Histórias de desencantar

nunomplopes

Membro participativo
Já não me lembro do nome dela. Sinceramente, varreu-se-me ao fim de um ano de labuta mais ou menos intensa...

Vamos chamar-lhe Sofia. Encontrei-a aquando pela passagem pela Pedopsiquiatria.

Fora internada compulsivamente. Tinha agredido a mãe, porque esta se recusara a comprar-lhe um computador novo.

O pai, coleccionador e vendedor de selos, vivia alheado de todo o mundo, entregue às suas colecções e à rigidez das suas regras, que de vez em quando vergavam a muito custo e sob solicitação da mãe.

A mãe, essa, tinha um ar sofrido. Em criança tinha deixado de brincar com brinquedos, por falta de dinheiro para os comprar. Prometera a si própria que a filha nunca haveria de passar por vicissitudes desse género.
Trabalhava que se desunhava para isso, e não conseguia resistir ao choro da criança, que em breve se transformou num coro de exigências, e depois em insultos, ameaças, fugas de casa e, depois, naquele episódio..
Por isso, comprava-lhe, desde tenra idade, quase contando os tostões para comer, tudo o que podia: peluches, bonecas, doces, salgados, jogos caros, roupas de marca, um computador... Às vezes, fazia-o à revelia do pai, que, após descoberto o erro, encolhia os ombros e voltava para os selos da sua predilecção.

Sofia, nos últimos meses, perante a anarquia grassante em casa no que toca a regras, vinha fazendo mais e mais exigências aos pais: uma torneira sensível à aproximação das mãos, roupas cada vez mais caras. Quando os pais lhe respondiam que não tinham dinheiro para satisfazer as suas exigências, os gritos de "Odeio-te!" e a choradeira multiplicavam-se em crescendo.

Até ao dia em que bateu na mãe.

Aí, os pais, pela primeira vez na vida de Sofia, procuraram ajuda em todo o lado, excepto para a dinâmica da família: foram à comissão de protecção de menores e ao tribunal de menores da área, que emitiu um mandado de condução à urgência, tendo em vista o seu internamento compulsivo. Aí, foi internada compulsivamente para esclarecimento.

Foi assim que ela me foi parar às mãos.
O primeiro contacto foi hostil: tratava-se de uma moça de catorze anos, ligeiramente obesa, que exigia querelantemente a alta imediata. Estava visivelmente assustada com a situação.

Convoquei a família para uma reunião, com a supervisão directa e próxima do meu tutor desse estágio. Na reunião, Sofia chorava e fazia exigências, enquanto que, discretamente, olhava para os pais pelo canto do olho, para ver a sua reacção. A mãe, sem perceber nada, enervada, quase que saiu da sala.
Tive que intervir. Mandei Sofia sair da sala, e fiz uma explicação detalhada sobre o facto de, desde criança, as pessoas aprenderem a manipular os outros, ainda que inconscientemente...

Depois de várias sessões com Sofia e com os pais, elaborou-se um plano de tratamento, quer psicofarmacológico, quer psicoterapêutico. Ouvidas as partes, definiu-se um contrato terapêutico, com regras explícitas no que toca às exigências dos pais e de Carolina e penalidades em caso de infracção às regras. Estabeleceu-se a indicação para seguimento por uma psicóloga da Comissão e uma pedopsiquiatra da consulta externa, com acompanhamento e revisão do contrato terapêutico.

Tudo em vão.

Passados um ou dois meses, a mãe de Sofia procurou os médicos do internamento. Multiplicavam-se as ameaças aos pais, no seguimento de uma quebra no cumprimento das regras.

Sofia quebrara o contrato.

Os médicos do internamento remeteram simpaticamente a mãe de Sofia para os respectivos chefes.

Entretanto, saí do estágio. Não sei mais o que se passou com Sofia.

Casos como este são cada vez mais nos corredores da Pedopsiquiatria, e, depois, da Psiquiatria de adultos.

O estágio de Pedopsiquiatria fez-me, sinceramente, deprimir: noto que é cada vez mais difícil ser pai.

Noto que a sociedade está cada vez mais exigente para com os pais, para com os professores, e ao mesmo tempo a criar situações de completa demissão de funções, para uns e para outros. Exige-se a uns e a outros aquilo que eles não podem fazer, em nome de quê?

Quais os resultados práticos disto? Será que não estamos (Sociedade) a criar uma multidão de pequenos imperadores, egocêntricos, obesos, consumistas, sem respeito pelos outros, capazes de tudo para obter afecto ou bens materias? Como fazer para inverter a situação?

Como educar os pais? Como ser um pai (ou mãe) "suficientemente bom", de acordo com as características da sociedade actual?

Alguém me consegue responder a isto?
(Ou será que eu preciso de pôr as gotas na sopa?)

Psiquiatra da Net: A pequena imperadora
 
É a chamada geração Morangos com açúcar.

Por vezes o amor pelos filhos é tanto que chega a um ponto que deixa-se fazer tudo e "quanto mais me bates, mais eu gosto de ti".

Há que saber ensinar o "respeito" e "realidade".

Ou um belo par de estalos, como levei cada vez que me portava mal.

É triste ler estas coisas, mas...

Quem são os verdadeiros culpados?

Os amigos que contam o que fazem em casa? A TV? Os pais "galinha"?
 
Uma das razões destes casos a meu ver é os pais cederem às "chantagens" dos filhos. Ainda me lembro quando estava num supermercado e vejo duas crianças sentadas no corredor dos doces a chorar porque queriam um chocolate qualquer. A mãe cedeu e acabou por comprar o tal chocolate às crianças. Depois com o avançar da idade vem o resto...

Na única birra que fiz porque queria não sei o quê, a minha mãe resolveu o assunto com belo par de estalos. Nunca mais fiz birras. E acho que é mesmo a antiga terapia do par de estalos que faz falta a esta gente. [8b]
 
Uma das razões destes casos a meu ver é os pais cederem às "chantagens" dos filhos. Ainda me lembro quando estava num supermercado e vejo duas crianças sentadas no corredor dos doces a chorar porque queriam um chocolate qualquer. A mãe cedeu e acabou por comprar o tal chocolate às crianças. Depois com o avançar da idade vem o resto...

Na única birra que fiz porque queria não sei o quê, a minha mãe resolveu o assunto com belo par de estalos. Nunca mais fiz birras. E acho que é mesmo a antiga terapia do par de estalos que faz falta a esta gente. [8b]


A estas horas devias estar a dormir... Já levavas 2 chapadas [:)] [:)]
 
Era uma vez uma linda rapariga que perguntou a um rapaz:
-Queres casar comigo?
Ele respondeu:
-NÃO !!!
E a rapariga viveu feliz para sempre. Foi viajar, fez compras, conheceu outros rapazes, comprou casa, comprou um carro, deu umas ****s, mobilou a casa, comprou outro carro, tinha sempre um sorriso nos lábios, bebia uns copos com as amigas sempre que lhe dava na vontade e não tinha de prestar contas a ninguem.
O rapaz ficou barrigudo, careca, perdeu a tesão, o rabo caíu, os dentes amarelaram, ficou sozinho e pobre, pois nada se constroi sem uma MULHER...

Estranheza menos três: Histórias de desencantar.
 
Era uma vez uma linda rapariga que perguntou a um rapaz:
-Queres casar comigo?
Ele respondeu:
-NÃO !!!
E a rapariga viveu feliz para sempre. Foi viajar, fez compras, conheceu outros rapazes, comprou casa, comprou um carro, deu umas ****s, mobilou a casa, comprou outro carro, tinha sempre um sorriso nos lábios, bebia uns copos com as amigas sempre que lhe dava na vontade e não tinha de prestar contas a ninguem.
O rapaz ficou barrigudo, careca, perdeu a tesão, o rabo caíu, os dentes amarelaram, ficou sozinho e pobre, pois nada se constroi sem uma MULHER...

Estranheza menos três: Histórias de desencantar.

Nem vale a pena dizer que isto foi escrito por uma mulher [:D][:D]
Na versão do homem seria assim:

Era uma vez uma linda rapariga que perguntou a um rapaz:
-Queres casar comigo?
Ele respondeu:
-NÃO !!!
E o rapaz viveu feliz para sempre. Foi às p****, viu o futebol, fez compras, conheceu outras rarigas, comprou casa, comprou um carro, deu umas ****s, mobilou a casa, comprou outro carro, tinha sempre um sorriso nos lábios, bebia uns copos com os amigos sempre que lhe dava na vontade e não tinha de prestar contas a ninguem.
A rapariga ficou deprimida, feia, gorda, as mamas caíram, ficou sozinha e pobre, pois nada se constroi sem um CARTÃO DE CRÉDITO...

[:D]
 
Resultado da sociedade consumista que se está a criar, das influências da televisão e dos colegas de escola e muitas vezes dos pais que não se querem chatear nem perder tempo com os filhos.
Não está fácil, e reverter a situação parece tornar-se cada vez mais difícil.
 
Uma das razões destes casos a meu ver é os pais cederem às "chantagens" dos filhos. Ainda me lembro quando estava num supermercado e vejo duas crianças sentadas no corredor dos doces a chorar porque queriam um chocolate qualquer. A mãe cedeu e acabou por comprar o tal chocolate às crianças. Depois com o avançar da idade vem o resto...

Na única birra que fiz porque queria não sei o quê, a minha mãe resolveu o assunto com belo par de estalos. Nunca mais fiz birras. E acho que é mesmo a antiga terapia do par de estalos que faz falta a esta gente. [8b]

Uso o mesmo medicamento com a minha filha mas..... cuidado, ainda vamos todos para a choldra por isso, os castigos corporais são proibidos, ainda tentei ligar para casa do 1º ministro um dia às 3 da manhã quando essa lei foi aprovada, a minha filha teimava em não querer dormir e eu, como não lhe podia dar duas palmadas, já não sabia mais o que fazer, infelizmente o número do energúmeno não vinha na lista telefónica.
 
Resultado da sociedade consumista que se está a criar, das influências da televisão e dos colegas de escola e muitas vezes dos pais que não se querem chatear nem perder tempo com os filhos.
Não está fácil, e reverter a situação parece tornar-se cada vez mais difícil.

A minha opinião anda por aqui.
É dificil dizer não, dizer não apresenta mais discussão, é mais simples dar e habituar a isto. Depois crescem e os pedidos são mais dificeis de realizar, alguns até com a ilusão que saídos da Univ. tem um bom emprego à espera...

É necessário dizer que não e as crianças saberem que existem limites.
 
Os pais só têm aquilo que merecem.Não sabem educar os filhos,e depois só têm que se aguentar à bronca,e levar porrada naqueles cornos às vezes.
Quando em pequeno eu fazia alguma traquinice(raras) a minha mãe ameaçava-me com um tal "colégio interno" uma espécie de papão para mim,e naquela época não havia exigências,porque pura e simplesmente não havia nada para exigir, além de comida.
 
Ainda ontem bati nos meus filhos! Após vários avisos, mereceram e ... compreenderam.

Dou castigos e quase nunca lhes dou coisas à primeira solicitação. E faço-o de propósito. Têm de merecer o que pedem!

Hoje deram-me um beijo, como sempre, o mais pequeno ainda veio ter comigo à cama, tomamos o pequeno almoço juntos, falamos e depois foram todos felizes para a escola.

A minha mão serve para bater e acarinhar. É como o sal na comida, nem demais nem de menos.

Outro aspecto a referir são as constantes exigências da sociedade e do Estado e ao mesmo tempo a sua demissão de funções de apoio e promoção à família.
Os pais têm de auxiliar os filhos no TPC, lerem histórias à noite, irem a todas as reuniões e mais algumas, participarem nas actividades dos filhos, comprarem todo o material para que os seus filhos não se sintam info-excluídos, comprarem isto e aquilo e mais uns lápis de modelo xpto porque o professor manda, pagar a viagem aqui ou ali e ir à actividade do filho de 5 anos às 22:00
etc...
Não podem repreender os filhos, elevar a voz além de 50db, absolutamente proibido bater.

Depois têm de fazer tudo isto com um ordenado de miséria e empregos precários, com horários de trabalho flexíveis, creches a fechar às 18:30, preços a disparar e impostos sobre-humanos.

Haja paciência para estes palhaços!

Cumps!
 
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