Estado kafkiano

Não foi bem no momento: o utente preencheu todos os formulários e foi-se embora, portanto, o procedimento foi terminado.

Provavelmente a transacção foi registada e sendo assim, não é fácil anulá-la de forma informal. Se os funcionários tivessem a liberdade para fazer alterações a seu bel prazer, seria o caos...

E repito: se o pedido de alteração fosse processado numa semana, qual é o problema? O tempo que isto leva a tratar é que é intolerável.

não digas isso que é um disparatede todo o tamanho.

Olha para a banca, vai la fazes um deposito, assinas e tudo e ate ao fecho do dia o deposito pode ser cancelado, alterado, anulado e tudo o mais.
A unica coisa que fica é o registo dessas operaçoes.
Para analise em caso diferendo.

Aonde é que ja se viu um sistema que não permite corrigir um engano 10 minutos depois!
 
O bom senso é discricionário e leva a injustiças e procedimentos contraditórios... Por isso tem de haver regras...

As regras devem ser feitas com bom senso.

Um sistema fiscal que ainda funciona desta maneira, funciona muito mal.

E neste país falta muito bom senso nas leis.

Outro exemplo do Estado Kafkiano e que até já relatei aqui, é um procedimento completamente parvo que o Estado obriga a fazer para se resgastar os PPEs.

Nos PPEs que tenho, caso estude em Portugal posso resgatar €2500/ano e caso estude no estrangeiro €5000/ano.

Ora o Estado exige que eu apresente um comprovativo de residência independentemente de se ir resgatar €2500/ano ou €5000/ano.

Se o Estado tivesse bom senso, perceberia que só faz sentido pedir comprovativo de residência no caso de se ir resgastar os €5000/ano, ou seja, no caso de estar a estudar no estrangeiro porque só aí existe "vantagem em mentir".

E sendo este caso simples e aparentemente inócuo, ele é apenas mais um entre muitos que traduzem a filosofia kafkiana da burocracia.
 
Última edição:
Por acaso depois de ler o 1.º post a primeira coisa que me passou na cabeça foi:

Porque raio não anulou o cheque? Era o que faria e depois quando me chamassem pagaria o valor correcto!

Mas é assim mesmo... As vezes não encontramos a solução mais fácil!
 
Vou aproveitar este tópico para falar de mais coisas kafkianas do nosso Estado.

É sabido por quase todos que uma das coisas mais kafkianas em Portugal foi e ainda é o arrendamento urbano. Deve-se ao Estado a degradação de muitos bairros das nossas cidades.(...)


Quando compras um carro, não lhe fazes manutenção?

Uma pessoa que compra uma casa e nunca lhe faz manutenção, não deve honestamente ao fim de vinte anos exigir o preço de uma nova se a quiser vender.

Eu até concordo que a burocracia e as leis não ajudam os proprietários nesta questão, mas esta maneira de estar, de só colher rendimentos sem arranjar, modernizar, actualizar, etc e esperar que o rendimento aumente ao longo dos anos, porque sim, não faz muito sentido.

Mas claro que posso estar a ver mal a coisa...
 
Quando compras um carro, não lhe fazes manutenção?

Uma pessoa que compra uma casa e nunca lhe faz manutenção, não deve honestamente ao fim de vinte anos exigir o preço de uma nova se a quiser vender.

Eu até concordo que a burocracia e as leis não ajudam os proprietários nesta questão, mas esta maneira de estar, de só colher rendimentos sem arranjar, modernizar, actualizar, etc e esperar que o rendimento aumente ao longo dos anos, porque sim, não faz muito sentido.

Mas claro que posso estar a ver mal a coisa...

Podes e estás a ver mal.

Para ir buscar o exemplo dos carros, o arrendamento de uma casa assemelha-se ao "renting" de uma viatura.

No renting de uma viatura está incluído o usufruto do carro bem como a sua manutenção. O que pagas todos os meses inclui isto.

O que se paga de renda de habitação inclui o usufruto da habitação e a manutenção da mesma.
 
Como é arranjas com rendas de €1,60? €10? Ou €20/mês?


A pergunta é para mim?

Simples, não se pode arranjar.
Por isso é que tb estou de acordo que essas rendas e a lei que lhes deu origem é absurda.

Mas que o espírito de um contrato de arrendamento inclui o usufruto e a manutenção normal, inclui! [;)]
 
Era pó Nhtor [;)]

Totalmente de acordo Clio.

A questão é que as rendas estão congeladas por iniciativa do Estado e continuam, na prática, a estar.
 
Quando compras um carro, não lhe fazes manutenção?

Uma pessoa que compra uma casa e nunca lhe faz manutenção, não deve honestamente ao fim de vinte anos exigir o preço de uma nova se a quiser vender.

Eu até concordo que a burocracia e as leis não ajudam os proprietários nesta questão, mas esta maneira de estar, de só colher rendimentos sem arranjar, modernizar, actualizar, etc e esperar que o rendimento aumente ao longo dos anos, porque sim, não faz muito sentido.

Mas claro que posso estar a ver mal a coisa...

Nthor. A resposta está nesse pormenor dos rendimentos. Não há rendimentos, ficaram congelados no tempo. Um mês de renda não dá para pagar uma hora de trabalho dum canalizador ou electricista. Há centenas de milhar de casas nesta situação.
 
E toda esta situação produziu algo único na Europa.

Lisboa não tem classe média, é uma cidade de completo contraste, vivem lá os pobres e muito pobres e a classe média alta e alta.

Ao passo que na maioria das cidades europeias, a pressão dos preços obrigou as classes com menores recursos a sairem da cidade, cá graças a este controlo estatal, poderam permanacer com as suas rendas, em bairros que se foram degradando ano após ano.

Daí a existência de tanto bairro popular degradado, por toda a cidade. Algo muito peculiar para uma capital.
 
Como é arranjas com rendas de €1,60? €10? Ou €20/mês?
Exactamente , não arranjas, mas a degradação de imóvel não começa só ao fim de 15/20 anos.

Muitos nunca viram tinta quanto mais arranjos, entendes?

No entanto há claramente casos de pessoas que podem pagar mais do que pagam, outros que não, a lei devia ter em conta a situação financeira das pessoas e o investimento feito pelo proprietário na manutenção ao longo dos anos, para depois actualizar para valores justos/razoáveis as rendas.

Tb devia ser mais fácil e rápido resolver as questões de danos aos imóveis causados pelos inquilinos.

Acho eu.
 
Nthor. A resposta está nesse pormenor dos rendimentos. Não há rendimentos, ficaram congelados no tempo. Um mês de renda não dá para pagar uma hora de trabalho dum canalizador ou electricista. Há centenas de milhar de casas nesta situação.
Pois eu sei.

Vê a resposta que dei ao André.
 
E toda esta situação produziu algo único na Europa.

Lisboa não tem classe média, é uma cidade de completo contraste, vivem lá os pobres e muito pobres e a classe média alta e alta.

Ao passo que na maioria das cidades europeias, a pressão dos preços obrigou as classes com menores recursos a sairem da cidade, cá graças a este controlo estatal, poderam permanacer com as suas rendas, em bairros que se foram degradando ano após ano.

Daí a existência de tanto bairro popular degradado, por toda a cidade. Algo muito peculiar para uma capital.
Óh André, mas isso é um problema nacional, a classe media está a desaparecer por todo o país, não é só em Lisboa.
 
Exactamente , não arranjas, mas a degradação de imóvel não começa só ao fim de 15/20 anos.

Muitos nunca viram tinta quanto mais arranjos, entendes?

No entanto há claramente casos de pessoas que podem pagar mais do que pagam, outros que não, a lei devia ter em conta a situação financeira das pessoas e o investimento feito pelo proprietário na manutenção ao longo dos anos, para depois actualizar para valores justos/razoáveis as rendas.

Há rendas congeladas há mais de 60 anos, nthor [;)]

Existem situações completamente irreais.
Há pessoal em vivendas do Restelo a pagar €25/mês :sh)
 
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