Fim das Praxes?

Eu posso falar no meu caso. Não me declarei anti-praxe porque não era anti-praxe, simplesmente fui algumas vezes às praxes (apesar de não estar a gostar, continuei a dar oportunidades por pensar que talvez depois aquilo mudasse) até que cheguei a um ponto em que me perguntei porque raio me estava a sujeitar àquela aberração e a permitir que tipos que nem conhecia me insultassem porque sim. A partir desse dia, deixei de aparecer nas praxes simplesmente.

E tive que aturar muita coisa por isso, como por exemplo:
- Estar a ser constantemente chateado por colegas que insistiam para que fosse à praxe;
- Ser, desde o primeiro dia, "informado" que quem não participava na praxe seria excluído, não seria ajudado pelos colegas, não poderia trajar, não poderia participar em nenhuma actividade académica (jantares de curso, festas, etc), teria o nome publicado na AE da escola como "anti-praxe" para toda a gente ver que se achava mais do que os outros, etc etc;
- Ser provocado pelo pessoal trajado várias vezes: por exemplo, estar uma vez a almoçar com colegas na cantina e chegar um dos praxantes e perguntar a um tipo que estava connosco e ia às praxes o seguinte: "porque raio estás a almoçar com estes vermes? A gente na praxe fala!".
- Ter conhecimento que o pessoal que ia à praxe era ordenado a excluir os anti-praxe e era castigado se fosse visto a falar com pessoal que não frequentava as praxes (foi quando percebi o porquê de uns tipos que falavam comigo no início na boa de repente deixarem de me cumprimentar)
- Podia continuar.

Claro que, passado 1 semestre, tudo isto acabou. Mas é um clima difícil de suportar e muitos cederam, quanto a mim, orgulho-me de não ter cedido a este tipo de pressão, que sei que acontece noutros lados.

Obviamente não sanciono esse tipo de praxe e consigo perceber as tuas reservas em relação à praxe nessas premissas.
Em Coimbra quando te declaras anti-praxe continuas a ter todo o direito de ter o traje, ir a jantares de curso e festas académicas. São situações distintas. A praxe não é a pedra basilar da tradição académica. Praxei um ou dois anos e chegou-me. Tinha um part-time e outros interesses.
 
Sempre gostei do "ninguem é obrigado a ir no praxe".

Pois, mas pergunto-me, o que acontece se optas para não ser praxado?

No meu caso lembro-me bem de dois rapazes, que estavam ao pé de mim, e que logo ao inicio das praxes se declararam anti e foram-se embora sobre apupos e alguns insultos...
 
Eu posso falar no meu caso. Não me declarei anti-praxe porque não era anti-praxe, simplesmente fui algumas vezes às praxes (apesar de não estar a gostar, continuei a dar oportunidades por pensar que talvez depois aquilo mudasse) até que cheguei a um ponto em que me perguntei porque raio me estava a sujeitar àquela aberração e a permitir que tipos que nem conhecia me insultassem porque sim. A partir desse dia, deixei de aparecer nas praxes simplesmente.

E tive que aturar muita coisa por isso, como por exemplo:
- Estar a ser constantemente chateado por colegas que insistiam para que fosse à praxe;
- Ser, desde o primeiro dia, "informado" que quem não participava na praxe seria excluído, não seria ajudado pelos colegas, não poderia trajar, não poderia participar em nenhuma actividade académica (jantares de curso, festas, etc), teria o nome publicado na AE da escola como "anti-praxe" para toda a gente ver que se achava mais do que os outros, etc etc;
- Ser provocado pelo pessoal trajado várias vezes: por exemplo, estar uma vez a almoçar com colegas na cantina e chegar um dos praxantes e perguntar a um tipo que estava connosco e ia às praxes o seguinte: "porque raio estás a almoçar com estes vermes? A gente na praxe fala!".
- Ter conhecimento que o pessoal que ia à praxe era ordenado a excluir os anti-praxe e era castigado se fosse visto a falar com pessoal que não frequentava as praxes (foi quando percebi o porquê de uns tipos que falavam comigo no início na boa de repente deixarem de me cumprimentar)
- Podia continuar.

Claro que, passado 1 semestre, tudo isto acabou. Mas é um clima difícil de suportar e muitos cederam, quanto a mim, orgulho-me de não ter cedido a este tipo de pressão, que sei que acontece noutros lados.

Pois, mas ao mesmo tempo, o oposto podia ter acontecido e que ficarias mesmo excluído. Ainda bem que não foi o teu caso, mas só aquilo que tinhas de aturar no incio ao recusar ser praxado é bastante indicativo da forma que os caloiros são, de uma forma, "voluntários a força" para serem praxados.

Ou seja "Ninguem é obrigado........mas ai tu se recusares........."
 
Eu posso falar no meu caso. Não me declarei anti-praxe porque não era anti-praxe, simplesmente fui algumas vezes às praxes (apesar de não estar a gostar, continuei a dar oportunidades por pensar que talvez depois aquilo mudasse) até que cheguei a um ponto em que me perguntei porque raio me estava a sujeitar àquela aberração e a permitir que tipos que nem conhecia me insultassem porque sim. A partir desse dia, deixei de aparecer nas praxes simplesmente.

E tive que aturar muita coisa por isso, como por exemplo:
- Estar a ser constantemente chateado por colegas que insistiam para que fosse à praxe;
- Ser, desde o primeiro dia, "informado" que quem não participava na praxe seria excluído, não seria ajudado pelos colegas, não poderia trajar, não poderia participar em nenhuma actividade académica (jantares de curso, festas, etc), teria o nome publicado na AE da escola como "anti-praxe" para toda a gente ver que se achava mais do que os outros, etc etc;
- Ser provocado pelo pessoal trajado várias vezes: por exemplo, estar uma vez a almoçar com colegas na cantina e chegar um dos praxantes e perguntar a um tipo que estava connosco e ia às praxes o seguinte: "porque raio estás a almoçar com estes vermes? A gente na praxe fala!".
- Ter conhecimento que o pessoal que ia à praxe era ordenado a excluir os anti-praxe e era castigado se fosse visto a falar com pessoal que não frequentava as praxes (foi quando percebi o porquê de uns tipos que falavam comigo no início na boa de repente deixarem de me cumprimentar)
- Podia continuar.

Claro que, passado 1 semestre, tudo isto acabou. Mas é um clima difícil de suportar e muitos cederam, quanto a mim, orgulho-me de não ter cedido a este tipo de pressão, que sei que acontece noutros lados.

Fizeste bem em não participar nessa praxe, esses trajados eram umas bestas. Mereciam ser proibidos de praxar.
 
Darwin deve estar a saltar da cova.


Praxe

Ontem vi um debate na SIC noticias, estava la um responsavel qualquer académico, so se enterrou cada vez mais, não conseguia defender a praxe perante perguntas pertinentes. Por coriosidade fui à NET ver alguns excertos de programas semelhantes e acontece a mesma coisa, não ha um praxista que consiga defender com logica a praxe, é quase como um dogma que defendem a coisa. Ridiculo.
 
Mais uma opinião....de um jurista.

Mais uma opinião....de um jurista.

«As praxes são imbecilidades pró-nazis que integram valores de degradação humana e abuso sexual, que não são os valores que queremos para o País. (...)
Havendo crime, provando-se o crime, e quer se identifiquem os autores materiais das violências, quer não, a comissão de praxe devia ser toda arguida...deviam ser todos réus no processo..!»


Miguel Sousa Tavares
 
Ontem vi um debate na SIC noticias, estava la um responsavel qualquer académico, so se enterrou cada vez mais, não conseguia defender a praxe perante perguntas pertinentes. Por coriosidade fui à NET ver alguns excertos de programas semelhantes e acontece a mesma coisa, não ha um praxista que consiga defender com logica a praxe, é quase como um dogma que defendem a coisa. Ridiculo.

Praxar para facilitar a integração num «ambiente novo e algo estranho» não me parece mal, desde que seja um acto voluntário.
Intoleravel é servirem-se da «praxe» para humilhar e maltratar o «outro», servindo-se de um «poder» com «cheiro» ditatorial.
 
Última edição:
Ontem vi um debate na SIC noticias, estava la um responsavel qualquer académico, so se enterrou cada vez mais, não conseguia defender a praxe perante perguntas pertinentes. Por coriosidade fui à NET ver alguns excertos de programas semelhantes e acontece a mesma coisa, não ha um praxista que consiga defender com logica a praxe, é quase como um dogma que defendem a coisa. Ridiculo.

A praxe violenta/humilhante e indefensável. E quando digo violenta falo em coisas tao simples como andar a fazer flexoes só porque alguém sem qualquer autoridade diz que sim e quando falo em humilhante basta ter de andar na rua com a roupa do avesso. Se as pessoas nao fazem isto no dia-a-dia nem durante as suas vidas nao existe qualquer defesa para tais práticas.
 
Sempre gostei do "ninguem é obrigado a ir no praxe".

Pois, mas pergunto-me, o que acontece se optas para não ser praxado?
A mim não me aconteceu nada nem deixei de me dar com ninguém.

Estas coisas acontecem porque os caloiros também são totós e deixam. Tudo bem que há pressão, mas só cede quem quer.
 
A praxe violenta/humilhante e indefensável. E quando digo violenta falo em coisas tao simples como andar a fazer flexoes só porque alguém sem qualquer autoridade diz que sim e quando falo em humilhante basta ter de andar na rua com a roupa do avesso. Se as pessoas nao fazem isto no dia-a-dia nem durante as suas vidas nao existe qualquer defesa para tais práticas.

São circunstâncias especiais, não tem comparação. Claro que não fazes isso no teu dia-a-dia mas catalogar essas actividades de humilhante/violentas é um bocado extremo. Mas cá está, depende da percepção de cada pessoa. Para mim não foi mas compreendo quem tenha essa opinião. Quando as actividades são feitas num espírito de brincadeira, sem espírito persecutório ou sentimentos negativos, não me incomoda. A questão aqui é o livre arbítrio. Só faz quem quer. Agora quererem impor a vossa maneira de pensar é absurdo, na minha opinião. Cada pessoa faz o que bem entende (numa lógica de respeito pelo semelhante). Volto a frisar que não estou a defender a praxe. Falo da experiência que eu tive. Praxe regulamentada, sem abusos e para quem quiser é o caminho. Quem não quiser, não entra nas actividades. Vocês tem todo o direito de não gostar da praxe, mas tem de respeitar quem gosta dessa vertente da tradição académica (praxe saudável).
 
São circunstâncias especiais, não tem comparação. Claro que não fazes isso no teu dia-a-dia mas catalogar essas actividades de humilhante/violentas é um bocado extremo. Mas cá está, depende da percepção de cada pessoa. Para mim não foi mas compreendo quem tenha essa opinião. Quando as actividades são feitas num espírito de brincadeira, sem espírito persecutório ou sentimentos negativos, não me incomoda. A questão aqui é o livre arbítrio. Só faz quem quer. Agora quererem impor a vossa maneira de pensar é absurdo, na minha opinião. Cada pessoa faz o que bem entende (numa lógica de respeito pelo semelhante). Volto a frisar que não estou a defender a praxe. Falo da experiência que eu tive. Praxe regulamentada, sem abusos e para quem quiser é o caminho. Quem não quiser, não entra nas actividades. Vocês tem todo o direito de não gostar da praxe, mas tem de respeitar quem gosta dessa vertente da tradição académica (praxe saudável).

Para mim nao sao circunstancias especiais.

Sou 100% a favor da praxe desde que nao tenha aquilo que referi e essa para mim é a praxe saudável.
 
Para mim nao sao circunstancias especiais.

Sou 100% a favor da praxe desde que nao tenha aquilo que referi e essa para mim é a praxe saudável.

Então se aceitas estar integrado no processo de praxe não são circunstâncias especiais? Em relação à tua apreciação, respeito. Eu tenho uma opinião contrária. Claro que isto é na lógica do divertimento e de só fazer quem quer. Andar com a t-shirt ao contrário (num ambiente de risada geral) enquanto o meu "padrinho" me mostra as cantinas, salas de estudo, serviços administrativos da Universidade é altamente subversivo :rolleyes:
 
Bem, a minha opinião..

Fui praxado, praxei e fui da Comissão de Praxe..

Fui muito praxado. muitas vezes eramos gozados e até a nos nos dava muita vontade de rir uns dos outros. Mas fortaleceram-se laços entre nós. A ideia era criar uma ideia de trabalhar em equipa, perceber que se um errava ,pagavam todos, porque todos tinham que funcionar como um todo. Não há rosa sem espinhos, e os sacrificios que faríamos na praxe simbolizavam aqueles que teríamos que fazer ao longo da nossa vida..

A pessoa que mais me praxou fisicamente (estava sempre a encher..) era meu amigo, e depois da praxe era quem me dava boleia para casa..[:D]

As vezes eramos gozados à frente de toda a gente, mas tinhamos que levar aquilo como era, praxe.. e à noite, iamos todos beber uns copos juntos, caloiros e doutores..[;)]

Quando fui da Comissão de praxe, inovamos e levamos a praxe para fora da escola, mas de uma forma integradora. E fazíamos passeatas noturnas com os caloiros onde os levávamos a conhecer a cidade, etc..

No fim da praxe, à noite, saíamos todos juntos e ficávamos horas a conversar e a rir sobre as praxes do dia..

No fim, acho que houve ningém que fosse praxado que não o quisesse ser outra vez..

E sim, também tive pais de alunos que iam ter connosco indignados porque os filhos chegaram a casa com a roupa ao contrario ou com ovos esmagados dentro das calças e afins..

E eram esses filhinhos de pápás, que uns anos depois se armavam em herois e queriam fazer e acontecer aos novos caloiros. O azar deles é que havia alguém que ainda impunha alguma ordem e o chamava à atenção. Alias, sempre que alguém abusava, a Comissão reunião com ele e muitas vezes até pedia desculpa ao caloiro.

Acabar com as praxes?? Acabar é com as más praxes..[;)]

Acho que anda por aqui muito tótó com oculos super graduados..[:D]
 
Então se aceitas estar integrado no processo de praxe não são circunstâncias especiais? Em relação à tua apreciação, respeito. Eu tenho uma opinião contrária. Claro que isto é na lógica do divertimento e de só fazer quem quer. Andar com a t-shirt ao contrário (num ambiente de risada geral) enquanto o meu "padrinho" me mostra as cantinas, salas de estudo, serviços administrativos da Universidade é altamente subversivo :rolleyes:

Nao. Qual a razao para a praxe de se processar daquela forma?
 
Nao. Qual a razao para a praxe de se processar daquela forma?

Não, na tua opinião.

A razão? Talvez tenha sido a maneira como o meu padrinho foi praxado. Posteriormente usou esse tipo de praxe comigo mediante a minha aceitação. E eu usei no meu caloiro com a sua concordância. Houve praxes que não aceitei fazer e não fui discriminado. Cada pessoa tem a sua maneira de ser. É difícil perceber o conceito que nem todas as pessoas tiveram más experiências em termos de praxe? É preciso julgar tudo com os mesmos padrões morais?
 
Bem, a minha opinião..

Fui praxado, praxei e fui da Comissão de Praxe..

Fui muito praxado. muitas vezes eramos gozados e até a nos nos dava muita vontade de rir uns dos outros. Mas fortaleceram-se laços entre nós. A ideia era criar uma ideia de trabalhar em equipa, perceber que se um errava ,pagavam todos, porque todos tinham que funcionar como um todo. Não há rosa sem espinhos, e os sacrificios que faríamos na praxe simbolizavam aqueles que teríamos que fazer ao longo da nossa vida..

A pessoa que mais me praxou fisicamente (estava sempre a encher..) era meu amigo, e depois da praxe era quem me dava boleia para casa..[:D]

As vezes eramos gozados à frente de toda a gente, mas tinhamos que levar aquilo como era, praxe.. e à noite, iamos todos beber uns copos juntos, caloiros e doutores..[;)]

Quando fui da Comissão de praxe, inovamos e levamos a praxe para fora da escola, mas de uma forma integradora. E fazíamos passeatas noturnas com os caloiros onde os levávamos a conhecer a cidade, etc..

No fim da praxe, à noite, saíamos todos juntos e ficávamos horas a conversar e a rir sobre as praxes do dia..

No fim, acho que houve ningém que fosse praxado que não o quisesse ser outra vez..

E sim, também tive pais de alunos que iam ter connosco indignados porque os filhos chegaram a casa com a roupa ao contrario ou com ovos esmagados dentro das calças e afins..

E eram esses filhinhos de pápás, que uns anos depois se armavam em herois e queriam fazer e acontecer aos novos caloiros. O azar deles é que havia alguém que ainda impunha alguma ordem e o chamava à atenção. Alias, sempre que alguém abusava, a Comissão reunião com ele e muitas vezes até pedia desculpa ao caloiro.

Acabar com as praxes?? Acabar é com as más praxes..[;)]

Acho que anda por aqui muito tótó com oculos super graduados..[:D]


Cura-te jovem precisas de ajuda psicológica .
 
Cura-te jovem precisas de ajuda psicológica .

Ajuda psicológica? Eu ?? [:D]

Jovem ?? Já fui..

Não me digas que já apareceu um "tótó" que enfiou o barrete..[:)] ( tou a brincar..[;)] )

Eu respeito todas as opiniões, mesmo aquelas que não vão de encontro à minha.

Não percebi é porque achas que estou doente..

Sabes ao menos do que falas ?

Por vezes generalizamos sem saber do que estamos a falar..
 
Não, na tua opinião.

A razão? Talvez tenha sido a maneira como o meu padrinho foi praxado. Posteriormente usou esse tipo de praxe comigo mediante a minha aceitação. E eu usei no meu caloiro com a sua concordância. Houve praxes que não aceitei fazer e não fui discriminado. Cada pessoa tem a sua maneira de ser. É difícil perceber o conceito que nem todas as pessoas tiveram más experiências em termos de praxe? É preciso julgar tudo com os mesmos padrões morais?

Ora, tendo em conta que a maior parte das universidades sao relativamente recentes, onde é que entra a praxe? Quem a comecou e porque é que comecou? Nao havendo história de praxes anteriores, porque é que comecaram? Aliás, para haver praxes é porque existiu alguém a praxar sem nunca ter sido praxado.

The plot thickens...
 
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