Pirâmide subaquatica nos Açores.

Marinha nega pirâmide subaquática nos Açores:

Marinha nega pirâmide subaquática nos Açores - Sociedade - Correio da Manhã

A Marinha portuguesa afirma que a pirâmide submersa descoberta no mar dos Açores é "apenas uma elevação submarina", semelhante a outras detetadas no Banco D. João de Castro.

O Instituto Hidrográfico (IH), órgão integrado na Marinha portuguesa, analisou os dados relativos ao Banco D. João de Castro, onde foi detetada uma pirâmide submersa com cerca de 60 metros de altura, e pôs fim à especulação: é apenas uma “elevação submarina, semelhante a outras detetadas” no mesmo local.
A análise foi pedido pelo Governo Regional dos Açores e a cartografia hidrográfica, que pode ver no vídeo, mostra que na área identificada, ao largo da ilha Terceira, não há qualquer montanha submersa à profundidade que o velejador Diocleciano Silva terá identificado, apenas uma elevação mas a 540 metros de profundidade.
Resultados

Aquilo que o velejador terá ‘descoberto’ é provavelmente o próprio Banco D. João de Castro, cujo topo se situa a 13 metros de profundidade, mas este relevo já foi amplamente estudada.
O IH não confirma assim a estrutura subaquática que tem feito as delícias dos mais crédulos nas últimas duas semanas.
 
Nao acredito nisto, por alma de quem o sonar do gajo ia mostrar formas reCtilineas piramidais duma suposta montanha?
BULL SHIT !!!!!!!!!! Anda aqui historia de ovnis [;)]
 
"Não é possível "confirmar a existência de tal figura geométrica, com a forma e dimensão divulgada, registando-se apenas uma elevação submarina semelhante a outras elevações detetadas no Banco D. João de Castro", afirma um parecer do Instituto Hidrográfico sobre a suposta pirâmide subaquática descoberta nos Açores.

piramide-d159.jpg

DR Imagem da pirâmide no GPS. Se fosse construção humana teria sinais de derrocadas provocadas por sismos ou erosão. Mas parece não ter

A construção piramidal, cujos vértices teriam a mesma orientação norte-sul das pirâmides de Gizé, mediria 60 metros de altura e a base estaria a 100 metros de profundidade. Foi detetada recentemente ao largo da ilha Terceira por um velejador local, Diocleciano Silva, através de um GPS com um programa de cartografia de baixa resolução dos fundos marinhos.

A Secretaria Regional da Educação, Ciência e Cultura, resolveu pedir ajuda à Marinha para desvendar o mistério. O Instituto Hidrográfico (IH) realizou então uma análise aos dados de profundidade existentes relativos à área, obtidos num levantamento hidrográfico realizado em 2009 com equipamentos de alta definição.

No parecer agora tornado público, o Instituto Hidrográfico afirma que "nos modelos batimétricos gerados não é visível qualquer estrutura com a profundidade mínima de 40 metros, registando-se nessa posição profundidades da ordem dos 540 metros". (ver video ).

O Instituto Hidrográfico é o órgão da Marinha responsável pela produção da cartografia hidrográfica do território nacional, tendo como atribuição a execução dos levantamentos batimétricos dos espaços marítimos sob soberania ou jurisdição nacional para a manutenção e atualização das cartas náuticas."Em Marinha desmente pirâmide subaquática nos Açores - Expresso.pt
 
"Os arqueólogos Nuno Ribeiro e Anabela Joaquinito lamentaram hoje não terem sido integrados numa equipa formada pelo Governo Regional dos Açores para estudar alegados achados arqueológicos na ilha Terceira, reclamando terem descoberto um dos sítios.

"Não é correto e não é ético não incluir na equipa os investigadores que descobriram o local", frisou Nuno Ribeiro, ouvido hoje pela Comissão de Assuntos Sociais da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, em Angra do Heroísmo, no âmbito da discussão de uma iniciativa do PPM, que recomenda ao Governo Regional que promova um estudo que permita a datação de achados nas ilhas Terceira e Corvo, por haver cientistas que defendem que são anteriores ao povoamento português do arquipélago.

Nuno Ribeiro e Anabela Joaquinito têm vindo a alertar para a necessidade de se estudarem algumas estruturas nestas ilhas, bem como no Pico e em Santa Maria.

Os arqueólogos apresentaram dois projetos ao Governo Regional para estudarem os locais, mas foram rejeitados, o primeiro por falta de verbas e o segundo, em que pediam apenas prospeções arqueológicas e uma sondagem a um monumento, porque o executivo não viu necessidade de se fazerem os estudos propostos.

Nesse sentido, estranharam que o Governo Regional tenha contratado agora uma equipa de especialistas para estudarem sítios na ilha Terceira, onde dizem ter dezenas de estruturas já inventariadas.

A Direção Regional da Cultura anunciou em setembro que uma equipa de especialistas das universidades dos Açores, Coimbra e Lisboa, ligadas à história, à geologia e à arqueologia vão iniciar, a meados de outubro, um estudo sobre os achados arqueológicos na Terceira, acrescentando que a equipa vai integrar também um representante do Instituto Histórico da Ilha Terceira e técnicos do Campo Arqueológico de Mértola e da Direção Regional de Cultura do Algarve.

Os arqueólogos ouvidos pela comissão alegaram que não podem datar as construções encontradas no Monte Brasil e na Grota do Medo, na ilha Terceira, bem como os vestígios detetados na ilha do Corvo, porque necessitam de realizar escavações, mas disseram que não têm dúvidas de que foram "construídas pelo Homem", ao contrário de pareceres de outros arqueólogos.

Nuno Ribeiro lamentou que os arqueólogos portugueses presumam à partida que as estruturas não possam ser anteriores ao povoamento português, salientando que os achados têm tido um "acolhimento muito bom" entre os especialistas internacionais.

O investigador criticou ainda a falta de acompanhamento arqueológico de obras públicas e privadas, como a União Europeia obriga, que leva a que se percam muitos vestígios.

Anabela Joaquinito salientou que as caraterísticas destes monumentos se assemelham às de outros que existem noutros países e que não há estruturas semelhantes no território português, dando como exemplo um apogeu identificado no Monte Brasil, na ilha Terceira, em que os arqueólogos presumem existir uma intenção astronómica, devido à escavação de quatro pias numa rocha, por onde o sol vai passando."
Em Arqueólogos que alertaram para achados nos Açores afastados da investigação - Açoriano Oriental
 
Mais umas achas para a fogueira:

Manuel Faria DOS MAROIÇOS ÀS CONSTRUÇÕES PIRAMIDAIS


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A equipa da APIA que estudou os maroiços da Madalena não aceitou a versão tradicional que os data "do século XVII ao XIX", e que explica a sua construção pela "necessidade da limpeza dos solos" para fins agrícolas, com base nas seguintes razões (cfr. pg. 11 do Estudo Histórico Arqueológico Sobre as Construções Piramidais Existentes no Concelho da Madalena, Ilha do Pico):
1. "Existência [na Madalena] de várias edificações com mais de 10 metros de altura, seguindo uma mesma direção".
2. "Não existir no espaço português esta opção arquitectónica em mais nenhum outro local; estando o fenómeno localizado apenas nesta parte da ilha [do Pico], entre a área das Sete Cidades, Valverde e a Criação Velha, no Concelho da Madalena".
3. Existência de "paralelos arquitectónicos noutras regiões, por exemplo no mediterrâneo, na ilha da Sicília e no arquipélago das Canárias em Tenerife (Guimar). Este fato obviamente nesta fase não passa de uma curiosidade".
Começo pela terceira "razão". A existência de "paralelos arquitectónicos" noutras regiões, "obviamente, nesta fase, não passa de uma curiosidade". Obviamente, nesta fase, deixo a curiosidade em paz, e passo à segunda razão.
A segunda "razão" é uma falsidade gritante. Bastaria os senhores investigadores terem dado a volta à ilha do Pico para encontrarem maroiços noutras partes; ou terem ido à Terceira ou a São Miguel (esquecendo o território continental).
Finalmente a "razão" número 1., a tal da orientação dos maroiços (julgo que a altura de alguns deles não terá tido especial relevo; nada que não seja compatível com a necessidade, o engenho e a fibra dos picarotos). Será pacífico e é facilmente verificável que a linha da costa, as linhas de água, o relevo, os caminhos de penetração e as predominantes edafoclimáticas foram vetores estruturantes do ordenamento do território, no parcelamento das terras nas ilhas dos Açores. Estando os maroiços da Madalena orientados tendencialmente dentro deste contexto, que outra orientação deveriam ter para não despertarem nos senhores cientistas da APIA, hipóteses extravagantes, fora daqueles saberes tradicionais?
Cada uma das razões, per si, corresponde a nada. Relacionando-as: 0+0+0=0!
Uma coisa é certa: a mera formulação da hipótese dos maroiços virem de povos pré-históricos, ou mesmo dos fenícios ou dos cartagineses, levanta questões que se me apresentam insuperáveis, de tal forma complexas que ficam para outra oportunidade. Até porque,
Já que falo de orientação, vou até ao Monte Brasil. Relembro a análise da primeira planta conhecida do Monte Brasil (Castelo de São Filipe) - AN/TT, Casa de Cadaval -, que já trouxe ao DI a propósito deste mesmo tema, e de que existe uma edição relativamente recente, da responsabilidade do Instituto Histórico da Ilha Terceira e da Câmara de Angra. A planta datará de entre 1592 - início da construção do Castelo de São Filipe - e cerca de 1620 - início da construção do Hospital da Boa Nova; por facilidade, digamos que é do início do século XVII. É um desenho tosco, paupérrimo quando comparado com as restantes plantas das outras fortalezas que integram a coleção, mas particularmente rico na descrição toponímica.
Sob o n.º 10, vêm identificadas umas fontezinhas de pouqua ágoa dosse, na margem noroeste de Monte Brasil. Sobre as atuais captações de água, de idêntica natureza, junto aos fortes de Santo António e de São Diogo (trincheiras do Zimbreiro), nada consta. Podemos, desde logo, concluir, com elevado grau de certeza, que essas captações ainda não existiam. Argumentar-se-á que o desenhador da planta as terá esquecido; ou seja, que relevou as primeiras, esquecendo as segundas, apesar da sua maior grandeza e com muito maior volume de água. Não vou por aí; prefiro manter os pés na terra, com objetividade. Vejamos a cronologia dos factos: os fortes de Santo António e de São Diogo foram construídos por Ciprião de Figueiredo, entre 1581 e 1583, em situação de perigo iminente, ou seja, sob a pressão de um inevitável ataque das tropas de D. Filipe I - pela dissuasão, cumpriram admiravelmente a sua função. Em 1583, deu-se o desembarque das tropas do marquês de Santa Cruz na baía das Mós. Em 1592, começaram as obras de construção do Castelo de São Filipe.
Não conhecemos a época do aproveitamento das escorrências de água identificadas na planta, afeiçoando-se a rocha à captação. Poderá ter sido antes do início das obras do Castelo para fins diversos, nomeadamente, para a limpeza do peixe apanhado nos pesqueiros contíguos; como poderá ter sido já durante a primeira fase da construção do Castelo. (Como me estou a dirigir maioritariamente a terceirenses, é notória e incontornável a importância da água doce no Monte Brasil, por muito pouca que seja. Daí o relevo dado às fontezinhas de pouqua ágoa dosse, às cistérnas de ágoa e ao tanque de ágoa do servisso da fábrica, vulgo e impropriamente denominado "tanque do azeite".)
Passada a situação de emergência em que foram levantamento os fortes de São Diogo e de Santo António, existindo escorrências de água junto a ambos, tal como a noroeste do Monte - as identificadas fontezinhas -, continuando a haver necessidade de água no Monte Brasil, agora em local ainda mais remoto, não será natural, não se imporia aí desenvolver sistemas de captação e armazenamento do precioso líquido, ali mesmo à mão (com condicionamentos de sazonalidade)? A necessidade é óbvia - não precisa de demonstração -; tempo e disponibilidade foram dados por centenas de anos, com centenas de homens em permanência na guarnição do Castelo e a trabalhar nas obras (Cr. Livro do Castelo).
Para que quadrantes geográficos dão os fortes de Santo António e de São Diogo? Que outra orientação poderiam ter as captações de água e abrigos escavados no tufo aí existentes?
Não estou a afastar outras leituras, quiçá mais qualificadas; mas, também, não estou a escrever para gregos!



in: DiarioInsular.com


ELEVAÇÃO OBJETO DE UMA LEITURA INCORRETA


"Pirâmide" é natural


CAPA.jpg
A Marinha não foi ao local, mas o estudo do Instituto Hidrográfico, feito há três anos, é-lhe suficiente para afirmar que não é visível qualquer estrutura com a profundidade mínima de 40 metros, registando-se nessa posição profundidades da ordem dos 540 metros e elevações naturais. Estes dados foram recolhidos através de equipamentos de alta definição.


ALEGA MARINHA


Pirâmide subaquática
é "erro de leitura"


A Marinha portuguesa alega que a alegada pirâmide subaquática identificada por Diocleciano Silva ao largo da Terceira não passa de um "erro de leitura".
Num comunicado divulgado no seu portal da internet, a Marinha revela que o Instituto Hidrográfico (IH) realizou uma análise aos dados existentes relativos àquela área, na sequência de uma solicitação do Governo Regional, e concluiu que "não é possível confirmar a existência de tal figura geométrica, com a forma e dimensão divulgada, registando-se apenas uma elevação submarina, semelhante a outras elevações detetadas no Banco D. João de Castro".
A análise foi feita, de acordo com o comunicado, com base nos dados de profundidade de um levantamento hidrográfico realizado em 2009, feito com meios, que segundo revelou à RTP o comandante da Zona Marítima dos Açores, são os recomendados pela Organização Hidrográfica Internacional e permitem uma "maior precisão". Segundo Pires da Cunha, o facto do equipamento do velejador não ser de grande definição pode justificar uma "leitura incorreta do que lá está".
"Nos modelos batimétricos gerados a partir dos dados existentes no IH, não é visível qualquer estrutura com a profundidade mínima de 40 metros, registando-se nessa posição profundidades da ordem dos 540 metros, estes dados foram recolhidos através de equipamentos de alta definição", salienta o comunicado da Marinha.
Perante este relatório, a direção regional da Cultura decidiu dispensar uma nova investigação ao local.



in: DiarioInsular.com
 
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(...)Manuel Faria
DOS MAROIÇOS ÀS CONSTRUÇÕES PIRAMIDAIS
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A equipa da APIA que estudou os maroiços da Madalena não aceitou a versão tradicional que os data "do século XVII ao XIX", e que explica a sua construção pela "necessidade da limpeza dos solos" para fins agrícolas, com base nas seguintes razões (cfr. pg. 11 do Estudo Histórico Arqueológico Sobre as Construções Piramidais Existentes no Concelho da Madalena, Ilha do Pico):

1. "Existência [na Madalena] de várias edificações com mais de 10 metros de altura, seguindo uma mesma direção".

2. "Não existir no espaço português esta opção arquitectónica em mais nenhum outro local; estando o fenómeno localizado apenas nesta parte da ilha [do Pico], entre a área das Sete Cidades, Valverde e a Criação Velha, no Concelho da Madalena".

3. Existência de "paralelos arquitectónicos noutras regiões, por exemplo no mediterrâneo, na ilha da Sicília e no arquipélago das Canárias em Tenerife (Guimar). Este fato obviamente nesta fase não passa de uma curiosidade".
Começo pela terceira "razão". A existência de "paralelos arquitectónicos" noutras regiões, "obviamente, nesta fase, não passa de uma curiosidade". Obviamente, nesta fase, deixo a curiosidade em paz, e passo à segunda razão.

A segunda "razão" é uma falsidade gritante. Bastaria os senhores investigadores terem dado a volta à ilha do Pico para encontrarem maroiços noutras partes; ou terem ido à Terceira ou a São Miguel (esquecendo o território continental).

Finalmente a "razão" número 1., a tal da orientação dos maroiços (julgo que a altura de alguns deles não terá tido especial relevo; nada que não seja compatível com a necessidade, o engenho e a fibra dos picarotos). Será pacífico e é facilmente verificável que a linha da costa, as linhas de água, o relevo, os caminhos de penetração e as predominantes edafoclimáticas foram vetores estruturantes do ordenamento do território, no parcelamento das terras nas ilhas dos Açores. Estando os maroiços da Madalena orientados tendencialmente dentro deste contexto, que outra orientação deveriam ter para não despertarem nos senhores cientistas da APIA, hipóteses extravagantes, fora daqueles saberes tradicionais?

Cada uma das razões, per si, corresponde a nada. Relacionando-as: 0+0+0=0!

Uma coisa é certa: a mera formulação da hipótese dos maroiços virem de povos pré-históricos, ou mesmo dos fenícios ou dos cartagineses, levanta questões que se me apresentam insuperáveis, de tal forma complexas que ficam para outra oportunidade. Até porque,

Já que falo de orientação, vou até ao Monte Brasil. Relembro a análise da primeira planta conhecida do Monte Brasil (Castelo de São Filipe) - AN/TT, Casa de Cadaval -, que já trouxe ao DI a propósito deste mesmo tema, e de que existe uma edição relativamente recente, da responsabilidade do Instituto Histórico da Ilha Terceira e da Câmara de Angra. A planta datará de entre 1592 - início da construção do Castelo de São Filipe - e cerca de 1620 - início da construção do Hospital da Boa Nova; por facilidade, digamos que é do início do século XVII. É um desenho tosco, paupérrimo quando comparado com as restantes plantas das outras fortalezas que integram a coleção, mas particularmente rico na descrição toponímica.

Sob o n.º 10, vêm identificadas umas fontezinhas de pouqua ágoa dosse, na margem noroeste de Monte Brasil. Sobre as atuais captações de água, de idêntica natureza, junto aos fortes de Santo António e de São Diogo (trincheiras do Zimbreiro), nada consta. Podemos, desde logo, concluir, com elevado grau de certeza, que essas captações ainda não existiam. Argumentar-se-á que o desenhador da planta as terá esquecido; ou seja, que relevou as primeiras, esquecendo as segundas, apesar da sua maior grandeza e com muito maior volume de água. Não

vou por aí; prefiro manter os pés na terra, com objetividade. Vejamos a cronologia dos factos: os fortes de Santo António e de São Diogo foram construídos por Ciprião de Figueiredo, entre 1581 e 1583, em situação de perigo iminente, ou seja, sob a pressão de um inevitável ataque das tropas de D. Filipe I - pela dissuasão, cumpriram admiravelmente a sua função. Em 1583, deu-se o desembarque das tropas do marquês de Santa Cruz na baía das Mós. Em 1592, começaram as obras de construção do Castelo de São Filipe.

Não conhecemos a época do aproveitamento das escorrências de água identificadas na planta, afeiçoando-se a rocha à captação. Poderá ter sido antes do início das obras do Castelo para fins diversos, nomeadamente, para a limpeza do peixe apanhado nos pesqueiros contíguos; como poderá ter sido já durante a primeira fase da construção do Castelo. (Como me estou a dirigir maioritariamente a terceirenses, é notória e incontornável a importância da água doce no Monte Brasil, por muito pouca que seja. Daí o relevo dado às fontezinhas de pouqua ágoa dosse, às cistérnas de ágoa e ao tanque de ágoa do servisso da fábrica, vulgo e impropriamente denominado "tanque do azeite".)

Passada a situação de emergência em que foram levantamento os fortes de São Diogo e de Santo António, existindo escorrências de água junto a ambos, tal como a noroeste do Monte - as identificadas fontezinhas -, continuando a haver necessidade de água no Monte Brasil, agora em local ainda mais remoto, não será natural, não se imporia aí desenvolver sistemas de captação e armazenamento do precioso líquido, ali mesmo à mão (com condicionamentos de sazonalidade)? A necessidade é óbvia - não precisa de demonstração -; tempo e disponibilidade foram dados por centenas de anos, com centenas de homens em permanência na guarnição do Castelo e a trabalhar nas obras (Cr. Livro do Castelo).

Para que quadrantes geográficos dão os fortes de Santo António e de São Diogo? Que outra orientação poderiam ter as captações de água e abrigos escavados no tufo aí existentes?

Não estou a afastar outras leituras, quiçá mais qualificadas; mas, também, não estou a escrever para gregos!(...)
[:D] (Risos) [;)]
 
"Maroiços, aborígenes, a LUSA e o Expresso

Warren Burkett, um dos grandes teorizadores sobre a relação entre a ciência e o jornalismo, costumava contar uma anedota.
Um velho professor de Química lecciona uma aula quando, a dada altura, é interrompido pelos gritos eufóricos de um estudante.
Sem se conter, o aspirante a cientista entra na sala e grita, rubro de emoção:
- Eureka! Descobri um novo solvente. É o solvente mais potente do mundo! Consegue dissolver qualquer material. Plástico. Vidro. Barro. Tudo.
Impassível e calejado por “mil” descobertas, o professor responde secamente:
- Queira por favor explicar aos seus colegas em que recipiente vai guardar a sua descoberta.

A ciência tem protocolos bem definidos para produzir respostas que são, por natureza, efémeras e válidas até alguém provar a sua obsolescência. Em 1900, numa reunião da Associação Britânica para o Avanço da Ciência, Lorde Kelvin argumentou, pesaroso, que, em Física, já nada mais haveria a descobrir. Cinco anos mais tarde, um alemão naturalizado suíço, que passava os dias frustrado num gabinete de patentes, apresentou a Teoria da Relatividade e destruiu as balizas que delimitavam a Física. Notem, portanto, que não nego a possibilidade de um achado científico produzir ruptura total com o conhecimento disponível. Simplesmente, ela não sucede com frequência. E, normalmente, os Einsteins da ciência publicam as suas descobertas em revistas científicas, sob supervisão dos pares. O New England Journal of Medicine criou inclusivamente a regra Ingelfinger, através da qual perde interesse em publicar artigos que tenham sido apresentados aos media antes da submissão dos pares.

Consideremos, pois, mau sinal quando um cientista prefere convocar os meios de comunicação para anunciar revelações antes de publicar o seu contributo.

OS PRÉ-PORTUGUESES DOS AÇORES

No dia 24 de Agosto, a agência Lusa emitiu um despacho lamentável. Seguia as regras elementares da atribuição de informação às fontes e era fiel ao comunicado de imprensa que o motivou, mas isso, terão paciência, não chega quando está em causa um anúncio bombástico de uma descoberta científica.


A Associação Portuguesa de Investigação Arqueológica (APIA) foi fundada em 1998. Tem arqueólogos como colaboradores e tem todo o direito a colaborar no debate científico sobre o povoamento dos Açores. Assiste-lhe igualmente o direito de propor as teses radicais que considerar pertinentes e de chamar a imprensa para o debate. Cumpre a sua agenda e segue uma estratégia óbvia de antecipação da aceitação jornalística ao reconhecimento científico, preferencialmente com anúncios sexy, de evidente apelo aos sentidos (o grupo de Friedman chamar-lhes-ia as abordagens Ghee whiz!).

A Lusa, porém, não pode aceitar de ânimo leve que teses apoiadas em quinhentos anos de historiografia sejam contestadas de forma tão leviana e sem contraditório, por um parceiro sem historial conhecido. Que eu tenha conhecimento, a APIA não publicou, em revista científica reconhecida, com revisão de pares, nenhuma das alegações que tem vindo a fazer desde 2010 nos Açores. Publica livros, mas estes não são submetidos ao crivo da academia. Participa em conferências, mas a oportunidade de contraditório destes eventos depende sempre da audiência. Por outras palavras, até prova em contrário, não faz ciência.

Não basta por isso à Lusa seguir o manual do despacho sobre política, citando o comunicado de imprensa do partido X. Se vê noticiabilidade no argumentário da APIA (povoamentos pré-portugueses provados pelos maroiços da ilha do Pico), está obrigada, no mesmo despacho, a incluir pontos de vistas que dele discordem.

Faço questão de ressalvar que a discussão é jornalística, não é arqueológica.

BOLA DE NEVE

É evidente que os constrangimentos jornalísticos apressam o processo de verificação da informação. Em nome do “furo”, ignoram-se fases de validação. Colocam-se na rede informações incompletas, por vezes erradas, com o argumento de que podem sempre ser corrigidas. Sei disso tudo. Também sei que, nos livros de estilo que vamos compondo nas nossas redacções, as personalidades de reconhecida capacidade técnica dispensam as mesmas verificações rigorosas das fontes sem capital simbólico. Não se questiona abertamente José Mattoso se ele apresentar uma nova tese sobre a Idade Média, nem Galopim de Carvalho num texto que redefina a geologia sedimentar. Admite-se, como princípio operacional, que uma carreira cimentada em mérito académico reduz (mas não impede) o risco de publicar disparates. Mas a APIA não é Mattoso, nem Galopim. E a Lusa tem responsabilidade acrescida porque “cria” agenda nos meios de comunicação que dela dependem.

Os últimos dias de Agosto foram assim caricatos. Numa réplica perfeita do efeito-manada, o despacho da Lusa foi repetido mil vezes. Do “Açoriano Oriental” à “Rádio Vaticano” (palavra!), repetiu-se o mesmo texto, acriticamente. No mesmo dia, uma peça inqualificável do “Expresso” seguiu o mesmo tom, sem reserva, do despacho da Lusa. Fala em pirâmides e em praças cerimoniais, estabelece elos com o Mediterrâneo e com o México, com aborígenes do Norte de África e com as Canárias. Tudo na ilha do Pico. Como na anedota, queiram por favor explicar aos seus colegas onde estão guardados os vestígios palpáveis destas civilizações.


Quando chegou finalmente um travão a esta avalancha aborígene lançada sobre o Pico já a torrente era imparável. Três dias depois, o “Público” produziu um artigo equilibrado (disponível por enquanto aqui), noticiando as alegações dos “jovens lobos”, mas ouvindo as refutações peremptórias dos dois especialistas (Élvio Sousa e Ana Margarida Arruda), ambos com trabalho de campo nos Açores, ambos com trabalho publicado sobre a expansão marítima, ambos com reputação nos respectivos campos de saber.

Ontem, chegou por fim, no mesmo jornal, um artigo de opinião de um arqueólogo, questionando abertamente a validade científica das “provas” apresentadas aos media, mas talvez já seja tarde. Está plantada, no subconsciente nacional, a ideia da pré-colonização açoriana. A estratégia resultou.


Creio que está na hora de começarmos a esboçar um 11.º Mandamento, este destinado a jornalistas que relatam ciência: Não anunciarás “descobertas” mirabolantes sem que estas tenham sido validadas pela comunidade de especialistas.
Sob risco de caíres no ridículo à mesma velocidade com que proferes a palavra Eureka!"
Em ecosfera: Maroiços, aborígenes, a LUSA e o Expresso
Compacto da questão do tópico.
 
Com estas histórias todas, cheira que andam para aí uns interessados em transformar os Açores numa coisa do tipo Foz Coa!

:confused:
 
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A construção piramidal (...) Foi detetada recentemente ao largo da ilha Terceira por um velejador local (...) através de um GPS com um programa de cartografia de baixa resolução dos fundos marinhos.

Isso era mais que óbvio, dai a pirâmide [:D]

Quanto aos Açores terem sido habitados antes do séc. XV, acho possível. O facto de os colonos portugueses terem encontrado as ilhas desabitadas não invalida que tenham sido povoadas anteriormente. Sobretudo ilhas com vulcões activos. Não faltam registos de ilhas abandonadas (e algumas posteriormente repovoadas) devido a erupções vulcânicas.

Agora resta esperar que haja uma investigação isenta e aprofundada sobre este assunto.
 
A conclusão dos especialistas da comissão criada para estudar os "achados arqueológicos" dos Açores:

[h=2]Especialistas garantem que achados arqueológicos na Terceira não são anteriores ao povoamento português
[/h] Lusa / AO online / Regional / 19 de Out de 2013, 17:14

A comissão de especialistas, constituída pelo Governo Regional dos Açores para estudar alegados achados arqueológicos na ilha Terceira, considerou que as estruturas identificadas não são anteriores ao povoamento, mas recomendou que sejam classificadas.


"Em termos histórico-arqueológicos, nenhuma das construções observadas nos diferentes locais visitados evidencia uma datação anterior ao povoamento quatrocentista dos Açores", frisou, hoje, numa conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo, o arqueólogo Cláudio Torres, presidente da comissão.
O grupo de 13 especialistas de arqueologia, história e geologia visitou durante uma semana zonas identificadas por outros cientistas como potenciais achados arqueológicos no Monte Brasil e na Grota do Medo, na ilha Terceira, tendo ainda observado as curraletas da Mata da Serreta, as relheiras de São Brás e a costa das Quatro Ribeiras, na mesma ilha.
Cláudio Torres salientou que o trabalho dos especialistas não foi um "estudo exaustivo nem definitivo", admitindo que possam haver "opiniões diferentes", mas reforçou que o relatório apresentado ao Governo foi "unânime" e que não houve dúvidas.
Do ponto de vista geológico, as estruturas da Grota do Medo são explicadas, segundo o presidente da comissão, por um "processo natural primário ou secundário" e, do ponto de vista histórico-arqueológico, "não foram observados quaisquer indícios de pré-existências às construções anteriormente referenciadas".
De acordo com Cláudio Torres, as estruturas encontradas no Monte Brasil tinham funcionalidades de natureza militar, dos séculos XVI e XX, enquanto os da Quinta da Pateira, na Grota do Medo, tinham usos lúdicos, no século XIX, tendo a área envolvente sido também utilizada como local de extração de pedra por métodos tradicionais.
A comissão entendeu que "não é adequada, nem aconselhável, uma abordagem de natureza arqueológica que recorra a métodos de diagnóstico intrusivo para estabelecer datação das ocorrências identificadas".
No entanto, reconheceu a importância patrimonial do sítio identificado na Grota do Medo, recomendando que os objetos sejam "protegidos, designadamente através de uma eventual classificação".
O secretário regional da Educação, Ciência e Cultura, Luiz Fagundes Duarte, anunciou que o Governo Regional "vai abrir o processo de classificação daqueles objetos e daqueles locais, nos termos da lei de bases do património cultural e da legislação regional sobre a matéria".
"Não faz sentido investir dinheiros públicos em eventuais escavações até porque a comissão recomenda que isso não seja feito", frisou, em declarações aos jornalistas, admitindo, no entanto, a possibilidade de abrir um "espaço de investigação científica" para bolseiros de doutoramento, nas áreas da história e da arqueologia.
Os cientistas que identificaram os alegados achados históricos não foram ouvidos pela comissão, segundo Cláudio Torres, porque os especialistas receberam uma "compilação exaustiva de todas as informações técnicas, pareceres, requerimentos e recortes de imprensa" sobre esta matéria.
Para Luiz Fagundes Duarte, "essas pessoas foram ouvidas e serão ouvidas sempre que necessário", nomeadamente no âmbito do processo de classificação da Quinta da Pateira.
O secretário regional acrescentou que as pessoas que identificaram os locais não integraram a comissão porque não eram formados nas três áreas de investigadores escolhidas, história, arqueologia e geologia.
"Isto é uma comissão científica, não é uma comissão de amadores", adiantou, salientando, no entanto, que "a comissão funcionou em total independência, sem qualquer interferência em qualquer sentido do Governo".




Especialistas garantem que achados arqueológicos na Terceira não são anteriores ao povoamento português - Açoriano Oriental
 
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