Palavra do ano

Palavra do ano

  • Desemprego

    Votos: 24 26,1%
  • Défice

    Votos: 15 16,3%
  • FMI

    Votos: 12 13,0%
  • Mineiro

    Votos: 0 0,0%
  • Orçamento

    Votos: 8 8,7%
  • PEC

    Votos: 6 6,5%
  • Rede Social

    Votos: 8 8,7%
  • SCUT

    Votos: 11 12,0%
  • Vuvuzela

    Votos: 5 5,4%
  • Tablet

    Votos: 3 3,3%

  • Total de eleitores
    92
Falta a principal: CRISE
Foi do inicio ao fim de 2010, ter que ouvir essa palavra vezes sem conta[8b]
A Vuvuzela só marcou durante o Mundial, depois disso quase já não se ouve falar[:p]
 
Votei Desemprego... porque não há "Crise".

Foi a palavra que mais me lembro de ouvir, felizmente sempre pela TV, e nunca por pessoas próximas, o que é bom (dentro do mau).

SCUT foi mais ouvida a partir de Outubro, e Vuvuzela no meio do ano...
 
Frase do Ano

Frase do Ano

Desemprego - eis a frase que torna real os muitos pesadelos e que assola mentalidades de todas as idades e não escolhe nem distingue artes, ofícios quanto mais distingue posições sociais, saberes, credos e sexos.

No fim e ao cabo continua a haver, hoje, mais desemprego do que vagas para emprego. Esta situação piora a cada passo e em cada empresa que fecha portas ou despede simplesmente por razões de orçamento interno. Culpa de uns e de mais alguns não tem solução à vista.

O que era impensável há alguns anos é agora o pesadelo real de muitas famílias. Uns e outros, em todas as frentes, acotovelam-se para lançar culpas para cima de outros e a cada nova percentagem de vagas de desempregados não há ninguém que descruze os braços quanto mais façam o mínimo para resolver a situação já de si caótica e que assola espíritos humanos em todas as frentes.

Aqui e ali ouvem-se e verificam-se a boca cheia inúmeras vãs promessas, demasiadas vãs esperanças lançadas ao vento que confundem as mentalidades e observam-se demasiadas realidades que se encontram à vista de todos mas que ninguém pretende enfrentar nem sequer podem resolver.

Ninguém está totalmente consciente da situação que o rodeia até que se veja metido nela, e uma vez metido nesse carrossel de jogos políticos e sociais irá descobrir que está num grande poço seco sem fundo e do qual dificilmente sairá nos próximos tempos senão a muito custo e sacrifício.

Hoje é uma realidade e amanhã pode-se tornar um pesadelo a enfrentar. O amanhã torna-se duvidoso e o sol que devia existir nele acaba por ser coberto por uma nuvem de pó escura. Um conto infeliz da história de Portugal que haverá de se manter nos registos da nossa geração e haverá, pois, de chegar às gerações que nos precedem e que se repetirá porque quem não aprende com os erros do passado está, pois, condenado a repeti-los no futuro.
 
eu não li os comentários, mas não acho que seja nenhuma dessas. prefiro a corrente palavra "crise". não que a mim me tenha afectado directamente, mas indirectamente acaba por tropeçar em mim e nos que me são mais próximos.
 
Mas crise não é a palavra do ano... é a palavra de todos os anos!

"A todos os executivos que mantiveram Portugal em crise desde 1143 até hoje, muito obrigado.

Ou estou fortemente enganado (o que sucede, aliás, com uma frequência notável), ou a história de Portugal é decalcada da história de Pedro e o Lobo, com uma pequena alteração: em vez de Pedro e o Lobo, é Pedro e a Crise.

De acordo com os especialistas – e para surpresa de todos os leigos, completamente inconscientes de que tal cenário fosse possível – Portugal está mergulhado numa profunda crise. Ao que parece, 2009 vai ser mesmo complicado.

O problema é que 2008 já foi bastante difícil. E, no final de 2006, o empresário Pedro Ferraz da Costa avisava no Diário de Notícias que 2007 não iria ser fácil. O que, evidentemente, se verificou, e nem era assim tão difícil de prever tendo em conta que, em 2006, analistas já detectavam que o País estava em crise.

Em Setembro de 2005, Marques Mendes, então presidente do PSD, desafiou o primeiro-ministro para ir ao Parlamento debater a crise económica. Nada disto era surpreendente na medida em que, de acordo com o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco de Portugal, entre 2004 e 2005, o nível de endividamento das famílias portuguesas aumentou de 78% para 84,2% do PIB. O grande problema de 2004 era um prolongamento da grave crise de 2003, ano em que a economia portuguesa regrediu 0,8% e a ministra das Finanças não teve outro remédio senão voltar a pedir contenção. Pior que 2003, só talvez 2002, que nos deixou, como herança, o maior défice orçamental da Europa, provavelmente em consequência da crise de 2001, na sequência dos ataques terroristas aos Estados Unidos. No entanto, segundo o professor Abel M. Mateus, a economia portuguesa já se encontrava em crise antes do 11 de Setembro.

A verdade é que, tirando aqueles seis meses da década de 90 em que chegaram uns milhões valentes vindos da União Europeia, eu não me lembro de Portugal não estar em crise. Por isso, acredito que a crise do ano que vem seja violenta. Mas creio que, se uma crise quiser mesmo impressionar os portugueses, vai ter de trabalhar a sério. Um crescimento zero, para nós, é amendoins. Pequenas recessões comem os portugueses ao pequeno-almoço. 2009 só assusta esses maricas da Europa que têm andado a crescer acima dos 7 por cento. Quem nunca foi além dos 2%, não está preocupado.

É tempo de reconhecer o mérito e agradecer a governos atrás de governos que fizeram tudo o que era possível para não habituar mal os portugueses. A todos os executivos que mantiveram Portugal em crise desde 1143 até hoje, muito obrigado. Agora, somos o povo da Europa que está mais bem preparado para fazer face às dificuldades."

Ricardo Araújo Pereira in Visão 11/12/2008
 
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