Os detalhes da derrota da Mercedes no Canadá
A derrota da Mercedes no GP do Canadá surpreendeu toda a gente, pois o Circuito Gilles Villeneuve parecia desenhado para favorecer as características do W05. Com curvas curtas e secas, onde a aerodinâmica não conta tanto, e duas longas retas, a pista dos arredores de Montreal proporcionou uma qualificação tranquila à equipa de Brackley, que ganhou 0,7s à Red Bull em apenas 75s (quase um por cento!) e na corrida tudo parecia ir de feição até à 35ª volta.
Até ai, e descontando as sete voltas passadas atrás do Safety Car depois do acidente que eliminou os dois Marussia na Curva 3, Rosberg e Hamilton tinham ganho um segundo por volta ao seu rival mais próximos e não parecia impossível que dobrassem toda a gente até ao final da prova. Mas, como explicou Toto Wolff, “quase de forma simultânea os MGU-K dos dois carros sobreaqueceram e deixaram de funcionar, deixando os dois pilotos sem a potência extra do ERS. Isso fez com que o sistema eletrónico de travagem que acciona os travões traseiros deixasse de funcionar, deixando-os em dificuldades tanto nas retas como nas travagens mais fortes.”
Como Hamilton é bastante mais exigente com os travões do que Rosberg – o que é um trunfo quando tudo funciona na perfeição – a situação do inglês era mais complicada e pior ficou quando teve de trocar de pneus pela segunda vez. As temperaturas enquanto o seu W05 esteve parado ultrapassaram os limites e se o inglês passou finalmente para a liderança aproveitando um problema na troca de pneus de Rosberg, rapidamente se viu que o sistema de travagem do seu Mercedes estava danificado para além do que seria possível recuperar. Uma saída em frente no gancho e nova travagem falhada para a chicane comprovaram o óbvio, com Hamilton a completar a 47ª volta muito devagar para abandonar nas boxes.
Rosberg regressou à liderança mas a vantagem para Pérez, que tinha chegado a 28,s na 35ª volta, encurtara para 3,8s em apenas 12 voltas (!) deixando antever um final de corrida penoso para o líder do Campeonato. Só que Rosberg é mesmo dos pilotos mais inteligentes do plantel, aprendeu a utilizar um sistema de travagem que colocava a maior parte do esforço nos travões da frente do W05 e com Pérez a atrasar os dois pilotos da Red Bull, ganhava-lhes mais de 0,5s só no primeiro setor, para ter margem para se defender na longa reta antes da chicane, apesar do deficit de 164 cavalos provocado pela falta de MUG-K!
Só quando Ricciardo superou o piloto da Force India é que a liderança de Rosberg ficou mesmo em perigo e como o australiano não perdia quase nada na parte mais sinuosa da pista, o líder do Mundial nada pode fazer para se defender na longa reta, sendo superado pouco mais de duas voltas antes do final da corrida. Se para a Mercedes esta derrota foi penosa e uma clara mensagem de que nada está ganho quando falta tanto Mundial para disputar, para Rosberg os 18 pontos conquistados deixam-no com 22 de vantagem sobre Hamilton e em posição muito mais confortável na frente do Mundial de Pilotos.
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