Confesso que achei risivel que alguem lhe chamasse Pinochet. Mas aqui fica (ty Google):
"A verdadeira história do Pinochet
Horrível mistela importada pelos nossos emigrantes em França, esses genuínos embaixadores do orgulho nacional, o "panaché" é uma mistura de cerveja com "gasosa" e constitui hoje verdadeiro acervo tasquífero, ou seja, é uma coisa servida em grandes quantidades nas tascas do Portugal profundo. O termo panaché, no original em Francês, era simples adjectivo, traduzível por diversas e elegantes formas como empenachado, matizado, variegado, salpicado, ou, noutro sentido, como variado, heterogéneo. O substantivo primordial, panache, existe mesmo no Português corrente, e com a mesma acepção de penacho, pelo que não é muito entendível como poderá coisa tão simples ter dado azo a confusões.
Misteriosos caminhos mentais, imbricadas operações de pragmática linguística, operações a que se dedica a maioria vagamente esclarecida do nosso povo, conduzem amiúde a coisas assim: brotam palavras desta ginástica popular, o significado original perde-se algures pelo caminho e o uso acaba por conferir viabilidade e por atestar o novo vocábulo.
O panaché francês, que se aplicava não apenas a bebidas mas também a diversos pratos culinários, aterrou inicialmente nos balcões nacionais sob a forma de "penáchê", vá-se lá saber porquê, um copo cheio de cerveja branca e de água gasosa, meio por meio; para os emigrantes mais rodados e com mais mundo, para os verdadeiros connaisseurs, a dita gasosa teria de ser de marca e por isso adoptaram a de maior circulação: a chamada Seven Up, ou 7Up, então rebaptizada e nacionalizada como "Sévénépe". Era vulgar, nos anos setenta, ouvir o pedido tasqueiro de "uma cervejinha com sévenépe"; o "penáchê", portanto. Ora, como ainda assim a coisa não estava fácil de pronunciar, e estando por essa altura na moda a crucificação de "fasssistas", bem depressa a bebida passou a designar-se pelo nome aportuguesado de Pinochet, celebrando a memória do ex-ditador chileno Augusto Pinochet.
Para os turistas que nos visitam não deve deixar de ser estranho ouvir, por todo o lado, tantos pedidos de "pinochê"; por vezes, o dito general agora transformado em zurrapa é tratado de forma estranhamente carinhosa: "pinochêzinho". Nosso povo quer é muita carga de pinochês, o que não deixa de ser curioso. Escusado será dizer que a isso mesmo se resume, ao conteúdo de um copo com cerveja e "sévénépe", todo o conhecimento que os apreciadores possuem sobre o assunto em geral e sobre a personagem em particular; mas nota-se perfeitamente, nesta subespécie de consumidores, o orgulho que sentem pela exibição dos seus conhecimentos políticos. A cada novo Pinochet que pede, com ou sem tremoços, qualquer labrego do piorio dardeja em redor uma olhadela entendida e inteligente, irradia toda aquela típica esperteza que lhe vai na alma, olha eu aqui a emborcar esta coisa estrangeira, olha que pinta.
Dizem que dá um pifo jeitoso, em começando às nove e acabando às seis. E é cultura, e cultura política, ainda por cima. Portanto: o verdadeiro anti-fasssista é o gajo que emborca um Pinochet atrás do outro. Ah, pois, finalmente percebi."
in 001.blogspot.com