[Sociedade] O sentido do dever

nunomplopes

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Mais que uma crise de valores, ou monetária como tanto obsessivamente dscutimos, muitos esquecem-se de a crise do dever que nos grassa. Ou por todo este conjunto, o valor de cumprirmos com as nossa obrigações, e por conseguinte se o tivessemos, de a mesma fazer para pagar os nossos dividendos, a crise não seria assim tão astronómica como se apresenta, e nós sabemos esse efeito que se cria e o dever, é aqui o papel chave em toda esta questão.

Quando existe uma falha no nosso cumprimento, leva-nos a que mais se deixem de levar por arrasto, chega a um ponto em que já nem sabemos quem deve a quem, tal como uma doença que se propaga.

Aqui é que discutimos a crise, mas não nos apercemos disto, e não nos perguntamos, aonde começou e até onde irá acabar! Sem este sentido...

Assim pergunto, o dever, está também a deixar engolir-se nesta crise?...
 
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Quando tens um estado que não paga o que deve a tempo e horas, mas que exige que lhes paguem dentro de prazos, acho que não é muito difícil quem é a ovelha negra.

Tudo o resto vai por arrasto. O pior é que em Portugal parece que o que é normal, é ficar-se a dever.
 
Quando tens um estado que não paga o que deve a tempo e horas, mas que exige que lhes paguem dentro de prazos, acho que não é muito difícil quem é a ovelha negra.

Tudo o resto vai por arrasto. O pior é que em Portugal parece que o que é normal, é ficar-se a dever.

O estado tem por obrigação necessária de cumprir o seu papel, nem é de exemplo e nem se pode esperar em demonstrar o que devia...

Mas também é de relembrar aqueles que devem a este (até corruptamente, no pior exemplo!) e assim, quem por direito deveria receber pelo que cumpre se veja envolvido nesta teia e seja prejudicado.

Aonde podemos arranjar aqui um ponto de partida para perceber aonde tudo começa? É impossivel...
 
Mais que uma crise de valores, ou monetária como tanto obsessivamente dscutimos, muitos esquecem-se de a crise do dever que nos grassa. Ou por todo este conjunto, o valor de cumprirmos com as nossa obrigações, e por conseguinte se o tivessemos, de a mesma fazer para pagar os nossos dividendos, a crise não seria assim tão astronómica como se apresenta, e nós sabemos esse efeito que se cria e o dever, é aqui o papel chave em toda esta questão.

Quando existe uma falha no nosso cumprimento, leva-nos a que mais se deixem de levar por arrasto, chega a um ponto em que já nem sabemos quem deve a quem, tal como uma doença que se propaga.

Aqui é que discutimos a crise, mas não nos apercemos disto, e não nos perguntamos, aonde começou e até onde irá acabar! Sem este sentido...

Assim pergunto, o dever, está também a deixar engolir-se nesta crise?...


A causa da fuga aos impostos é clara, se o governo fosse mais justo e sensato na redistribuição dos fundos públicos, não se ponderava tanto em fazer biscaites por debaixo da mesa.
Muitos que o fazem,são obrigados a isso.
 
O estado tem por obrigação necessária de cumprir o seu papel, nem é de exemplo e nem se pode esperar em demonstrar o que devia...

Mas também é de relembrar aqueles que devem a este (até corruptamente, no pior exemplo!) e assim, quem por direito deveria receber pelo que cumpre se veja envolvido nesta teia e seja prejudicado.

Aonde podemos arranjar aqui um ponto de partida para perceber aonde tudo começa? É impossivel...

Se o estado não der o exemplo, quem o vai fazer?!?
 
A causa da fuga aos impostos é clara, se o governo fosse mais justo e sensato na redistribuição dos fundos públicos, não se ponderava tanto em fazer biscaites por debaixo da mesa.
Muitos que o fazem,são obrigados a isso.

Eu nem me centralizo só nisso, mas englobo o dever comum,(a todos nós também!).,[;)]

Eu não consigo olhar para trás e saber que, quem me deve foi originado por quem lhe devia o que o outro lhe deveu! Só sei que o que me deverão terei de dever a outo que por conseguinte também o deverá, e assim, se gera todo este sentido, de ficar a dever, ou de não cumprir o seu dever! [:D] Aonde começa isto e acaba!? Começou logo no primeiro gajo que se lembrou de começar a dever... (e por certo terminrá quando se lembarem de pagar!)[:D]
 
A falta do sentido do dever começa principalmente por uma crise de valores. A crise económica apenas é semente em terra fértil.

Se certos valores fossem respeitados e assumida a sua importância por cada indivíduo e pela sociedade no seu todo, talvez o “sentido do dever” fosse cumprido com naturalidade e nem precisasse de ser assunto de conversa.
Só que, por cá, isso é uma miragem, pois o incumprimento é algo naturalíssimo e as pessoas não têm vergonha de ficar a dever ou não cumprir os seus compromissos.

É prática corrente ficar-se a dever, comprar fiado ou com dinheiro emprestado e não se cumprir com as suas obrigações. Depois surge a tal bola de neve – A não paga a B porque ainda não recebeu de C, o qual não paga a B porque não recebeu de D, e este por seu lado espera que E lhe pague o que deve.

Na realidade começa a tornar-se um lugar-comum ninguém pagar a ninguém a tempo e horas começando esta situação a tornar-se insustentável numa cadeia na qual todos estão interligados e dependentes entre si.
Mas se, em muitos casos, não se paga porque a vida vai correndo mal, noutros há em que não se cumpre com o dever porque as pessoas não têm responsabilidade e envergam uma enorme cara-de-pau esquecendo-se das inúmeras pessoas que, directa e indirectamente, poderão sair prejudicadas.

Muitos preferem ter um bom carro, telemóvel ou relógio em lugar de cumprirem com o seu dever para com os outros.
Mas como nos nossos dias a responsabilidade e honra não se levam penduradas ao pescoço para todos verem, as pessoas ficam-se pela fachada da ostentação que salta à vista. Esta tem sido a maior causa da ruina no tecido empresarial do nosso país e a responsável pelo incumprimento do dever que é aceite com normalidade por todos.
Um país onde não há caloteiros, só devedores.

(Como vês, Nuno, afinal não caí da cadeira
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)
 
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Se o estado não der o exemplo, quem o vai fazer?!?
Se as pessoas tivessem o exemplo de o fazer, estes aprendessem (também) o a sua obrigação.

O estado não é nenhuma máquina, é composto por pessoas e se ouvesse uma educação primária disto, talvez isto não fosse uma ocorrência frequente. Não e preciso um doutoramento para perceber, que só alimentam o monstro e vai sempre tocar a todos, até meio mundo dever a outro meio...[:D]
 
Se as pessoas tivessem o exemplo de o fazer, estes aprendessem (também) o a sua obrigação.

O estado não é nenhuma máquina, é composto por pessoas e se ouvesse uma educação primária disto, talvez isto não fosse uma ocorrência frequente. Não e preciso um doutoramento para perceber, que só alimentam o monstro e vai sempre tocar a todos, até meio mundo dever a outro meio...[:D]

E as pessoas são máquinas?

O estado tem de dar o exemplo, é imperativo! Qual é a moral que o estado tem de exigir que lhe paguem o que lhe devem, se não paga o que deve? O que não quer dizer que as pessoas também não o façam.
 
E as pessoas são máquinas?

O estado tem de dar o exemplo, é imperativo! Qual é a moral que o estado tem de exigir que lhe paguem o que lhe devem, se não paga o que deve? O que não quer dizer que as pessoas também não o façam.

É a mesma moral que eu não tenho, porque eu não pague o que devo porque não me pagam o que devem. Mas estamos de acordo, ou seja nenhuma...[:D]
 
O sentido do dever não existe em Portugal muito por culpa do regime ditatorial e da revolução dos cravos que se lhe seguiu. Ficámos para sempre marcados com a anterior falta de liberdade e direitos. Quando a revolução nos deu a liberdade e os direitos tão almejados, acabámos embebedados por esses sentimentos a tal ponto que nos esquecemos que também e ainda continuamos a ter deveres. Hoje toda a gente reclama direitos, mas ninguém se lembra dos deveres que há que cumprir antes de mais. E enquanto continuarmos a pensar assim, que os direitos vêem primeiro, continuaremos a não saber evoluir como uma sociedade.
 
[;)]

Oh homem não te enerves, a essência por si, é semelhante a um disco riscado, quando um não paga a outro... a melodia é sempre a mesma.


A diferença é que o estado obriga mesmo a que pagues dentro de prazos, porque senão pagas juros e/ou multas, enquanto que as pessoas apenas exigem.

Ora o estado para ser um cobrador implacável, deveria dar o exemplo e ser um bom pagador. Isto reflectiria-se certamente na sociedade, até porque o estado deve ser o maior devedor do país.
 
A diferença é que o estado obriga mesmo a que pagues dentro de prazos, porque senão pagas juros e/ou multas, enquanto que as pessoas apenas exigem.

Ora o estado para ser um cobrador implacável, deveria dar o exemplo e ser um bom pagador. Isto reflectiria-se certamente na sociedade, até porque o estado deve ser o maior devedor do país.
Tens toda a razão e não o posso negar, é facto![;)]

Mas permite-me fazer uma pequena analogia que estou a não tentar olhar só para esse lado.[;)]

Temos a tendência para olhar o que se passa lá em cima no inferno, e esquecemos de educar os comuns pecadores, que por aqui andam na terra. Ora se não soubermos dizer o que seja pecado (neste caso, aplicando o que falamos aqui, o dever), concerteza um dia estarão mais umas almas lá em cima atear mais o fogo.

Melhor dizendo que, isto também deve partir de uma educação base.
 
vai aqui uma salganhada....
eu cumpro com o meu dever e quando precisar do Estado será que vou receber na mesma medida? Se for ao hospital e me vir obrigada a recorrer ao privado? Quer dizer que o Estado cumpre com o seu dever!

O Estado não está imune de falhas e pessoas a fugir aos impostos, sempre as houve.
 
Queixamo-nos constantemente do Estado, mas o Estado é o espelho da sociedade que o criou.
Enganar o Estado parece ser motivo de orgulho para nós, lusitanos, que fugimos ao fisco e não cumprimos com as nossas obrigações. Uma atitude estúpida que justifica a baixa qualidade de vida reinante.

Nos países mais evoluídos é impensável enganar o estado, pois o nível de vida das populações é assegurado se todos cumprirem o seu dever.
Assim, por lá as pessoas denunciam o vizinho se não for cumpridor, pois está a contribuir para a perda de qualidade de vida da comunidade.
Ali, este é visto como um bandido sem carácter enquanto quem cumpre é um bom cidadão que contribui para o bem comum.

Por cá, se o vizinho não cumprir com o dever, nós tentamos meter conversa para saber como o fez para fazermos igual. A qualidade de vida e o sentido de dever é algo abstracto que não interessa a ninguém, pois o colectivo começa no meu umbigo e termina nele.
Aqui, um cidadão destes é catalogado de esperto e é apreciado por isso, enquanto aqueles que cumprem o seu dever são classificados de totós.

Estas são diferenças que fazem toda a diferença! Diferenças culturais.
 
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