[Sociedade] Geração perdida!?...

O emprego estável trabalha-se a montante e transversalmente, e já aqui falei disso milhares de vezes, designadamente com apoios sérios por parte do poder político e da generalidade da sociedade. Choque fiscal (...), ou atenuação gradual da carga fiscal por prioridades, medidas de incentivo à produtividade das PME's, seriam, a par de muitas outras de outras áreas que se interligam, para ontem...

Mas não. Sempre a solução mais fácil...

Concordo com algumas das medidas que defendes, mas penso que as medidas não podem ser só tomadas de cima para baixo. Tem que haver medidas no sentido inverso e mesmo só a nível pessoal. Não se pode querer só direitos.

Mas não. Sempre a solução mais fácil...
 
Concordo com algumas das medidas que defendes, mas penso que as medidas não podem ser só tomadas de cima para baixo. Tem que haver medidas no sentido inverso e mesmo só a nível pessoal. Não se pode querer só direitos.

Mas não. Sempre a solução mais fácil...
Não sei de que forma interpretas esse "de cima para baixo", mas concordo que medidas têm de ser tomadas.

Concretamente, se raciocinarmos no sentido de que todas as medidas que urgem tomar o devam ser sem cortes bruscos e sem causar instabilidade (senão não se morre do mal mas morre-se da cura...), chegamos lá! Por isso concordo contigo (se é que percebi bem) que as medidas devam ser tomadas "de cima para baixo", designadamente começando por que seja dado o exemplo pelos altos gestores, políticos e patronato e, claro, depois que esse exemplo venha "por aí abaixo".

Acontece que o que tem sucedido é optar-se sempre pela solução mais fácil, ou seja, começar de baixo para cima e com a preocupação de não passar de determinado patamar na subida, penalizando sempre os mesmos, pois é mais fácil assim... Não dá trabalho nenhum e sempre sobra, garantidamente, cada vez mais para aquela franja que continua imune à crise...
 
Excepto para alguns (poucos) individuos a vida nunca foi fácil. Ás vezes parece por comparação, mas na realidade não é. Cada geração tem as suas coisas desde o início dos tempos. Umas tem doenças, outras têm fome, outras têm guerra, outras têm desemprego, etc, etc...
 
Há uma mudança evidente num país que estava habituado a ter tudo como garantido e os trabalhadores não correspondiam com uma boa produtividade.

Assim e se a lei o permite, é óbvio que os patrões tentam ao máximo vínculos precários. Talvez se a produtividade fosse alta a tendência seria a inversa.

Estou convencido que o futuro passa pela prestação de serviços e os jovens vão ter de se habituar a fazer mais do que aquilo em que se formaram para ganhar a vida.
 
A geração perdida!? A geração perdida é esta e as anteriores. Perdidos andamos há muito todos nós.
As universidades dos dias de hoje, muitas vezes, mais não são do que máquinas de venda de canudos. Através de uma mentalidade puramente mercantilista limitam-se a abrir cursos, muitos dos quais sem saída profissional, mesmo debaixo do olhar governamental que vai fechando os olhos à venda desta autêntica «banha da cobra».

A massificação do acesso ao ensino levou muitos pais a entrarem na miragem de outros tempos de querer que os seus filhos tirem um curso superior, ou melhor, consigam o tal canudo. Talvez até estejam mais a projectar nos seus filhos a realização de um sonho seu nunca realizado do que a empreender para que o filho tenha um futuro melhor.
Entrámos na era dos canudos e depois temos falta de técnicos em electricidade, carpintaria, canalizações, mecânica, construção civil, agronomia, etc.
A imagem social instituída de que é preciso tirar-se um curso para conseguir um bom emprego está claramente a sair defraudada por culpa de todos nós. E as maiores vítimas são os jovens. Eles são as primeiras vítimas desse engodo e os pais que os têm de sustentar durante mais um sem número de anos acabam por se aperceber que a realidade é outra bem diferente.

Mas também um novo código do trabalho que permite despedir sem ter de fazer um processo disciplinar pelo trabalhador vem agudizar esta situação. O trabalhador deixou de ser um valor de uma empresa e passou a representar apenas um número.
O que interessa é ter emprego. Nem que se seja às custas de perder direitos adquiridos; nem que seja às custas de trabalho precário; nem que seja a recibos verdes; nem que seja com a imposição unilateral de flexibilização de horários; nem que seja através da penalização das mulheres grávidas; nem que seja através da exploração de horas extra não remuneradas; nem que seja através da exploração do homem pelo homem.

Reina o sentimento de que os trabalhadores são os culpados pela crise e terão de pagar por isso. E quem paga em primeiro lugar é a parte mais fraca e fácil de se explorar: os mais jovens. Isto é inadmissível numa sociedade que se diz civilizada. Cobra-se aos mais velhos o sacrifício de um prolongamento na carreira enquanto se vão frustrando e calando os jovens com fortunas em subsídios para os ir mantendo anulados. Depois arranjam-se uns trabalhos precários a termo ou a recibos verdes e criam-se todo o género de explorações aos nossos filhos para que os mesmos possam pelo menos ter um emprego.

Tudo isto é culpa dos sucessivos governos que nos têm desgovernado.
É fundamental que se discuta o emprego, mas o emprego com direitos, ou seja, não é agora validarmos a lei da selva par se resolver o problema. Não é agora a regredirmos 100 anos. A crise está a ser o mote usado para a exploração e humilhação de quem apenas quer trabalhar.

E se nós mais velhos fomos a geração hipotecada, estes mais novos são a geração enganada. Mais do que geração perdida, eles estão perdidos no meio de toda esta trapalhada em que se transformou um país que se esqueceu do seu sector primário, das PMEs, dos seus jovens e, por conseguinte, do seu futuro. Um futuro que, pelos vistos, apenas passa em investir fortunas em projectos megalómanos que hipotecarão de vez, não só o nosso futuro, como principalmente o dos nossos jovens. Um assalto que, uma vez mais, se direcciona na direcção do betão em vez de se preocupar em investir naquilo que temos de melhor: as pessoas.

E assim se vai pagando (o subsídio de desemprego) para manter os jovens calados. E eu pergunto: até quando poderá isso acontecer? Até quando será essa a solução? Até quando continuaremos a hipotecar o nosso futuro? Até quando continuaremos os mais velhos a andar perdidos arrastando os jovens neste abismo?
 
Abram mais centros comerciais, grandes superficies e hipermercados, pois parece que estes são a salvação dos desempregados e dos municípios :sh):sh):sh)
 
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