O silêncio

Oh mulher tu não te calas, :) que lingua mais afiada...[:D][:p]
(Na brincadeira[;)])

Nunca se queixaram da minha língua! [:D]

Agora a sério, quem me conhece sabe que para estar em silêncio é porque algo se passa, e normalmente não é coisa boa.

Silêncio bom, para mim... é aquele que se houve no topo de uma serra... numa praia deserta... ou aquele que nos grita ao ouvido quando olhamos para alguém que nos diz tudo sem falar.
 
Nunca se queixaram da minha língua! [:D]

Agora a sério, quem me conhece sabe que para estar em silêncio é porque algo se passa, e normalmente não é coisa boa.

Silêncio bom, para mim... é aquele que se houve no topo de uma serra... numa praia deserta... ou aquele que nos grita ao ouvido quando olhamos para alguém que nos diz tudo sem falar.
Estás a falar por ti, correcto? Não me acredito que no geral sempre o seja.[;)]
 
Há coisa melhor do que chegar a casa depois de um dia mesmo lixado e por acaso dos acasos termos a casa só para nós, pousarmos o telemovel bem longe e "atirarmo-nos" para cima do sofá sem qualquer tipo de barulho a incomodar?

Para mim é das melhores coisas... É verdade que não consigo estar assim mais do que 5m quieto mas são 5m que me dão logo outra energia. [;)]
 
Nem a propósito este tópico.

Hoje à hora de almoço ouvia na rádio esta música e acompanhei com muita atenção a letra. Não sei por que razão o fiz porque, como todos nós, já a ouvi centenas de vezes.

Aqui fica



Grande música...na versão dos Nevermore
[:D]

Agora a propósito do tópico, uma vez um senhor conhecido disse-me o seguinte: "Os teus amigos só o são quando respeitam o teu silêncio"
Dei-lhe um certo desconto devido à quantidade de whisky que ja tinha emborcado [:)]
 
Já me senti melhor no silêncio.

Aproveito sempre para dialogar comigo, mas nem sempre tenho respostas para as minhas próprias perguntas.

E sei que só com mais silêncio as encontrarei. Mas, de qualquer forma, também muitas vezes não quero saber a resposta...
 
Acho o silêncio bastante interessante e gosto de estar em ambientes silenciosos.

Confesso que me mete uma certa impressão ver pessoal que, a primeira coisa que faz ao chegar a casa, é ligar a TV, não para assistir a algum programa, mas para ter barulho!!
Reparo que cada vez há mais gente que parece ter medo de ouvir o próprio pensamento sem ruídos de fundo.
 
E deve ser mesmo extraordinário dada a proximidade do circulo polar, observar a dita em silêncio deve ser mesmo de êxtase.
[;)]
Mesmo com uma companhia e disfrutando de um momento em silêncio e sabendo que temos alguém a nosso lado partilhar os nossos momentos especiais deve ser de uma beleza extrema, podermos enquadrar tudo nesse quadro. Por vezes estar em silêncio não significa estar sozinho. :)
 
Eu também aprecio o silêncio, mas a grande maioria das pessoas não o compreende, pensa que o silêncio é uma coisa só e triste.

Mas por vezes é muito reconfortante e relaxante, por exemplo, passear na rua numa cidade num dia frio à noite onde não se vê vivalma, é de uma beleza extrema temos logo outra percepção do mundo em que vivemos, transmite paz. :)
 
Eu também aprecio o silêncio, mas a grande maioria das pessoas não o compreende, pensa que o silêncio é uma coisa só e triste.

Mas por vezes é muito reconfortante e relaxante, por exemplo, passear na rua numa cidade num dia frio à noite onde não se vê vivalma, é de uma beleza extrema temos logo outra percepção do mundo em que vivemos, transmite paz. :)
Também penso isso, quando abri este tópico não estava á espera de receber tantas respostas desejadas por isso mesmo.
Ainda bem que existe pessoas que sabem aproveitar estes momentos.[;)]
 
O silêncio p/ mim é precioso.

Curioso que vivemos num mundo onde as pessoas têm horror ao silêncio.

Se há silêncio, há sempre alguém incomodado enquanto não liga a TV "só para fazer companhia".

É desesperante, por vezes.

X3

Quando neva para estes lados o barulho da cidade parece desaparecer, por vezes gosto de prolongar os passeios com a cachorra só para ouvir os sons do silêncio.

Tenho necessidade de momentos de meditação e de silêncio, onde me encontro a escrever e se não fosse o raio da ventoinha do PC a zoar era uma paz... [:D]
 
Um dos meus momentos preferidos, na cidade, é exactamente ao amanhecer, quando já há luz do dia mas quase que não há ninguém na rua. A perspectiva dos lugares habituais muda-se radicalmente, o ar ainda fresco a bater na cara transmite a leveza de um dia novo. E, claro, o silêncio e a paz que reina ao invés do vulgar bulício.
 
Na nossa sociedade o silêncio é visto como uma situação desprovida de significado, um vazio que tem de ser ultrapassado, preenchido com algo, música, barulho ou diálogos, tantas vezes sem um propósito definido. No entanto, numa situação de relação inter-pessoal, o silêncio adquire um significado tão profundo que, sem darmos por isso, as nossas atitudes respondem de um modo quase automático a uma linguagem mais subtil, disfarçada e controladora: a linguagem do silêncio.
No dia-a-dia, a mímica desempenha um papel muito importante no âmbito da linguagem não-verbal. O olhar parece adaptado a assegurar o estabelecimento e manutenção do contacto com o outro. Quando eu olho o outro que me olha, eu sei que ele me vê e que a comunicação se estabelece entre nós. O olhar actualiza, a cada momento, o contacto entre os indivíduos. Neste processo de comunicação intervêm certas nuances que vão dar significado ao olhar, como por exemplo a abertura e piscar de olhos, levantar as sobrancelhas ou o franzir da testa. A boca desempenha um papel muito importante como registo de aceitação ou rejeição do outro. É o lugar do primeiro sorriso, onde é selado o amor da mãe e da criança. Os olhos e a boca combinam-se de várias formas produzindo uma grande variedade de expressões faciais.
Um aspecto importante da comunicação não verbal é a fidelidade com que as expressões corporais traduzem os estados sentimentais. Muitas vezes os gestos que escapam ao controlo da consciência desmentem o discurso que se profere, facto que justifica o ditado popular: "quem desdenha quer comprar".
No âmbito social, isto reflecte-se na existência de um código socio-cultural de ritos de encontro, despedida, acolhimento, seja pelo aperto de mão, a palmada no ombro, o abraço ou o beijo, com variações significativas consoante o sexo, a idade, a cultura ou a religião. Pode, então, constatar-se que o silêncio não significa falta de comunicação. Comporta, antes, um repertório comunicacional muito vasto que completa, e por vezes substitui, a própria comunicação verbal.
A experiência do dia-a-dia ensinou-nos a diferenciar o silêncio num hospital do silêncio na igreja, numa biblioteca, na prisão, debaixo de água no fundo do mar, numa relação amorosa, ou em certos espaços de tempo onde nos parece que nada acontece. O silêncio pode ser associado, na relação com o outro, a sentimentos de intimidação ou respeito, hostilidade, desdém, tranquilidade, medo, compaixão, carinho ou compreensão.O conhecimento popular, sempre pioneiro na tentativa de compreensão dos fenómenos, reconhece o valor do silêncio na dinâmica social, exprimindo-o através de provérbios tais como: "o silêncio é de ouro, a palavra de prata"; "quem cala consente", "as palavras leva-as o vento" ou "quem muito fala pouco acerta". Na nossa poesia o silêncio adquire o significado de solidão e de dor em temas ligados ao amor. Desde os primórdios culturais do ser humano o silêncio remete para a ideia da imobilidade do dormir e da morte. Encontramos uma ressonância desta ideia na maioria das culturas. É este o silêncio que permite a prática de muitos ritos sagrados e constitui um factor essencial da meditação e da adoração.
Estes factos levam-nos à constatação duma "psicologia do silêncio".
A sociedade em que vivemos prima pelo uso da palavra nas relações sociais. Fruto do ritmo frenético do dia-a-dia, somos pouco tolerantes ao silêncio dos outros. Por outro lado, também não temos muito tempo nem vontade para ouvir. Estamos viciados num registo de comunicação do qual não queremos abdicar. Passar a ouvir os outros e a sentir o que de facto nos querem comunicar exige uma mudança de registo, um uso de outro "idioma". Mas mudar pode ser desgastante e desconfortável porque nos conduz a uma confrontação individual. Teremos medo do contacto próximo com as pessoas pelo receio do esclarecimento e da lucidez relacional? Qualquer ressaca é sempre dolorosa, incluindo a da embriaguez afectiva. Mas não querendo mudar, resta-nos apenas colmatar o silêncio. Há que preencher, a todo o custo, esses momentos intoleráveis nos outros e intolerados em nós. Há que preencher esses nossos espaços vazios para não mostrarmos como é, para não nos confrontarmos com as nossas faltas, para não nos "despirmos" perante nós próprios nem perante os outros. Falamos, mas pouco dizemos. Não estará subjacente à conversa do dia-a-dia o conteúdo proibido que não suportamos expressar? Não será o falar uma defesa perante um compromisso social de dizer alguma coisa? Não será o barulho, a música e a procura exaustiva do contacto audiovisual, um compromisso individual de dizer, de sentir, e de se ser alguma coisa? O silêncio torna-se como que um miradouro para a nossa intimidade. Quem não tem medo de se abeirar desse miradouro tão alto?
O silêncio permite fazer um intervalo no teatro da vida. Leva-nos aos bastidores onde os papeis são novamente recordados e actualizados. Depois desse instante de descanso e de encontro com a nossa intimidade, preparamo-nos para entrar de novo em cena.
Tal como na música onde é o silencio das pausas que tem o poder de criar o ritmo, também na dinâmica da vida psíquica é a procura da experiência do silêncio, do segredo, da não-música, da intimidade, que constitui o impulso para a construção da vida mental interior. O segredo, como o silêncio, ajuda a criar o imaginário e a musicalidade interior. Não há vida mental sem segredo, não há música sem silêncio.

[;)][;)]
 
O PODER DO SILÊNCIO - Eckhart Tolle​



A calma é a nossa natureza essencial. O que é a calma? É o espaço interior ou a consciência onde as palavras aqui escritas são assimiladas e se transformam em pensamentos. Sem essa consciência, não haveria percepção, não haveria
pensamentos nem mundo. Você é essa consciência em forma de pessoa.
​



Quando você perde contacto com sua calma interior, você perde conctato com você mesmo. Quando perde esse
contacto, você fica perdido no mundo. Sua mais íntima noção de si mesmo, de quem você é, não pode ser separada da calma. Ela é o EU SOU, mais profundo do que seu nome e da sua forma externa. ​


O equivalente ao barulho externo é o barulho interno do pensamento. O equivalente ao silêncio externo é a calma interior. Sempre que houver silêncio à sua volta, ouça-o. Isso significa: apenas perceba-o. Preste atenção nele. Ouvir o silêncio desperta a dimensão de calma que já existe dentro de você, porque é só através da calma que você pode
perceber o silêncio. Note que, quando você percebe o silêncio à sua volta, você não está pensando. Você está consciente do silêncio, mas não está pensando. ​


Quando você percebe o silêncio, instala-se imediatamente uma calma alerta no seu interior. Você está presente.
Nesses momentos você se liberta de milhares de anos de condicionamento humano coletivo. ​


Olhe para uma árvore, uma flor, uma planta. Deixe sua atenção repousar nelas. Note como estão calmas, profundamente enraizadas no Ser. Deixe que a natureza lhe ensine o que é a calma. ​


Quando você olha para uma árvore e percebe a calma da árvore, você também se acalma. Você se conecta à
árvore num nível muito profundo. Você sente uma unidade com tudo o que percebe na calma e através dela. Sentir a sua unidade com todas as coisas é amor. ​


O silêncio ajuda, mas você não precisa dele para encontrar a calma. Mesmo se houver barulho por perto, você pode perceber a calma por baixo do ruído, do espaço em que surge o ruído. Esse é o espaço interior da percepção pura, da própria consciência. Você pode se dar conta dessa percepção como um pano de fundo para tudo o que seus sentidos apreendem, para todos os seus pensamentos. Dar-se conta da percepção é o início da calma interior. ​


Qualquer barulho perturbador pode ser tão útil quanto o silêncio. De que forma? Abolindo a sua resistência interior ao barulho, deixando-o ser como ele é. Essa aceitação também leva você ao reino da paz interior que é a calma. Sempre que você aceitar profundamente o momento como ele é - qualquer que seja a sua forma -, você experimenta a calma e fica em paz. ​


Preste atenção nos intervalos - o intervalo entre dois pensamentos, o curto e silencioso espaço entre as palavras e frases numa conversa, entre as notas de um piano ou de uma flauta ou o intervalo entre a inspiração e a expiração. Quando você presta atenção nesses intervalos, a percepção de "alguma coisa" se torna apenas percepção. Dentro de você surge a
pura consciência desprovida de qualquer forma. Você deixa então de identificar-se com a forma. ​


A verdadeira inteligência atua silenciosamente. A calma é o lugar onde a criatividade e a solução dos problemas são encontradas. ​


Será que a calma e o silêncio são apenas a ausência de barulho e de conteúdo? Não, a calma e o silêncio são a própria inteligência, a consciência básica da qual provêm todas as formas de vida. A forma de vida que você pensa que é, vem dessa consciência e é sustentada por ela. Essa consciência é a essência das galáxias mais complexas e das folhas mais simples. É a essência de todas as flores, árvores, pássaros e demais formas de vida.
A calma é a única coisa no mundo que não tem forma. Na verdade, ela não é uma coisa nem pertence a este mundo.
​



Quando você olha num estado de calma para uma árvore ou uma pessoa, quem está olhando? É algo mais profundo do que você. A consciência está olhando para a sua própria criação. É isso que você vê quando olha num estado de calma, sem pensar em nada. ​


Você precisa saber mais coisas do que já sabe? Você acha que o mundo será salvo se tiver mais informações, se os
computadores se tornarem mais rápidos ou se forem feitas mais análises intelectuais e científicas? O que a
humanidade precisa hoje é de mais sabedoria para viver. ​


Mas o que é sabedoria e onde ela pode ser encontrada? A sabedoria vem da capacidade de manter a calma e o silêncio interior. Apenas veja e ouça. Não é preciso nada além disso. Manter a calma, olhando e ouvindo, activa a inteligência que existe dentro de você. Deixe que a calma interior oriente suas palavras e ações [...medite]. ​


A maioria das pessoas passa a vida toda aprisionada nos limites dos próprios pensamentos. Nunca vai além das estreitas idéias já feitas, do sentido do "eu" condicionado ao passado. ​


Em você, como em cada ser humano, existe uma dimensão de consciência bem mais profunda do que o pensamento. É a essência de quem você é. Podemos chamá-la de presença, de percepção, de consciência livre de condicionamentos. ​


Descobrir essa dimensão liberta você do sofrimento que causa a si mesmo e aos outros, quando você conhece apenas esse pequeno "eu" condicionado e deixa que ele conduza sua vida. O amor, a alegria, a criatividade e a verdadeira paz interior só podem entrar em sua vida quando você atinge essa dimensão de consciência livre de condicionamentos. ​


Se você reconhecer, mesmo esporadicamente, que os pensamentos que passam pela sua cabeça são meros
pensamentos; se você consegue se dar conta dos padrões que se repetem em suas reações mentais e emocionais, é sinal de que essa dimensão de consciência está emergindo. Ela é o espaço interno em que o conteúdo de sua vida se desdobra. ​


A corrente do pensamento tem uma enorme força que pode muito facilmente levar você de roldão. Cada pensamento tem a pretenção de ser extremamente importante. Cada pensamento quer sugar sua completa atenção. ​


Eis um novo exercício mental para você praticar: não leve seus pensamentos muito a sério! ​


Com muita facilidade as pessoas ficam aprisionadas nas armadilhas de seus próprios pensamentos! ​


Como a mente humana tem um imenso desejo de saber, de compreender e de controlar, ela confunde opiniões e pontos
de vista com a verdade. A mente afirma: "as coisas são exatamente assim". Você precisa ir além dos seus
pensamentos para perceber que, ao interpretar a "sua vida" ou a vida e o comportamento dos outros, ao julgar qualquer situação, você está expressando apenas um ponto de vista entre muitos possíveis. Suas opiniões e pontos de vista não
passam de um punhado de pensamentos. Mas a realidade é outra coisa. Ela é um todo unificado em que todas as coisas se interligam e nada existe em si e por si. Pensar fragmenta a realidade, cortando-a em pequenos pedaços, em pequenos conceitos. ​


A mente pensante é uma ferramenta útil e poderosa, mas torna-se muito limitadora quando invade completamente a sua vida, impedindo você de perceber que a mente é apenas um pequeno aspecto da consciência que você é. ​


A sabedoria não é um produto do pensamento. A sabedoria é um profundo conhecimento que vem do simples acto de dar total atenção a alguém ou a alguma coisa. A atenção é a inteligência primordial, a própria consciência. Ela dissolve as barreiras criadas pelo pensamento, levando-nos a reconhecer que nada existe em si e por si. A inteligência une a​

pessoa que percebe ao objecto percebido, num campo unificado de percepção. É a atenção que cura a separação.

[;)][;)][;)]
 
Última edição:
Voltar
Superior