Mais umas achas para a fogueira:
Manuel Faria
DOS MAROIÇOS ÀS CONSTRUÇÕES PIRAMIDAIS
A equipa da APIA que estudou os maroiços da Madalena não aceitou a versão tradicional que os data "do século XVII ao XIX", e que explica a sua construção pela "necessidade da limpeza dos solos" para fins agrícolas, com base nas seguintes razões (cfr. pg. 11 do Estudo Histórico Arqueológico Sobre as Construções Piramidais Existentes no Concelho da Madalena, Ilha do Pico):
1. "Existência [na Madalena] de várias edificações com mais de 10 metros de altura, seguindo uma mesma direção".
2. "Não existir no espaço português esta opção arquitectónica em mais nenhum outro local; estando o fenómeno localizado apenas nesta parte da ilha [do Pico], entre a área das Sete Cidades, Valverde e a Criação Velha, no Concelho da Madalena".
3. Existência de "paralelos arquitectónicos noutras regiões, por exemplo no mediterrâneo, na ilha da Sicília e no arquipélago das Canárias em Tenerife (Guimar). Este fato obviamente nesta fase não passa de uma curiosidade".
Começo pela terceira "razão". A existência de "paralelos arquitectónicos" noutras regiões, "obviamente, nesta fase, não passa de uma curiosidade". Obviamente, nesta fase, deixo a curiosidade em paz, e passo à segunda razão.
A segunda "razão" é uma falsidade gritante. Bastaria os senhores investigadores terem dado a volta à ilha do Pico para encontrarem maroiços noutras partes; ou terem ido à Terceira ou a São Miguel (esquecendo o território continental).
Finalmente a "razão" número 1., a tal da orientação dos maroiços (julgo que a altura de alguns deles não terá tido especial relevo; nada que não seja compatível com a necessidade, o engenho e a fibra dos picarotos). Será pacífico e é facilmente verificável que a linha da costa, as linhas de água, o relevo, os caminhos de penetração e as predominantes edafoclimáticas foram vetores estruturantes do ordenamento do território, no parcelamento das terras nas ilhas dos Açores. Estando os maroiços da Madalena orientados tendencialmente dentro deste contexto, que outra orientação deveriam ter para não despertarem nos senhores cientistas da APIA, hipóteses extravagantes, fora daqueles saberes tradicionais?
Cada uma das razões, per si, corresponde a nada. Relacionando-as: 0+0+0=0!
Uma coisa é certa: a mera formulação da hipótese dos maroiços virem de povos pré-históricos, ou mesmo dos fenícios ou dos cartagineses, levanta questões que se me apresentam insuperáveis, de tal forma complexas que ficam para outra oportunidade. Até porque,
Já que falo de orientação, vou até ao Monte Brasil. Relembro a análise da primeira planta conhecida do Monte Brasil (Castelo de São Filipe) - AN/TT, Casa de Cadaval -, que já trouxe ao DI a propósito deste mesmo tema, e de que existe uma edição relativamente recente, da responsabilidade do Instituto Histórico da Ilha Terceira e da Câmara de Angra. A planta datará de entre 1592 - início da construção do Castelo de São Filipe - e cerca de 1620 - início da construção do Hospital da Boa Nova; por facilidade, digamos que é do início do século XVII. É um desenho tosco, paupérrimo quando comparado com as restantes plantas das outras fortalezas que integram a coleção, mas particularmente rico na descrição toponímica.
Sob o n.º 10, vêm identificadas umas fontezinhas de pouqua ágoa dosse, na margem noroeste de Monte Brasil. Sobre as atuais captações de água, de idêntica natureza, junto aos fortes de Santo António e de São Diogo (trincheiras do Zimbreiro), nada consta. Podemos, desde logo, concluir, com elevado grau de certeza, que essas captações ainda não existiam. Argumentar-se-á que o desenhador da planta as terá esquecido; ou seja, que relevou as primeiras, esquecendo as segundas, apesar da sua maior grandeza e com muito maior volume de água. Não vou por aí; prefiro manter os pés na terra, com objetividade. Vejamos a cronologia dos factos: os fortes de Santo António e de São Diogo foram construídos por Ciprião de Figueiredo, entre 1581 e 1583, em situação de perigo iminente, ou seja, sob a pressão de um inevitável ataque das tropas de D. Filipe I - pela dissuasão, cumpriram admiravelmente a sua função. Em 1583, deu-se o desembarque das tropas do marquês de Santa Cruz na baía das Mós. Em 1592, começaram as obras de construção do Castelo de São Filipe.
Não conhecemos a época do aproveitamento das escorrências de água identificadas na planta, afeiçoando-se a rocha à captação. Poderá ter sido antes do início das obras do Castelo para fins diversos, nomeadamente, para a limpeza do peixe apanhado nos pesqueiros contíguos; como poderá ter sido já durante a primeira fase da construção do Castelo. (Como me estou a dirigir maioritariamente a terceirenses, é notória e incontornável a importância da água doce no Monte Brasil, por muito pouca que seja. Daí o relevo dado às fontezinhas de pouqua ágoa dosse, às cistérnas de ágoa e ao tanque de ágoa do servisso da fábrica, vulgo e impropriamente denominado "tanque do azeite".)
Passada a situação de emergência em que foram levantamento os fortes de São Diogo e de Santo António, existindo escorrências de água junto a ambos, tal como a noroeste do Monte - as identificadas fontezinhas -, continuando a haver necessidade de água no Monte Brasil, agora em local ainda mais remoto, não será natural, não se imporia aí desenvolver sistemas de captação e armazenamento do precioso líquido, ali mesmo à mão (com condicionamentos de sazonalidade)? A necessidade é óbvia - não precisa de demonstração -; tempo e disponibilidade foram dados por centenas de anos, com centenas de homens em permanência na guarnição do Castelo e a trabalhar nas obras (Cr. Livro do Castelo).
Para que quadrantes geográficos dão os fortes de Santo António e de São Diogo? Que outra orientação poderiam ter as captações de água e abrigos escavados no tufo aí existentes?
Não estou a afastar outras leituras, quiçá mais qualificadas; mas, também, não estou a escrever para gregos!
in: DiarioInsular.com
ELEVAÇÃO OBJETO DE UMA LEITURA INCORRETA
"Pirâmide" é natural
A Marinha não foi ao local, mas o estudo do Instituto Hidrográfico, feito há três anos, é-lhe suficiente para afirmar que não é visível qualquer estrutura com a profundidade mínima de 40 metros, registando-se nessa posição profundidades da ordem dos 540 metros e elevações naturais. Estes dados foram recolhidos através de equipamentos de alta definição.
ALEGA MARINHA
Pirâmide subaquática
é "erro de leitura"
A Marinha portuguesa alega que a alegada pirâmide subaquática identificada por Diocleciano Silva ao largo da Terceira não passa de um "erro de leitura".
Num comunicado divulgado no seu portal da internet, a Marinha revela que o Instituto Hidrográfico (IH) realizou uma análise aos dados existentes relativos àquela área, na sequência de uma solicitação do Governo Regional, e concluiu que "não é possível confirmar a existência de tal figura geométrica, com a forma e dimensão divulgada, registando-se apenas uma elevação submarina, semelhante a outras elevações detetadas no Banco D. João de Castro".
A análise foi feita, de acordo com o comunicado, com base nos dados de profundidade de um levantamento hidrográfico realizado em 2009, feito com meios, que segundo revelou à RTP o comandante da Zona Marítima dos Açores, são os recomendados pela Organização Hidrográfica Internacional e permitem uma "maior precisão". Segundo Pires da Cunha, o facto do equipamento do velejador não ser de grande definição pode justificar uma "leitura incorreta do que lá está".
"Nos modelos batimétricos gerados a partir dos dados existentes no IH, não é visível qualquer estrutura com a profundidade mínima de 40 metros, registando-se nessa posição profundidades da ordem dos 540 metros, estes dados foram recolhidos através de equipamentos de alta definição", salienta o comunicado da Marinha.
Perante este relatório, a direção regional da Cultura decidiu dispensar uma nova investigação ao local.
in: DiarioInsular.com