Eutanásia

e parece - me uma ingenuidade por várias razões

porque ao longo do tempo criam-se redes de cumplicidade,

porque o sistema nacional de saúde e em particular os administradores hospitalares têm a ganhar se um doente dispendioso morrer mais depressa, quanto mais depressa mais barato fica

muitas famílias também terão vontade de se verem livres do doente

porque um administrador hospitalar tenderá a favorecer os médicos que ajudem a baixar a despesa, ou seja ajudem a fazer o maior número possível de eutanásias

não tenho em grande conta grande parte das pessoas, a ganância compra muitas consciências

e com o passar das décadas e algumas mudanças culturais a eutanásia deixa de ser um direito e passa a ser uma obrigação moral para todos os que estão dependente

mas ainda antes disso tratamentos caros, como a hemodiálise começarão a ser recusados aos doentes mais idosos

vamos ter a eutanásia

e muitas outras coisas de brinde


Devo dizer que ao que já se vê fazer sem a consagração da eutanásia, com a eutanásia vai ser o diabo... o sistema é imparavel, e este materialismo que grassa não perdoa.
Subscrevo a tua análise.
Cumpts,
 
La está, como ponto de partida, tendo a concordar. Mas daí em diante é que tenho as maiores reservas. Imagina que manifestas agora que queres ser eutanasiado se a tua saúde se degradar até ao ponto x... mas quando chegares ao ponto x, estás na iminência de ser avô pela tua primeira vez ( imaginando que vives muitos anos...) e , afinal até queres aguentar mais um pouco... mas já ninguém te leva a sério porque a tua degradação é do foro neurológico e acham que pifaste e decidem manter a tua decisão inicial... como é?
Uso este exemplo sem preocupações de rigor em face do que serão os exactos critérios da lei a ser aprovada, mas apenas para mostrar que quando estamos bem vemos as coisas de uma maneira, às vezes até parece que esbanjamos a saúde, e depois amarramo-nos à vida...
Cumpts,
É exactamente por isso que uma declaração prévia não valerá de nada.
 
mas tu nao percebes que um doente com cancro terminal, chega a uma fase em que nenhum cuidado paleativo o safa? Tenha o dinheiro que tiver??


BlackDrake,
Sou sensível ao ter argumento. Percebo-o.
O que acho é que a sociedade não deve desistir da pessoa. O SNS, o Estado, devem eliminar a dor e o sofrimento, porque a morte virá naturalmente. O investimento deve ser no sentido de ajudar, apaziguando a dor, não de provocar activamente a morte.
Mas não é fácil...
Cumpts,
 
É melhor a sociedade que obriga uma pessoa a um sofrimento em vão? Para que a sociedade se sinta melhor com ela própria? Em nome exactamente de quê?

Percebo que é um assunto complexo, mas há coisas que para mim são fundamentais, e este tipo de direito é uma delas, desde que bem enquadrado e acompanhado.


Achas que uma situação de depressão, que até pode ser provocada por um desgosto de amor, em vez de uma doença, é causa de sofrimento suficiente para conferir ao sofredor o direito à eutanásia?
É que, repara, a angústia provocada por uma depressão pode fazer-te perder o interesse na vida com mais força do que a dor de uma doença...
Cumpts,
 
Eutanásia

Achas que uma situação de depressão, que até pode ser provocada por um desgosto de amor, em vez de uma doença, é causa de sofrimento suficiente para conferir ao sofredor o direito à eutanásia?
É que, repara, a angústia provocada por uma depressão pode fazer-te perder o interesse na vida com mais força do que a dor de uma doença...
Cumpts,

Vais desculpar-me, mas continuo a achar que muitas pessoas desconhecem por completo o conceito de eutanásia, bem como as suas implicações éticas, legais, clínicas, etc., bem como os processos que lhes estão associados.

Os exemplos que vão sendo dados são ilustrativos disso mesmo. Estamos muito longe de discutir desgostos de amor.

Já para não referir que uma depressão é uma doença.
 
eu também acho que a maior parte das pessoas ignora como uma pessoa extremamente fragilizada é fácil de empurrar para a eutanásia

na teoria a pessoa é livre, na prática fragilizada como a pessoa está é muito fácil e conveniente abrir-lhe a porta da eutanásia e dizer-lhe para ir por aí

além de que a condição em que a pessoa vive muda, como o investimento em cuidados paliativos será menor, o sifrimento será maior e a vontade de morrer também

vão ter o que desejam, mas quando perceberem os brindes que isso vai trazer já nada poderão fazer

assim será
 
Vais desculpar-me, mas continuo a achar que muitas pessoas desconhecem por completo o conceito de eutanásia, bem como as suas implicações éticas, legais, clínicas, etc., bem como os processos que lhes estão associados.

Os exemplos que vão sendo dados são ilustrativos disso mesmo. Estamos muito longe de discutir desgostos de amor.

Já para não referir que uma depressão é uma doença.


Falaste numa situação de sofrimento em vão, sem mais. Concretiza de que tipo de sofrimento estás a falar, uma vez que parece que o sofrimento emocional, ligado à depressão, não mereceria da tua parte a tutela da lei.
Cumpts,
 
Última edição:
eu também acho que a maior parte das pessoas ignora como uma pessoa extremamente fragilizada é fácil de empurrar para a eutanásia

na teoria a pessoa é livre, na prática fragilizada como a pessoa está é muito fácil e conveniente abrir-lhe a porta da eutanásia e dizer-lhe para ir por aí

além de que a condição em que a pessoa vive muda, como o investimento em cuidados paliativos será menor, o sifrimento será maior e a vontade de morrer também

vão ter o que desejam, mas quando perceberem os brindes que isso vai trazer já nada poderão fazer

assim será

É preferível o brinde sádico de ver pessoas em sofrimento em vão, pessoas que conscientemente preferem esta solução do que continue o sofrimento?

Num mundo ideal, não existiria necessidade de qualquer processo deste tipo. Existe ainda uma grande diferença entre ter essa possibilidade ou ser obrigado a seguir esse caminho. Ninguém é.

Na viagem para PT vim a ouvir um podcast em que um conhecido comentador da praça afirma que é contra, e uma das razões é porque o corpo não pertence ao indivíduo. Entendo a razão da sua afirmação e o background da mesma, mas para mim, não faz qualquer sentido.

Dito isto, sou também a favor do investimento em cuidados paliativos. Porque sou a favor da existência de opções que dignifiquem o indivíduo no quadro da sua existência, e não de caminhos obrigatórios.
 
Falaste numa situação de sofrimento em vão, sem mais. Concretiza de que tipo de sofrimento estás a falar, uma vez que parece que o sofrimento emocional, ligado à depressão, não mereceria da tua parte a tutela da lei.
Cumpts,
A eutanásia implica sempre uma situação clinica irreversível tendencialmente muito grave.

Uma depressão não se enquadra de forma nenhuma.

Mas é como o três paus diz, abre-se a caixa de pandora. Após o diagnóstico dão as opções à pessoa para pensar. Olhe, pode ir para casa todo ******, esqueça lá ps cuidados continuados, paliativos ou não, e se quiser ainda temos a eutanásia que resolve o assunto. É livre de decidir o que quer mas pense bem no que será melhor para todos.

Com as equipas de gestão de alta que temos neste país, e com base nas que conheço, posso afirmar que elas serão grandes promotoras da eutanásia.
 
Falaste numa situação de sofrimento em vão, sem mais. Concretiza de que tipo de sofrimento estás a falar, uma vez que parece que o sofrimento emocional, ligado à depressão, não mereceria da tua parte a tutela da lei.
Cumpts,

Não disse nada disso. Disse que a eutanásia não é aplicável a arrufos de amor.

De resto é ler legislação vasta sobre o assunto, nomeadamente na Holanda.
 
Falaste numa situação de sofrimento em vão, sem mais. Concretiza de que tipo de sofrimento estás a falar, uma vez que parece que o sofrimento emocional, ligado à depressão, não mereceria da tua parte a tutela da lei.
Cumpts,

Não disse nada disso. Disse que a eutanásia não é aplicável a arrufos de amor.

De resto é ler legislação vasta sobre o assunto, nomeadamente na Holanda.
 
Não disse nada disso. Disse que a eutanásia não é aplicável a arrufos de amor.

De resto é ler legislação vasta sobre o assunto, nomeadamente na Holanda.

Tendo em conta os números parece-me que se for para fazer como na Holanda, não será em minha opinião a melhor solução nem são exemplo para ninguém.
Morrem à volta de 15 pessoas por dia com eutanásia na Holanda, a mim num país tão pequeno parece-me um manifesto exagero, o que indica que as regras para aplicação da eutanásia estão muito longe de ser restritivas como querem fazer crer. Parece-me já muito mais perto de uma banalização da eutanásia do que uma aplicação restritiva a casos extremos como acho que é o objetivo de uma lei destas.
Em média 15 mortes corresponde às mortes naturais por dia numa cidade de 400mil habitantes em Portugal nos dias de hoje.
No fim, não sei se se aplica a arrufos de amor, mas nalguns casos não deve andar longe.
 
Tendo em conta os números parece-me que se for para fazer como na Holanda, não será em minha opinião a melhor solução nem são exemplo para ninguém.
Morrem à volta de 15 pessoas por dia com eutanásia na Holanda, a mim num país tão pequeno parece-me um manifesto exagero, o que indica que as regras para aplicação da eutanásia estão muito longe de ser restritivas como querem fazer crer. Parece-me já muito mais perto de uma banalização da eutanásia do que uma aplicação restritiva a casos extremos como acho que é o objetivo de uma lei destas.
Em média 15 mortes corresponde às mortes naturais por dia numa cidade de 400mil habitantes em Portugal nos dias de hoje.
No fim, não sei se se aplica a arrufos de amor, mas nalguns casos não deve andar longe.

Ler a legislação holandesa como base para discussão, não como exemplo a seguir.
 
Ler a legislação holandesa como base para discussão, não como exemplo a seguir.

O início da discussão leva-me sempre a uma questão: queremos mesmo abrir esta caixa de pandora?

https://www.dw.com/pt-br/idosos-fogem-da-holanda-com-medo-da-eutanásia/a-1050812

Asilo na Alemanha converte-se em abrigo para idosos que fogem da Holanda com medo de serem vítimas de eutanásia a pedido da família. São quatro mil casos de eutanásia por ano, sendo um quarto sem aprovação do paciente.

Estudo justifica temores – Uma análise feita pela Universidade de Göttingen de sete mil casos de eutanásia praticados na Holanda justifica o medo de idosos de terem a sua vida abreviada a pedido de familiares. Em 41% destes casos, o desejo de antecipar a morte do paciente foi da sua família. 14% das vítimas eram totalmente conscientes e capacitados até para responder por eventuais crimes na Justiça.
 
O início da discussão leva-me sempre a uma questão: queremos mesmo abrir esta caixa de pandora?

https://www.dw.com/pt-br/idosos-fogem-da-holanda-com-medo-da-eutan%C3%A1sia/a-1050812

Asilo na Alemanha converte-se em abrigo para idosos que fogem da Holanda com medo de serem vítimas de eutanásia a pedido da família. São quatro mil casos de eutanásia por ano, sendo um quarto sem aprovação do paciente.

Estudo justifica temores – Uma análise feita pela Universidade de Göttingen de sete mil casos de eutanásia praticados na Holanda justifica o medo de idosos de terem a sua vida abreviada a pedido de familiares. Em 41% destes casos, o desejo de antecipar a morte do paciente foi da sua família. 14% das vítimas eram totalmente conscientes e capacitados até para responder por eventuais crimes na Justiça.

Eu nem sequer estava a pensar nesta caixa de pandora, porque a ir por aqui então mais vale sem duvida estar quieto.
Em todo o caso reforço o que disse acima, a eutanásia não me parece que seja aquilo que estão a fazer na Holanda, ou seja, não é aquilo que eu quero para Portugal nem como ponto de partida.

E diga-se eu sou completamente a favor da eutanásia em casos extremos. E casos extremos estamos a falar se calhar em 2 ou 3 dúzias por ano, não de 2 ou 3 milhares por ano num país como Portugal.
 
Parece-me que todos, ou quase todos, concordamos em que a Holanda não será um exemplo a seguir.

Também essa questão da influencia familiar, que nunca me tinha ocorrido até a ver referida aqui, é de facto lixada.

edit: Apesear dos muitos anos de vida que já levo, a má qualidade de alguns seres humanos ainda continua capaz de me surpreender com novos exemplos.
 
Última edição:
Parece-me que todos, ou quase todos, concordamos em que a Holanda não será um exemplo a seguir.

Também essa questão da influencia familiar, que nunca me tinha ocorrido até a ver referida aqui, é de facto lixada.

edit: Apesear dos muitos anos de vida que já levo, a má qualidade de alguns seres humanos ainda continua capaz de me surpreender com novos exemplos.

Já imaginaste o que é ter 1 ou 2 milhões à espera e o velhote nunca mais morre? E pior ainda está num qualquer lugar a pagar uma fortuna e a gastar esses milhões. Ou o velhote não tem como pagar um lar e o raio do velhote está a dar uns custos mensais quase insuportáveis e pode durar mais 3, 4, 5 anos? Para muitas famílias ter um idoso ao encargo, é mesmo isso um encargo e um fardo gigante. A mente fica completamente toldada com o passar do tempo e até não me parece dificil convencer um idoso que o melhor é morrer.
Provavelmente todos conhecemos um ou outro caso em que acho seria "fácil" levar as pessoas a cometer a eutanásia, bastava para isso fazê-las crer que são um fardo, um estorvo. Conheço especificamente um caso de uma pessoa de 55 anos, que está há 15/20 anos com atrofia muscular (penso que é este o nome da doença), quando a vejo parece-me uma pessoa que vai morrer no dia seguinte, o marido leva uma vida complicada e a pessoa está consciente da doença que tem e dos problemas que "traz" à família, seria dificil convence-la que o melhor é morrer? Acho que não, seria correto, também acho que não. São estes casos que me fazem ter duvidas da lei. Porque é fácil contornar a mesma, mesmo sendo restritiva.
 
Não disse nada disso. Disse que a eutanásia não é aplicável a arrufos de amor.

De resto é ler legislação vasta sobre o assunto, nomeadamente na Holanda.




Meu caro,
Hoje, às 00:43:37 respondi ao III dizendo que: "III,
subscrevo inteiramente estás tuas observações. Como vão os velhos ser empurrado... que sociedade está que põe a possibilidade de eutanásia como um tratamento ou uma solução. Cumpts,
"

A esse meu comentário tu dissestes, no teu post de hoje, pelas 00:49:21 que: "É melhor a sociedade que obriga uma pessoa a um sofrimento em vão?"

Eu respondi, também hoje, pelas 01:22:24 que: "Achas que uma situação de depressão, que até pode ser provocada por um desgosto de amor, em vez de uma doença, é causa de sofrimento suficiente para conferir ao sofredor o direito à eutanásia? É que, repara, a angústia provocada por uma depressão pode fazer-te perder o interesse na vida com mais força do que a dor de uma doença..."

Tu respondeste-me, às 01:39:16, que: "Vais desculpar-me, mas continuo a achar que muitas pessoas desconhecem por completo o conceito de eutanásia, bem como as suas implicações éticas, legais, clínicas, etc., bem como os processos que lhes estão associados. Os exemplos que vão sendo dados são ilustrativos disso mesmo. Estamos muito longe de discutir desgostos de amor. Já para não referir que uma depressão é uma doença."

Ao que eu repliquei, às 10:33:37, que: "Falaste numa situação de sofrimento em vão, sem mais. Concretiza de que tipo de sofrimento estás a falar, uma vez que parece que o sofrimento emocional, ligado à depressão, não mereceria da tua parte a tutela da lei.
Cumpts,
"

E agora dizes-me que não disseste nada disso?...
Cumpts,
 
Eu nem sequer estava a pensar nesta caixa de pandora, porque a ir por aqui então mais vale sem duvida estar quieto.
Em todo o caso reforço o que disse acima, a eutanásia não me parece que seja aquilo que estão a fazer na Holanda, ou seja, não é aquilo que eu quero para Portugal nem como ponto de partida.

E diga-se eu sou completamente a favor da eutanásia em casos extremos. E casos extremos estamos a falar se calhar em 2 ou 3 dúzias por ano, não de 2 ou 3 milhares por ano num país como Portugal.

Parece-me que todos, ou quase todos, concordamos em que a Holanda não será um exemplo a seguir.

Também essa questão da influencia familiar, que nunca me tinha ocorrido até a ver referida aqui, é de facto lixada.

edit: Apesear dos muitos anos de vida que já levo, a má qualidade de alguns seres humanos ainda continua capaz de me surpreender com novos exemplos.

E vamos confiar em quem para garantir que esse exemplo não será seguido?

E queremos correr esse risco?
 
Tendo em conta os números parece-me que se for para fazer como na Holanda, não será em minha opinião a melhor solução nem são exemplo para ninguém.
Morrem à volta de 15 pessoas por dia com eutanásia na Holanda, a mim num país tão pequeno parece-me um manifesto exagero, o que indica que as regras para aplicação da eutanásia estão muito longe de ser restritivas como querem fazer crer. Parece-me já muito mais perto de uma banalização da eutanásia do que uma aplicação restritiva a casos extremos como acho que é o objetivo de uma lei destas.
Em média 15 mortes corresponde às mortes naturais por dia numa cidade de 400mil habitantes em Portugal nos dias de hoje.
No fim, não sei se se aplica a arrufos de amor, mas nalguns casos não deve andar longe.


O problema é abrir a caixa de pandora... o problema é permitir, sequer, que ideia de de matar seja encarada como solução... que mundo este que em vez de investir nos cuidados médicos, todos e o mais, alguns, para tratar, aliviar ou evitar a dor, a angustia, o sofrimento, decide antecipar a morte....
Não estou a dizer que que se esteja a matar em nome de nada... percebo muito bem o que está em jogo... mas esta ideia de que num Estado se consagra a antecipação da morte, provocadamente, é chocante!
E a Holanda, então, com esta do comprido para os maiores de 70 anos (confesso que desconheço o assunto para além desta parangona que até pode ser enganosa)... bem é inqualificável...
Para mim, e reduzindo as coisas aquilo que são o seu núcleo essencial, se está doente, trata-se. Nuns casos com expectativas curativas, noutros, infelizmente, apenas paliativas. Mas trata-se... não se desiste... não se faz o contrário daquilo que é conceptualmente correcto.
Cumpts,
 
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