mito comunista.
Ora, este acontecimento ponderoso produziu, para além de um refreamento óbvio do ímpeto reivindicativo dos trabalhadores, um efeito traumático devastador para aqueles que, não tendo querido ou sido capazes de fazer um "aggiornamento" atempado das suas convicções e prática políticas, sofreram um verdadeiro colapso psico-ideológico que os deixou incapazes de participar na elaboração de um novo pensamento crítico; assim, o actual posicionamento político dos apóstatas extemporâneos do comunismo corresponde a uma simples mutação do conteúdo da sua crença - uma transferência do objecto da crença -, permanecendo intangível a formatação cognitiva e práxica do seu espírito, em particular no que respeita aos esquemas de categorização sociopolítica, que permanecem inalteráveis na sua estrutura profunda - à oposição 'pequeno-burguês' / 'povo' substitui-se a oposição 'funcionários públicos' / 'população em geral'.
É verdade que abriu a época da caça aos funcionários públicos. Mas, saibamos identificar, desde já, as suas origens e intenções profundas.
Porque os detentores do poder e do dinheiro, já o fizeram (com pontaria certeira) há muito!
Aliás, investiguem, encontrem as verdadeiras razões pelas quais qualquer deputado abolirá TODOS e QUAISQUER feriados sem quaisquer remorsos, pesos na consciência, questões de ética ou valor:
Recomendo a leitura de alguns textos legislativos e regulamentares que muito bem ilustram o que atrás expus.
Exemplo:
Diário da República, 1.ª série — N.º 60 — 26 de Março de 2009
Resolução da Assembleia da República n.º 21/2009
Aprova o regime de presenças e faltas ao Plenário
7 — A palavra do Deputado faz fé, não carecendo por
isso de comprovativos adicionais.
Quando for invocado o motivo de doença, poderá, porém, ser exigido atestado médico caso a situação se prolongue por mais de uma
semana.
A Mentira da Crise (e das medidas "anti-crise")
O ataque político dirigido aos trabalhadores em geral e, em particular, aos funcionários públicos, realiza-se no melhor estilo dos apóstatas do marxismo-leninismo. A estratégia é simples: a função pública é uma casta que usufrui de privilégios exorbitantes, o mais imoral dos quais é a repercussão política (lato sensu) das suas greves, afectando não apenas a entidade patronal como também e principalmente a «população em geral».
A propósito do "estatuto privilegiado" dos funcionários públicos, o poder instituído e auto-perpetuador (establishment, no sentido literal da palavra) tenta conseguir o seu propósito de anatematizar e culpabilizar, com finalidades políticas bem precisas, os sector e classe socioprofissionais visados;
1. a apresentação de um elenco de direitos laborais básicos como privilégios, ao invés de os considerar como uma aquisição civilizacional extensível a todo o universo laboral, visa dois objectivos políticos bem claros:
1.1. virar os diferentes sectores socioprofissionais uns contra os outros - dividir para reinar;
1.2. nivelar por baixo os direitos laborais, deslegitimando, por antecipação, acções reivindicativas futuras;
1.3. preparar o sector privado para, a prazo, aceitar como inevitáveis novas reduções dos seus já magros direitos, o que será justificável por via dos incontornáveis ajustamentos impostos pela concorrência do mercado global e pela evocação do que, então, será apresentado como exemplo - a abnegação patriótica do sector público;
2. este matraquear político que procura fazer-nos acreditar na inelutável necessidade de reduzir os direitos laborais dos funcionários públicos como forma de providenciar à «disciplina das finanças públicas» corresponde, na verdade, a uma estratégia política neoliberal nem inédita, nem recente (em alguns países europeus, remonta, pelo menos aos anos oitenta), a qual recebeu um impulso decisivo com o desmoronamento da URSS e com a volatilização do mito comunista.
Ora, este acontecimento ponderoso produziu, para além de um refreamento óbvio do ímpeto reivindicativo dos trabalhadores, um efeito traumático devastador para aqueles que, não tendo querido ou sido capazes de fazer um "aggiornamento" atempado das suas convicções e prática políticas, sofreram um verdadeiro colapso psico-ideológico que os deixou incapazes de participar na elaboração de um novo pensamento crítico; assim, o actual posicionamento político dos apóstatas extemporâneos do comunismo corresponde a uma simples mutação do conteúdo da sua crença - uma transferência do objecto da crença -, permanecendo intangível a formatação cognitiva e práxica do seu espírito, em particular no que respeita aos esquemas de categorização sociopolítica, que permanecem inalteráveis na sua estrutura profunda - à oposição 'pequeno-burguês' / 'povo' substitui-se a oposição 'funcionários públicos' / 'população em geral'.
É verdade que abriu a época da caça aos funcionários públicos. Mas, saibamos identificar, desde já, as suas origens e intenções profundas.
Porque os detentores do poder e do dinheiro, já o fizeram (com pontaria certeira) há muito!
Aliás, investiguem, encontrem as verdadeiras razões pelas quais qualquer deputado abolirá TODOS e QUAISQUER feriados sem quaisquer remorsos, pesos na consciência, questões de ética ou valor:
Recomendo a leitura de alguns textos legislativos e regulamentares que muito bem ilustram o que atrás expus.
Exemplo:
Diário da República, 1.ª série — N.º 60 — 26 de Março de 2009
Resolução da Assembleia da República n.º 21/2009
Aprova o regime de presenças e faltas ao Plenário
7 — A palavra do Deputado faz fé, não carecendo por
isso de comprovativos adicionais.
Quando for invocado o motivo de doença, poderá, porém, ser exigido atestado médico caso a situação se prolongue por mais de uma
semana.