"Militares contam outra versão dos 13 dias de cativeiro no Irão
Seis dos 15 marinheiros e fuzileiros britânicos, que foram libertados anteontem pelo Irão após 13 dias de cativeiro, disseram ontem, numa conferência de Imprensa, que estavam em águas territoriais do Iraque quando foram detidos no passado dia 23 de Março por militares iranianos. Entretanto, a Royal Navy (Marinha do Reino Unido) decidiu suspender as patrulhas britânicas no Golfo Pérsico, até esclarecimento das circunstâncias que levaram à referida detenção.
"Encontrávamo-nos a 1,7 milhas náuticas (3,15 quilómetros) das águas territoriais iranianas", afirmou o tenente Felix Carman, lendo um comunicado redigido em nome dos 15 militares.
O capitão Christopher Air foi outro dos seis participantes neste contacto com os jornalistas que relatou, lendo o mesmo comunicado, a forma como os acontecimentos decorreram desde o momento em que o grupo foi detido até à libertação. O documento refere que, durante o cativeiro, os militares britânicos foram amordaçados, vendados, encarcerados e atados de pés e mãos, foram interrogados "agresivamente" e sujeitos a "constantes pressões psicológicas", e foram ameaçados de incorrerem numa pena de prisão de sete anos, se não confessassem que tinham violado águas territoriais do Irão.
Segundo Christopher Air, a única mulher do grupo - Faye Turney, que ontem não apareceu aos jornalistas - foi mantida afastada dos 14 companheiros durante o cativeiro. Aliás, a descrição desse período de detenção, feita pelos militares britânicos, contrasta também com as imagens então divulgadas pela televisão do Irão, nas quais eles apareciam a sorrir, a comer e até a jogar xadrez. O grupo classificou ontem essas imagens como "estratagemas" de informação.
A BBC recordava ontem que "a televisão iraniana tinha dito esperar que alguns dos marinheiros britânicos, depois de regressarem ao país, fossem pressionados pelo Governo do Reino Unido para contarem outra história".
O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) do Irão, através de um fax enviado ontem à agência noticiosa France Press, comentou nos seguintes termos a referida conferência de Imprensa "As encenações e as acções de propaganda não conseguem encobrir os erros dos militares britânicos relativamente à violação das águas territoriais da República islâmica". Subscrito por Mohammad Ali Hosseini, porta-voz do MNE iraniano, o comentário sublinha que essas acções não podem encobrir "os erros repetidos dos militares britânicos, que entraram sem autorização no território iraniano".
Durante a crise, o Irão exibiu mapas e declarações gravadas em vídeo, nas quais os militares admitiam a violação das águas e pediam desculpa pelo incidente.
Patrulhas suspensas
O Reino Unido anunciou ontem a suspensão de todas as operações navais e patrulhamentos britânicos no Golfo Pérsico. O almirante Jonathon Band, chefe de pessoal da Royal Navy, anunciou que as operações estão suspensas até que seja esclarecido o incidente que redundou na detenção dos 15 marinheiros e fuzileiros navais pelo Irão. "Obviamente, procederemos a uma revisão completa. Neste contexto, serão reconsiderados os procedimentos operacionais e as respectivas normas vinculares", adiantou ainda Jonathon Band. O almirante defendeu, por outro lado, a atitude e o comportamento dos militares e afirmou que a cooperação [que demonstraram com os iranianos] foi provavelmente obtida sob "alguma pressão psicológica (...) O grupo agiu com considerável dignidade e muita coragem", declarou o almirante à BBC. Recorda-se que o Irão mantém-se na posse das duas únicas embarcações que os britânicos utilizavam para levar a cabo patrulhamentos na zona."
Em
http://jn.sapo.pt/2007/04/07/mundo/militares_contam_outra_versao_13_dia.html