Homem de 46 anos entrou na GNR e disse ter matado duas vizinhas. Num dos casos, em 2012, tribunal sentenciou com pena de prisão sobrinho da vítima.
Terão sido os remorsos por alegadamente ter assassinado duas mulheres e também os problemas de consciência por um inocente estar preso por um desses homicídios que levaram ontem um desempregado de 46 anos, residente em Felgueiras, a entregar-se às autoridades e a confessar os crimes. A Polícia Judiciária (PJ) vai apresentá-lo hoje a tribunal, mas apenas indiciado por um crime de homicídio, de uma mulher de 39 anos, que ocorreu em abril deste ano, em Felgueiras. A companheira, de 40 anos, também foi detida por participação nos crimes.
Se o crime de Felgueiras não levanta grandes dúvidas à polícia, já não é assim com um homicídio de 2012, na zona de Joane, Famalicão, que poderá colocar em causa uma decisão judicial. O homem disse ontem à GNR, quando se entregou no posto de São Torcato, Guimarães, e depois à PJ que foi o autor da morte de uma mulher de 73 anos. Neste caso, um sobrinho da vítima, estudante universitário de 27 anos, foi detido e condenado a 20 anos de prisão pelo tribunal de Famalicão. O Tribunal da Relação já reduziu a pena para 12 anos mas o arguido sempre manifestou inocência. O jovem, estudante de Criminologia, que mantinha uma má relação com a tia, foi detido pela PJ do Porto, a quem confessou o crime. Mas "quando foi presente ao juiz de instrução negou logo. Disse que foi pressionado a confessar, com a polícia a dizer que a mãe dele, que tinha má relação com a vítima, era a mandante do crime. Disseram que ele e a mãe iam ser presos. Atemorizado, confessou. Nessa confissão, não havia advogado, apenas a PJ, note-se", afirmou ao DN Paulo Gomes, advogado do jovem condenado.
Decidam-se. Queremos uma pena de morte. O ideal era já ter executado aquele que tinha confessado primeiro e, agora, podia-se executar o que confessou em segundo. E se aparecerem mais a confessar cá estamos para os executar.
Os defensores da pena de morte deviam ter, neste e noutros casos, um motivo para reflexão. Se nem numa confissão se pode confiar...