Na minha opinião, Nthor, o problema é que metes uma data de coisas nas discussões que não têm nada a ver.
Agora no caso das rendas foi os vencimentos que não aumentam [

]
E que tu tens um certa tendência para achar que o sucesso só pode vir da falcatrua, isso é algo que todos nós já experientes nas conversas do OT, já nos habituamos. Temos que saber viver com isso [

]
Em relação às causas que produziram este mercado de arrendamento, basta perceber um pouco do pensamento político e económico do Salazar.
Ele gostava da inflacção 0.
Acrescente-se a isso, se quiserem, a sua doutrina católica.
Não gostava de ricos. Tinha que os tolerar.
Daí é um pequeno passo para achar que quem tem uma propriedade "já está muito bem na vida".
Uma forma de fazer alguma caridade social e acima de tudo lutar contra o "mercado" (e o Salazar tinha um ódio ao mercado como talvez tivesse pao comunismo [

] ), foi congelar as rendas. O povo ficava amaciado nos seus bairros da cidade e a "paz social" sustentava a própria ditadura. No fundo é esta a ideia.
E isto numa altura onde não havia propriedade horizontal, mas apenas vertical.
Como a inflacção era mínima e mesmo 0, resultava uma "remediação" para os proprietários. Economia coorporativa no seu melhor.
Mas a ditadura acabou e a política ecónomica alterou-se por completo.
Anos de inflacções a 20 e 30%. PREC e tudo mais.
Como medida que tão artificialmente protegia os pobres (e os ricos mas isso é daquelas coisas curiosas de 90% das políticas socialistas [

]), naturalmente que o socialismo pós 25 de Abril nada tinha contra a lei.
Foi preciso já termos entrado na CEE, já termos permitido a economia de mercado (1989) para um governo começar a mexer no assunto, criando a lei para as novas rendas, "estancando" o cancro produzido pela lei dos anos 40.
Nós portugueses demoramos sempre muito a resolver os problemas. É sempre à última infelizmente.
Só mais de uma década depois, um governo assume que vai mesmo mudar a lei anterior (depois do partido que o apoiava estar anos e anos a falar no assunto sem coragem de avançar) na qual se impõe um regime de transição.
Lei feita, aprovada e o governo cai. Não era perfeita, nem sequer era muito boa, mas era razoável e até "praticável".
O governo seguinte altera a lei e volta a proteger o inquilino de tal forma que não permite -na prática- qualquer mudança.
P.S. Outra situação bem conhecida em Lisboa, é pessoal com qualificações (médicos, advogados, quadros superiores, professores, etc) viverem em boas casas (Av. de Roma, Restelo, etc) alugadas pelo regime antigo e com rendas de €20 e €30/mês. Como não tiveram que gastar dinheiro a comprar a própria casa têm o capital para comprar outros prédios e arrendam-nos após a lei de 91 naturalmente a preços elevados. O cúmulo da injustiça não? :sh)