- "Desde que não me afecte, é bom para todos", é o que alguns parecem querer dizer por outras palavras. Se as propostas técnicas na área da Saúde implicam aumento de custos, ficam na gaveta "ad eternum"; se as propostas técnicas implicam redução de custos são adoptadas como causa meritória.
- Diminuirão os partos em maternidades sem condições. Esqueceram-se de dizer que aumentarão os partos em ambulâncias (com condições?) e em centros de saúde (sem obstetras), como é frequente acontecer no Alentejo e nos Açores.
- Com a acessibilidade a serviços elementares de saúde mais dificultada, cada vez há menos razões para viver no Interior.
- O Zé Povinho ainda acredita que o Governo se preocupa com a Saúde e Bem-estar da população. Aliás, também foi a pensar nisso que as regras de aposentação estão a ser reformuladas: "A saúde dos cidadãos está primeiro e só depois as preocupações financeiras".
- Compreendo o sentimento das pessoas que vivem no Interior, que se sentem cada vez mais isoladas e esquecidas.
- Dou o benefício da dúvida a todos os outros casos, mas critico ferozmente o encerramento da Maternidade de Elvas.
Seria desejável que se analisassem os indicadores de saúde em Portugal (disponíveis na página da Direcção Geral de Saúde), antes de se tomarem certas posições tão extremadas.
Factos:
1 - a mortalidade materna (por complicações da gravidez, parto e puerpério) em Portugal é muito baixa: 3 óbitos no ano 2000 (1 Vila Real, 1 em Santarém, 1 em Setúbal). Onde está a "hecatombe" de mortes maternas nos distritos onde haverá encerramentos?
2- a taxa de mortalidade perinatal (calculada a partir dos óbitos de fetos com mais de 28 semanas e recém-nascidos com menos de 7 dias) é em Portugal de 6,2/1000, de média. Os 3 piores distritos são: Portalegre (11,2); Beja (8,3) e Guarda (7,5). Porque não são esses os distritos a serem alvo de intervenção prioritária tendo a em vista a melhoria dos indicadores de saúde?
O distrito de Évora, ao qual Elvas pertence, tem uma taxa de 6,9/1000, equivalente à de Setúbal e perto da de Lisboa (6,5). (DADOS DE 2000)
E Badajoz? Já alguém se interessou em saber quais são as taxas de mortalidade perinatal de Badajoz? É que, em 2001, a taxa de mortalidade perinatal em Badajoz situou-se acima da nossa média nacional: 6,33!!!!
Então, quer dizer que a alternativa a Elvas é Portalegre (distrito campeão na taxa de mortalidade perinatal, que é quase o dobro da média nacional) e Badajoz (que tem uma taxa acima da nossa média nacional)?
A única verdadeira alternativa é Évora, como já hoje é, mantendo-se a Maternidade de Elvas.
Só que é mais barato subcontratar uma maternidade em Espanha do que investr (entenda-se: gastar dinheiro) numa maternidade em Portugal.