música para funeral

Ou então:


Não arrastes o meu caixão
Que o Macadame tornou-se infame
E a traição dificulta a tracção

É por isso que volto à poeira
Menos atroz o atrito à madeira
Nas tábuas do meu caixão
Os ornamentos tornaram-se lisos
Vaidade morta, só restam narcisos
Em coroa no meu caixão

Não arrastes o meu caixão
Que as carpideiras perderam maneiras
E o cortejo tornou-se motejo
Em epitáfios talhados por cegos
Entre sevícias entrego-me aos pregos
Das tábuas do meu caixão

Do meu sarcófago fazes saltérios
Como a uma lira dedilhas o lírios
Em coroa no meu caixão

O estranho esquife espiaras, esconso
Na valsa convulsa em volta do vulto
Que habita no meu caixão.

[:D]
 
Agora fizeram-me recordar esta música...



Fim (quando eu morrer)

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.

Música: João Gil
Letra: Mário de Sá Carneiro
In: "Terra Firme" 87
 
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