[Sociedade] O tabu do tu!

Isso da permissão... desculpa mas isso é orgulho, nada mais.

Pronto, agora tocaste no ponto em que aqui sim, discordo totalmente de ti. Aquilo que interpretas como orgulho, eu interpreto como respeito e uma regra básica de boa educação. E porquê? Basicamente terá a ver com a educação que recebi da minha família, na escola e por isso, pela formação que tive e também maneira de ser, eu sou incapaz de tratar por tu alguém sem a outra parte me permitir, nomeadamente pessoas que não conheço de lado nenhum ou que tenha pouco contacto. O máximo que pode acontecer é quando interajo com alguém já há algum tempo e me sinto um pouco mais à vontade, posso arriscar "tutea-lo" mas se ele me "voceia" de volta, eu volto logo ao ponto inicial. Podes-me achar conservador, preciosista e tudo o mais mas olha, é a educação que tive..e se há coisa que eu pessoalmente teria mesmo vergonha a sério, é chamarem-me indelicado ou mal criado por esses "preciosismos" que, em determinados contextos, pode fazer toda a diferença!

Se faz sentido ou se está correcto? Na minha opinião acho que sim. Porque é que se há-de causar desconforto a uma pessoa que prefere ser tratada na 3º pessoa? Vamos chamar-lhe de orgulhosa porque não aceita a nossa imposição (sim imposição porque não perguntamos se pode ser tratada na 2º pessoa, simplesmente trata-se e pronto) de o querermos tratar por tu? Para mim isso não tem lógica. Será mesmo má educação.

Estimado PePa, nota que respeito tudo aquilo que disseste, apenas mostramos pontos de vista diferentes, sobretudo nesta última frase que te citei. O debate saudável é isso mesmo[;)]
 
Se calhar orgulho foi muito forte [;)]

Não acho falta de respeito, podes não gostar, pode parecer-te mal, pode causar desconforto por N fatores, e isso tudo é legítimo.
Mas uma falta de respeito para mim , assume da outra parte, dolo e intenção.

Agora imagina que eu achava que era uma falta de respeito tratarem-me por você ou Sr. ou Dr. ou Eng.... porque fui criado assim... tu faltavas-me ao respeito se me tratasses na 3ª pessoa?!
Não.

Para mim falta de respeito. isso não tem nada a ver com o tu ou o você. Tem a ver com o conteúdo do que te dizem.
 
Nisto há que apreciar os Espanhois. É um povo mais informal.

Lido com bastantes Espanhois e é quase tudo tu pra ali, tu pra aqui.

E desde o taxista, até ao cliente com o qual tenho a reunião, o tu é bastante utilizado.
 
Nisto há que apreciar os Espanhois. É um povo mais informal.

Lido com bastantes Espanhois e é quase tudo tu pra ali, tu pra aqui.

E desde o taxista, até ao cliente com o qual tenho a reunião, o tu é bastante utilizado.

Creio que, e corrijam-me se estiver enganado, em Espanha o Usted é raramente utilizado, equivale quase à nossa "V.Exa", é só utilizado em contextos muito formais, ao contrário do que acontece na América Latina (México e afins), que aí o Usted é mais recorrente.

Mas pronto, cada país terá a sua própria cultura. É isso que distingue um povo e define a sua identidade própria.. em Portugal é assim (por tudo o que já foi discutido neste tópico) e os outros países terão também as suas idiossincracias concerteza[;)]
 
Não acho que seja uma questão de orgulho. A sociedade funciona segundo regras estabelecidas pela própria sociedade (comer com a boca fechada e não arrotar, a forma de cumprimentar, etc). O que acontece é que essas regras são variáveis por vezes até numa mesma família.

Eu por exemplo, que fui criado no seio de uma família rica e conservadora, aprecio ainda assim a informalidade do tu e detesto mais ainda as tretas do "Sr. Dr" "Sr. Eng". E no entanto sou incapaz de, quando estou de fato em locais públicos, ficar em mangas de camisa, fui educado a que o casaco não é para tirar, é para ser usado aberto se estiver sentado ou abotoado se estiver de pé. E a gravata também tem uma porrada de regras. [:D]

Na questão do "tu" foi apenas ensinado a nunca tratar as pessoas por "você". Portanto em situações formais usar sempre o Sr/Sra seguido do nome, por exemplo "Sr. Silva" , se não o souber então sim usar apenas o "Sr/Sra". Você é que nunca. :)

edit: E ainda muitas outras, aprendi regras para tudo. Por exemplo, nunca tratar a minha mulher por "esposa", mas usar sempre essa expressão quando me refio a conjugues de outros. Quando se está vertido formalmente a cor das meias deve combinar com a cor dos sapatos (sapato preto/meia preta, sapato castanho/meia castanha), etc. É um nunca acabar de regras e experiências. [:D]
 
Última edição:
A questão dos títulos académicos já é outro assunto, que também já foi discutido noutros tópicos. Penso que seja completamente distinto do que o tratar alguém na 2º ou 3º pessoa.

Mas já que se aborda, também deixo a minha opinião sobre isso: muito francamente, é-me indiferente, sou completamente neutro nisso na parte do título académico (Dr.; Engº; Arq.), já a parte do Sr; Sra. D. aí já acho bem porque abona sempre à boa educação. Todo o ser humano tem direito a ser tratado dessa forma, quando assim é apropriado (e isto acho que é comum em qualquer país do mundo[;)]).

Nos títulos académicos, como já disse, não me aquece nem arrefece. Apenas tenho o bom senso e perspicácia, falando aqui de Portugal, de os usar quando vejo que tenho que usar. Não seria nada inteligente da minha parte não o fazer, por capricho ou por achar ridículo, se derivado disso, podesse prejudicar um interesse meu ( E.g: angariar potenciais clientes na vertente comercial, numa negociação, num tribunal perante o juíz,...)
 
Já ando aqui com uma fisgada, quando houver oportunidade do Diretor nacional (onde trabalho) se cruzar comigo e me quiser cumprimentar, vai levar com um tu para ali e para acolá, que até vai ficar vesgo. Não o respeito, não quero ser educado (mas não seri mal-educado), não quero dar graxa e só quero distância de uma pessoa mentirosa e aldrabona, como tal a indiferência será o prato do dia, o trato será por tu e não é negociável.
 
Já ando aqui com uma fisgada, quando houver oportunidade do Diretor nacional (onde trabalho) se cruzar comigo e me quiser cumprimentar, vai levar com um tu para ali e para acolá, que até vai ficar vesgo. Não o respeito, não quero ser educado (mas não seri mal-educado), não quero dar graxa e só quero distância de uma pessoa mentirosa e aldrabona, como tal a indiferência será o prato do dia, o trato será por tu e não é negociável.

O aconselhamento que te faço, se me permites, será pesares os "prós e contras" com essa atitude.. se por essa acção que tomares, poder depender o teu emprego, não sei se será uma boa ideia... valerá a pena correr esse risco, provavelmente completamente desnecessário? Gente parva e que não nos interessa é o que há mais por aí e há-de sempre ocorrer ao longo da vida, inevitavelmente... o segredo é saber adaptarmos às situações e ganhar "estaleca" para as contornarmos subtilmente.. é difícil por vezes, bem sei, mas a partir do momento que se consegue desvalorizar aquilo que só nos pode fazer mal, tornar-se-á mais fácil no nosso dia-a-dia[;)]
 
Última edição:
O aconselhamento que te faço, se me permites, será pesares os "prós e contras" com essa atitude.. se por essa acção que tomares, poder depender o teu emprego, não sei se será uma boa ideia... valerá a pena correr esse risco, provavelmente completamente desnecessário? Gente parva e que não nos interessa é o que há mais por aí e há-de sempre ocorrer ao longo da vida, inevitavelmente... o segredo é saber adaptarmos às situações e ganhar "estaleca" para as contornarmos subtilmente.. é difícil por vezes, bem sei, mas a partir do momento que se consegue desvalorizar aquilo que só nos pode fazer mal, tornar-se-á mais fácil no nosso dia-a-dia[;)]

Compreendo e já ando a matutar desde Dezembro passado.

Quando tens promessas e te pedem para ires trabalhar para outro departamento a 550 km´s de casa, sem ajudas, mas que prometem que a transferência para a zona de residência nesse departamento, estará por horas, assim que houver vaga e que vai haver e quando sabes que entraram 3 elementos, sendo que 1 veio de fora e nunca esteve na empresa ( eu estou hã 8 anos) e que confrontas com quem te prometeu (o Diretor Geral), o mesmo cessa o aditamento e "manda-me" regressar à base, marca reunião 1 semana depois, na qual desmarca por outra pessoa, já eu estava na empresa à espera e que voltava a contactar-me...até hoje! Fugiu com o rabo à seringa, não dá a cara. Estou efetivo e desde que não seja bruto, vou-lhe tratar por tu e evitá-lo até de o cumprimentar, para mim vale menos que um insecto, se se sentir incomodado, tem bom remédio, não me dirige a palavra, de resto continuarei a ser o bom profissional que sou e estarei disponível para a empresa dentro do aceitável e não podia ter melhor relação com o meu superior direto.

Esta sem dúvida será uma exceção, à qual fui educado e será a minha forma de protesto, de resto não tem bases para me prejudicar como funcionário e até duvido que algum dia ele dê a cara.
 
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