Acredita que estás. Porque estando na área da psicologia, deixa-me dizer-te que o sofrimento é sempre uma experiência unica, e individual.
Aquilo que para mim pode ser sofrimento atroz incapaz de ser paliado, para outrem pode ser.
Por exemplo, se tiver um cancro terminal, e tiver a hipótese de ir para paliativos gozar os poucos meses de vida, sem dor, sem falta de ar, e com boa qualidade e sem sofrimento, eu não hesitaria, e nem iria equacionar a eutanásia.
Mas se me visse numa cama, tetraplégico, a olhar 24h para o teto, a respirar por um tubo, a comer por outro e a urinar por outro, garanto-te que não há paliativos que consigam aliviar o meu sofrimento. Quem me tira a minha autonomia, tira-me tudo!
Mas para outrem, pode nem ser nada assim.
Por isso, digo-te. Os paliativos são sem duvida o berço de um Estado digno e justo, e temos que apostar mais neles. Mas por melhor que sejam, também não conseguem paliar tudo. [

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