[Sociedade] O Ataque dos Medíocres

MariaHelena

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Considero este artigo importante para o momento que vivemos, por isso o partilho aqui.


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Precisamos mais de estabilidade ou criatividade?
A incapacidade para criar e apreciar a excelência, ou seja, a mediocridade, é necessária para a estabilidade social: um mundo de génios seria ingovernável. Todavia, possui também uma vertente maligna que procura destruir qualquer indivíduo que se destaque.
Quando surge um verdadeiro génio no mundo, podemos reconhecê-lo pelo seguinte sinal: todos os medíocres conspiram contra ele.” Foi assim que o médico, aventureiro e escritor irlandês Jonathan Swift (1667–1745), autor de As Viagens de Gulliver, resumiu a eterna tensão entre excelência e mediocridade, duas características da psicologia humana que exercem grande influência no funcionamento da sociedade. Cada uma se rege pelas suas próprias leis e ambas são necessárias: uma promove o progresso, a outra assegura a estabilidade social.
Aspirar a ultrapassar-se a si próprio, quer através da própria criatividade, quer apoiando e admirando indivíduos notáveis, constitui uma qualidade intrínseca de um ser humano são. Sem essa tendência natural, não desejaría­mos ser melhores como pessoas, nem aprender bem um ofício; não existiria progresso ou desenvolvimento, nem nada de novo à face da Terra. Viveríamos em cavernas.
Todavia, o valor oposto, a mediocridade, não é tão indesejável como pode parecer à primeira vista. De facto, desempenha uma função como parte de uma estratégia altamente evolutiva: proporciona o contraponto de estabilidade ao factor de mudança introduzido pelos génios (pensadores, artistas, inventores, investigadores...), que são, por definição, inovadores. Se todos fôssemos criadores geniais, o mundo seria um caos. Ninguém iria querer trabalhar nas fábricas, distribuir correio, lavar pratos nos restaurantes. No entanto, há uma variante de mediocridade maligna que tem como único objectivo prejudicar o talento alheio e quem se destaca pelos seus méritos.
Luís de Rivera, catedrático espanhol de psiquiatria, define a mediocridade como a incapacidade para valorizar, apreciar ou admirar a excelência, e distingue três graus. A mediocridade comum é a forma mais simples e inócua. Os seus sintomas são a hiper-adaptação, a falta de originalidade e uma normalidade tão absoluta que poderia ser considerada patológica: a chamada “normopatia”. Os que a manifestam não têm ponta de criatividade e não sabem distinguir a excelência, mas respeitam as indicações que lhes dão e são consumidores bons e obedientes. O conformismo permite que se sintam razoavelmente felizes.
O segundo tipo, a mediocridade pseudocriativa, acrescenta à anterior uma tendência pretensiosa para imitar os processos criativos normais. Enquanto o medíocre comum não se esforça para além do mínimo exigível, o pseudocriativo sente necessidade de aparentar e ostentar poder. A imagem é tudo para ele, mas, como não distingue o belo do feio, o bom do mau, não mostra inclinação para favorecer progressos de qualquer tipo e incentiva as manobras repetitivas e imitativas.
Aqueles que se enquadram na síndrome da mediocridade inoperante activa (MIA) formam o terceiro grupo. Trata-se do mais prejudicial e agressivo, pelo que encaixa no perfil da maioria dos praticantes de assédio. Enquanto as categorias anteriores são simplesmente incapazes de reconhecer o génio, os MIA também se propõem destruí-lo por todos os meios ao seu alcance. O indivíduo afectado por esta síndrome desenvolve uma grande actividade que não é criativa nem produtiva, e possui um enorme desejo de notoriedade e influência. Por isso, tende a infiltrar-se em organizações complexas, nomeadamente as que já se encontram minadas por formas menores de mediocridade, com o objectivo de entorpecer ou aniquilar o progresso dos indivíduos brilhantes.

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Conspiração de néscios
Foi o espírito MIA que esteve por detrás da morte do filósofo grego Sócrates, dos crimes da Inquisição, da perseguição das elites intelectuais pelas ditaduras, do exílio de Freud e de Einstein e de incontáveis outros judeus, da queima de livros, da marginalização e absoluta pobreza em que morreram tantos artistas, da censura, do assédio e do abandono que vitimaram personalidades notáveis de todas as épocas e cantos do mundo.
Se o ser humano, como defendia o psicólogo norte-americano Abraham Maslow, tem inclinação para a excelência por natureza, então é preciso analisar o papel desempenhado pela cultura e pela educação. “Será possível que estejamos condicionados por uma espécie de selecção cultural que nos condena à imbecilidade?”, questiona o escritor italiano Pino Aprile no seu livro Elogio do Imbecil. Conclui que sim e que existe uma razão para todos os sistemas sociais advogarem a mediania: “A inteligência é como a areia que se introduz nas engrenagens: pode obstruir os mecanismos.” O génio é subversivo, não apenas por discutir a norma em vez de a aplicar, mas também por blo­quear, através da sua actuação, o percurso habitual de qualquer sistema burocrático. Por isso, segundo o autor, “o poder de uma organização social humana será tanto maior quanto maior for a quantidade de inteligência que conseguiu destruir”.
Há sistemas políticos que o fazem de uma forma mais óbvia do que outros. No Camboja de Pol Pot, os khmers vermelhos matavam qualquer indivíduo que não tivesse calos nas mãos, sinal de que poderia ser um intelectual e pensar pela própria cabeça. Outras culturas gabam-se de fomentar o individualismo e a meritocracia, mito que os Estados Unidos, por exemplo, sempre procuraram vender. Era também o ideal do liberalismo inglês do século XIX: se uma única pessoa quiser empreender algo diferente do que fazem os restantes mortais, tem o mesmo direito de escolher o caminho do que o conjunto maioritário, dizia o filósofo inglês John Stuart Mill, na obra Sobre a Liberdade.
Todavia, o mais frequente é que a imposição da mediocridade e a perseguição da excelência continuem a ser exercidas de forma insidiosa e subtil nas sociedades democráticas, e isso desde a mais tenra infância. O indivíduo me­díocre representa uma jóia para o sistema, pois é o consumidor ideal, fácil de manipular, e não questiona a autoridade nem as normas.
Talvez por esse motivo, o modelo educativo dominante não se dá geralmente ao trabalho de fomentar a excelência, a criatividade ou a iniciativa. As crianças usam o mesmo uniforme, preenchem as mesmas fichas e quase não tomam apontamentos; acompanham a lição num livro, igual para todos. Não interessa se uma delas é óptima a matemática e odeia línguas, ou se tem talento para desenhar mas não se interessa por álgebra. Têm todas de fazer o mesmo: adaptar-se sem se destacar demasiado, não causar conflitos. O que se espera delas é que sejam “normais”.

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A excepção finlandesa
Chama a atenção, como caso isolado, um discreto país nórdico em que quase não existe insucesso escolar. Na Finlândia, ser brilhante não é excepção. Os jovens concluem o ensino secundário com notas excelentes, a saber falar duas ou três línguas e com um saudável interesse pela leitura. De facto, é o país europeu com maior índice de consumo de livros e lidera a lista, na categoria de excelência educativa, do programa PISA para a avaliação internacional dos resultados dos estudantes da OCDE. Motivos? Para começar, a profissão de professor possui grande prestígio social; é um dos cursos universitários mais difíceis e que mais requisitos exige aos candidatos. Apenas os melhores conseguem chegar a dar aulas, e o método de ensino nada tem a ver com o que conhecemos: dá-se prioridade ao ensino individualizado e à liberdade criativa, e os alunos têm verdadeiro poder de decisão na escola, onde abundam as reuniões e os debates.
E na esfera laboral? Já houve quem tentasse explicar a forma como a mediocridade se impõe no trabalho através de uma série de princípios destinados a impedir a eficiência. Cyril Northcote Parkinson, historiador inglês com grande conhecimento do sistema burocrático britânico de meados do século XX e autor do livro A Lei de Parkinson, afirmava que “a tarefa a ser efectuada será insuflada de importância e complexidade na proporção directa do tempo disponível”. Na opinião deste observador da realidade social, o número de horas consagrado ao desempenho de uma actividade nada tem a ver com a qualidade do resultado (Paul McCartney corroborou o facto ao assegurar que os Beatles nunca investiram mais de duas horas a compor qualquer dos seus temas). Segundo Parkinson, quanto mais tempo alguém tiver para executar uma tarefa, mais irá demorar a fazê-la. Propôs mesmo uma equação para cacular o ritmo de crescimento da burocracia.
“O incompetente procura ocultar a própria incompetência através do aumento das suas competências”, assinalava Parkinson, que descreveu a forma como os chefes gostam de multiplicar o número de subordinados, pelo que contratam pessoas para dividir as tarefas, e como os funcionários arranjam sempre trabalho para os colegas. Isso significa que o resultado de determinada incumbência será o mesmo, quer seja feita por uma ou cinco pessoas, embora o processo, no segundo caso, seja mais longo e complexo: no prazo de dez dias, B tem de fazer aquilo de que encarregou A, para depois ser revisto por C, pelo que necessita de se reunir com A; D e E terão de aprovar, mas não sem antes lerem os relatórios escritos por C e B, após as respectivas secretárias terem enviado cópias aos primeiros, a fim de que A possa finalmente assinar o que poderia ter escrito e rubricado desde o início, concluindo a tarefa em apenas um dia. Por exemplo...
Ascensão imparável?
Por sua vez, o pedagogo canadiano Laurence J. Peter (1919–1990) explicou o êxito profissional dos medíocres através do que denominou “princípio de Peter”: “Numa empresa ou organização, qualquer trabalhador tende a ascender até atingir o seu nível de incompetência.” Se nos promoverem devido aos nossos méritos, acabaremos por ocupar um cargo para o qual não temos competência e deixaremos de nos destacar (e de ascender), permanecendo enquistados no nosso nicho de mediocridade. Uma das consequências é que quem alcança o seu nível de incompetência poderá sentir-se tentado a boicotar os subordinados de forma a não serem promovidos (ou mesmo a serem despedidos); assim, acaba por agir como uma espécie de tampão involuntário para as próximas gerações. Os norte-americanos, que levam muito a sério a questão da eficiência, adiantaram algumas soluções, como a de premiar um bom trabalhador com um aumento salarial em vez de uma promoção. Todavia, parece que entram em jogo outros factores no complexo sistema da mediocridade.
De acordo com o princípio de Dilbert, “as empresas promovem sistematicamente os trabalhadores menos competentes a cargos directivos, a fim de limitar os danos que eles podem provocar”. O termo foi inventado por um economista nova-iorquino, Scott Adams, que é também autor da banda desenhada humorística protagonizada por Dilbert, um excelente engenheiro ao serviço de um chefe despótico. Os desenhos, publicados originalmente no Wall Street Journal, inspiraram posteriormente um livro e, para além do aspecto lúdico, demonstraram constituir um fiel reflexo da organização empresarial nos Estados Unidos (seguramente extensível a outros países). Numa entrevista à revista Funny Business, Adams explicava: “Muitas vezes, promove-se a pessoa menos competente apenas para afastá-la do verdadeiro trabalho. É preferível que se dedique a coisas simples, como pedir café ou gritar com os outros. Os programadores e os cirurgiões, pessoas verdadeiramente brilhantes, não costumam figurar no quadro de administração das empresas.”
A percentagem de medíocres é sempre maior do que a proporção de pessoas notáveis. O que aconteceria se fosse ao contrário e os criativos dominassem? Pois, ninguém vestiria de acordo com os ditames da moda, nem iria querer trabalhar nas fábricas que materializam os inventos dos inventores; haveria frequentes revoluções políticas, os departamentos dos organismos públicos estariam vazios e não haveria best-sellers. Em Ao Farol, de Virginia Woolf, uma das personagens interroga-se se o mundo seria diferente se Shakespeare não tivesse existido, e conclui: “Provavelmente, não. Talvez o bem geral exija a existência de uma massa de servos. O condutor do metro, esse sim, é uma necessidade eterna.”
Em busca de um ideal
Nesse caso, estará a excelência reservada a uma pequena minoria? Se definirmos a mediocridade, não pelas suas conquistas, mas como sendo uma atitude (a incapacidade de valorizar a excelência), então também poderíamos definir o oposto nos mesmos termos. Isto é, uma pessoa excelente é aquela capaz de reconhecer e apreciar o bom, o notável, o brilhante, o belo ou o original, quer seja ou não artífice do objecto apreciado. Não é preciso ser Aristóteles, Dalí ou Einstein; a excelência também está presente nos que sabem admirar o talento dos outros e tomá-lo, subtilmente, por modelo.
Não depende das notas na escola, nem da classe socioeconómica, nem da profissão. Um humilde lavador de pratos pode pender para a excelência se for capaz de reconhecê-la e respeitá-la; nesse caso, terá bom gosto para se vestir, embora a roupa seja barata, e saberá escolher os amigos, distinguir um bom filme de um fraco e apreciar a beleza de um pôr-do-sol. Do mesmo modo, é possível que um rei, um líder político ou um multimilionário seja um medíocre, sem capacidade para distinguir o excepcional. Por muito dinheiro, fama ou poder que tenha, a decoração da sua casa não terá grande estilo, dificilmente saberá escolher pessoal bem preparado para o auxiliar e não conseguirá distinguir sozinho uma verdadeira obra de arte de uma variação oportunista sobre os temas da moda.
A procura da excelência implica uma tensão interior que faz o indivíduo suplantar-se, acelerando o seu desenvolvimento ou potenciando e admirando o progresso dos outros. O excelente é idealista, rebelde, aventureiro, altruísta, incansável, mas pode também ser egocêntrico, insatisfeito, maníaco e viciado no trabalho, ou manifestar dificuldade em adaptar-se e socializar. Quando a pressão para nos ultrapassarmos a nós próprios é excessiva, conduz ao perfeccionismo. Quanto mais alguém tiver inclinação para a excelência, menos satisfeito estará consigo próprio, enquanto o medíocre raras vezes é vítima de uma sensação de fracasso e sente-se, geralmente, satisfeito com a vida que leva.
O filósofo inglês Bertrand Russell sabia, por experiência própria, como é difícil adaptar-se à “tirania da ignorância”; no livro A Conquista da Felicidade, aconselha os génios incompreen­di­dos a emigrarem para um lugar onde as suas ideias sejam mais bem recebidas, a fingirem aceitar os preconceitos e os costumes dominantes ou a tentarem que a sua independência de espírito não seja interpretada como uma provocação. Na realidade, por muito que custe admiti-lo, ser tomado por louco traz muito menos problemas.
L.G.R.

Os normais e os outros
A mediocridade e o seu oposto, a excelência, surgem ligadas a uma série de características contraditórias: a primeira costuma ter por aliados a inveja, a imitação, o conformismo, a adaptação, a tradição, a inércia e a rotina; a segunda é amiga da admiração, da criatividade, do inconformismo, da rebeldia, da inovação, da curiosidade e da iniciativa. Outros sete associados de uma e outra:
Instinto de sobrevivência – A prioridade do medíocre é sobreviver, custe o que custar. Mais vale ser parvo do que morto, como dizia o escritor escocês Robert-Louis Stevenson. É o oposto do instinto de suplantar, que procura alargar os horizontes, mesmo que se tenha de arriscar a vida. Será que Colombo pensava no risco que corria ao atravessar o oceano na sua frágil embarcação?
Terror do infinito – O medíocre não só não consegue imaginar o infinito, como sente naúseas só de pensar nisso. Em contrapartida, o excelente acolhe a espiritualidade e procura um sentido para a vida.
Egoísmo – Ao “salve-se quem puder” opõe-se o altruísmo do indivíduo excelente, que dá prioridade à ideia do progresso e ao bem da humanidade.
Normopatia – O medíocre receia e detesta sair dos carris, ser diferente. O excelente encoraja o individualismo para desenvolver as suas qualidades inatas.
Comodismo – Como se está bem no sofá a ver televisão! O oposto é o apelo da aventura: vou ficar na modorra quando há tanto por descobrir?
Materialismo – Ao “sou o que tenho” do medíocre contrapõe-se o idealismo, motor do génio.

Semear a discórdia
Eis como agem, em diferentes esferas sociais, os indivíduos com síndrome de mediocridade inoperante activa:
Na escola – As crianças agressivas que praticam o bullying ou assédio escolar costumam ser as mais ignorantes e menos aptas intelectualmente. Por sua vez, os professores medíocres esforçam-se por ridicularizar e destruir qualquer lampejo de genialidade entre os seus alunos.
No trabalho – Os responsáveis por mobbing ou assédio moral no trabalho (em Portugal, a Autoridade para as Condições do Trabalho recebeu 913 queixas entre 2005 e 2008, mas há milhares de casos responsáveis por muitas baixas laborais) são, geralmente, individíduos afectados pela síndrome MIA.
No casal – Muitos agressores psicológicos que exercem violência de género são indivíduos medíocres e inseguros que se sentem ameaçados pelo que interpretam como uma superioridade do outro.
Na família – A “ovelha negra” é, muitas vezes, a única pessoa que tenta pensar por si própria e empreender um caminho diferente do esperado. Se um membro do clã manifestar a síndrome MIA, irá tornar-lhe a vida impossível.
Na religião – A Inquisição eliminou todos os génios que conseguiu encontrar. Muitas igrejas são, ainda hoje, dirigidas por uma elite de medíocres com poder que não entende os ensinamentos do seu fundador e as corrompe para justificar a perseguição dos infiéis.
Na política – O que se passa quando um líder faz bem o seu trabalho, pretende mudar o mundo e começa a falar de justiça e liberdade? A síndrome MIA entra em acção para destruí-lo, como aconteceu com Gandhi ou Martin Luther King. E no caso de ser o político a manifestar a síndrome? Hitler foi um bom exemplo.
Na arte – A excelência desperta o ódio virulento dos artistas medíocres que não conseguem alcançá-la. Salieri, por exemplo, pode ser considerado uma vítima da síndrome, pois vivia obcecado pelo génio de Mozart, apesar de ele próprio ter deixado uma obra que não desmerece.
Na ciência – De cada vez que um sábio descobre algo que contradiz o pensamento vigente, a elite científica dominante cai-lhe em cima. Galileu esteve prestes a arder por afirmar que a Terra se movia. Hoje, mesmo sem fogueiras, as coisas não são muito diferentes.
Na universidade – Tristemente, como disse um filósofo, “intervém ali a inveja dos medíocres e o jogo sujo dos mafiosos; a inveja e a corrupção são duas ­doenças que causam muitos danos na vida académica ou universitária”. O famoso governo dos sábios, na sua própria casa, não é imune à mediocracia.


Link: O ataque dos medíocres
 
Última edição:
Em parte aonde roça nos processos de ensino faz-me recordar um pouco o que discuti aqui (http://forum.autohoje.com/off-topic/96590-esta-o-autodidatismo-extinto-por-si.html (e sou de acordo completamente que deviamos saber valorizar, o saber individual, e não tanto o colectivo, ou seja, quando partem todos do mesmo...)) a que também ter a liberdade de nem que seja, por nós aprendermos (pelos nossos processos, até assim direi).

Só que já dei que dirão... estás insano! Não! Eu talvez seja é um génio como se valoriza no artigo![:p]

Peço imensa desculpa, mas pela minha opinião também não quero de todo, que a MariaHelena fique sem pupilos...[:D]

Edit: Para situar melhor aonde diz isto:

(...)dá-se prioridade ao ensino individualizado e à liberdade criativa, e os alunos têm verdadeiro poder de decisão na escola, onde abundam as reuniões e os debates.
EDIT II: E acho que a alguns deveriam ficar bem estas palavras presas no olhar:

Não depende das notas na escola, nem da classe socioeconómica, nem da profissão. Um humilde lavador de pratos pode pender para a excelência se for capaz de reconhecê-la e respeitá-la; nesse caso, terá bom gosto para se vestir, embora a roupa seja barata, e saberá escolher os amigos, distinguir um bom filme de um fraco e apreciar a beleza de um pôr-do-sol
EDIT III: Acho que muitos por cá estão a seguir mesmo esse conselho:

O filósofo inglês Bertrand Russell sabia, por experiência própria, como é difícil adaptar-se à “tirania da ignorância”; no livro A Conquista da Felicidade, aconselha os génios incompreen*di*dos a emigrarem para um lugar onde as suas ideias sejam mais bem recebidas, a fingirem aceitar os preconceitos e os costumes dominantes ou a tentarem que a sua independência de espírito não seja interpretada como uma provocação. Na realidade, por muito que custe admiti-lo, ser tomado por louco traz muito menos problemas.
 
Última edição:
«O incompetente procura ocultar a própria incompetência através do aumento das suas competências”, assinalava Parkinson, que descreveu a forma como os chefes gostam de multiplicar o número de subordinados, pelo que contratam pessoas para dividir as tarefas, e como os funcionários arranjam sempre trabalho para os colegas. Isso significa que o resultado de determinada incumbência será o mesmo, quer seja feita por uma ou cinco pessoas, embora o processo, no segundo caso, seja mais longo e complexo: no prazo de dez dias, B tem de fazer aquilo de que encarregou A, para depois ser revisto por C, pelo que necessita de se reunir com A; D e E terão de aprovar, mas não sem antes lerem os relatórios escritos por C e B, após as respectivas secretárias terem enviado cópias aos primeiros, a fim de que A possa finalmente assinar o que poderia ter escrito e rubricado desde o início, concluindo a tarefa em apenas um dia. Por exemplo...»

E assim se inventaram os tachos. Este é o retrato do nosso país. E, para já, mais não digo, por tudo isto parecer normal.
 
As comunidades sofrem todas do mesmo mal, o excesso de mediocridade, lamentavelmente. Estava a ler o artigo e a recordar-me do que o meu marido diz sempre sobre a forma como os boys criam processos inúteis para justificar a sua existência no estado. E desta forma tornam o estado no que conhecemos.
 
Não fiz o teste mas sou consciente que sou cada vez mais mediócre em quase tudo o q faço...[:D] Há muito que desisti de "inventar" ou melhorar processos pois o custo da criatividade é incalculável, não só em termos de remuneração mas tb de saúde.
 
Adams explicava: “Muitas vezes, promove-se a pessoa menos competente apenas para afastá-la do verdadeiro trabalho. É preferível que se dedique a coisas simples, como pedir café ou gritar com os outros. Os programadores e os cirurgiões, pessoas verdadeiramente brilhantes, não costumam figurar no quadro de administração das empresas.”
...nem dos nossos governos.:sh)

Compreende-se que a tal mediocridade característica da norma seja necessária para criar a estabilidade. Em comunidade não podemos viver uns sem os outros. Todos somos importantes. Basta ver que se houver greve na recolha do lixo a cidade fica num pandemónio. Quando há uma falha de água, electricidade ou gás, a vida simplesmente pára.

No entanto, reconheço que a união de medíocres faz a força contra a excelência. E essa união é muito mais fácil de se conseguir porque a regra facilita a junção de pessoas igualmente normalizadas, enquanto os criadores têm mais dificuldade de se juntar.

Mas, mais importância do que à excelência, dou ao esforço, integridade e determinação. Estes são – quanto a mim – os mais importantes factores que condicionam a evolução de qualquer ser humano na melhor direcção. E isso vai muito para além das capacidades inatas de cada um. São qualidades que valorizo acima daquelas de gente cheia de genialidade que, essas sim, ficam pela mediocridade do menor esforço.
 
Quem agir de forma diferente ou criativa, sabe que será mal visto e mal aceite pelos outros. Corre o risco da crítica, e marginalização. Uma factura muito alta a pagar. Quando a genialidade ou criatividade dão sinal, os medíocres entreolham-se e imediatamente segregam, por desconforto e medo.

Toda a gente para ser “normal” tem de encaixar nos padrões da norma. E isto afecta muito as pessoas que preferem pensar pela própria cabeça e questionar a razão da existência das coisas. É mias fácil cair na mediocridade do que ser-se autêntico. A sociedade está moldada para silenciar e afastar aqueles se destacam e isso sente-se principalmente nos locais de trabalho.

Deixar-se ser medíocre é bem mais fácil...
Prova disso é o medo que as pessoas têm de se mostrar serem diferentes. E neste tópico, as pessoas têm medo de falar para não serem conotadas como tendo a pretensão de se considerarem geniais. Há coisas que é melhor nem mexer, não vá o diabo tecê-las e ainda ser-se apontado e marginalizado.

Assim, ser-se “normal” também é muito bom, porque traz despreocupação e aceitação.
Já alguém dizia que manter-se no cinzento é o melhor que pode haver - não causa invejas, ódios nem discriminação. Mas para quem o não é, será isso genuíno e justo?
Viver custa, mas custa muito mais saber viver.
 
Quem agir de forma diferente ou criativa, sabe que será mal visto e mal aceite pelos outros. Corre o risco da crítica, e marginalização. Uma factura muito alta a pagar. Quando a genialidade ou criatividade dão sinal, os medíocres entreolham-se e imediatamente segregam, por desconforto e medo.

Toda a gente para ser “normal” tem de encaixar nos padrões da norma. E isto afecta muito as pessoas que preferem pensar pela própria cabeça e questionar a razão da existência das coisas. É mias fácil cair na mediocridade do que ser-se autêntico. A sociedade está moldada para silenciar e afastar aqueles se destacam e isso sente-se principalmente nos locais de trabalho.

Deixar-se ser medíocre é bem mais fácil...
Prova disso é o medo que as pessoas têm de se mostrar serem diferentes. E neste tópico, as pessoas têm medo de falar para não serem conotadas como tendo a pretensão de se considerarem geniais. Há coisas que é melhor nem mexer, não vá o diabo tecê-las e ainda ser-se apontado e marginalizado.

Assim, ser-se “normal” também é muito bom, porque traz despreocupação e aceitação.
Já alguém dizia que manter-se no cinzento é o melhor que pode haver - não causa invejas, ódios nem discriminação. Mas para quem o não é, será isso genuíno e justo?
Viver custa, mas custa muito mais saber viver.
Existia um pensamento de alguém desconhecido que não sei precisar bem, mas que guardo na memória, que seria semelhante a isto:

Para saber-se o que é normal, teremos de experimentar sempre os extremos.
PS.. Mas também peço ao ponto de ser mediocre...
 
Última edição:
“Todo o inútil se julga superior e esconde toda a sua incompetência atrás da autoridade.”

Esta frase diz muito daquilo que se vê. Não é raro ir falar com alguém com nome sonante e, antes de ser atendido, ser destratado pelos seus subalternos. Gente que trata com arrogância e notória superioridade no tom e nas palavras.

Todavia, quando chego a falar com a pessoa “que manda” encontro muitas vezes pessoas acessíveis, simples e respeitadoras. Pessoas que se desculpam por certas coisas, pelo atraso em receber ou se sentam nos degraus de uma escada a conversar com enorme à vontade.

A incapacidade e imbecilidade precisam de criar uma barreira de autoridade para se proteger. Talvez, por isso, eu abomine a esperteza saloia e o oportunismo, especialmente quando aliados à malvadez
 
O belissimo poema do meu conterrâneo diz tudo


"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo. Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!


[SIZE=+1]José Régio[/SIZE]


P.S.
Os testes que faço na Maria e na TV7 dias dão-me sempre pontuações bem mais elevadas! Este foi uma vergonha...[:p]
 
Este texto, a meu ver, "mexe" em alguns valores que temos enrraizados na nossa cultura e sociedade.
Desde sempre fomos considerados um povo de "brandos costumes" que, a meu ver, é "pau para toda a colher" no que isso tem de melhor e de pior. Basta vermos que, ao contrário de outros paises colonizadores, raramente subjugamos os colonizados aos nossos costumes (exceptuado a religião, talvez). Misturamos-nos com os colonizados, bebemos parte das suas culturas, impregnamos a nossa geralmente sem ser pela força. Já os holandeses, os ingleses, faziam valer as suas ideias, leis, força, para menosprezar as culturas e povos "inferiores".

De facto, todo o nosso sistema social, escolar, laboral, mesmo familiar está engrenado para funcionar na "mediocridade", ao que, convenientemente, muitos chamam de "normalidade".

Mas não devemos ver a dita normalidade ou mediocridade com menosprezo ou de forma prejorativa. Essa normalidade, conforme o texto refere, é necessária e salutar, desde que assumida de forma verdadeira e sem delirios de grandeza ou projecção em outrem, daquilo que queriamos ser e não somos.
Nem todos podemos ser extraordinários. Muitos têm que ser ordinários e, de certa forma, podem ser extraordinarios de mtas formas que aos olhos de outros são, simplesmente, banalidades.

Eu, de há cerca de 1 ano atrás, comecei a viver de perto com exemplos concretos de uma normalidade ou mediocridade que não pensei que existissem, ou pelo menos, com a qual nunca tinha convivido directamente, no dia a dia.

De facto, estava habituado, em casa, a incutir valores como esforço, dedicação, empenho, estudo, se bem que não ande toldado pela necessidade de fama e glória nos meus filhos. O que desejo sinceramente é que trilhem o caminho que os faça mais felizes e que tomem as decisões que julguem acertadas, mas munidos das ferramentas necessarias para o fazerem. Não me projecto neles nem tão pouco quero que sejam aquilo que não fui.
E, mto sinceramente, dispenso mto bem que passem as dificuldades que eu passei, para que, como dirão alguns "perceber que a vida é dura!" Não, não me interessa isso. Desde que entendam que tudo o que se conquista envolve uma dose de esforço, não preciso que carreguem sacos de cimento ou trabalhem de sol a sol para pagarem os estudos. Espero eu...(que agora anda cá o bicho papão, vulgo FMI[:p]).

Mas, neste ultimo ano, tem sido um esforço herculeo para incutir alguma noção de necessidade de esforço, necessidade de auto-estima, necessidade de dominar tarefas basicas do dia a dia. E compreendi as minhas limitações; tive que cair na realidade.

Nem todos vão poder ser bons, nem todos vão poder fazer a diferença. Nem todos vão trazer "Mto Bom" nos testes nem tão pouco palavras de admiração.
Mas para mim serão admiraveis, sempre.

Se não conseguem elaborar uma frase que qualquer outra criança da sua idade elaborava, então tenho que os felicitar por terem conseguido colocar a mesa para o jantar de forma perfeita e não se terem enganado nos talheres.

Se têm uma idade emocional de uma criança com menos 2 anos, então tenho que compreender que são excepcionais por conseguirem vestir-se sozinhos e tomar banho sem ajuda, em vez de esperar que façam as contas de multiplicar e dividir com uma "perna às costas". Provavelmente nunca irá acontecer. E eu tenho que baixar o meu nivel de expectativa.

E ver, descobrir a excepcionalidade, o suplantar-se onde provavelmente outros o fariam de forma intuitiva, normal, banal.

Espero que se sintam especiais em valores e afecto e que saibam desenvolver acções de forma feliz, excepcional para o nivel deles e não para o nivel que eu expectava.

Desculpem a extensão do texto e desculpem se é pouco entendivel...[;)]
 
Última edição:
Este texto, a meu ver, "mexe" em alguns valores que temos enrraizados na nossa cultura e sociedade.
Desde sempre fomos considerados um povo de "brandos costumes" que, a meu ver, é "pau para toda a colher" no que isso tem de melhor e de pior. Basta vermos que, ao contrário de outros paises colonizadores, raramente subjugamos os colonizados aos nossos costumes (exceptuado a religião, talvez). Misturamos-nos com os colonizados, bebemos parte das suas culturas, impregnamos a nossa geralmente sem ser pela força. Já os holandeses, os ingleses, faziam valer as suas ideias, leis, força, para menosprezar as culturas e povos "inferiores".

De facto, todo o nosso sistema social, escolar, laboral, mesmo familiar está engrenado para funcionar na "mediocridade", ao que, convenientemente, muitos chamam de "normalidade".

Mas não devemos ver a dita normalidade ou mediocridade com menosprezo ou de forma prejorativa. Essa normalidade, conforme o texto refere, é necessária e salutar, desde que assumida de forma verdadeira e sem delirios de grandeza ou projecção em outrem, daquilo que queriamos ser e não somos.
Nem todos podemos ser extraordinários. Muitos têm que ser ordinários e, de certa forma, podem ser extraordinarios de mtas formas que aos olhos de outros são, simplesmente, banalidades.

Eu, de há cerca de 1 ano atrás, comecei a viver de perto com exemplos concretos de uma normalidade ou mediocridade que não pensei que existissem, ou pelo menos, com a qual nunca tinha convivido directamente, no dia a dia.

De facto, estava habituado, em casa, a incutir valores como esforço, dedicação, empenho, estudo, se bem que não ande toldado pela necessidade de fama e glória nos meus filhos. O que desejo sinceramente é que trilhem o caminho que os faça mais felizes e que tomem as decisões que julguem acertadas, mas munidos das ferramentas necessarias para o fazerem. Não me projecto neles nem tão pouco quero que sejam aquilo que não fui.
E, mto sinceramente, dispenso mto bem que passem as dificuldades que eu passei, para que, como dirão alguns "perceber que a vida é dura!" Não, não me interessa isso. Desde que entendam que tudo o que se conquista envolve uma dose de esforço, não preciso que carreguem sacos de cimento ou trabalhem de sol a sol para pagarem os estudos. Espero eu...(que agora anda cá o bicho papão, vulgo FMI[:p]).

Mas, neste ultimo ano, tem sido um esforço herculeo para incutir alguma noção de necessidade de esforço, necessidade de auto-estima, necessidade de dominar tarefas basicas do dia a dia. E compreendi as minhas limitações; tive que cair na realidade.

Nem todos vão poder ser bons, nem todos vão poder fazer a diferença. Nem todos vão trazer "Mto Bom" nos testes nem tão pouco palavras de admiração.
Mas para mim serão admiraveis, sempre.

Se não conseguem elaborar uma frase que qualquer outra criança da sua idade elaborava, então tenho que os felicitar por terem conseguido colocar a mesa para o jantar de forma perfeita e não se terem enganado nos talheres.

Se têm uma idade emocional de uma criança com menos 2 anos, então tenho que compreender que são excepcionais por conseguirem vestir-se sozinhos e tomar banho sem ajuda, em vez de esperar que façam as contas de multiplicar e dividir com uma "perna às costas". Provavelmente nunca irá acontecer. E eu tenho que baixar o meu nivel de expectativa.

E ver, descobrir a excepcionalidade, o suplantar-se onde provavelmente outros o fariam de forma intuitiva, normal, banal.

Espero que se sintam especiais em valores e afecto e que saibam desenvolver acções de forma feliz, excepcional para o nivel deles e não para o nivel que eu expectava.

Desculpem a extensão do texto e desculpem se é pouco entendivel...[;)]



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Concordo com o artigo, mas não concordo com o teste.

O contrario de ser medíocre, é ser criativo?!

e não, não tou a falar mal do teste por ter tido muitos pontos [:D] .. até tive uma pontuação baixa, apesar de achar que tenho um problema de criatividade.
 
Concordo com o artigo, mas não concordo com o teste.

O contrario de ser medíocre, é ser criativo?!

e não, não tou a falar mal do teste por ter tido muitos pontos [:D] .. até tive uma pontuação baixa, apesar de achar que tenho um problema de criatividade.


Penso que tem aqui a resposta. :)

definirmos a mediocridade, não pelas suas conquistas, mas como sendo uma atitude (a incapacidade de valorizar a excelência), então também poderíamos definir o oposto nos mesmos termos. Isto é, uma pessoa excelente é aquela capaz de reconhecer e apreciar o bom, o notável, o brilhante, o belo ou o original, quer seja ou não artífice do objecto apreciado. Não é preciso ser Aristóteles, Dalí ou Einstein; a excelência também está presente nos que sabem admirar o talento dos outros e tomá-lo, subtilmente, por modelo.
Não depende das notas na escola, nem da classe socioeconómica, nem da profissão. Um humilde lavador de pratos pode pender para a excelência se for capaz de reconhecê-la e respeitá-la; nesse caso, terá bom gosto para se vestir, embora a roupa seja barata, e saberá escolher os amigos, distinguir um bom filme de um fraco e apreciar a beleza de um pôr-do-sol.
 
É o meu poema preferido....[;)]


O belissimo poema do meu conterrâneo diz tudo


"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo. Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!

[SIZE=+1]José Régio[/SIZE]


P.S.
Os testes que faço na Maria e na TV7 dias dão-me sempre pontuações bem mais elevadas! Este foi uma vergonha...[:p]
 
É o meu poema preferido....[;)]

Se é que eventualmente não conheces já, procura ainda o Poema do Silêncio.[;)]

Outros, mais simples, tremendamente belos...

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava,
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

P'ra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...



Desculpem o OT[:p]
 
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