Obsolescência programada nos automóveis ?

Se retirarmos aos carros actuais os "acessórios" de modo a ficar igual aos antigos, acho que não deve restar muitas dúvidas que seriam mais duráveis, pois são feitos com materiais de melhor qualidade, mais evoluídos e sobretudo mais resistentes.
Agora tendo em conta toda a complexidade mecânica e electrónica que um carro actual tem, é perfeitamente possível que fique obsoleto e dispendioso de manter mais rapidamente.

Sobre os carros antigos não é difícil ouvir falar em corrosão, ferrugem, etc em carros com 1 ou 2as décadas, já nos actuais, esta premissa tão básica cada vez é menos problema, só para dar um exemplo da evolução.
 
Quando muitas das marcas ganham mais na manutenção/revisões do que na venda creio que está tudo dito.
Acho que passa muito por isto...Veja-se o caso dos últimos modelos da Datsun e a sua extinção, entre outras razões deixaram de se fabricar porque não era viável para a marca o facto de não gastarem nem 1/4 das peças que seria "suposto" no pós-venda. [;)]
 
já havia um tópico destes, se não era de carros, era de consumíveis eletrónicos. metam uma coisa na cabeça: seja ou não a dita obscelência, hoje em dia os carros duram menos que antigamente, principalmente fruto da sua cada vez maior complexidade, principalmente em eletrónica. é pura e simplesmente por esta via.
 
Hoje em dia tenta-se cortar despesas em todo o lado, e os processos de produção de componentes são precisos, permitindo usar componentes que são o mais barato possível que dure a garantia.

Sim são. Cada vez mais são concebidos para durar x. São feitos para satisfazer o cliente inicial, que é o que está a dar dinheiro ao fabricante.
O x depois depende da marca, do modelo, do cliente, etc.
Um carro de segmento de luxo tem um cliente tipo que gosta de andar sempre com um carro novo com as últimas tecnologias. Portanto só tem de ser fiável durante os primeiros 3 ou 4 anos.

Mas isso é um pouco de vistas curtas. Um comprador inteligente tem em conta o preço com que vai vender o carro.

Ora, carros cada vez menos fiáveis são cada vez menos interessantes no mercado em segunda mão.
 
Basta olhar para algumas coisas nos manuais de manutenção para perceber que é tudo programado. Tipo as caixas de velocidades com óleo vitalício [:D]

Hoje em dia tenta-se cortar despesas em todo o lado, e os processos de produção de componentes são precisos, permitindo usar componentes que são o mais barato possível que dure a garantia.



Mas isso é um pouco de vistas curtas. Um comprador inteligente tem em conta o preço com que vai vender o carro.

Ora, carros cada vez menos fiáveis são cada vez menos interessantes no mercado em segunda mão.

Os fabricantes não querem saber do mercado da segunda mão. E como a qualidade tem vindo a descer em todos os fabricantes também não é por aí.

A minha opinião é a mesma há muitos anos: O pico da fiabilidade automóvel deu-se nos anos 90 e início do novo milénio em alguns casos. As carroçarias já eram galvanizadas e portanto muito resistentes à corrosão. A electrónica era bem robusta, sem grandes segredos nem as complicações de hoje em dia. Os sistemas de injecção eram robustos, funcionando de forma muito mais fiável que os carburadores, mas sem grandes complicações. E as mecânicas também se tornaram muito robustas, fruto da avançada tecnologia que já havia na altura. Basta lembrar a quantidade de motores fantásticos que saíram nos anos 90...
 
Última edição:
Eh pá, hoje em dia os carros são todos descartáveis.

Meu carro particular 106 1.1 99, poucas vezes vai ao médico, excepto para revisões.

Outro exemplo, um pequeno pesado de 95 (meu patrão), lembra-se de aquecer, misturar oleo com agua, já me partiu uma correia de alternador em Paços Ferreira, e veio assim até ao Porto (Maia), farta-se de levar pancada, já carregou 2T acima do pesado permitido, e ainda assim continua a andar.
 
já havia um tópico destes, se não era de carros, era de consumíveis eletrónicos. metam uma coisa na cabeça: seja ou não a dita obscelência, hoje em dia os carros duram menos que antigamente, principalmente fruto da sua cada vez maior complexidade, principalmente em eletrónica. é pura e simplesmente por esta via.

Isto não vale a pena as pessoas andarem a enganarem-se a si próprias, os carros duram menos porque os carros são baratos e o credito é fácil, todos os dias vão para a sucata carros para serem desmantelados em perfeitas condições de funcionamento.

A outra escala quanto tempo durava uma camisa há 40 anos atrás? muito mais o colarinho gastava e era virado, umas calças que se rasgavam levavam um remendo, com o calçado igual.. actualmente são baratas duram pouco..
 
Há aqui a um ponto que ninguém está a tocar.

O que interessa a um fabricante é vender novo, com o menor ciclo de tempo possível.

A taxa média de renovação automóvel na Europa está abaixo de 4 anos, o que coloca a seguinte questão:

- Porque motivo vão os fabricantes procurar fazer os produtos o mais fiáveis e duráveis possível para durarem bastante tempo, se de 4 em 4 anos conseguem vender um novo?

O que interessa neste momento é equipar ao máximo os carros de tudo e mais alguma coisa pelo preço mais reduzido possível, de forma à troca continuar a ser cativante.

É por isso que tivemos uma ascensão brutal do renting nos últimos 10 anos. Já ninguém pensa num carro para durar, pensa num carro para servir e trocar, puro electrodoméstico [;)].

A esmagadora maioria das marcas emprega esta filosofia de negócio, são raros os casos que procuram resistir e eu neste momento não consigo pensar em praticamente nenhuma marca que o faça.
 
com ou sem obsolescência programada, o facto é que cada vez vejo menos carros avariados a meio de uma viagem.
não faz assim tantos anos a caminho do algarve, logo à saída da ponte encostavam uns quantos, depois pela AE ou nacional era uma catrefada.
haviam uns que resolviam e seguiam viagem, mas geralmente metade da bagageira estava ocupada com ferramentas, agua, óleo, fusíveis e até correias.

hoje em dia o pack viagem deve ser o portátil e cabo obd[:D]
 
com ou sem obsolescência programada, o facto é que cada vez vejo menos carros avariados a meio de uma viagem.
não faz assim tantos anos a caminho do algarve, logo à saída da ponte encostavam uns quantos, depois pela AE ou nacional era uma catrefada.
haviam uns que resolviam e seguiam viagem, mas geralmente metade da bagageira estava ocupada com ferramentas, agua, óleo, fusíveis e até correias.

hoje em dia o pack viagem deve ser o portátil e cabo obd[:D]

Portatil e cabo OBD!? Isso é tão 2005... Agora é o smartphone, com o torque ou outra aplicação qq e o adaptador bluetooth. [:D]
 
Um taxista diz-me que após os mercedes atmosféricos todos os outros carros que teve nenhum durava para lá dos 300k km.
 
Para variar estão a confundir dois conceitos distintos

Durabilidade

A peça X é feita do material Y e é expectável que dure Z kms, para ser produzida com um custo K.

Obsolescência programada

A peça X é desenhada de forma propositada de modo a que falhe após Z kms, para que seja trocada a um custo K

Especialmente grave em componentes electrónicos programados para apenas fazerem um número de ciclos determinado, após os quais deixam de trabalhar sem que nada tenha falhado.
 
Descobri que para o meu carro (um Peugeot 307 que fez o ano passado 10 anos) a ultima atualização de mapas do gps é de 2016/2017. Sendo um sistema lançado em 2002 ou 2003 parece ser um caso de obsolescencia programada. O software propriamente dito teve a ultima atualização em 2007 ou 2008...
Claro que é normal as marcas pararem de dar suporte porque a tecnologia evolui a uma velocidade demasiado rápida mas hoje em dia os carros tem tanta tecnologia que quando se compra um, estes sistemas ficam desatualizados rapidamente.
E ao lançarem novas versões, a mesma normalmente nem pode ser instalada no modelo atual a não ser que se troque uma serie de componentes a custos proibitivos.
É um pouco semelhante ao suporte a novas versões de android pelos fabricantes de telemóveis, mas enquanto eu não me importo de trocar de telemóvel de 2 em 2 anos, de carro já não é bem assim
 
Descobri que para o meu carro (um Peugeot 307 que fez o ano passado 10 anos) a ultima atualização de mapas do gps é de 2016/2017. Sendo um sistema lançado em 2002 ou 2003 parece ser um caso de obsolescencia programada. O software propriamente dito teve a ultima atualização em 2007 ou 2008...
Claro que é normal as marcas pararem de dar suporte porque a tecnologia evolui a uma velocidade demasiado rápida mas hoje em dia os carros tem tanta tecnologia que quando se compra um, estes sistemas ficam desatualizados rapidamente.
E ao lançarem novas versões, a mesma normalmente nem pode ser instalada no modelo atual a não ser que se troque uma serie de componentes a custos proibitivos.
É um pouco semelhante ao suporte a novas versões de android pelos fabricantes de telemóveis, mas enquanto eu não me importo de trocar de telemóvel de 2 em 2 anos, de carro já não é bem assim

Isso acho "discutível", pois ter equipas a desenvolver software e actualizações para modelos antigos e com pouca expressão tem um custo.
Acho até bastante aceitável que um carro tenha actualizações de GPS p/ 10 anos

Para além disso, nada disso inutiliza o carro, quando muito permanece como era quando foi comprado.
O que é grave para mim, não é não oferecerem mais melhorias, mas sim programarem falhas. [;)]
 
Claro, eu percebo isso até porque trabalho na área de desenvolvimento de software.
Claro que o carro não fica inutilizado por isso mas provavelmente o GPS deixa de ter uso porque qualquer telemóvel com Google maps ou waze é mais fiável e rápido de usar.
Quanto a falhas programadas, acho que todas as tecnologias de redunção de emissões (mais nos diesel) tem uma vida algo limitada e com custos que a dada altura deixam de compensar a reparação, desde o FAP, EGR e afins. Não admira que muitas pessoas as removam para continuar a usar o carro.
No meu caso disseram-me que o óleo da caixa automática também era vitalicio e que se fosse preciso trocar o carro avisava, mas em boa altura o troquei pois ficou com um funcionamento bem melhor. Se o continuasse a usar, sem duvida que daqui a uns anos teria um custo de reparação que facilmente faria com que mandasse abater o carro ou vender para peças
 
Na minha opinião eu penso que com a correta manutenção os carros continuam a durar bem vejamos os táxis até os Dacia duram uns 400/500mil km´s sem problemas de maior e um carro normal de lazer com manutenção adequada dura facilmente 20 anos[;)]
 
Claro, eu percebo isso até porque trabalho na área de desenvolvimento de software.
Claro que o carro não fica inutilizado por isso mas provavelmente o GPS deixa de ter uso porque qualquer telemóvel com Google maps ou waze é mais fiável e rápido de usar.
Quanto a falhas programadas, acho que todas as tecnologias de redunção de emissões (mais nos diesel) tem uma vida algo limitada e com custos que a dada altura deixam de compensar a reparação, desde o FAP, EGR e afins. Não admira que muitas pessoas as removam para continuar a usar o carro.
No meu caso disseram-me que o óleo da caixa automática também era vitalicio e que se fosse preciso trocar o carro avisava, mas em boa altura o troquei pois ficou com um funcionamento bem melhor. Se o continuasse a usar, sem duvida que daqui a uns anos teria um custo de reparação que facilmente faria com que mandasse abater o carro ou vender para peças

Isso até em carros de 2018 [:p]
 
Há aqui a um ponto que ninguém está a tocar.

O que interessa a um fabricante é vender novo, com o menor ciclo de tempo possível.

A taxa média de renovação automóvel na Europa está abaixo de 4 anos, o que coloca a seguinte questão:

- Porque motivo vão os fabricantes procurar fazer os produtos o mais fiáveis e duráveis possível para durarem bastante tempo, se de 4 em 4 anos conseguem vender um novo?

O que interessa neste momento é equipar ao máximo os carros de tudo e mais alguma coisa pelo preço mais reduzido possível, de forma à troca continuar a ser cativante.

É por isso que tivemos uma ascensão brutal do renting nos últimos 10 anos. Já ninguém pensa num carro para durar, pensa num carro para servir e trocar, puro electrodoméstico [;)].

A esmagadora maioria das marcas emprega esta filosofia de negócio, são raros os casos que procuram resistir e eu neste momento não consigo pensar em praticamente nenhuma marca que o faça.

Para variar estão a confundir dois conceitos distintos

Durabilidade

A peça X é feita do material Y e é expectável que dure Z kms, para ser produzida com um custo K.

Obsolescência programada

A peça X é desenhada de forma propositada de modo a que falhe após Z kms, para que seja trocada a um custo K

Especialmente grave em componentes electrónicos programados para apenas fazerem um número de ciclos determinado, após os quais deixam de trabalhar sem que nada tenha falhado.


Dois excelentes posts que explicam muito bem o assunto deste tópico.
Já agora deixo aqui outro vídeo sobre isto, do rapaz do canal Engineering Explained. Quem perceber bem Inglês vale a pena seguir os vídeos dele.

 
Voltar
Superior