MGomes
Membro histórico
Curiosamente, o Lada Niva era um dos veículos automóveis mais avançados e respeitados entre os produzidos do outro lado da "cortina de ferro". Para o bem e para o mal, o Lada Niva pouco mudou. Aliás, a primeira impressão quando entramos no "nosso" Niva é que estamos num carro novo feito há vinte anos. Os materiais utilizados e a qualidade da construção pertencem a outra era. Aliás, todas as grandes invenções de segurança activa e passiva das últimas duas décadas estão ausentes do Niva. Airbags, pré-tensores, estruturas de deformação programada, ABS…, nenhum deles cruzou o caminho do Niva. Mais do que minimalista, o Niva é espartano.
Esta unidade, que marca o regresso da importação da Lada a Portugal, possui ligeiros retoques no interior e no motor 1.7 a gasolina. Em concreto, o paínel de instrumentos é mais moderno e a injecção foi revista para que o Niva cumpra as normas Euro 4, prometendo menores emissões, consumos mais contidos e uma velocidade máxima superior: 138 contra os anteriores 137 km/h.
Nas rédeas do poder...
A experiência de condução exige uma destreza de mãos e dedos apenas ao alcance dos que possuem veículos clássicos. Luzes, piscas, limpa pára-brisas… tudo é manual e nem sempre os comandos e interruptores estão colocados nos sítios mais lógicos.
Porém, sendo pouco mais do que básico (quatro rodas, um motor, uma transmissão e uma carroçaria), o Niva é LEVE. Muito leve. Em concreto, mil cento e cinquenta quilos de "leveza". Graças a isso, e a uma arquitectura correcta, com uma roda em cada canto, uma boa distribuição de pesos, um centro de gravidade baixo, suspensões de longo curso, redutoras e bloqueio do diferencial central, o Niva é capaz de feitos notáveis fora de estrada. Na prática, é bem mais robusto e coriáceo do que parece.
No alcatrão, a transmissão é demasiado ruidosa e emite vibrações desconfortáveis sempre que o motor está entre as 2000 e as 4000 rpm, pelo que a solução é evitar essa faixa, o que contribui para que as despesas em gasolina sejam mais pesadas do que o desejado. A caixa não é um exemplo de precisão, muito embora se torne mais rápida e positiva em uso decidido. Os pneus mistos da Kumo possuem um limite de aderência muito baixo em piso molhado mas, depois de dominada a excessiva desmultiplicação da direcção, o chassis revela reacções progressivas, com excepção das travagens em apoio que obrigam a muita mão-de-obra para controlar as derivas da traseira, as quais podem atingir uma amplitude que deixa a olhar para a estrada pelos vidros laterais...
Ainda e sempre, o Niva continua a ser um dos TT mais carismáticos do mercado e cujo preço só é batido pelo do Suzuki Jimny.
in autohoje.com