Os Convencidos da Vida

Excalibur

Banido
Meus amigos, a vida tem coisa engraçadas, uma delas é termos a capacidade de para parar e reorganizar ideias.
Ver o mundo de forma desapaixonada, afastarmos-nos para que a proximidade não nos tolde a visão.

E por vezes o que vemos, é retratado neste excelente texto de Alexandre O'neill que passo a transcrever.


Os Convencidos da Vida


Todos os dias os encontro.



Evito-os.



Às vezes sou obrigado a escutá-los, a dialogar com eles.

Já não me confrangem.

Contam-me vitórias.

Querem vencer, querem, convencidos, convencer.

Vençam lá, à vontade.

Sobretudo, vençam sem me chatear.
Mas também os aturo por escrito.

No livro, no jornal.

Romancistas, poetas, ensaístas, críticos (de cinema, meu Deus, de cinema!).

Será que voltaram os polígrafos? Voltaram, pois, e em força.
Convencidos da vida há-os, afinal, por toda a parte, em todos (e por todos) os meios.

Eles estão convictos da sua excelência, da excelência das suas obras e manobras (as obras justificam as manobras), de que podem ser, se ainda não são, os melhores, os mais em vista.
Praticam, uns com os outros, nada de genuinamente indecente: apenas um espelhismo lisonjeador.

Além de espectadores, o convencido precisa de irmãos-em-convencimento. Isolado, através de quem poderia continuar a convencer-se, a propagar-se?
(...) No corre-que-corre, o convencido da vida não é um vaidoso à toa.

Ele é o vaidoso que quer extrair da sua vaidade, que nunca é gratuita, todo o rendimento possível.



Nos negócios, na política, no jornalismo, nas letras, nas artes.



É tão capaz de aceitar uma condecoração como de rejeitá-la.



Depende do que, na circunstância, ele julgar que lhe será mais útil.



Para quem o sabe observar, para quem tem a pachorra de lhe seguir a trajectória, o convencido da vida farta-se de cometer «gaffes».



Não importa: o caminho é em frente e para cima.

A pior das «gaffes», além daquelas, apenas formais, que decorrem da sua ignorância de certos sinais ou etiquetas de casta, de classe, e que o inculcam como um arrivista, um «parvenu», a pior das «gaffes» é o convencido da vida julgar-se mais hábil manobrador do que qualquer outro.



Daí que não seja tão raro como isso ver um convencido da vida fazer plof e descer, liquidado, para as profundas.

Se tiver raça, pôr-se-á, imediatamente, a «refaire surface».

Cá chegado, ei-lo a retomar, metamorfoseado ou não, o seu propósito de se convencer da vida - da sua, claro - para de novo ser, com toda a plenitude, o convencido da vida que, afinal... sempre foi.


Alexandre O'Neill, in "Uma Coisa em Forma de Assim"
 
já chegou áquela altura na vida em que estamos acima na cabeça, iguais no modo e na forma!

como eu já começo a captar isso........



o mundo tornou-se sim um lagar de objectivos futeis, esmagados por futilidades mais fortes, o ser humano passa uma vida vivo, e só no seu fim é que se apercebe de que a viveu segundo os parametros errados!alguns nem se apercebem disso.......
 
Podes continuar a exceder expectativas, mas a avaliação depende sempre da competência de quem avalia e neste caso resulta nos

Convencidos da Vida​

e geralmente são os frustrados na vida pessoal e profissional
 
Voltar
Superior