Operação Face Oculta

Uma coisa que não é pó para o ar, é o facto de todas as fugas de informação de casos mediáticos vêm da PGR. Seja na Cada Pia, seja agora. Sempre que chega à PGR, aquilo parece um coador.

Não acredito, nem quero acreditar que seja do próprio Procurador. Mas de certeza que está mesmo em baixo do nariz dele.

Eu aponto mais pró MP. Em todos os casos.
 
Uma coisa que não é pó para o ar, é o facto de todas as fugas de informação de casos mediáticos vêm da PGR. Seja na Cada Pia, seja agora. Sempre que chega à PGR, aquilo parece um coador.

Não acredito, nem quero acreditar que seja do próprio Procurador. Mas de certeza que está mesmo em baixo do nariz dele.


Pois... o Lopes da Mota também deveria ser a pessoa mais idónea... viu-se.
 
O segredo de Justiça e o homem


Defender o aumento das penas, no crime de violação do segredo de justiça e escutas a magistrados, como fez Cândida Almeida, para permitir outros meios de investigação, é confessar, sem mais, o crime. Não esperava tanto. Pugnar pelo aumento das penas de prisão para qualquer crime, sem base científica ou técnica, para além de demagógico, é entrar na onda dos frouxos argumentos da política.


O combate ao crime e a eficácia da investigação criminal não se resolvem com o simples aumento das penas de prisão. Associar as escutas a magistrados, como forma de melhor defender o segredo de justiça, é perigoso porque pode, no fundo, querer significar que muitas dessas violações são praticadas por magistrados do Mº Pº. Cândida Almeida lá sabe do que fala. E como fica a imagem do Mº Pº?


Esta posição deixa-me incrédulo e faz--me lembrar Abraham Lincoln quando dizia: "Pode-se enganar todas as pessoas por algum tempo e algumas pessoas durante todo o tempo. Mas não se pode enganar todo o mundo por todo o tempo."


A ineficiência larvar do DCIAP (Departamento Central de Investigação e Acção Penal), na produção de resultados nos processos mediáticos, tem arrastado para o abismo a imagem da justiça portuguesa, que vem sendo queimada em lume brando e corre o risco de deixar de ser um pilar do Estado, porque, quer queiramos quer não, são os casos mais mediáticos que fazem o escrutínio da boa ou má justiça que vamos tendo.

Estes casos têm paralisado os músculos da investigação criminal e têm feito dobrar a espinha aos investigadores e ao Mº Pº.


Na verdade o DCIAP, entidade a quem compete, em primeira linha, zelar pela defesa do segredo de justiça, pouco tem feito no combate a este crime, sendo os resultados débeis, com investigações mediáticas que se arrastam anos e anos.

Para o cidadão comum sabe a pouco o trabalho aí feito, ficando às vezes a sensação que os casos mais mediáticos andam consoante sopram os ventos. O segredo de justiça é necessário e útil, mas, muitas vezes, a sua violação serve para justificar as incompetências a que vamos assistindo.

Agravar as penas e escutar os magistrados do Mº Pº é fazer o apelo a uma sociedade de todos contra todos, instalando um clima de suspeição. É banalizar as escutas e aceitar o falhanço na coordenação deste departamento.

É não estar preocupado com a verdade e com a substância, ou seja, com o conteúdo do que é revelado publicamente, mas, apenas, com o segredo.

Tenho para mim que um dos graves problemas da justiça criminal reside na forma como funciona (ou melhor, não funciona) o DCIAP. O problema não está na lei do segredo de justiça, mas no homem.

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Uma opinião do Juiz Desembargador, Rui Rangel.

Para mim bastante actual e lúcida.
 
Director do Sol diz que Vara era o responsável pelo jornal no BCP


Armando Vara era o administrador do BCP responsável pelo financiamento e pelo processo accionista do Sol quando o jornal passou pelos problemas financeiros há um ano e dificultou a entrada de novos accionistas, afirmou esta manhã o director do semanário na Comissão de Ética.



“Tenho a certeza absoluta, pelo menos na parte final [da negociação de venda da quota do BCP no Sol à Newshold] que foi comandada directamente pelo dr. Armando Vara”, garantiu José António Saraiva. O representante do BCP, Paulo Azevedo, “disse várias vezes que tinha que falar com Armando Vara porque não tinha autonomia para tomar decisões”, acrescentou o director.

Há uma semana, Armando Vara veio à Comissão de Ética negar qualquer responsabilidade no dossier do jornal no BCP, dizendo mesmo que isso estava entregue a outras pessoas e departamentos.

José António Saraiva acusou mesmo: “Ficou claro que o que o BCP queria era decapitar a direcção do Sol e interromper a sua publicação”, ao afirmar, primeiro, que estava vendedor da sua parte no jornal e depois, quando os investidores angolanos quiseram negociar, recuou e disse não estar vendedor mas comprador. E nessa altura, “queria mudar” a cláusula que impõe que quem comprasse se comprometia a manter a direcção.


Tendo o BCP sido “um amigo” e accionista desde o lançamento do jornal, a mudança de atitude foi “coincidente com a entrada da administração Santos Ferreira/Armando Vara”. Aí, “o BCP transformou-se num cavalo de Tróia”, disse José António Saraiva, contando os pedidos ignorados de reuniões, a retirada de um patrocínio do BCP que estava pelo menos “verbalmente” combinado, e os “meses terríveis” de dificuldades financeiras que o jornal passou entre o final de 2008 e os primeiros meses de 2009.


Sobre a situação geral da comunicação, questionado pelo social-democrata Pedro Duarte, Saraiva disse-se “chocado” quando vê “pessoas responsáveis do PS a dizer que não se passa nada”.

“Os factos que têm vindo a público através das escutas são absolutamente chocantes. Faz-me lembrar o Iraque, quando choviam mísseis e o ministro da Informação continuava a dizer que não havia nada”, comparou.

Saraiva salientou que esta Comissão de ética existe porque “as escutas foram reveladas” e mesmo depois disso “as pessoas continuam a dizer que é falso”. “As escutas são a prova cabal e insofismável e a única maneira que tivemos de provar que havia em marcha um plano para controlar a comunicação social.”

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Está agora a decorrer a audição ao director do Sol.
 
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in: Votação online do Público.
 
Manuel Godinho tentou obter a demissão da secretária de Estado dos Transportes, revela jornal Sol

A secretária de Estado dos Transportes do anterior Governo de José Sócrates, Ana Paula Vitorino, terá estado na mira do empresário Manuel Godinho, que agora se encontra detido no âmbito do processo “Face Oculta”.


Godinho parece não ter poupado esforços para conseguir a sua demissão, nomeadamente junto do então ministro das Obras Públicas, Mário Lino, revela hoje o semanário “Sol”, com base em mais um lote de escutas, onde Armando Vara continua no centro do furacão.

A eleição de Ana Paula Vitorino como alvo a abater terá sido motivada pelo facto desta se recusar a afastar o presidente do Conselho de Administração da Refer, Luís Pardal, que entretanto dera ordens para que não fossem adjudicados mais concursos às empresas de Godinho. O Sol acrescenta que as diligências para afastar a secretária de Estado começaram em Janeiro do ano passado e prolongaram-se quase até às vésperas das eleições legislativas de Setembro.


Para tentar conseguir os seus intentos, Godinho ter-se-á socorrido de Fernando Lopes Barreira, um empresário da área do PS, também já constituído arguido, e de Armando Vara. Segundo o semanário, a investigação desenvolvida pelo Ministério Pública e pela Polícia Judiciária de Aveiro dá conta que, neste processo, Barreira Lopes terá ficado com incumbência de telefonar a Mário Lino, e Vara de contactar com Sócrates.


Numa das conversas telefónicas interceptadas, Manuel Godinho confessa a Paulo penedos, advogado e outros dos arguidos: “Estou aflitíssimo”. As adjudicações às suas empresas estavam a diminuir e ele diz a Penedos que vai telefonar a Vara “a ver se ele dá um empurrão aqui, um empurrão acolá”. Um outro quadro da Refer, Carlos Vasconcelos, também constituído arguido, dizia mais ou menos na mesma altura, em Março, que “o Sócrates tem de dar um ‘sticada’ na gaja” porque isto “está de facto a entrar pró um caminho preocupante”.

No mesmo mês, Barreira Lopes é apanhado numa conversa com Godinho onde promete interceder junto de Vara: “Eu, no fim-de-semana, vou-lhe telefonar e dizer ao gajo ‘oh pá, o ser Godinho tem de ser priorizado, não pode andar a sofrera aqui eternamente’. Tanto o Jorge como ele: eu vou falar com os dois”.


Armando Vara também é apanhado em conversas telefónicas com Godinho. Numa delas, datada de Maio, acrescenta o Sol, citando a investigação do MP, poderá ter combinado o pagamento de ‘luvas? Ao então vice-presidente do banco BCP. Godinho, Vara e Lopes Barreira almoçaram juntos pouco depois, na casa do empresário.


Mas as eleições estão a aproximar-se. Godinho confessa a Carlos Vasconcelos: “Eu não me acredito que haja mudanças agora”. No final e Julho, Godinho diz a Lopes Barreira: “O Lino ligou-me ontem e eu disse-lhe: a culpa é tua porque tu és o chefe e não tens coragem para a pôr na ordem. Mas agora também isto está a acabar ó senhor doutor. Até aí para os nossos amigos não vai acabar bem”. Por volta dessa altura. O empresário também confessará: “Eu estou lixado com isto, sinceramente estou mesmo desiludido com muita gente”.


Mário Lino garantiu ao Sol que nunca recebeu nenhum pedido para afastar a administração da Refer. Ana Paula Vitorino é hoje deputada do PS.

fonte

Meus amigos, a isto chama-se corrupção ao mais alto nível... e ninguém faz nada...
 
Pois, entre 74 e 80 não havia nada disso, certo? [:D][:D][:D]

Antes dos anos 80 (e não de 80 como por lapso interpretaste) não era bem este género da governação da trafico de incluências, reinava mais a incompetencia que nos levaram quase à banca rota e até acabou por ser o FMI a governar Portugal. De facto tivemos sempre governos muito maus e antes de 74 é melhor nem falar.

Se reparaste eu referi-me a "este tipo de governação". Depois to tal governo comandado pelo FMI, o chamado bloco central, esta gente nunca mais deixou de dividir entre si o bolo do erário publico em proveito próprio e a consequente degradação progressiva do país.
Quando disse que foi a partir dos anos 80, queria dizer mais precisamente a partir de 1985 quando com os dinheiros da então CEE começou-se a desmantelar tudo o que era produtivo. Acabou-se com as grandes industrias, a frota pesqueira reduzida a metade, matou-se a agricultura e em favor de quê???? Do cimento e do alcatrão das grandes obras publicas, e depois é claro, alimentaram e geraram este monstro que é a rede de influencias que ainda hoje gere o País.
 
E o Bastonário continua na sua senda...:

O bastonário da Ordem dos Advogados (OA), António Marinho Pinto, afirmou, esta quinta-feira, que «há sinais evidentes de que o poder judicial está a funcionar segundo uma agenda política». Marinho Pinto contrariou também a ideia de que não há contaminação política do Ministério Público (MP).
«Basta ver o discurso público de alguns magistrados para ver que eles tem uma agenda política», disse Marinho Pinto, citado pela Lusa.
Marinho Pinto falava à saída da Comissão Parlamentar de Acompanhamento do Fenómeno da Corrupção, onde afirmou que «há pessoas nos mais elevados cargos públicos a acumular fortunas de uma forma escandalosa» e defendeu que «a principal arma de combate à corrupção é o debate político».
«Tem havido muito espectáculo, criam-se muitas leis», mas
«era preciso uma responsabilização política», considerou, defendendo que o combate à corrupção não passa pelo sistema penal.
Em declarações aos jornalistas, o bastonário considerou também que se está a «transpor para o debate político muita coisa que é do poder judicial», alegando que «há sinais evidentes que o poder judicial está a funcionar segundo uma agenda política mais ou menos oculta».
Confrontado com o facto de o Conselho Superior do Ministério Público (CSMP) ter concluído que não há contaminação do MP por considerações de índole política na tomada de posições relativamente às escutas do processo Face Oculta, o bastonário ironizou: «Se (o CSMP) disse que não há contaminação política do MP não se estava a referir seguramente ao MP em Portugal». Questionado se com isso não estava a dizer claramente que havia contaminação política do MP, retorquiu: «Peço que não me obrigue a dizer o óbvio».
Marinho Pinto admite contaminação política do MP > Sociedade > TVI24

O presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP) instou o bastonário da Ordem dos Advogados a concretizar as acusações de que há contaminação política do Ministério Público.
João Palma afirmou, em declarações à Lusa, que «o mundo judiciário está já demasiadamente complicado, demasiadamente crispado» para se poder «dar ao luxo de ouvir esse tipo de declarações genéricas, sem concretizações».
«Penso que o bastonário deverá concretizar o que pretende dizer com essas declarações», defendeu. «Conhecemos o estilo do bastonário e não pensamos tirar daqui outras consequências, porque achamos que não se pode dar demasiada importância», acrescentou.
Marinho Pinto admite contaminação política do MP
Para o dirigente do SMMP, as acusações de Marinho Pinto não dizem respeito à actuação do sindicato, que «vai buscar a sua credibilidade e a sua força exactamente à afirmação da sua independência perante o poder político».
«É por isso que me compete responder que não me revejo nas acusações do bastonário», frisou.
Questionado sobre se o SMMP se revia mais no teor do comunicado emitido esta semana pelo Conselho Superior do Ministério Público, que concluiu não haver contaminação desta entidade por considerações de índole política na tomada de posições relativamente às escutas do processo Face Oculta, João Palma recusou comentar, afirmando que «cada um, na área da justiça, tem de assumir as suas responsabilidades».
Acusações de Marinho Pinto: «Não damos demasiada importância» > Sociedade > TVI24

CSM: Declarações Marinho Pinto sem «dignidade institucional»
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O Conselho Superior da Magistratura (CSM) considerou hoje que as imputações do bastonário da Ordem dos Advogados de que o poder judicial está «empenhado em derrubar o primeiro ministro», José Sócrates, «não assumem dignidade institucional» para serem apreciadas pelo CSM.
Confrontado com afirmações de Marinho Pinto hoje no Porto, o vice-presidente do CSM, Ferreira Girão, na qualidade de porta-voz deste órgão de gestão e disciplina dos juízes, sublinhou que «as declarações do atual bastonário da Ordem dos Advogados, dada a sua natureza e o tom em que são proferidas, não assumem dignidade institucional para que possam ser apreciadas pelo CSM», repetindo o teor de uma anterior deliberação do CSM relativa a críticas do bastonário sobre os juízes.
António Marinho Pinto acusou hoje o poder judicial, ou «parte importante do poder judicial», de estar «empenhado em derrubar o primeiro ministro».
Diário Digital / Lusa
Diário Digital

Só não percebo é porque é que o senhor não tem já, pelo menos, um processo crime pelas afirmações, no mínimo, insultuosas que tem feito a todos os que investigam políticos!...

Que comichão lhe tem feito o sistema judicial...
 
Hoje no Sol:

‘O Sócrates tem de dar uma esticada na gaja’


A investigação do Ministério Público (MP) e da Polícia Judiciária de Aveiro sobre o empresário Manuel Godinho revela uma teia de influências ao mais alto nível. Nesta, emerge como figura central Armando Vara, com acesso directo ao primeiro-ministro e a membros do Governo.

Ex-dirigente do PS, amigo de longa data de José Sócrates e banqueiro, por Armando Vara passam os negócios PT/TVI, PT/Taguspark e Associação Nacional de Farmácias, entre outros. E ainda as pressões para demitir a secretária de Estado dos Transportes e o presidente da Refer (Rede Ferroviária Nacional) e evitar a demissão do presidente da CP, Cardoso dos Reis.
Em cada um destes casos, que se desenrolam ao longo de 2009, moveram-se todas as influências possíveis para ter as pessoas ‘certas’ nos lugares certos.

Ou para fazer rolar a cabeça de outras, como aconteceu com Ana Paula Vitorino: aquela que era vista até aí como sucessora de Mário Lino, atravessou-se no caminho, ao proteger o presidente da Refer (Rede Ferroviária Nacional) que tinha um contencioso com Manuel Godinho.

Este empresário, que acumula um historial de fuga ao Fisco e casos duvidosos no âmbito de concursos para a recolha e tratamento de resíduos industriais, movia-se bem ao nível dos quadros médios de empresas públicas (como a REN, a EDP e a Refer). Estes informavam-no antecipadamente dos concursos e negociavam directamente com ele a contratação de serviços e a forma de ludibriar as autoridades.

Terá sido através de um deles (Carlos Vasconcelos, da Refer) que Godinho conseguiu aceder a Fernando Lopes Barreira (empresário da área do PS, também arguido no caso) e aos amigos deste: Armando Vara e Mário Lino.

Acusado de ter roubado carris na linha do Tua e de sobrefacturar serviços, Godinho tem um longo contencioso com a Refer (empresa pública da rede ferroviária nacional). O conselho de administração desta – presidido por Luís Pardal – deu ordens, informalmente, para que às empresas de Godinho (grupo O2) não fossem adjudicados mais concursos.

Mas, para Godinho, Pardal só fazia isto porque tinha o apoio da tutela, a secretária de Estado Ana Paula Vitorino. O objectivo que passa então a mover Manuel Godinho e os seus colaboradores fica bem ilustrado no desabafo que tem, numa conversa telefónica com um dos outros arguidos no ‘Face Oculta’: «Enquanto a gaja lá estiver, é uma chatice!».

As diligências para afastar Vitorino começaram em Janeiro de 2009 e durariam até ao Verão (quando o empresário percebeu que o seu objectivo era já impossível de concretizar, dada a iminência das eleições legislativas).

Segundo o MP, Lopes Barreira e Armando Vara aceitaram ser os pontas-de-lança junto do Governo: enquanto Barreira telefonava a Mário Lino, ministro das Obras Públicas (tutela de Vitorino), Vara ligava a José Sócrates.

E por isso estão ambos indiciados neste processo por crimes de tráfico de influências – estando o MP convicto de que Godinho pagou a Vara e Barreira, a cada um, 25 mil euros.

No dia 10 de Fevereiro de 2009, Carlos Vasconcelos, quadro da Refer (e arguido) definia bem a situação: «A gaja agora atirou-se ao Sócrates na história do Tua [polémica sobre a recuperação desta linha de comboio, em Trás-os-Montes]. Ó pá, o Sócrates tem de dar uma ‘sticada’ na gaja. É que isto está de facto a entrar por um caminho preocupante».

‘Pardal tem os dias contados’

Três dias antes, porém, Manuel Godinho tinha almoçado com Vara, na casa deste em Vinhais. Por isso, estava convencido de que «as coisas estão a ficar melhores», como diz para Manuel Guiomar (funcionário da Refer, também arguido), no dia 5 de Março. José Valentim, outro quadro da Refer, sintetizava a situação: «Os gajos não têm mão no Pardal», mas este «tem os dias contados, isto é uma questão de dias, de certeza».

A juntar à crise, o empresário via diminuir as os concursos adjudicados às suas empresas. «Estou aflitíssimo» – confessa a Paulo Penedos (advogado e também arguido no Face Oculta), referindo-se à «falta de trabalho». Para resolver a situação, diz que vai telefonar a Vara, «a ver se ele dá um empurrão aqui, um empurrão acolá».

Quem também desenvolve contactos é Lopes Barreira, que alardeia a sua facilidade em falar com o ministro Mário Lino (Obras Públicas) e com Jorge Coelho (outra figura socialista), e de chegar a José Sócrates.

A 11 de Março, Barreira promete a Godinho que vai falar ao vice-presidente do BCP: «O Armando agora, com as relações com Angola [Vara era presidente do BCP Angola], o gajo pode arranjar umas coisas bestiais para si. Presidente de um banco, tão importante como aquele, que está metido nos mais variados negócios, pá, e o senhor é um homem de negócios... Eu, no fim-de-semana, vou-lhe telefonar e dizer ao gajo ‘oh pá, o sr. Godinho tem de ser priorizado, não pode andar a sofrer aqui eternamente’. Tanto o Jorge como ele: eu vou falar com os dois».

Até Ana Paula Vitorino foi visitá-lo ao hospital – salienta Barreira que esteve doente nesta época: «Foi anteontem. Disse-me ‘andamos um bocado de candeias às avessas, mas temos que falar disso’».

Lopes Barreira toma as dores de Godinho, diz que percebe bem a situação do empresário de Ovar, pois ele próprio ainda não conseguiu receber «dois milhões e meio da RAVE» (empresa pública da Rede de Alta Velocidade, também sob a tutela de Vitorino).

A 10 Abril, Lopes Barreira informa Godinho de que «a Ana Paula Vitorino vem cá almoçar comigo, a minha casa, segunda-feira» e que também tinha falado «com o Lino». «Mas o gajo [Luís Pardal] não faz cedências, continua a lixar-nos. Ele tem indicações de alguém, de certeza» – queixa-se Godinho. «Eu não faço ideia. O Sócrates sabe perfeitamente o que se passa», responde Lopes Barreira.

Pelo meio, Vara vai falando também com Godinho. A 28 de Maio, ocorre o telefonema que o Ministério Público (MP) considera ser a prova de um pagamento. Numa conversa cifrada, Godinho pergunta a Vara se «aquilo dos 25 quilómetros» era «para agora» – e o MP considera não haver dúvidas de que estavam a referir-se a 25 mil euros em ‘luvas’.

Em 5 de Junho, Vara telefona a Manuel Godinho, para saber se já tinha falado «lá com o homem da Refer».

O empresário de Ovar responde que não e anuncia-lhe que sabe que o Tribunal da Relação do Porto lhe vai dar razão no processo da Refer.

‘Vou pôr a questão ao Lino’

No dia 15 de Junho, Godinho comunica também a Lopes Barreira que ganhou este processo judicial. Acha que agora «é possível uma reconciliação»: «Se eles me derem os trabalhos que me tiraram, calo-me bem calado». «Então vou dizer ao Lino, logo já lhe telefono», garante Lopes Barreira. Godinho pede-lhe também que «telefone ao nosso amigo» (Vara).

Com a decisão da Relação, que o MP de Aveiro suspeita ter sido um favor, o grupo pensa convencer Mário Lino da inocência de Godinho e assim afastar Pardal e a secretária de Estado.
Godinho, Lopes Barreira e Vara combinam então um almoço – que se realizou a 20 de Março, na casa do primeiro, em Ovar. O MP defende que foi nesta ocasião que Manuel Godinho pagou 25 mil euros a cada um.

No regresso a Lisboa, Lopes Barreira telefona a Godinho para lhe agradecer o almoço. E renova a promessa de falar a Mário Lino: «Aquilo que o Armando lhe disse, eu concordo, pá, que isto não pode ficar assim, tem que se ver aí… Eu até ia fazer uma coisa que fica aqui entre nós, nem diga nada ao Armando: ia pôr a questão ao Lino, hum?». «Sim, é isso que eu pretendo, tá a ver» – concorda Godinho. O ministro «é bom rapaz», explica Barreira, «mas quem manda é ela» (Ana Paula Vitorino). «Ela está completamente queimada, mas não fazem nada. O Sócrates é contra ela, ele diz mal dela…». «Mas compreende-se a posição do chefe neste momento», responde Godinho, referindo-se à proximidade das eleições legislativas.

No processo judicial, a Refer tinha entretanto recorrido para o Supremo Tribunal de Justiça (STJ). Godinho fala então com o seu advogado, Melchior Gomes (também arguido no Face Oculta) e pergunta-lhe se o processo no STJ ainda pode ter um desfecho que lhe seja desfavorável.

O advogado responde que não – mas «vamos estar atentos: a gente conhece lá muita gente e boa». «Pronto, é isso que temos que ver. Ou é necessário falar?» – questiona Godinho, explicando que o «outro senhor… ahm, que eu mandei o processo para analisar, diz que não há hipótese nenhuma de recurso».

Percebe-se que se refere a Armando Vara: «Eu, no sábado, estive com algumas pessoas [Vara e Lopes Barreira] e o que me disseram é que nós deveríamos reagir, ir para a comunicação social», explica Godinho.

Decide então com o advogado que iriam fazer «uma carta» para enviar a alguns jornais e à RTP. Isso funcionaria como forma de pressão: diriam que «a intenção da O2 é mover um processo-crime contra o senhor presidente e vice-presidente [da Refer], com pedido de indemnização de cinco milhões de euros».

‘Isto não vai acabar bem’

Manuel Godinho tinha entretanto conhecido Manuel Rodrigues, um empresário com ligações aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo. Lopes Barreira sabe e comenta com Godinho as perspectivas: «O Manel é muito boa pessoa e é muito meu amigo. Agora é um dos braços direitos do Amorim. O senhor tem algum dificuldade em Viana do Castelo? O Manel mexe-se totalmente bem aí». «Mas aquilo está parado», admira-se Godinho. «Eu sei, eu sei» – diz Barreira – «mas se tiverem alguma sugestão para porem aquilo a funcionar outra vez, diga-me que eu falo com o secretário de Estado, pois eu dou-me bem com o gajo, pá. Se o sr. tiver alguma ideia para aquilo, a gente vai tentar falar com ele».

Por esta altura, Godinho e os seus homens já andam desiludidos com o dossiê Refer/Vitorino. Sabem que a proximidade das eleições legislativas lhes é adversa e, além disso, o PS tinha sofrido uma pesada derrota nas europeias. «Sócrates está quietinho, nem se quer mexer» , diz Carlos Vasconcelos.

E «Mário Lino, das reformas que queria (o aeroporto, o TGV), meteu a viola no saco em tudo», «não avançou com nada», responde Godinho. «Eu não me acredito que haja mudanças agora, antes das eleições. Ele foi burro. Ele devia ter feito as eleições antes. Agora, olha, temos que esperar», remata Godinho.

Pelo meio, Vitorino é referida em termos insultosos, fazem-se insinuações à sua vida particular e até que o seu percurso pelo Governo tinha sido «altamente produtivo».

Em finais de Julho, Lopes Barreira telefona a Godinho, dizendo que vai chatear Mário Lino: «A gaja anda-nos a perseguir a ti e a mim, a nós, e perseguições destas não as admito seja a quem for. Somos pessoas de bem e queremos trabalho, pá…». «Exactamente», conclui Godinho. «O Lino ligou-me ontem e eu disse-lhe: a culpa é tua porque tu és o chefe e não tens coragem para a pôr na ordem». «Mas também agora isto tá a acabar ó senhor doutor. Até aí para os nossos amigos não vai acabar bem. Eles estão convencidos de que vão ganhar as eleições e isto há um descontentamento muito grande», conclui Godinho.

A 29 de Julho, Godinho confidencia a Carlos Vasconcelos: «Eu estou lixado com isto, sinceramente, estou mesmo desiludido com muita gente».

Por Ana Paula Azevedo e Felícia Cabrita LINK: SOL

Eu espanta-me como é que não rolaram cabeças com esta coisa. Quero dizer, todas as semanas saem notícias ainda mais comprometedoras, e o que se faz? Assobia-se para o lado e deixa andar. Entretanto quem anda com processos em cima são estas duas jornalistas, por um lado por violarem o segredo de justiça, mas por outro, os intervenientes estão metidos em situações mais graves.
 
Hoje no Sol:





Por Ana Paula Azevedo e Felícia Cabrita LINK: SOL

Eu espanta-me como é que não rolaram cabeças com esta coisa. Quero dizer, todas as semanas saem notícias ainda mais comprometedoras, e o que se faz? Assobia-se para o lado e deixa andar. Entretanto quem anda com processos em cima são estas duas jornalistas, por um lado por violarem o segredo de justiça, mas por outro, os intervenientes estão metidos em situações mais graves.

Espanta-te mesmo? Isto para algumas pessoas é "normalíssimo".
 
Logicamente que toda esta gente neste caso referida é corrupta.
O que é mais incrivel é que ainda há portugueses que apoiam aqueles que os roubam.
E o pior de tudo é que por uns pagam os outros.
 
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