Os EUA são um dos países mais ricos do mundo e, no entanto, também há pobreza, desastres naturais, violência, etc. As notícias acerca do que está mal nos EUA abundam, mas muito poucas pessoas observam uma coisa que está bem: os americanos, apesar de projectar uma imagem de capitalistas e individualistas, são extremamente generosos com o seu tempo, dinheiro, e capacidades. O espírito de entre-ajuda é muito forte.
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Como estudante, era esperado fazermos voluntariado não só para termos algo para meter no nosso CV e para melhorarmos as nossas "social skills", mas também, no meu caso que era de Portugal, para sensibilizar a comunidade para a minha cultura. Várias vezes, fui a uma escola primária para falar de Portugal: da geografia, da cultura, da nossa história, da nossa língua. Levava um PowerPoint onde tinha a informação, com umas fotos, um mapa, algumas palavras escritas em português e inglês e no fim conversava com os alunos pequeninos, alguns mal sabiam falar inglês, acerca de Portugal. Alguns dias depois, recebia no correio um envelope com um desenho dos alunos e uma nota da professora a agradecer-me a minha presença.
Houve um programa em que participei do qual guardo boas recordações, foi o Kidstock: uma feira de actividades para crianças. Nesse caso, não participei por ser de Portugal, apenas porque estudava na universidade e aquilo era uma actividade organizada pela universidade para as crianças da zona. É importante que as crianças visitem o campus e convivam com os estudantes universitários, pois isso aumenta a probabilidade que associem boas experiências à vida universitária e mais tarde frequentem a universidade e tenham sucesso.
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Então no Kidstock, o meu grupo de estudantes incluía um menino paraplégico e havia uma actividade que não o deixavam fazer porque envolvia passar por uns tubos de lona e tinham medo que ele se magoasse ou estragasse a estrutura. Eu achei que não havia problema e insisti para que ele fosse comigo -- há vantagens em ter apenas 1,53m. Acompanhei-o para me certificar que a cadeira de rodas não se enrolava em nada e correu tudo bem, ele conseguiu fazer a actividade, e no fim estava feliz. E eu também fiquei feliz por vê-lo feliz.Não precisei de receber dinheiro para ter satisfação em contribuir para o bem-estar daquela e de outras crianças. O dinheiro não é tudo. Pensar que apenas devemos fazer coisas quando nos pagam é sinal que não somos muito boas pessoas e de falta de dedicação à sociedade que nos educa como indivíduos. O dinheiro é um recurso escasso na sociedade e temos de nos ajudar uns aos outros porque isso também é uma forma de aumentar o bem-estar da sociedade e pode ser mais vantajoso para todos haver voluntários do que sermos pagos. Acham que alguém ia pagar a um português para ir visitar escolas primárias americanas para falar sobre Portugal? Será que, quando alguém tropeça na rua, estendemos a mão para que nos pague antes de ajudarmos a pessoa a levantar-se?
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